"Temperança. (...) Uma das virtudes éticas de Aristóteles é exatamente a que consiste no uso justo dos prazeres corpóreos. Aristóteles notava que a T. não se refere a todos os prazeres corpóreos (não compreende, por ex., os que derivam da vista ou da audição) mas somente os que derivam do comer, do beber e do sexo (...). Platão definiu de modo diferente a T.: deu-lhe significado de 'amizade e acordo das partes da alma que conseguimos quando a parte que manda e as que obedecem concordam na opinião de que pertence ao princípio racional o governar e assim não se lhe opõem': esta é, segundo Platão, a T. seja para o indivíduo seja para o Estado (...). Os Estóicos por sua vez definiram a T. como 'a ciência das coisas para desejar e das para esquivar' (...). Sobre a T. tinha insistido também a ética de Demócrito: 'A sorte nos dá a mesa suntuosa, a T. aquela a que nada falta' (...)."
ABBAGNANO, N., Dicionário de Filosofia. 2ª ed. São Paulo: Editora Mestre Jou, 1982, p. 908.