sexta-feira, 22 de maio de 2026

É TUDO VERDADE

o suficiente?

[ultimamente tenho assistido na tevê
documentários vários sobre pessoas
que fazem literatura; me parece que o
foco geral dos programas é a extração,
através de entrevistas, da palavra desses
artistas sobre a relação existente entre
suas obras, suas vidas e os contextos
sociais em que as/se produziram, na
busca de um sentido 'factual' que faculte
aos telespectadores uma compreensão
mais completa, exata e/ou precisa do que
aquela obtida como leitores dos livros
que consagraram tais ficcionistas; minha
curiosidade a respeito - cética (espero
que não cínica) - me recorda então as
posturas discrepantes de Manoel de
Barros e de Elena Ferrante: o primeiro,
poeta afeito a fabulações, por muito
se divertir ao pomposamente mentir
acerca de sua biografia; a segunda,
por anonimamente defender que tudo
de relevante que h/aja sobre si como
escritora já esteja nos seus romances]

2 comentários:

  1. um dia me contaram que «o bom de apreciar escritores mortos é que eles não conseguem abrir a boca» — aquela arte de nunca aparecer, à moda pynchon, fernando pessoa que se escondia atrás de pessoas (ou mesmo salinger, que só se mostrava aos bocadinhos), mas divago…

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  2. Pierre, tendo a acreditar que os de menor visibilidade pública têm mais chance de focar o ofício literário - assim como seus leitores, nesse caso, de focar a obra resultante (o que, afinal, deveria ser o que mais interessa...).

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