sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

ESPERTINA


Aluada

madrugada


nevoada

madrugada


coleada

madrugada


enleada

namorada

divagada...


Camarada

madrugada


escarpada

madrugada


temperada

madrugada

desatada...


Graduada

alvorada


oleada

na aurora...


Matinada.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

QUADRA SEM ROUPA

[um veranico
no maçarico
por impudico
eu namorico]

EM FRENTE À TEVÊ XXVI

Dona Ione visitando


Com minha mãe


maratonas

noveleiras

em poltronas

varejeiras

de acetona

na madeira


são como vês:


- mamãe dona

das cadeiras

dos consoles

cabeceira

no controle

das fronteiras

dos paroles


mas caseira...


- e mandona

companheira

dos programas

cavaqueira

de pijamas

amazona

nesse drama

nessa trama


como queiras...

sábado, 15 de dezembro de 2018

FORTUITA


Uns vaga-lumes

nos visitaram

no lusco-fusco


já competindo

com outras luzes

pelo negrusco.


Foi goleada.


A natureza

nos deu de graça.

CURANDEIRA


Margarina

ou manteiga?


Feminina

ou só meiga?


Da colina

ou da veiga?...


...


(na taleiga

medicina


mas antiga)

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

VARANDA NORTE


No azul límpido

inequívoco

e comprovado


me despreparo


ao contemplá-lo

desamparado.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

CIÊNCIA TRISTE


Entre meus livros

e seus autores


há mais ruído

entre escritores

pesquisadores

e professores


que seus leitores;


meio aturdido

fui instruído

por tais amores


a ter juízo


sem prejuízo

do que improviso

de tudo isso;


nos estertores

dos arredores


é o que consigo

manter a cores:


- entre bolores

qual estudante

contudo disso...

VARANDA LESTE


Sobre o papel

do céu


o seu pastel

pincel


pinta um tropel

corcel.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

TORTURA CHINESA


O pinga-pinga

a conta-gotas


(seca a moringa

água de esguelha)


n'água-furtada

me dá na telha;


escorre e corre

bágua de rotas


da calha em metal

à malha mental


de ponta a ponta

cada temporal...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

QUADRA FORMIGUEIRA


Deserdo

saúva

desertos

da chuva.

TEMPORAL II


... mais nuvens, grávidas

chegam, ávidas

parideiras

sazonais

de água

má...


(pávido

paroleiro

pelo telhado

remolhado

tremendo

temo)

NA TORRE III


O idílio

do exílio

me ocorre.


Ótimo

no átimo

decorre.


Interno

alterno

socorre.


(à parte

trocar-te

de porre)

domingo, 2 de dezembro de 2018

DA CEB

momentos atrás

[a luz se foi;

se voltará
a este lugar

dependerá
de haver depois

um céu de mar]

sábado, 1 de dezembro de 2018

SONETO SOCIAL


Qual par de aves em paisagens

meus ouvidos sobrevoam

o farfalhar das folhagens

talvez aquém de onde pousem.


Qual par de olhos drapejando

tais tecidos revestindo

indo e vindo verbejando

entre dedos entretidos


despercebo um tanto quando

uns sentidos dissociam

dos que planam terem visto:


- um par deles na voragem

dos rumores verdecia

talvez além do que se ouse...

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

QUADRA À NOITE

na Torre Nova


Ao ermitão


a imensidão

da escuridão


não diz que não.

NA TORRE II


(luz e
brisa

cedo
juntas

quebram
muitas

manhãs
frias)


[clara (a)
hora

limpa (a)
vista

quebram
rasas

manhas
fundas]

NA TORRE

[enquanto
a sombra

há tempo
avança

castiça
no piso

noviço
sou isto:

antigo]

SEGUNDO ANDAR II


No quadrado cristalino

entre sonhos bizantinos

acossados por vigílias


um desejo adamantino

de encontrar-me com destinos

distintos de juvenílias


imagina sóis a pino

luas cedo vespertinas

ruas tarde matutinas


e a quem tais sensibilize

para além desta marquise

onde pouco há que deslize...


...


(que o que então me descortina

masculino minimize

madrugando mais sabinas

livres desde pequeninas)

terça-feira, 27 de novembro de 2018

VÍNEA

Névoa
nívea

névoa
núvea

névoa
pínea

névoa
plúvea

névoa
fóvea

névoa
óvea...

Révoa
nóvea.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

OUTRA NOVIDADE

sobre a Torre Nova


Na espaciosidade

desta claridade

sem profundidade


a oportunidade

de perspicuidade


vem pela metade.


