sábado, 6 de dezembro de 2014

NUBLADA IV

[agora chove
nos contrafortes
de alguma sorte

com epicentro
bem mais ao norte

(verão dezembro
então tropical
se parecendo
com outro Natal)]

NUBLADA III

Este sábado
exatamente

ensolarado
está somente?

(ou só a mente?...)

NUBLADA II

... este sfumato
chiaro cinzeiro

já ensolarando
tão brasileiro:

- por que Leonardo
não interveio

junto a São Pedro
(de Roma mesmo)

chover do afresco?...

NUBLADA

A cobertura
de baixa altura

tem curvatura
de ferradura

meio enterrada
de cavalgada

interrompida
da madrugada

amanhecida.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

(DES)SAZONAL

É todo interno
(nem sempre inverso)

o movimento
(decerto inverno)

que mal intento
agora mesmo.

Este dezembro
de veraneios

ainda não disse
ao que interveio

- por pouco triste
por pouco velho

tampouco quero
que seja menos.

Ainda que visse
no que me adentro

ainda que viesse
de outro novembro

talvez coubesse
dizer que acedo

se movimento
de outros momentos

[se primavera
de outonais eras

reconsidero]

MANÍACO-DEPRESSIVA

Seu olhar e seu sorrir
e o que mais de você vir

(da superfície opulenta
de entranhas aos quarenta)

[eu, se olhar você sorrir
o que mais seu existir
para outro antes de vir...]

quando meus em harmonia
(da vontade que só minha)
[pois tão meus e minha, ó linda!]

são inteiros de utopia
(aos pedaços todo dia)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

REVISITA 32: VERBO II

Se tiveres em essência

Aquiescência

Tolerarás o absurdo

o obtuso

Dignamente farto...

11/03/1983

REVISITA 31: VERBO

o primeiro

O vento não afaga sua pele como penso
nem perpassa seus cabelos como meus dedos.

Não há chance para nós.
Não há duas palavras para a mesma impressão.

Mas se insisto
em abraçar limitado o infinito

sou um ponto no deserto
que você vê.

19/01/1983

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

REVISITA 30: E. T.

Para além do úmido olhar
no alto negro azul, pó de estrelas
manto dos magos
gráfico do infinito

vive o amigo
perto e viajante

o menino
terno visitante

pomba da paz intergaláctica...

O êxtase extraterrestre.

03/01/1983

DUPLA QUADRA UNIPOLAR

de que me adianta tentar?

Amanheço da alegria
que alvorece dolorida

neste ensolarado dia
de estação interrompida

já que plúmbea deveria
pela quadra duplicida

mal escrita, bem chovida:

- pluviosa sensaboria...

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

BENEFIT

Jethro Tull

... a paisagem de fora
e a de dentro, por ora

coincidem - o que acalma
minh'alma em sua vertigem

em sua sonora origem:

- a de imagem agora
daquela outrora virgem...

MEU RECIFE

do alterego inclusive

Arrecifes
em que estive

- desististe
ô Euclides?

O Recife
em que estive

(indo a pique)

insististe

- porque nosso amor inclusive!...

ESQUECÍVEL

Em dezembro
eu me lembro

de dezembros
contratempos

de outro tempo:

- quando o vento
(que soprava
contraventos)

alentava
turbulento

desalentos
que eu levava

desatento
todo o tempo...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

DA CONSCIÊNCIA SEM

Jogar melhor o jogo das aparências
a fim de melhor refletir uma essência;

jogar melhor o jogo das aparências
a fim de melhor cultivar parecenças;

circular melhor pelas adjacências
na perspectiva afim de compreendê-las

(talvez melhor proteger as diferenças
e enfim administrá-las com prudência)

[ou] [ou] [ou]

... ou renunciar ao jogo das aparências
a fim de reconhecer sua impertinência

face à termodinâmica decadência;

ou mesmo argumentar pela inexistência
do jogo, das aparências, de uma essência

(talvez aquietar-se pela inexistência
de consequência alguma nessa existência)

domingo, 30 de novembro de 2014

sábado, 29 de novembro de 2014

REVISITA 29: TRÓPICO

original atualíssimo

Não há vontade, nem que má
nem ambição.
Nenhuma gota de voluntariedade.
Apenas um véu branco cobrindo o olhar
e maleita dormência.

