quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

CINZAS II

A quarta anuncia
a quinta em seguida

e depois a sexta
a segunda e a terça

talvez entrementes
(por indiferentes)

na vida das gentes
pregadas nas teias;

talvez o seguinte
o que as fortaleça

no sábado cresça

desopile as veias
explore outras vias

domingue e pereça...

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

TERÇA GORDA

Mas estou magro

de tanto agrado

fino, delgado

e delicado.

...

(troquei de horário

de itinerário

algo arbitrário

todo ao contrário)

...

(mudei a dieta

a lida, a meta

por uma siesta

pouco indigesta)

...

(já ao quadrado

caí de quatro

lasso e devasso

no sofá grasso)

...

[mas estou magro

(gordo ao contrário)

de tanto agrado

(seu corolário)]

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

REVISITA 117: ERRATA

47º poema de À procura de Nefertari

Redesenhar um poema
não é pouco, pequena:

- retorce o já tortuoso
recorte, já a gosto...

Retocar-lhe a palavra
o violenta, e o agrava

no que a escrita teria
desencontrado, lida...

Se queres chorar por ti
sente e verte, por ali

qual fadada a tua vida;

- mas não queira azulada
asa tal, fraturada

arremedo de tinta...

24/02/2005

domingo, 7 de fevereiro de 2016

DOMINGO GORDO

quadra carnavalesca

Estou presente

(digo 'fulgente')

malemolente

[tevê à frente]

sábado, 6 de fevereiro de 2016

DO SÁBADO DE CARNAVAL

pluvioso, pluviátil, pluvial

em Brasília
(Asa Norte).

Numa ilha
deste porte

desse clima
passaporte

(não que importe!)

pantomima
me transporte

me deporte
me suporte

noutra sorte:

- nesta ilha
ser de morte

sem quadrilhas
seguidilhas

sem virilhas
de novilhas

só mar forte

céu acima!...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

ACERCA DO MOMENTO

político existencial

Quando me pergunto

- parando um minuto
- sobrando em segundo

sobre este quadro diminuto
aumentando ininterrupto

- do que me aborreço?
- e qual encabeço?

A bem do que apreço
respondo sem condescendê-lo

(onde punham preços
serão olhares nada vesgos):

- a hipocrisia de uns
- o fascismo de alguns

e o que têm em comum.

SURDO APITO

Zumbindo

ao fundo

de tudo

uma síntese do barulho
do mundo todavia escuto

no que silencio
enquanto enfastio

(toda a vida ruída em conjunto)

...

[uma síntese do que escuto

sumindo no ouvido

e dele revinda

aguda]

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

MANHÃ PINDÁRICA

bem-vinda à sombra!...

Ela espremeu-se
ensolarada

entre dois desses
períodos d'água

a fim de ver-me
a caminhá-la

ensolarados

(afora suado):

- mas este poema
por celebrá-la

(sem defendê-la
desobrigada)

tem precedência
por ora em casa...

...

[talvez mais tarde

(se aquela que arde
cruzar a tarde)

irei beijá-la
apaixonado

embora tarde

agora baça...]

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

SEXTILHA DA AÇÃO SELETIVA

uma questão para a justiça


... sobre o princípio da presunção

da inocência de um dado varão

é justa a falta, em sua aplicação

face ao que sobra, em comparação

com tal princípio na afirmação

da inocência de um dado barão?...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

NO TOPO DA CADEIA

falimentar?

Homo sapiens:

- que de sapiens
de fato tens?

As origens?
(suas imagens?)

As linguagens?
(tuas mensagens?)

Personagens?
(homenagens?)

Abordagens?

Engrenagens?

(parolagens?)

Quais vantagens?
(vassalagens?)

As coragens?
(das roupagens?)

As vertigens?
(são selvagens?)

As bagagens?
(de tais viagens?)

As passagens?
(das paragens?)

As paisagens?
(das miragens?)

Homo sapiens!

- que de sapiens
mesmo tu tens?...

[tais bens - quais trens...]

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

CHANGESONEBOWIE

Ground control to major Tom...

A vida que aventura
além das imposturas

solicita a postura

de David para Stardust

(one with no time to adjust
to wherever he was thrust)

de Ziggy para Bowie

(more than the average woe
not to be Marilyn Monroe)

da fama para a vida

(sem que ela sobreviva
além do que musica)

Can you hear me major Tom?...

domingo, 31 de janeiro de 2016

INTERSTELLAR II

we'll take us everywhere

O Universo

é infinito
e infinitesimal.

Incomensurável
e inferencial.

Observável. Abstrato.
Relativo. Superlativo.

O nosso caminho

fora do escaninho
existencial.

...