***


[minha opacidade

longe da cidade


tinha de ser quase;


certa do que evade

perto desta idade


vinha na metade]

domingo, 25 de novembro de 2018

DOMINGO VIZINHO


A hípica

olímpica


atípica

silencia


seus chinchos

pelinchos

capinchos


de guinchos

relinchos

ganinchos


sem pinchos

todavia...

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

MATERIAL


O ente

vegetal

em frente


apresenta


galhos

folhas

flores


vestimenta.


Diante


eu ente

cultural

vestido


entendo

que aos sessenta

despido


dou na mesma.

SUICIDA


Reto na curva

o carro cruza

a faixa escura


mas não dá pista

de onde desliza


(que rumo exista)

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

QUADRA DAS TREVAS IV

na Torre Nova

[tal circunstância
extravagante

(da rutilância
alucinante

de ignorâncias
estruturantes)

pede distância
da sua abundância

duplipensante

e a observância
de manigâncias

desopilantes]

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

QUADRA SEM TROVA


A chuva lampa & trovoa na Torre Nova

calando o espanto de quem a povoa.


(o canto de quem dela voa

sem desova)

domingo, 18 de novembro de 2018

SEGUNDO ANDAR

Escuto Marvin e Tammi

por esta caixa acústica
envidraçada e rústica

dançando com um colibri
(olhos nele postos daqui)

lançado ao céu da música...

sábado, 17 de novembro de 2018

DO BAÚ

Abrir caixas
perdidas e achadas

cortar faixas
há muito fechadas

desencaixa
(à vera as quimeras)

serras de chapadas
vales de baixadas

terras do que erras
marés de palmarés

e rebaixa

montes do que achavas...

CHUVOSA


Sob o peso

do azul crespo

alvadio


a tarde - num guincho

ao cair de um rio


vira o pio

de um relincho

indefeso:


- o passo

miado

de um bicho

latido.

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Esclarecimento feliz

Leitoras e leitores deste blog:

A transição longa e penosa para a última das três casas deste alterego concluiu-se hoje. Finalmente, há internet na Torre Nova de Mauro Belmiro, conectando um corpo presencial à sua alma virtual.

A despeito do caos ao redor ainda reinante - o que exigirá muito trabalho braçal nos próximos tempos -, espera-se que alguma poesia retorne. Ou, quem sabe?, que uma outra, de forma, conteúdo e espírito inéditos, mostre a sua cara desconhecida, e já um tanto solicitada.

Sonhar quase sempre é bom. Mas neste momento, celebramos os fatos.

O fato é que a nossa inveja histórica - de Michel de Montaigne em sua torre - não existe mais. Contudo, continuamos não abrindo mão da inspiração do mais sábio dos franceses, em nada responsável pelas implicações desiguais neste que vos fala.

O fato é que, depois de quase 40 anos e mais de 2.300 poemas, estamos onde há muito desejávamos ardentemente estar - numa torre de marfim cercada de verde e azul, feita de espaço e claridade.

O fato é que o nosso ponto fixo neste universo encontra-se no segundo andar.

M. B.

QUADRA TRIDIMENSIONAL


[a largura

nesta altura

(com o tempo)

aprofunda]

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

ANTE A TREVA

questão


Que estirpe

antiga


existe

amiga


que extirpe

formiga


o enriste

mais triste


que siga?...

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

QUADRA GOLPISTA LXXVIII


On The Wave

Nosedive

Bonnie & Clyde;


in The Wave


Clockwork

Fahrenheit;


from The Wave

Dead Poets

Society:


- a educação do futuro

se projeção de um presente

assente em cima do muro.


(qual ficção finalmente)

MATADOURO

da jornada juiz-forana

[entre o morro
e o cerrado
segue a mata
pelo carro
desossada
do seu couro
sobretudo
decoroso
para nada]

[entre a serra
e o cerrado
que limito
pelo horário
motosserras
operárias
e eucaliptos
a palito
dão coalas
pleonásticas
do cenário
insistido]

[e eu sentindo
e pensando
que podia
franciscano
ter nascido
noutro dia
e morrido
nalgum ano
antes disso]

[(dessa coisa
desalmada
numa loisa
desgraçada
depois dela
desossada)]

13 e 14/10/18

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

QUADRA AFIM

juiz-forana

O fim
em riste
enfim
é triste.

13 e 14/10/18

QUADRA PEQUENA

juiz-forana


[o mundo burguês

(contudo ao revés)

é tudo o que vês

(segundo o freguês)]


13 e 14/10/18

terça-feira, 16 de outubro de 2018

MÓDULO JUIZ-FORANO

à minha mãe
(fragmento da paisagem)


[esta estrada
para casa

estranhada
sempre atrasa]

...

