segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

SEXTILHA SOB O CÉU

armando chuva


Há faixas sobrepondo

(qual caixas recompondo)


o pardo pretejando

ao cinza alvacentando


(o clima segurando

vapores maturando)

sábado, 21 de fevereiro de 2026

OBRANDO

palcos


Abro

glabro


quebro

vibro


crebro

libro;


cobro

cubro


(dobro

rubro)

INSTANTÂNEA


De tanto estar

só num lugar


(portanto atar

nó devagar)


paralisei

meu naufragar:


- longe da grei


selfie que sei

fotografar.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

QUINTILHA CARNAVALESCA

my soul


Sobre o chão taful

sob um céu azul


danço em vão meul

mas de fiel tribul


(canso mais friul)

domingo, 15 de fevereiro de 2026

NOTINHA

[se não há poemas
é porque mal dão
conta do que jaz
entre o aquém e
o além daqui]

DA CANJA DE GALINHA

ao tomá-la devagar


[quando viso

(e deviso)

paravisos


eu me aviso:


se diviso

no previso


improvisos


os reviso

indivisos]

domingo, 8 de fevereiro de 2026

QUADRAS CORRIDAS AOS SESSENTA E SEIS

endorfinas


Quando corro

quanto esborro


porque morro

de prazer?...


...

...

...


(tanto esporro

no lazer


sobre um jorro

por fazer)

sábado, 7 de fevereiro de 2026

QUADRA A SEGUIR

Goyaz


[um endereço

sem adereços


tem o seu preço:

um que eu apreço]

ADEUS AO EGO SOCIAL

o que sobrará?

[vivo o tempo do fim de tempos: o
destino das estações respectivas do
professor, do empregado, do ente
produtivo, do proprietário, do sujeito
assalariado economicamente ativo
(eventualmente também do cidadão,
do eleitor, do consumidor, do caro
contribuinte) despindo-me de cada
camada identitária paulatinamente
no sentido de uma aposentadoria
existencialmente integral... mas
talvez não exatamente: se tudo
der certo, haverá apenas Mauro
Belmiro - porém qual?...]

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

SPARTACUS II

Triumvirat


A trilha

do sonho


palmilho

tristonho


do brilho

que afronha


fibrilha

que ponha


de antanho...

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

ENCOBERTA


Enquanto o sol

alvacentar

tanto de céu

na vertical


será ao deitar


qual casaco

de arranha-céu

pendurado

horizontal.

(NÃO) CORRENDO AOS SESSENTA E SEIS II

velho se molhar adoece


A chuva

que não cai


viúva

que não sai

sem luva


bucuva

deslouva

quem não vai:


- então uai!...

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

QUADRA ACUMULADORA


[na intempérie

a paupérie


cresce em séries

de congéries]

(NÃO) CORRENDO AOS SESSENTA E SEIS

esperando o quê?


A chuva redita

que se arma adstrita


demora perdita

sem hora restrita


e enfim não cai dita

prendendo-me alita:


- ao invés de correr

(e arriscar embeber)


de través vou rever

(ao riscar padecer)


meu revés ao temer

temporais de poder...

QUADRA FOCAL

linear


[o pensamento

farol de punho


nunca ilumina

o quarto escuro]

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

BELMIRO EUCLIDES

[um novo tempo pede
outra poesia - mas esta
por ora malogra ao ir
de um velho alterego
atolando suavemente
no presente vagaroso
do seu caro referente]