Um dia, em novembro
(o século, não lembro)

apreenderemos
dos desdobramentos
dos seus fundamentos

ao tocar os tais extremos

(not extremes after all

once bended over the wall)

***

[na cabeça de um palito
no alfinete num tecido

na lente curva da vista
prismando o que fantasia

interestelar o sinto

(possibilitar o Olimpo)]

sábado, 30 de janeiro de 2016

REVISITA 116: DA HORA DECIDIDA

45º poema de À procura de Nefertari

A hora que aproxima
arqueia decisiva

o peso da consciência
no mundo da existência

do que se principia.

Na hora decisiva
a ficha - decidida

suspensa fica - aérea

numa vontade - à espera

da férrea que abdique
de idéia que a permita

ceder à circunstância
o seu poder agora:

- o medo que se estranha
ótimo de esperança

átimo - bate à porta!

24/10/2005

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

ASSALTADO

tenho pejo

O mercado

no varejo

eu pelejo

no atacado

(atacado

derrubado

eu arquejo

derrotado)

[o mercado

no varejo

é o desejo

ensejado]

{seu sobejo

abjeto

eu rejeito

despejado}

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

ANTEAURORA

Madrugada

adernada

penso cada

coisa vaga

cega, miga

soga, vulga...

...

(não é nada

acordada)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

NA ESTAÇÃO

causação

Eu daqui

vejo que

pássaros
aguardam
ribeiros.

[e dali

o porquê

cântaros
desaguam
ligeiros]

DO DEUS DOS TEXTOS

na astrofísica e na física quântica

Deus é um mistério

nos textos sérios?

Se benéfico

se colérico

tem-se o mérito

dos textos sérios.

...

Deus - se mistério

(nos textos sérios)

é pretérito

no seu mérito:

- pois pretéritos

os textos sérios.

...

Deus - se mistério

(por um mérito

impretérito)

não é O Mistério

deste Universo

impretérito.

...

[maior mistério

do que O Mistério

deste Universo

já é o mistério

dos seus anversos

(sob inquérito)]

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

DA VIDA PROTEROZOICA

nos passamos não passando

Estou encapsulando.

Não estou mais respirando
como antes - mas como quando

quando eu era pré-cambriano

(nadava a ré no pântano
antanho a um antanho plano)

...

Estou encapsulando.

Mas estou mais respirando
neste fim de Cenozoico

porque estamos regressando
ao Éon Proterozoico:

- um período nada heroico
em que dois mil milhões de anos

se passaram não passando

(de vermes segmentados
de animais celenterados

de esponjas para limpá-los
contemporâneos de humanos)

...

Estar encapsulando

nesta altura desta história
nada paleontológica

merecemos (por enquanto).

domingo, 24 de janeiro de 2016

INTERSTELLAR

the (same) movie

Como as estações espaciais

sóis, luas, planetas terreais
quais capacetes de metal

se carecentes de algo mais
presencial (mesmo se virtual)

[desde que não nos faça mal
às mãos, pulmões, ao capital]

terráqueos os teremos - tais
de exploradores naturais

dos quarenta pontos cardeais
(de suas dores - colaterais)

em qualquer lugar especial
que convertamos em natal

desde tempos imemoriais.

sábado, 23 de janeiro de 2016

REVISITA 115: 23 DE OUTUBRO DE 2005

44º poema de À procura de Nefertari

... às 17:42 o Sol entrou em Escorpião, e às 18:34 começou a chover; há duas horas repliquei a mais um teu poema nesta disputa ferrenha por nós; lá fora, a chuva recrudesce exatamente agora - 18:38:50; está quente ainda, e que delícia o molho cheiroso da terra que vem às narinas!...

A cada momento
o meu pensamento
de ti sentimento
se trata em silêncio

(significando
seu variado ruído)

da luta que trava
junto à veia cava
e que à alma abala
ser branca de hospício

e ali flamejante
é tal caminhante
a ferros amante
buscando o sentido

em chamas pressentindo
uma doçura urgente, o delicado imperativo
de uma incandescência paciente
ao longo do caminho
contigo percorrido - embora tenha este
hipotético remanescido:

- abrasando o que não deveria
na medida do que quererá
ainda...

23/10/2005

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

ACERCA DE LIMITES

que a ignorância imite

A experiência do corpo

- do invólucro que morto
não sei se haverá outro -

restringe o meu escopo.

A experiência de um outro

- de um improvável corpo
transmigrável do morto -

de outrem restringe o escopo.

***

[o argumento da alma
- da existência da alma -

defende-se com alma
sem que nos traga a calma

- sem que nos livre a alma
do que irrestrita empalma]

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

DO AMOR

a Mércia

O tempo do tempo
é sem movimento.

O espaço do espaço
é este regaço.

O tempo do espaço
é o passo que tento.

