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Domingo, Setembro 30, 2007
TORPEDO VII
... amorzinho / (assim, inho / porque doce, quando amargo / e suave, apaixonado)/ sigo um beijo, beijinho / todo carinho...
às 11:08:23
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11:15
Sábado, Setembro 29, 2007
TORPEDO VI
Acordei feliz: / - impregnado / absorvido / saturado / constituído / (da mente aos sentidos) / por tudo que te diz respeito.
às 10:36:10
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10:36
Sexta-feira, Setembro 28, 2007
TORPEDO V
Este, embora torpedo / publicá-lo, devo: / - já que tão contido desejo / ao ponto de desdizê-lo / no que revela segredo...
às 13:25:40
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16:27
Segunda-feira, Setembro 24, 2007
TORPEDO III
... o dia passa / e tal dança - de palavras / mal descansa / (vez precária) / desta saudade - fatigada...
às 11:13:44
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16:58
FÊNIX
Eu estou mudando. Você está mudando.
E essas mudanças, assim Informadas uma da outra
Fecundam-se, cuidadosas Idiossincrasias - uma e outra.
Eu estou (me) aproximando. Você está (se) aproximando.
E essas aproximações, assim Mais próximas uma e outra
Contemplam-se, amorosas Epifanias - uma da outra.
(afinando a sintonia a seguir tentativa)
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16:42
Quarta-feira, Setembro 19, 2007
AFTER (JUST) LOVE
... súbita, numa alegre radiância derramada dos teus olhos, nos teus lábios instantânea
disparavas metralhada uma risada
de si cheia, sereia, quase gargalhada do fundo da garganta duma satisfação plena...
e sereno, este riso - gozo duplicado, replicado, repetido -
todo me abria, num átimo, em abismo por onde subiam os grotões do paraíso.
***
(e agora, como vivo com teu eco infinito?
essa música, toda tua que sentidos recapitula recativando o ouvido?...)
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15:32
Terça-feira, Setembro 18, 2007
Porque sou tão teu mistério
"Julieta: Romeu! Romeu! Por que você é Romeu? Negue seu pai e renuncie ao nome; se não quiser, basta jurar-me amor, e eu deixarei de ser a Capuleto. Romeu (à parte): Devo ouvir mais ou devo responder? Julieta: O que é um Montéquio? Não é mão, nem pé, ou braço, ou rosto, ou qualquer outra parte de um homem: seja outro nome! Nome? O que há num nome? O que chamamos rosa não cheiraria tão doce em outro nome? Assim, Romeu, se fosse um não-Romeu, não perderia a querida perfeição sem o seu nome. Jogue fora o seu Montéquio, fique comigo, inteirinha! Romeu: Peguei você na palavra! Eu não fui batizado, meu nome é Amor, não sei quem é Romeu. Julieta: Que homem é você, na noite oculto, que assim penetra em meu segredo?"
William Shakespeare, "Romeu e Julieta". Em Retrato do amor quando jovem: Dante, Shakespeare, Sheridan, Goethe. Projeto e tradução de Décio Pignatari. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, pp. 142-143.
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13:59
Segunda-feira, Setembro 17, 2007
TAQUICARDIA
Se andarmos apartados Tropeçando encrespados Paralelos pelas vias
Incluídas nos tratados Que firmamos nos cansaços Da estrada que trilhamos
Andemos! Soframos! E se pararmos (num intervalo solar desses desse tamanho descaso com as estrelas)
E pensarmos (ao menos) em mudar Duas feridas (a menos) de lugar
Que possamos Manter atados Teus reclamos A meus atalhos
(na saúde da doença da alegria na tristeza)
Até que aprendamos A amar nos desencontros O mistério que nós somos Quando entre(nos)cruzamos...
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15:17
Domingo, Setembro 16, 2007
Sobre precisar e (não) bestializar
"O sonho é muito importante, sem ele a gente não sai do canto. Todo ser humano precisa de um pouco de loucura, ou cai na rotina. Fernando Pessoa já dizia: 'sem a loucura, o que é o homem? Uma besta sadia.'"
Ariano Suassuna, XIII Bienal do Livro do Rio de Janeiro, sexta-feira última.
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23:56
SONHO DE DOMINGO
Hoje, se acordado Doce e vago, ao teu lado Vigília ou preguiça - tanto faria
Se claro dia, ou nublado Se cedo ou tarde, da noitinha Cansado, bem mal-dormida
(entre amores cultivados)
Se - do tempo e do espaço Recentes de deuses de passado Decente, num hiato celestial
Eu pudesse ter contado Afinal com a luz, a paz matinal Do teu sorriso - meu branco mundo estival...
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10:44
Sábado, Setembro 15, 2007
DO DICIONÁRIO XXVI
Egoísmo: deliberado Autismo ao chamado Daquilo que preciso.