[lá fora
a aurora

foi outra
(de outrora)...]


[em Juiz de Fora
- porque o tempo volta -

este, de agora
às vezes revolta]

...

[antes dos jazigos

brigarão contigo
chorarão comigo

(amarão consigo)

quartas e domingos
sábados infindos

a todos bem-vindos
ovos e pintinhos

mesmo dos jazigos]

...

[dos avós antigos
aos meros sobrinhos

somos, beneditos

inúmeros tios
e números primos]


[do Belmiro
à Cecília

tem havido
pela trilha

(descendendo
da matilha)

que poesia?...]

...

[que cidade
em tais morros

morre à tarde

nessa idade
de socorros!...]


[Juiz de Fora

por um beco
sem saída
pelo meio

dá subida
desferida
(com descida

pelo menos)]

...
...
...

[essa estrada

para a casa
entranhada

nunca acaba]


13 e 14/10/18

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

terça-feira, 9 de outubro de 2018

QUADRA GOLPISTA LXXVII


De um ismo

o abismo


à beira do que especulamos

(dialeticamente falando)


fogueira estalando

fronteira quase a ver cegando


desvela-se raro:


- como se do mesmo

a esmo

fosse mais contrário


(sobretudo ao que contrariá-lo)


revela-se raso

plano, chato, liso

rente, rés.


[longe do improviso

avista-se caro e ordinário

no através]

terça-feira, 2 de outubro de 2018

QUADRADO GOLPISTA

lados


1. o capitão

seu general

na repressão

do cultural

dão pau no mal

por formação.


2. ao capitão

seu general

na supressão

do que neural

não mede quão

porá de cal.


3. o capitão

sem general

na progressão

do que banal

há de ver qual

no sal verão.


4. o capitão

o general

na regressão

ao natural

são batalhão

- mas quem de tal?

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

FINALLY

at last


A casa

miragem

já passa

de imagem


passado

o laço

de tê-la

(detê-la)


voragem.


Há portas

e trincos

e hortas

e brincos


paredes

em rede

janelas

alertas

varandas

em ele


lavandas

de vidros

dispostos

sorrindo


e um teto

concreto

que arrisco

completo


do piso.


A casa

aragem

calaza

das asas


agora

de viagens

paragem

afora


fincou-se

defronte

aurora

simbionte...


É hora

da ponte.

FILTRO SOLAR


O homem primitivo


guarda o sol

arrebol

logo cedo


pelo seco

do seu cepo

finitivo.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

QUADRA GOLPISTA LXXVI

Museu Nacional


Quem vê

quem ouve

quem lê

(que roube

à tevê)


que houve

um louvre

à mercê

(se soube)


que coube

(se louve!)

a você

conhecê...


Vosmecê?

sábado, 8 de setembro de 2018

[DUPLA] QUADRA DO ANEL ACHADO

"O anel que tu me deste
era vidro e se quebrou;
o amor que tu me tinhas
era pouco e se acabou."

[porém se elo vermelho
mantém seu selo velho
inteiro e rubro o useiro
feito o requebro jeito]

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

DUPLA QUADRA GOLPISTA CIRCULAR

bumerangue


Toda faca

que retorne

à bainha

de um boçal


mais destaca

seu remoque

- já a tinha

intestinal...

CONTRA AS PROVAS

perspectiva docente


Um teste

dois testes

três testes

seis testes:


- conteste

tais testes

a leste

a oeste;


- conteste

mais testes

pré-testes

da peste;


- conteste

bimestres

trimestres

semestres;


- proteste

que reste

o agreste

faroeste;


- moleste

minestre

o equestre

pedestre...


...


[sobeste

solerte

teus mestres;


mas este

(cacete)

releve...]

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

ESTACIONANDO

Na garagem
lusco-fusca

da miragem
dessa busca

vem a imagem
do meu fusca

pela estrada
de outro tempo

que se alastra
deste assento

madrugando
passaradas

prometendo
cavalgadas

perseguindo
cachorradas...

(eu sonhando
que passavas

empreitando
caminhadas

com pilastras
balastrando

como escravas
no comando...)

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

QUADRA GOLPISTA LXXV

feixes


Sob o sidéreo

(lindo)


falto o homéreo

(findo)


flauta o vipéreo

(rindo)


solto o funéreo

(indo)


sobre o cinéreo

(vindo).


...