O espaço do tempo
é o tempo que espaço.

Se assim for tal dispor
durar ao teu redor

qual seja o meu amor
enfim será maior.

QUADRA DO ENCONTRO

Virei-me, e teu sol

virou-se, a brilhar

sobre um girassol

que sobrei a olhar.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

CORRENTEMENTE

Chuva insistente

intermitente

superiormente

interiormente

onipresente:

- por sobre a gente

por sob a mente...

REVISITA 114: A ESTRADA REAL DOS SONHOS (ou "Tanto Faz Aqui Como Em Qualquer Outro Lugar Se É Só Pedra...")

43º poema de À procura de Nefertari

No que abstraímos de tudo

- da matéria rude e quase fresca do mundo
de poeira a estrelas, num segundo -

hiatos estacamos - e mesmo o cosmos viajando

o vácuo requentamos, ao lustrarmos
empregados o verniz dos mesmos hábitos

(senti)mentalmente revolucionários (?)
petrificados num movimento convulsivo

excessivo de (di)gerir:

- vez que a Estrada Real dos Sonhos
ao contrário, pede a troca dos carros

e certas cardiopatias; um norte intuído

e a coragem de um percurso gozoso
gentilmente deflorado (embora trabalhoso)

sem milhagem - passo a passo...

12/10/2005

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

CLIMATOLÓGICA II

enquanto o tempo padece retórico


Chumaços de chumbo

facundos ao fundo

no inchaço do espaço

terraço do mundo...


Bodoques, balaços

que vejo suspensos

(que penso sujeitos)

ao toque de bumbos

que avento suspeitos...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

SEXTILHA EM BRASÍLIA

As águas ocupam
meu olhar acima

na forma de cinzas
mas das que não sujam:

- apenas relutam
em limpar o clima.

11/01/16

REPARTIDO

Hoje é dia
de partidas

de partidas
decisivas

divisivas
recidivas

todas elas
quereria:

- muitas delas
esportivas

uma delas
fugidia

[talvez desta
gostarias

toda ela
comovida]

10/01/16

O BELMIRO

Mal cuidado o tio Belmiro
(seria pedra ou granito?)

continua benedito

- pois continua inédito
de continuar insólito -

e prosseguindo expelido
não recua recôndito.

Mal cuidado o tio Belmiro

mais continua instituto
mais impoluto e irrestrito

e talvez absoluto.

[me situa convoluto
(pelo visto, devoluto)

pela vista que dedico]

09/01/16

domingo, 17 de janeiro de 2016

PRECE PELO VERDE

Velho aclive
dos meus olhos

tão sublime
dos abrolhos

verde andaime
dos meus sonhos

não decline
pelos outros

não decline
por tão pouco:

- pelos pulhas
das fagulhas

- pelos pombos
das agulhas

- pelos bolsos
de pampulhas

- pelos combos
de cambulhas...

Verde aclive
dos meus olhos

tão sublime
dos antolhos

santo daime
dos risonhos

se declive
de nosotros

- construtores
- destruidores

- dos arroios
estertores

- predadores
uns dos outros

nos perdoe
oportunos

pelos muito
moribundos...

09/01/16

sábado, 16 de janeiro de 2016

QUADRA [DUPLA} JUIZ-FORANA II

Juiz de Fora
me comove

muito embora
eu desgoste

[da cidade
na verdade?]

{da verdade
na cidade?...}

09/01/16

QUADRA [DUPLA] JUIZ-FORANA

Edifícios
espetados

nas paredes
dos penhascos

[que difícil
pendurados

pelas redes
dos sanhaços!...]

09/01/16

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

DAS FIGURAS

quais pinturas

Certas velhas
quando jovens

foram grelhas
sobre as nuvens

- como abelhas
incandescens

às centelhas
de seus polens -

em paletas
com suas gelhas

como em Rubens
mais parelhas!...

09/01/16

FAMÍLIA MINEIRA

toda cozinheira

As perguntas
- não fazemos;

as respostas
- não podemos;

resoluções
- comendemos

(os problemas
são os mesmos)...

As virtudes
- talvez menos;

os queixumes
- de somenos;

os mamutes
- pleistocenos;

os quitutes

- que venenos!...

...

A cidade
- o que vemos;

quantidades
- o que temos;

qualidades
- cultivemos

(as promessas
deveremos)...

Inquietudes
- mais ou menos;

longitudes
- dos acenos;

plenitudes
- os quitutes;

os quitutes

- com torresmo!

09/01/16

DÉCIMO ANDAR

Minha gente mora
bem alto, astronauta

num canto de rua
pingente da lua;

por isso demora
a ver certas coisas

pois a mesma cousa
se daquela altura.