10/12/1982

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

ALA DA SALA

dos professores
contemporâneos

enquanto atores
extemporâneos

sob fatores
controladores:

- educadores
edulcorando

um show de horrores
(dos educandos?...)

Sala das cores
ala das dores:

- dos estertores
de antes amores

diante dos mores
de outros valores...

[sala das cores que desbotamos
lavando o lodo através dos anos;

ala das dores que cultivamos
lavrando a todos do viés dos anos]

REVISITA 28: BEIJO MORENO

Ando mudo, sem procura
Bicho exposto à visitação pública;
Corroído pela mesmice perplexa
Cansado.

Mas te vejo, calmo o teu semblante
Tratando-me com tolerância carinhosa;
Mãe serena, cheia de filhos e filhas
De paciência, ante a imatura inquietude!...

Ando o mundo, sem procura
Bicho exposto aos de vista curta;
Coalhado de coisas, figuras mórbidas
Triste e opaco.

Mas quando pousa o teu olhar, ao vagar
Pássaro negro em rochedo oceânico
Diminui a solidão, um ponto no horizonte
Desmancha a espuma na infinitude das águas...

...

"À procura de mim, procuro-te

Nos teus lábios, de estranha doçura
Inquisidores da dúvida;

Nas palavras assim proferidas
Ecos de ti, íntimas;

No teu beijo moreno, meigo
Meu andarilho anseio...

Procuro-te, à procura de mim."

18/11/1982

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

DURANTE

Antes do temporal
esta paz surreal

empurra meus olhos juntos fugidios
escapulindo passarinhos furtivos.

O resto de mim não consegue.
Do lado de cá da janela

assiste comigo ao que segue
como se de si fosse a cela

ou sob tutela estivesse
(e toda cautela impusesse).

[diante do temporal
há passarinhos - presos ou fugitivos]

...

Depois do temporal

revolto a ver normal

esta paz sem igual.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

ELEGÍADA

de um maníaco

Este ar etéreo
te deixa aérea

na estratosfera
da indiferença!...

Então funéreo
eu me despeço

até que desças
ao andar térreo

da vida dessas
sem refrigério

e me umedeças
do que antes peço

de tua presença
em tua ausência!...

terça-feira, 25 de novembro de 2014

ESTE DESCOMPROMISSO

pretérito perigo

O abismo - me sorrindo
(do seu esconderijo)

o seu sorriso lindo

a esta altura - finjo
que não sou nada rijo

[no meu duplo sentido]

àquela altura (minto
senão que regozijo)

a fim de escapar disso

(de vez escarpar ido
este descompromisso)

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

REVISITA 27: A ESPERA

Bate a chuva
lenta, nula
atrás da porta:
agora, o lado claro de ser
pouco importa.

Pinga a mente
ressentidamente;
os pensamentos, vagam
semidirecionados
retros, menores
retroses de lã.

Dançam os dedos
multimeios
parecendo milhares:
"sê a seda, agulha relax
mostra-me a teia
tecida rarefeita
assim que se faz".

(antevista a carícia
a lembrança vicia;
quanto aos corpos, unidos
contorcidos de gemidos
resta a memória
da fé, sua pausa
o fim da retidão)

...

Se tola vem a mosca
à toa
pouco importa:
agora, clareia o ser
atrás da porta.

01/11/1982

sábado, 22 de novembro de 2014

MEFISTOFÉLICA

Vocábulos

de estábulos
literários

me encabulam:

- gritam pra sair
poder existir

se fazer ouvir

querem ter porvir

(querem ter PORVIR!!!)

[como se o futuro do presente
o garantisse postumamente]

...

{meu demônio e eu concordamos:

- melhor desapalavrar
de qualquer um avatar}

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

YES, RELAYER

lembrança progressiva

... meus portões do delírio
da adolescência - lírios

do campo da inocência -
abriram minha ciência

cedo e tarde (destarte
sua impermanência em arte

há muito e há pouco) - rios
de sons que ainda ouço

vindos daquele poço
de antigo colorido

que ainda desvario

- refletido em colírio
sonoro desde moço

para os olhos que olvido...

