o suficiente?
[ultimamente tenho assistido na tevê
documentários vários sobre pessoas
que fazem literatura; me parece que o
foco geral dos programas é a extração,
através de entrevistas, da palavra desses
artistas sobre a relação existente entre
suas obras, suas vidas e os contextos
sociais em que as/se produziram, na
busca de um sentido 'factual' que faculte
aos telespectadores uma compreensão
mais completa, exata e/ou precisa do que
aquela obtida como leitores dos livros
que consagraram tais ficcionistas; minha
curiosidade a respeito - cética (espero
que não cínica) - me recorda então as
posturas discrepantes de Manoel de
Barros e de Elena Ferrante: o primeiro,
poeta afeito a fabulações, por muito
se divertir ao pomposamente mentir
acerca de sua biografia; a segunda,
por anonimamente defender que tudo
de relevante que h/aja sobre si como
escritora já esteja nos seus romances]