09/01/16

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

DA CIDADE ENTRE AS SERRAS

nota de Juiz de Fora

(por serem acostumados)
pássaros engaiolados
(por seres civilizados)

é tradição no pedaço.

[gaiolas de concreto e aço
menores a cada passo

completam o vítreo quadro]

08/01/16

A CIDADE E AS SERRAS

por que será que penso
em Eça ali por dentro?...

A cidade entre as serras
motiva as motosserras?

Convida as motosserras
a urbanizar suas terras?

A cultivar suas terras
multiplicando a pedra

concretada e diversa?

[multiplicando a guerra
concreta contra as serras?]

...

{da cidade e das serras
hoje sobre charnecas

que pensaria o Eça?...}

08/01/16

SEXTILHA JUIZ-FORANA

O vento muda
rumos de chuva

pelas medidas
do Paraibuna.

[farol acima
seu sol confirma]

08/01/16

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

DAS IRMÃS & AMIGAS

... aquelas senhoras
imóveis auroras

no peso das horas
vão crepusculares

cuidando seus ares
demoras, melhoras

(seus lares, colares
penhoras, azares)

caminhando aos pares...

08/01/16

MINHA SEDA

Minha mãe vive num casulo
com sua tela para o seu mundo

numa novela sem fim nem fundo.

Nela, minha mãe tece a seda
dos vínculos em que se enreda

- os mais íntimos nos quais se encerra.

Como ela, outras vivem dos frutos
seus espalhados pelo mundo

- mamães incondicionais da Terra;

mas a minha, na sua novela
personagem de uma teletela

vive miragens, sobretudo

das borboletas do seu casulo.

07/01/16

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

QUADRA JUIZ-FORANA XX

Se vistas por estrangeiro

as galerias do Centro

pareceriam, adentro

o fundo de um mundo inteiro.

07/01/16

QUADRA JUIZ-FORANA XIX

... em jota-efe
a nuvem desce

e cresce as sebes
quem sabe leves?...

07/01/16

QUADRA JUIZ-FORANA XVIII

As três irmãs cajazeiras
(trinca terçã presepeira)

me cercam de gentilezas
do tempo das mamadeiras...

07/01/16

DA (NOSSA) HISTÓRIA JUIZ-FORANA

Entre elas

(donzelas)

janelas

novelas

panelas

querelas

tabelas

tutelas

há eras.

06/01/16

RODOVIÁRIA INTERESTADUAL

Encruzilhada
multiplicada

a cada braça
de cada peça

envidraçada
no vão da seta

que me prometa

chegar em casa

(seguir jornada)

05/01/16

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

QUADRA JUIZ-FORANA XVII

antes de vir

Juiz de Fora
sempre acorda
uma forma
de ir-se embora.

FOI ONTEM

... a chuva de hoje à tarde
me prendeu com alarde

debaixo da marquise
de sua esquisitice:

- corrente grossa d'água
(de água feita torrente)

corrente do pé d'água!...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

REVISITA 113: 18:11 (DEZOITO E ONZE)

42º poema de À procura de Nefertari

Chegou enfim o momento
no qual o teu todo silêncio
tudo de mim tomou conta.

A mente, o peito, de resto

o exposto tão nervo
a tensão que o castiga
a tua falta de notícia.

Essa franzina agonia
que tudo de mim mobiliza

engana, longe ainda
suspensa clareira de vida:

- algo segura, sob a asa
invisível da guarda

do anjo que escorracei
em auxílio ao teu

(que ao fim protegerei)

30/09/2005

domingo, 3 de janeiro de 2016

EM JANEIRO

Brasília, nativa

passiva, vazia

nublada, verdinha

(escorregadia)

cultiva/

jardina/

cintila/

[à parte as quadrilhas
distantes, vizinhas

destas maravilhas]

- frisos e pastilhas

- aves em matilhas

- vias, aros, trilhas

- meu sentido de ilha.

QUINTILHA VELOZ

das férias

Na terceira madrugada

de cerveja na sacada

não há nada, nem a cada

que não veja ultrapassada

a primeira, pela quarta...

sábado, 2 de janeiro de 2016

DA MINHA PAISAGEM II

Teclados abaixo
(de um café ao lado)

ligo a tela à frente

do mundo presente
(mas só de repente);

janelas à frente
(do seu fundo ausente)

vazam noticiários
gritam comentários

pra consumo otário:

- fatos relativos
relativizados

segundo o partido
repartido dado;

teclados abaixo

caem pensamentos
(junto a sentimentos)

em nervosos dedos:

- quadras e quintilhas
sextilhas, sonetos

e outras rabadilhas
desta pescaria

nesta ilhada lida

dos poemeus que apenso...