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

QUADRA DO DIA

A tristeza da melancolia
é mais triste porque indefinida:

- tristeza de si desconhecida
e mais triste porque não sabia...

REVISITA 26: JARDIM

A flor desnuda estanca o fluxo

do amor da abelha

centelha.

No pouso breve da folha de luxo

borboleta

tem telha.

Pássaro aventa, voa e derruba

da lua

quem telha.

27/10/1982

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

DESTA PRA PRÓXIMA

intergeracional

... para onde eles irão
(e outros que seguirão)

sem boa educação

- a do sim e do não
em livre oposição?

Para onde todos vão

se há deseducação
(a do 'sim, por que não?')

a induzir instruções
certas das conclusões

- dos meios ou senão
dos fins com deduções?...

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

EM RESUMO

será o eremita?

Dos meus jogos em tempos de abraços:

- eu gosto mais do primeiro tempo
(no segundo, me vem um cansaço);

- o intervalo, se faz necessário
(meus quinze minutos de vestiário);

- gosto menos do terceiro tempo
do quarto nos quintos, contratempos

(prorrogações do gasto de erários)

[quando os escrúpulos vão pro espaço]

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

PERIFERIA

refém do clima?

A capa cinza
de cor escura

sobre a cidade
que não Brasília

porque avizinha
a dor sozinha

da tempestade
então mais dura

retém ainda

água à vontade...

TEMPO E RENOVAMENTO

memória e esquecimento

Já tive seis
depois doze

dezoito, vinte e um

trinta e cinco
quarenta e dois;

passei cinquenta

e nada lenta

a vida em cada uma das idades

- nas cinquenta e cinco oportunidades
aniversariadas até o presente -

é sempre a da presente novidade:

- uma de cada vez, cada vez uma.

[um ano de cada vez, cada vez um
que antes de experimentado era nenhum]

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

MANOEL SE FOI

notícia repetida (de entristecida)
embora inexatamente verdadeira e
agora devidamente contextualizada e
acompanhada de uma inevitabilidade

... já cumpria travessia de
fauna para flora havia bom
tempo (bem lento na fusão
lavrada e apalavrada com
coisas de sua atenção).

Outro tempo bom e Barros
mineralizar-se-á - porque
sua obra (próxima da lenta
decomposição estelar), a
caminho de o ser, o é já.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

REVISITA 25: SOPRO

Passa o tempo
pássaro no vento;

e
marcando o passo
passo:

- inerte como rocha
oco feito concha
monte de lava
faz-de-conta.

29/09/1982

REVISITA 24: BREVIDADE

Por um instante
o fluxo da vida detém-se na análise passiva
conviva da preguiça

e o meu corpo fecha-se por completo
ansioso de algum sentimento
majestade sem coroa

e a tua vontade dorme solta
o sono arquetípico da lassidão.

...

(não saberemos a razão das coisas)

27/09/1982

ÂNGELA

Desde que me entendo por gente
teu rosto está em minha mente;

desde que me entendo com gente
teu rosto aqui está suavemente

rosto sorrindo desde sempre;

se me desentendo com gente
teu rosto então condescendente

ri novamente - mas somente

se eu não desentender da mente...

terça-feira, 11 de novembro de 2014

ANTES DE AS ESQUECER

É sempre assim antes de escrever:

- acho que as palavras vão morrer
antes de se permitirem ver

antes de me deixarem rever
o que poderiam vir a ser

se de fato as soubesse escrever.

SINONÍMIA ALAGADIÇA

Aquela flor no pântano
será uma flor de pântano

do charco o delgado encanto?

Aquela flor no lodaçal
será uma cor do tremedal

do aguaçal banhado de sol?

Em atascal que atola o sal
aquela flor tão brejeira

contrária a tal natureza
(de odor cediço à lameira)

seria a dor da beleza?...

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

SEM BOLA DE CRISTAL

Quando o tempo incita
que o momento excite

quando a hora avisa
que o agora vive

quanta água parada
deságua em deslize

poça apodrecida
de repente livre?

Quanta água pesada
desgasta a calçada?

Poça rediviva
movimenta a vida?

E quanto a espaçá-la
- calçando a calçada

enquanto espaçá-lo
- o momento dado

é de quem a alçada?

...