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22:13
PARA (MELHOR) ATRAVESSARES A MADRUGADA
poema ruim, mas necessário
Quando medo e presunção Travestidos de razão
Ameaçarem tua paixão (pela vida que jurei, faria valer a pena ser vivida)
Ao encontrarem-se no portão
Da noite que só atraiçoa os enganos Confortáveis - aos quais nos apegamos Tristes e covardes
[noite contrária à luta fútil - e diária sob luz opaca, que brilha
(inútil turmalina)
sobre a fina simplística de uma lógica ofuscada porque temerosa (por nada...)],
Lembre-se de um abraço Morno e lasso, estreito e largo - sempre ao alcance Dos teus braços - num relance Permanente, por tudo confiante
Noutras horas iguais De pouco tempo atrás...
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12:32
Sexta-feira, Setembro 14, 2007
DO DICIONÁRIO XXV
Poço: outro lugar De reacostumar O novo a olhar.
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23:08
Quinta-feira, Setembro 13, 2007
VIDA ANIMAL
Neste tormento seco, poeirento Sem risco real, que se apresente A contento, migração anual
Não há (vê-se), ascendente Aparentemente um movimento Que do centro se sustente.
Por onde venham, retraídas E floresçam, compreendidas Palavras sem gravidade.
Onde ensejos, ou vontades Que destravem felicidades Não passem necessidade.
Por uma pista, uma saída (trilha, passarela, escadaria) Um louva-deus que sobreviva
A este clima...
(porque discreto, teu mal-estar devora-me, exatamente ao descasalar...)
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15:06
Terça-feira, Setembro 11, 2007
BREU REFLEXO
Há muita luz em todo lugar. Luz a mais, demais Pra quem quer enxergar.
[como na noite sem lua (sem hora pra terminar) escura, escura, escura (que perfura todo lugar)]
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15:02
Domingo, Setembro 09, 2007
SOB O SOL QUE ME ABRIGA
Os demônios que me fitam (dos ipês que amarelam)
Fritam sob o sol (meu cáustico amigo)
Do Planalto Central.
O céu que me abriga Acolhe a caminhada
Noite e dia; e de madrugada (a lua dourada) Amarela as flores das sacadas...
(o que me lembra, quando perdido da seca certeza que me amolda carcaça, cachola e espírito:
- eu não desisto do que sinto)
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14:22
Sábado, Setembro 08, 2007
VISITA
A luz do sol que entra Beija-me suave o rosto à direita Numa carícia morna e doce, a trazer-me Um sopro de ti até aqui
[ao que sigo pensando e penso sentindo (muito) à flor de mim...]
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09:22
Sexta-feira, Setembro 07, 2007
DA RECUSA A VIVER MORTO (DE RAZÃO)
Às vezes - muito menos que devia Que poderia - raramente tendo em vista Os reveses pela vida Estou quieto - descansando Numa fímbria - uma brisa À sombra do cotidiano Por um momento - num trecho Quase plano Da lida comigo mesmo.
Nesse descanso de momento Quase plano, eu repenso - dispenso Pensar inteiro o intenso - viciado Em réguas e compassos deformados;
Fico esquecido das quadrilhas Das arruaças demoníacas Em piso cartesiano;
De assembléias e intrigas Nas praças e esquinas Do covil do crânio;
E das ações, maquinações Que a razão urde e resfria E amiúde ardente, justifica...
***
(neste trecho-argila em pó com sorte - demasiado humano por um momento forte - arcano
eu só te amo: - tão pleno e perfeito o quanto...)
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12:51
Quarta-feira, Setembro 05, 2007
SOMA ZERO
Nada significa nada.
Não importa o que se faça Estoura - e afoga-se - manada.
(numa linguagem que você entende:
- qual a demanda se o que se oferta é inversamente?)
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04:04
Domingo, Setembro 02, 2007
A NATUREZA DA DOR
Entre o presente emparedado E o espaço além de alargado
Entre acima o azul curvado E o fino cinzeiro abaixo
Entre o claro dia, absolutamente claro (e belo, e bom, e justo - à frente e ao lado)
E a noite sem lua interior
Ressinto.
(e quase lamento estar tão vivo)
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18:55
DO DICIONÁRIO XXIV
Armadilha: o que seria A ilha perdida, encontrada Solta, à beira da estrada.
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10:28
Sábado, Setembro 01, 2007
MONITORAMENTO
De mim, eu mesmo Hei de ser experimento (tubo, ácido, sujeito a um astuto objeto)
No tocante ao descenso Ao dantesco inferno, à meia-luz (sem tácito despertar / o interno desespero) Deste quase consolo poético:
- Dos contornos etéreos de um horizonte fatigado que malgrado se reduz à parede de um quarto
de sonhos aéreos, pintado azul e claro, o fundo amarelo descascado severo, e repintado quando verde assim o quero...
(porque de mim mesmo fênix renasço, do ocaso sempre experimento)
posted by Mauro Belmiro at
12:16
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