[sobra o pulvéreo

(bingo!)]

terça-feira, 28 de agosto de 2018

EM FRENTE À TEVÊ XXV

[um espelho
aparelho
e parelho
mais a relho

do espírito
arremesso
arrolhado
ao avesso

por restrito
ao seu rito
remolhado
manuscrito

(de tão velho
o exercício
do evangelho
fictício)]

sábado, 25 de agosto de 2018

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

ESTACIONADO


Na garagem

das paragens

rotineiras da romagem


guardo meu desejo de paisagens

de aragens

de viagens...


(de passagens

à margem

de outras miragens)

DEFINITIVO

O homem eternamente primitivo

beija o sol
(e demais sóis)

sempre cedo

(ao mesmo tempo).

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

CLAREANDO


A rotina

da aurora


na aurora

da rotina


pesa mais:


- pesa cedo

reptília


mas o peso

da vigília.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

POR ACÁ


[a saudade

quando afina

adocica

solitária

a inquilina

siririca

literária

da metade]

sábado, 11 de agosto de 2018

SACO CHEIO


Um cansaço

argamasso

embaraço

passo a passo.


Um cansaço

ornamento

com pedaços

de argumentos


traço a traço

parapeito

de um terraço

nunca feito.


...


De cansaço

sobranceiro

que ameaço

rotineiro


no regaço

contrafeito

por escasso

a despeito


a cansaço

que percluso

o antebraço

eu recruzo


sobre o baço

formigueiro

de um balanço

inconcluso


meu cansaço

embaraço

argamassa

de fumaça...

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

MORBO


Os dias passam assim:


- há nascimentos


planejamentos

procedimentos

padecimentos

ensinamentos


e movimentos

de outros momentos


todos alheios

ao derradeiro.


[os dias passam assim

que os dias passem por mim]

terça-feira, 31 de julho de 2018

C'EST LA VIE


O cheiro da cama

ao gosto da dama

no toque da mama

à vista da gama

sonora da chama.


[trata-se do engrama

de um caso sem drama

trato, panorama

que o seu fim inflama]

domingo, 29 de julho de 2018

SEXTILHA ANUENTE


[a cerimônia

de casamento

é assentimento

(sem cerimônia)

da santimônia

ao regramento]

sexta-feira, 27 de julho de 2018

quinta-feira, 26 de julho de 2018

AVENTUREIRA


Bifo

fidas

que trais.


Cifo

lidas

do cais.


Rifo

pidas

a mais


pifo

idas

jamais:


- vida

(tifos)

demais.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

ENTREOLHOS



(amo

teu par

me olhar


o olhar

a par

do amor


no amor

de olhar

teu par.)



[ao par

do olhar

de amor


amo

meu par

te olhar


o olhar

sem par

do amor.]

segunda-feira, 23 de julho de 2018

SETE QUADRAS

à Primeira Leitora


Quão ledor

teu pendor

deste autor

tão menor!


Quão ledor

teu humor

o dispor

tão melhor!


(quão ledor

teu favor

predispor

tão maior!)


...


Quão ledor

teu ardor

há de apor

mão à cor!


[quão ledor

teu calor

multicor!

- são na dor...]


...


Quão ledor

teu clamor

já que por

vão autor!...


{quão ledor

teu amor

o compor...

- não é mor?...}

sábado, 21 de julho de 2018

TERCEIRA FILOSOFICE


Sob a luz

se produz

natureza

e cultura;


sobre a luz

reproduz

profundeza

porventura;


contra a luz

contraluz

incerteza

e mistura.


[dentre a luz

se introduz

correnteza

e aventura]

QUARTA FILOSOFICE


A mesa é das coisas.

A cadeira, das pessoas.

A tela, das ideias

a mais absurda delas.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

NO MÍNIMO

ao máximo



Eu
quis

teu
giz


teu
giz

me
fez


nós
vis-

à-
vis


no
triz

do
mês.



(sois
dois

vez
três


pois
que

vês
seis;


soes
mais

que
dez


mas
de

que
mês?)



[da
tez

na
foz


nos
sais

dos
sóis


na
dor

que
flor


à
cor

dês
voz!]



{quiz
por

um
quis


que
róis

em
vão:


quais
mãos

se
dão


ao
rés

do
chão?}

terça-feira, 17 de julho de 2018

DESTA PRESENÇA


[o amor que tenho

por quem esteja

quando se ausenta


é amor que emprenho

enquanto acerca


até que o perca

por nascimento

do que então seja

convalescença]

FLUVIAL


[da barranca

o horizonte


qual carranca

de Caronte


desarranca

mal defronte]

sábado, 14 de julho de 2018

EM FRENTE À TEVÊ XXIV


... a Copa do Mundo.