[sem bola de cristal
de gude, sem canal

(à frente o matagal)

me escuso after all]

QUADRA ANIVERSÁRIA

Cinquenta e cinco
se com afinco:

- definitivo
infinitivo...

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

QUADRA PÓS-ELEITORAL

heterodoxa

A rachadura
é na fervura

(é da fervura)
[dá em fervura]
{só é fervura}:

- tão mais sólida
quão insólita!...

terça-feira, 4 de novembro de 2014

DO LÉXICO GOLPISTA

de sua assustadora imprecisão assustadiça

Se aqui e agora

Brasil for Brazil
(Brazil for Brasil)

será que importa?

Será que exporta

se dois ou dez mil
se mais de cem mil

fizerem hora?

Se estão por fora
sem tais vezes mil

será que aporta?

Será que emborca?...

(se então aborta
calma ou Mallorca?)

[se aqui ou embora
por que varonil?]

...

Se houver pólvora
sob um véu anil

em qualquer Brasil

a flor no fuzil
será que aurora?...

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

CUSTOMIZADO

Amo o que escuto
escuto o que amo.

Amo o que leio
se leio o que amo.

Vejo que escuto
vejo que leio

vejo que os amo.

Mas sei o quanto
se além há muito

e aquém de tudo

o sinto mudo?

...

(vejo mais quando?...)

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

REVISITA 23: CONTAS DE BRILHO

Mostra-me como o silêncio
Com que envolves o melhor momento
Alimenta teu sonho

E de mim terás a promessa
De não violar tua cidadela
Castelo dos teus segredos

Peço-te ainda, e não mais que uma vez
Para ensinar-me o mergulho
Tenso, agudo, profundo
No negro lúcido dos teus olhos
Par de contas translúcidas

E de mim terás quase tudo
Quase a metade do mundo

A metade que te falta
Para saíres das sombras...

15/09/1982

CULTURAL

Agora a gravidade jaz seu serviço com incompetência...
Horizontalizou-me a paixão - mas sem crise de abstinência...

Agora a gravidade da condição me estrala sem demência...

(verticalizou-se em sazonalidade com demais consciência)

...

[o gravitacional
naturaliza mal]

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

REVISITA 22: A PENUMBRA

Viste dois flocos de neve, pequeninos
tirados da escuridão
- teus olhos, brancos de susto
arregalados diante de mim!

Faz-se de espelho, o meu ser
dos teus medos o reflexo de anseios
- do silêncio, onde não caminhas
por ser negro invisível

Vivos na penumbra, fogem as mãos
os pés, o corpo, vestidos
de tecido mais fino, sem estrelas
sem mais máculas...

De forma que, minha querida
foram só dois pontos claros, pequeninos
fazendo par, como nós
diante do desconhecido.

25/08/1982

REVISITA 21: FANTASIA MATUTINA

No limiar das trevas para a claridade
pululam dedos do incriado.
Vão luzes cortando o ar já refeito
das mazelas dos respirandos do dia anterior.

Da densa noite ficou um rastro
iluminado por desejos de um sonho.
Verde floresta de criaturas e cogumelos
perdeu-se incompletamente.

Sobe o sol por cima do real
movimentando o calor da angústia rotineira.
Rostos de reconhecida ambiguidade
são pedras jogadas no caminho.

Anda a roda gigante - logo densa outra noite
recobrirá o que descansa a vida.
Livre no sono a procura
sonhará perdida a floresta encantada.

27/07/1982

AO SENHOR DA CHUVA

O clima lava o mundo.
O tempo lava a fundo.

O clima muda a fundo
O tempo muda o mundo.

(é cíclico e profundo
de fato o raso mundo

encíclico e jucundo)

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

ON THE EDGE III

Há que destemê-lo:

- este fundo anelo
junto ao cerebelo.

ON THE EDGE II

... vida se apresenta
morte nos aguarda:

- entre tais certezas
por que a caminhada

pelas incertezas
mal nos representa?

(nossas inteirezas)

[vossa via larga]

{toda a repetência}

ON THE EDGE

... pois aqui já estamos
sem que percebamos:

- desde sempre andando
(desde que lutando)

ainda respirando;

pobre ou prosperando
rico ou conservando

nos precarizando

vivos entretanto...

domingo, 26 de outubro de 2014

QUADRA ELEITORAL

conjugações

Se candidato convincente
ou cotado com demérito

será futuro do presente
ou futuro do pretérito.

sábado, 25 de outubro de 2014

QUADRA QUÁDRUPLA DECADENTE

síntese & explicação

Trabalho
baralho

trabalho
baralho

baralho
baralho

paspalho
(caralho!...)