Epistemológica Cecília

poema a respeito, de Cecília Meireles

"SONETO ANTIGO

Responder a perguntas não respondo.
Perguntas impossíveis não pergunto.
Só do que sei de mim aos outros conto:
de mim, atravessada pelo mundo.

Toda a minha experiência, o meu estudo,
sou eu mesma que, em solidão paciente,
recolho do que em mim observo e escuto
muda lição, que ninguém mais entende.

O que sou vale mais do que o meu canto.
Apenas em linguagem vou dizendo
caminhos invisíveis por onde ando.

Tudo é secreto e de remoto exemplo.
Todos ouvimos, longe, o apelo do Anjo.
E todos somos pura flor de vento."

Cecília Meireles, Poesia completa, vol. II. Organização de Antonio Carlos Secchin. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001, pp. 1645-1646.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

PRIMEIRO DE JANEIRO II

O primeiro dia do ano
- o dia mais morto do ano

comemorado, no entanto
como o renovo do humano

é o contrário do arbitrado:

- antiquário solitário
de um recente, abandonado.

...

No momento
nem o vento

movimenta.

Seminua
nem a rua

sonolenta.

Nem a poeira
costumeira

se acrescenta.

Um silêncio
pré-tormenta

atormenta:

- onde há vida

se apresenta?

...

O primeiro de janeiro
- se dia de um dia a menos

[se trinta e um de dezembro

de um ano que não se lembre
do ano seguinte no ventre]

poderia, derradeiro

fechar o caixão do tempo.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

DO QUE PODERÁS AGORA

feliz ano novo!

Convenção ou não
esta noite irá

pela translação
que nova será

em todo lugar
que a comemorar

entre as doze horas
e suas auroras.

Então, por que não
(mesmo se mesmo ar)

por que não tentar
outra inspiração?

[senão, por que não
(apesar desse ar)

por que não soprar
noutra direção?]

DA MINHA PAISAGEM

Telhados abaixo

postes de pássaros
fios de macacos;

varandas abaixo

muretas de gatos
poleiros de galos;

janelas abaixo

cão encarcerado
pães recém-chegados

mármore quebrado
rotas de lagartos;

escadas abaixo

garagens, ramagens
portelas com mato

paragens, passagens
caminhos de ratos

poças de catarro
pontas de cigarro

selvagens, linguagens

árvores abaixo.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

MADRE DE DEUS

Madredeus

como os teus

tenho os meus:

- Zeus, Mateus

semideus, o antideus

seus plebeus, seus proteus

e os sem-deus (prometeus);

dipneus, pigmeus

jebuseus, fariseus

cadmeus dos egeus

europeus;

Pireneus, apogeus

ateneus, himeneus

perigeus

e o adeus (nos museus).

Madredeus

como meus

tento os teus...

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

RÉGULO

pelos séculos

Nos cubículos
mais ridículos

um estímulo
dois testículos

e montículos
de folículos

(tanto os pávulos
quanto os fâmulos)

têm seu vínculo
nos textículos

que vernaculo.

[meu currículo
em fascículos

sem estrídulo]

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

SOBRETUDO FERRÃO II

... pilhada

na quelha

ilhada

ovelha

cilhada

espelha

talhada

abelha

olhada

centelha

malhada

da relha

calhada

na telha

molhada

parelha!...

domingo, 27 de dezembro de 2015

NESTES TEMPOS DE CHIKUNGUNYA

Inquieto

inseto

pousou-me

sua fome.

E quieto

sensato

pousei-lhe

(sapato)

meu tato!

SEXTILHA DOMINGAL

let's move, for god's sake!...

O dia básico

do ser astásico

(aquém de frásico)

[porém de afásico]

porque ectásico

- queria fásico.

sábado, 26 de dezembro de 2015

DOIS MIL E QUINZE

balanço

Quinze por cento

do novo tempo

já se perderam

sob os escombros

do mundo velho.

...

[escaravelhos
de largos ombros:

- é o que desejo
que então sejamos]

REVISITA 112: FERRAJARIA

41º poema de À procura de Nefertari

Agasto a manhã cinza
- objeto simultâneo à lixa

na tua áspera ausência
- cega, decerto ferramenta...

Do atrito quase fumegante
- embora a frio, metálica a poeira

adenso a atmosfera, e paraliso
o tempo, o pensamento - a asfixia

em horas marmóreas
de um branco algo encardido

- e mal esculpida espessura...

Em minutos de chumbo lento
escorrendo, incandescentes

- derretendo à baixa temperatura

fixo, pétrea, a extensão infinda
dessas impressões descabidas...

[nas quais este cinzeiro começo
de dia-cinzeiro, opaco

agasta-me, definitivo
em passado]

27/09/2005

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

QUADRA MODAL

Esta quietude
não é virtude

longe do vício
de estar alhures.