[disputa o terceiro

lugar no torneio

teu time primeiro

salgar derradeiro]

quarta-feira, 11 de julho de 2018

ANGOLANA

congolesa & gaúcha


O limbo

cacimbo
do nimbo

corimbo
de jimbo

se arimbo

eu ximbo
sem zimbo

alimpo
garimpo.

COMPLACENTE


Na luz branca do sol amarelo

eu me escondo como num castelo

como se de um mundo paralelo

sob o teto deste cogumelo.


(na luz branca de sol amarelo

não sou prono daquele castelo

nem do mundo de mim paralelo)



[sobre o teto desse cogumelo

reluz franco porque estou singelo




que me escondo deste teu cutelo]

segunda-feira, 9 de julho de 2018

RESSACA


O dia começa no chão


anda no chão

corre no chão

pára no chão

morre no chão.


Um dia gravitacional

sem a menor gravidade

perturbação, novidade


sob o seu peso corporal

voa à tarde:


- sobretarde

se considerar-se que em vão.




(inda no chão

o dia termina - mas não)

sexta-feira, 6 de julho de 2018

quinta-feira, 5 de julho de 2018

SEGUNDA FILOSOFICE


A segunda-feira

opõe-se ao domingo

porque na terceira

vez, não o respingo...

FILOSOFICE


A claridade ofusca.

A escuridão ofusca.

A vida - lusco-fusca.


(a primeira dói

à vista)


[a segunda rói

a visão]


{a terceira mói

ilusões}

quarta-feira, 4 de julho de 2018

PRAGMÁTICA III


Entre o que foi

e o que será


enfia-se

(no que é)


um pé

do que há.

MIRAGEM


A claridade

da paisagem


sem claridade

de mensagem


na claridade

da folhagem;


nem claridade

de sua imagem


da claridade

desta aragem:


- sequer friagem

preclaridade


que dê vantagem


nesta paragem

de sua viagem.

terça-feira, 3 de julho de 2018

quarta-feira, 27 de junho de 2018

ARGELINA

de um poema de Vanessa Aquino


Aberto

o peito

abraços

lampejo.


Adiante

Tessala;

conforto

que sinto

deserto

até o mar.


(pressinto

acenar

sucinto

que o beijo)


[por leve

e denso

e suave

o arpejo]

QUADRA DE MÃO CARTOMANTE

Por tuas unhas

testemunhas

eu supunha

que mumunhas...

domingo, 24 de junho de 2018

(DA SOFIA)


A luz fria

que destila

fantasias

deste dia

pedrarias

me traria;

e afasia

que cintila

me diria

que sibilas;

me daria

contaria

mostraria

o que urgiras

do que havia;

o que argila

cederias

avaria

todavia...


...


(e eu riria

que sabia

simpatias

da poesia

que morria)

COMMUNICATION BREAKDOWN


Não falar.

Não te ouvir.

Não dizer

te escutei.


Não calar

nem sair.

(nem saber

 quando irei)


[não trocar

nem colher

ao florir

teu prazer]


...


(que farei

sem tratar

da surdez?)


[que terei

sem contar

tua mudez?]


{que serei

ao sentir

que notei

desta vez?}

sábado, 23 de junho de 2018

CAFEEIRAS


(café

rapé

até

a pé)


[café

em pé

boné

e inté]


{café

de fé

maré

dá pé}


{café

com fé

até

tomé}


{café

sem fé

ité

até}


[café

na sé

até

pajé]


(axé

no pé

só se

café)

sexta-feira, 22 de junho de 2018

EM FRENTE À TEVÊ XXIII


... a Copa do Mundo.


(por que diferente

daquela da gente

que tropicalmente

fez-se inconsequente?)


[por que diferente

esta à beira leste

da mesma nascente

se recentemente?...]


{da porta dos fundos

num milissegundo

talvez menos rente}

quinta-feira, 21 de junho de 2018

TERCETOS


(o eterno

que alterno

ao tempo)


[que habitas

mais terna

e adentro]


{dedico

aos ventos

que abrigas}

quarta-feira, 20 de junho de 2018

sábado, 9 de junho de 2018

A NADO

frequência & medida


O tempo

do evento

quarenta


no espaço

que aventas

cinquenta


(adrede

escassos

sessenta)


são redes

do arrasto

que assentas:


- paredes

que abraço

setenta, oitenta

mais vezes


teu peixe

noventa.

segunda-feira, 4 de junho de 2018