[eu trabalho
e embaralho

eu trabalho
e embaralho

se embaralho
mais baralho
(e o trabalho)

eu paspalho
pra caralho!...]

terça-feira, 21 de outubro de 2014

REGISTRO MECÂNICO

grilos?

Meu carro engoliu uns passarinhos
que agora comigo seguem rindo...

Meu carro engoliu dois passarinhos
quatro, seis, dez - ao invés de cinco

sete, treze, dezessete primos:

- pois pares formando casaizinhos
mostram porque estão reproduzindo...

domingo, 19 de outubro de 2014

QUADRA SOBRE DUAS PERNAS

homo ludens

Enquanto eu for isto
- o bípede arisco

meu prazer arrisco
sob o sol a pino!...

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

GÊNESE

a Sebastião Salgado

Curvo-me à majestade do bardo!...

Seu olho magnificado
por tudo fotografado

profunda o veio largo

extremo e próximo
(do meio tácito)

humanizado
agridoce

salgado.

AO SENHOR DO TEMPO IV

perfurando outubro

Ao senhor do tempo
(que não me ouve mesmo)

pelo contratempo
(de não me ouvir mesmo):

- haverá pois tempo
de oxalá esquecê-lo!...

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

DEMOCRÁTICA

uma diretriz

Da mídia a fera
a ser batida

é a atmosfera
da própria mídia

que vos sitia
em blogosfera.

O que se espera
que não se espera
(pois desespera)

- que poderia
- que deveria

pois mobiliza?

Da blogosfera
mais combativa

virá a esfera
que a publiciza:

a vida ativa
- mas coletiva.

domingo, 12 de outubro de 2014

REVISITA 20: O QUADRO

A parede do meu quarto pendurava uma curva
De uma estrada de pinheiros e árvores retorcidas
Encravando a sua forma em pedra fantasmagórica
Desde a tenra infância dos mistérios o fascinante

Quando eu nesse quadro mergulhava absorvido
Meus me tropeçavam os cascalhos do caminho
Eu jogava os olhos para trás do muro verde
Certo de encontrar muito melhor qualquer resposta

Ao chegar dobrando a vista da beleza de saber
Se a vida do outro lado da pedreira poderia
Restava acreditar já quando tudo escurecia
Dos receios desse tempo um então maior segredo

Agora há separados nós do quadro e do quarto
Longes do amado mundo e abandonando a alegria
Imaginando ainda que quanto mais escuro
Decerto encontrarão mais segredos qual respostas...

07/06/1982

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

DOM CASMURRO

udenista

No clima eleitoral
separo o bem do mal.

Se clima eleitoral
reparo o mal que tem:

- o aparo tal que o bem
(o bem daqueles sem)

ampara o zen no sal.

Desse modo o clima
prepara o tal que vem

da perspectiva
nada desmedida

de uma só medida:

- a minha!
- A minha!!
- A MINHA!!!...

terça-feira, 7 de outubro de 2014

À NOITE, TROVA

Dia de prova
vem e renova

que com a prova
que sem a prova

o que comprova
do que renova?

Que nem aprova?
Que nada prova?

Que desaprova
o que reprova?

Que basta a nota?
(que bosta a nota...)

[à noite, trova!...]

RECADO ELEITORAL

aos meninos que não viram

Findou o primeiro turno
de volta para o futuro:

- por isso, porém, contudo
verifique, antes de tudo

(entre cético e incrédulo)
o vigésimo século
dos pretéritos aécios:

-- quando a tal desigualdade
era desigualdade tal

que qualquer barbaridade
mostrava uma qualidade

naturalmente natural.

[a normalidade do mal
(sua banalidade real)]

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

SUPERQUADRA DA SAFADA FALTA DE LUZ

singela homenagem à CEB e carapuça àqueles que corrompem a política

À família

que famiglia

fez quadrilha

de Brasília.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

AO SENHOR DO TEMPO III

short report

Ainda tímida
timidazinha

(anágua antiga
de mariazinhas)

uma água arisca

numa descida
arrefecida

protochovia
tarde e vazia.