O VINTE E CINCO

o dezembrino

Dezessete
- é da confraria.

Dezenove
- avista a família.

Vinte e quatro
- requer romaria

vinte e cinco
- da sala à cozinha

vinte e sete
- ao que sobraria

vinte e nove
- pra quem der notícia

enfim do ano
- a quem de alegria...

Mas todavia
um vinte e cinco

- no vinho tinto
- na batatinha

bom solicita
mais compromisso

pois dia num quinto
de energia:

- quatro quintos
de inércia devida

comprometidos...

DIVINA

to the High Priestess of Soul

... eu o faria

Nina Simone:

- madrugaria

ouvir-te insone

outra menina

ao microfone

(outra Simone

ao telefone)

sem o teu dia

deixar-te insone

sem esta vida

living alone

anjo da noite

arte que some

amada Nina

minha Simone...

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

PROPOSTA DE NATAL

Na véspera do aniversário daquele

evocado diária, milenariamente

para a justificação de bem-quereres

bem-deveres, bem-poderes, bem-haveres

(boas ações, boas razões, boas paixões)

não seria o caso de, ao menos amanhã

deixá-lo descansar em paz naquela cruz?

EPISTEMOLÓGICA

Te rever

e rever

e rever

e viver

conviver

com mister

forever

embota

desbota

sabota

rebota

(labora?)

(reforça?)

[retorna?]

{renova?}

cada ver

cada ser.

[cada ser

de um rever].

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

EPISTEMOLÓGICAS

fragmentos

Experiências pontuais
geram conhecimento pontual.

[podem gerá-lo
 se limitá-lo (ao imitá-las)

particularizado].

***

Experiências contínuas
geram conhecimento - continuamente?

[não necessariamente
aquele necessário

que do modo exigente
é relativizado].

***

[familiaridade crescente:

- seu pavimentar mente
um enxergar decrescente

até olhar simplesmente].

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

NOTURNAL

A trevosa chuvarada
da chuvosa madrugada

quando penso se fechada
aconchega-me pausada

forte e fraca, forte e fraca

brava e calma, calma e brava

sincopada (a retomada)

na rotina ritmada
de cortina sanfonada

- uterina casa d'água

breve e opaca, sempre opaca
da trevosa madrugada...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

DA EXTINÇÃO DA ESPÉCIE

desta subespécie

A longo prazo
(quando tal prazo?)

o descompasso
(de qual compasso?)

entre o querer e o dever

(o dever de desquerer?)
[o prazer de bem-querer?]

1a. centralizará o poder

1b. fortalecerá o poder

1c. abusará do poder

1d. enfraquecerá o poder

1e. colapsará o poder

do sujeito refazer.

...

[quanto de prazo
a longo prazo?]

{nós neste passo
sós neste barco?}

domingo, 20 de dezembro de 2015

sábado, 19 de dezembro de 2015

REVISITA 111: SOBRETUDO FERRÃO

40º poema de À procura de Nefertari

Outro dia, caminhei contigo próxima
da respiração, os pés seguindo parvos
logicamente atrapalhados, esquivos
a tropeçar no vácuo dos teus passos...

Volta e meia, eu te puxava um braço
de atenção, as mãos buscando as tuas
num abraço de cinturas, a ver o teu olhar
negro mudar claro a direção...

Era tarde, e o descompasso deste aspirar
cercou cálido os teus ombros, sob os cabelos
como se lábios nos teus pêlos, a redesenhar
- a cada arfar - a dupla curva dos teus peitos...

E naquela hora, a lua crescentemente perfeita
entreabria a tua face num terrível sortilégio
de marfim... Mordida, sorridente mordia...

[ao fundo, preto o céu, tudo ruía
meu no franco gesto suicida]

04/09/2005

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

REPTÍLIA

Um lagarto me sorri
do seu chão que percorri

[um passado socorri
num desvão aberto aqui].

Parece involuntário
- voltar-se solitário

tanto eu quanto o bastardo
no tempo deste espaço;

mas digo que os prefiro
reverberando antigos

já por demais extintos
naquilo que atribuímos

a animais: instinto
de espécie solidária.

...

{a lagartos recorri
pelo chão que me sorri}

OCULTAS

renovadas

A lua nova
da noite opaca

(a noite nova
da lua opaca)

nos argamassa

nos amassa

nos assa

a sós



...

[a rua nova
pernoita opaca]

{a rua opaca
pernoita a lua}

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

RASCUNHOS

Amarela
aquarela

esta manhã
é do amanhã.

[à janela
por sobre a chã]

***

Amarela manhã

aquarela amanhã.

[o que dela louçã]

***

Aquarelo

o amarelo
desta manhã

para amanhã.