[chuvisca ainda]

terça-feira, 30 de setembro de 2014

REVISITA 19: BELÉM, PRIMEIRAS IMPRESSÕES

três fragmentos

O calor já não é tanto; a umidade absorve gradativamente minha indisposição. Estou me adaptando.

***

Belém é melancólica. Parece mulher triste e maltratada. Ouço que desleixada e suja por disputa de filhos ilustres - mulher de malandros coronéis, caprichosos e abusivos. Porém, a cidade mantém certa beleza - a beleza do casario antigo, da copa unificada das mangueiras solidárias... Belém é ultimamente bela - embora comprometida pela velhacaria autoritária, que promove a novidade malfeita e com esta bem coexiste.

***

A tarde é chuvosa sempre. Nuvens negras cobrem o céu e o chão; a vida cobre-se de cinza diariamente. Belém escura é lúgubre, um filme antigo; os antigos casarões de sombras úmidas reavivam seu encanto de passado glorioso. Retomadas, as ruas ainda pertencem mais à chuva do que aos homens. Mais parece uma maneira de se lavar a alma...

03/05/1982

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

AO SENHOR DO TEMPO II

Desertei.

Deserdaste.

Desertificou.

(nos certificamos
assim do que amais:

- dos banhos os sais
que umidificais)

[...]

{se assim por enquanto

rechoverão quando?}

domingo, 28 de setembro de 2014

AO SENHOR DO TEMPO

do clima que endura

... e nada de chuva:

- como passa de uva
ao invés da fruta;

- ou bafo perdura
revés da frescura;

- calmaria escura
em convés de escuna...

Cadê o manda-chuva
o dono da estufa

(do sopro que enfuna
na seca a úmida
presença que a cura)

- mercê nos ajuda
você que é da luta?...

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

DA ESPÉCIE

Cansamos, cansamos, cansamos...

Comemos (se o temos), comemos...

Dormimos, dormimos, dormimos...

Sonhamos, morremos - e infindos

mais fertilizam-nos jacintos...

DA FICÇÃO II

revisitando as revisitas

Por que remexê-lo
- o enorme novelo

de vida enlevada?

Da lida passada
por que me interesso

apenas se impressa?

Por que remexê-la
agora enredado

que desinteressa?

A enorme novela
(seleto o passado)

diversa do impresso

arrisca sintética
o verso pretérito?...

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

REVISITA 18: AREAL

versões

Caminho hesitante nestas ruas de espinhos
Com os olhos vidrados de ver o mundo opaco
Quase cessa a procura, tamanho o cansaço
De divisar o horizonte sempre árido e deserto.

***

De tanto caminhar por estas ruas de espinhos
Tenho os olhos vidrados de ver o mundo opaco
Quase cesso a procura, tamanho o cansaço
De divisar o horizonte sempre árido e deserto.

***

De tanto caminhar pela vida a descoberto
tenho os olhos vidrados de haver o mundo baço;
quase cessa o que procuro, tamanho o cansaço
de empurrar o horizonte a mais árido e deserto...

Belém, 1982; Brasília, 2014.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

REVISITA 17: MASSA FALIDA

... quanto ao que esvazio-me, alego sua ausência de paixões.

Como frutos se amadurecidos
não colhidos
feridos por passarinhos.

(se no chão terão destino
verei)

23/09/1981

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

QUADRA PRÓXIMA DA CHUVA

Do combinado do calor
com a secura derredor
derreter resulta à flor

o aguardo do amor do aguador...

terça-feira, 16 de setembro de 2014

DIDÁTICA PEDAGOGIA

Aula fugidia do dia
aula que se arrasta sofrida

(aquela arrestada perdida
creio, por particularista)

uma sala de aula esvazia:

- onde quarenta e nove havia
sete vezes sete seria
(o que multiplicar-se-ia)

a aula do dia traíra...

domingo, 14 de setembro de 2014

REVISITA 16: DESTINO

Destina-se uma faca
à carne preparada:

- a dividir as águas
das almas inundadas.

Destina-se à criança
brincar com sua balança:

- a burlar vigilâncias
de pesos e distâncias.