***

Amanhã aquarelará

acaramelada manhã.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

SE NÃO, POIS SIM

o caminho oposto

Nestas férias sem Nordeste
(ressentimento da peste!)

sem sua beleza celeste
sem seus prazeres terrestres

solicito ao Centro-Oeste
mais que nunca, esteja a oeste:

- bem longe dos caranguejos
daquele mar inconteste

porque invejoso o desejo
(o qual pragueja e praguejo!)

contraditório que almejo

guardado num lugarejo...

[inda que seja um bosquejo
tal de ter - mas sertanejo]

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

REVISITA 110: CASA DE CONTOS

39º poema de À procura de Nefertari

Casa dos Contos (também conhecida como "Casa de Contos"). Prédio construído entre 1782 e 1784, na então Vila Rica das Minas Gerais, para servir como residência ao arrematante dos contratos dos dízimos e entradas João Rodrigues Macedo. Este alugou a sua parte térrea em 1789 para aquartelar as tropas encarregadas de reprimir a Inconfidência Mineira, e servir de prisão aos réus mais ilustres da conspiração. Ali, Cláudio Manuel da Costa, sonetista e inconfidente, teria se suicidado em 4 de julho.

Quando estou todo, inteiro
aquém de mim, para dentro
à mercê do zumbido surdo
sem fragmento, do silêncio

aquela voz, que ouso que penso
costura, do nervo à agulha
fonemas às letras, retalhos de sílabas
a colchas de palavras, estendidas

parecendo daí até aqui:

- a tua voz, que penso que ouço
dizendo-me, do fundo do meu poço

que não devo (embora por pouco)
porque não posso (enredado o sentido)

sair senão deste invólucro.

28/08/2005

domingo, 13 de dezembro de 2015

QUADRA EXPLICATIVA

consultoria sem poesia

Em meio a três dias inúteis
a minha fé esteio nos fúteis:

- o dinheiro ganho naqueles
mais direito confere a estes.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

NO PLANALTO VENTRAL

Raios, clarões vários
trovões de cenários:

- quase o fim do mundo
desfecho iracundo

pra quem treme muito
(ou que teme fundo)...

***

Meu amor pegunta

porque toda chuva
gosta de assustá-la:

- acho que por nada
dada a natureza

(natureza dada).

QUINTILHA DO QUE (SE) SUCEDE

Leves dias - quando empilham

à medida que nos ilham

(da vida de que precisam)

[das lidas que os justificam]

breve mais pesados ficam.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

DESTE MOMENTO

usufrutuário

Estou recluso
e ensolarado

algo profuso
e continuado

nada confuso
desencontrado

do que desuso
abandonado

no que mais uso
desafinado...

Estou excluso
idealizado:

- um inconcluso
recuperado.

DRONE

While rolling the Stones

watching the Flintstones

the milestones

the tombstones

all the capones

(and their clones)

I must turn this cornerstone

alone

[with Nina Simone]

SEM SABÃO

a Pedro Sérgio, no seu aniversário

De manhã, São Pedro
bateu o cinzeiro

(todos os cinzeiros
do mundo carvoeiro)

sujando feio o ar:

- no alto o firmamento
e aqui o calçamento.

E o enxágue, Pedro?
Quem irá fazê-lo?

[ô santo fumante
pouco edificante!...]

...

{a natura veio
- e num só vareio

me lavou o Pedro

com tudo no meio}

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

TEMPORADA

Capa d'água
na sacada.

Empoçada.
Espelhada

- a moçada
nem molhada.

Festa n'água

que desagua

numa frágua...

PECILOTÉRMICA

A via do lagarto
se percorre sob o sol:

- à noite, congelada
pernoita reparada.

Se vida de lagarto
(lida e sorte alternadas)

corre igual ao caracol
mas também ao rouxinol;

há cobras e lagartos
há sobras e catartos

e soçobras e infartos

- mas também um girassol
sombreando dez espartos

no vaivém de lua e sol.

...

[diga amém aos girassóis]

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

EU PROMETO

Amanhã voltarei a correr

porque cochilo após o almoço
cochilo tal que é chumbo grosso:

- entre os vivos, ressaltam-se outros.

Porque afundo depois do almoço
na treva de um sono absurdo

- do qual voltar eu quase anulo -

amanhã tratarei de correr.

Logo após o almoço de sonho
- sonho culinário que almoço -

sobrevém sono um poço surdo
num bloco de granito escuro

trafegando o rio mais bruto

- um que dá vontade de morrer...

Por isso, volverei a correr
entre os vivos - os outros - todos -

a fim deste estar fortalecer
no que os dias hão de suceder.

ANÉIS

o negócio da nossa ciência política

Te dou alguns anéis
alguns contos de réis

pelos meus dedos fiéis.

Promessas em papéis
sentenças, aranzéis

em línguas de babéis

- ou fugas em batéis
(apesar dos parcéis) -

pelos meus dedos fiéis.

Te cedo alguns tonéis
desvios de farnéis

e sobras de cartéis
caça-níqueis, troféus

- festejos em hotéis
puteiros em apês

entregas de pastéis
em colchões de frouxéis -

pelos meus dedos fiéis.

Repassando chapéus
te cultivo plantéis

de chefes, barnabés
parlamentares rés

de juízes, coronéis
soldados em corcéis

convocando tropéis
(talvez até os quartéis)

pelos meus dedos fiéis.

Se necessário um viés
te envio alguns novéis

justiceiros cruéis
(rebeldes ou bedéis)

ou penas de aluguéis
(arautos de escarcéus)

pra afundar em marnéis
os que forem infiéis

a estes dedos - os dez!

E quando enfim os céus
pedirem mausoléus

escribas de cordéis
em torno dos incréus

operando cinzéis
brilhando fogaréus

encobrirão com véus
o quanto fomos réus

por nossos bons anéis...

domingo, 6 de dezembro de 2015

CULTIVO

Entre o fim do domingo

e a manhã da segunda

anoiteço um sentido

que depois me madruga

para as coisas bem-vindo

a partir da segunda

repartir no domingo.

DAS PRECIPITAÇÕES

de auroras

O domingo encoberto
pelas águas voadoras

descobre as maritacas
junto das mariposas!

Do silêncio soberbo
das últimas pessoas

elas vêm, às carradas
(falo das maritacas)

perturbando, espaçosas
o tempo de um acerto:

- entre esta madrugada
(fado das mariposas)

e agora a chuvarada
há pouco sossegada...

sábado, 5 de dezembro de 2015

REVISITA 109: AOS TRINTA E UM

38º poema de À procura de Nefertari

Arisca, a leve brisa deste lindo dia
sopra-me fresca ainda; e à folha vira
a tua data na superfície lisa, rutilante
da geladeira que habito, desde antes

do estio; e chama à retina a lembrança
de outros dias, brancos, nesta branca
cozinha - dos ritos de queijos e vinhos
à larga servidos, entre beijos e risos...

Bem assim, hoje, eu gostaria que fosse
a minha celebração de ti - uma cotidiana
reencenação dos teus olhos reafirmando

brilhantes, a minha opaca ciência de ti:
- do misterioso fundo negro da tua retina
onde bela se perde a razão desta vida...

27/08/2005

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

MÉTODO

escorço

Objetivo
subjetivo

qualitativo
quantitativo

contemplativo
é o meu motivo.

Daí assisto

a isso e aquilo
a esta e aquele

com alma leve
e atentamente

sem que um estorço
torça o esforço

pelos sentidos
comprometidos:

- tais fenômenos
como são mesmos

nem mais nem menos.

AFEITO

Um beijo
(teu queixo)

um queijo
(queijeiro)

trejeitos
respeitos
proveitos

- mas feitos
com jeito
suspeito -

aceito

(o efeito)

[defeitos
perfeitos]

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

SOBRE IR

possibilidades perfeitas

Ontem, vou hoje.
Hoje, irei amanhã.
Amanhã, fui ontem.

Ontem, fui hoje.
Hoje, vou amanhã.
Amanhã, irei ontem.

Ontem, irei amanhã.
Amanhã, vou hoje.
Hoje, fui ontem.

Ontem, fui amanhã.
Amanhã, irei hoje.
Hoje, vou ontem.

Ontem, vou amanhã.
Amanhã, fui hoje.
Hoje, irei ontem.

Ontem, irei hoje.
Hoje, fui amanhã.
Amanhã, vou ontem...

Ontem, fui ontem.
Hoje, vou hoje.
Amanhã, irei amanhã.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

DE UM BEI PERTO DO REI

Chegaram as férias
para as quais estarei

- de férias, não serei.

[férias de sequelas
folgo nas falésias]

Um dia, outras férias
serão amnésias

deste tempo destas;

chegarão aquelas
paramnésicas

nas quais florescerei.

[um frei longe da grei]

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

POETA

Enquanto sorvo
meu café lento

enfrento o estorvo
da fé que tenho:

- por qual talento
(ou desalento)

paro rebentos
torvos de feios

e os absorvo
filhos de corvos?

Vêm de terceiros
(dos controversos?)

primeiro os termos
segundo os versos

conspirem presos
formar quadrilhas?

Juntar tercetos
quadras, quintilhas

sextilhas mesmo
alexandrinas?

Quadro dantesco
quintos do inferno

se uma vez eco
de outra vasilha...

[se má poesia
a filha é minha!]

...

{enquanto sorvo
a fé que tenho

meu café bento
frente ao estorvo

esfria lento}