Destina-se uma faca
destina-se à criança:

- a ser predestinada
(reconhecida fada)

destina-se defronte
do que certo horizonte

(decerto que horizonte).

16/09/1981

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

DE UMA ILUSÃO ELUSIVA

A sala de aula vazia
depois das aulas do dia

(após toda a algaravia
babélica que a visita)

ecoa sabedoria?

[tal qualidade elusiva
como ilusão distintiva

(porque elusão desmedida
à parte mais discursiva)

ignoro-a ilusiva?]

Ou da porta, todavia
pelas carteiras, solita

deste orfanato, conviva
vento encanado seria?...

REVISITA 15: SETEMBRO

O ciclo fecha-se
incompleto?
Minha satisfação muda
não encontra paralelo
conosco.

Teu humor agitado
força sua razão ao vislumbrar-me.
Mas não há cordas ou grilhões
(mesmo seda branca)
para rompermos...

04/09/1981

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

DA FICÇÃO

O passado
impõe-se 'ado':

- põe-se dado
pois de fato.

Que pesado!...

(o trabalho
de inventá-lo)

REVISITA 14: UMA CARTA

curta, acerca de anos universitários

Nada posso dizer do sentimento hibernante sem hesitar frações de tempo presente. O tempo. Elástico ressecado, amnesia seletivo o pensamento (e seus rompimentos).

Dos anos que passam, apenas resquícios de momentos cruciais especificam. A alegria incontida; a decepção maldisfarçada. A memória detalha - mas o tempo que escorrerá das lembranças inexiste. Pura ilusão.

Assim é que condensaremos três anos de nossas vidas no espaço de um dedal. Esse dedo - de galinha ou de elefante - deslizará sobre as marcas dos semblantes, pelo que mudamos e no que aprendemos. A partir daí, entretanto - quanto às estórias da história -, outras poderemos: à medida que formos novos em nossos momentos, mais longe e difuso e enganoso será o passado, mesmo marcante.

Creio melhor assim. Justificará as demais tentativas.

29/08/1981

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

REVISITA 13: AGOSTO

A luz tênue iluminando o teu rosto
contrasta a sombra com o claro exposto

pelas esquadrias de vidro
que amoroso enfeito a teu gosto.

Teus pensamentos oculto
dos basculantes que adorno

colorido.

(eu vigilante de um mundo
desenterrando em agosto)

20/08/1981

terça-feira, 9 de setembro de 2014

REVISITA 12: LEMBRANÇA

de um recado

Se soubesses do brilho
com que penso os teus olhos

a noção de distância

desapareceria

como ave agonizante
do mar da superfície.

Eu não lamentaria tanto
contratempos, ventos contrários

aos quais fomos insubmissos;

tampouco envergaria a lança
(hipotética embora)
amiga das nossas feridas

- pois tanto és mais querida
na proximidade física

de eu mais sentir teus pensamentos.

[não estão tão mortas
as raízes entrelaçadas

por si em mim de ti]

15/08/1981

sábado, 6 de setembro de 2014

REVISITA 11: ESPERA E MUDANÇA

três fragmentos

Deusa do mar
transpiro o teu respirar

mesmo a milhas de distância da costa.

Faz minha boca voar
de mim salgar.

***

Ah, meus olhos, teus olhos
de um brilho a outro, ah, brilho

transfigure nossas vidas opacas!...

***

Saudade dá e passa
e vem e vai a vaga

não estique a prosa meu bem, rebentá-la

ressacada! A palavra
dá vontade e passa.

13/08/1981

SUPÉRFLUA

Um sol oblíquo
e um ar melífluo

(ambos contínuos)

algo acordaram
cedo um silêncio
mutualíssimo.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

BINÁRIA

Um lombo
de pombo

(calombo
do tombo)

brotará

1. manacás
    (oxalá!)

ou trará

2. carcarás.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

LIVRO DE HISTÓRIA

presa à retina

Duas meninas
raparigotas

par de garotas
das pequeninas

que a vida rota
disfarçaria

de olhos bolotas
negras retintas

porque tão lindas;

uma Carlota
outra Joaquina

(Debret lorota
Rugendas via)

posaram horas
livres de estórias
(serões patriotas)

pra uma visita
da minha vista

litografias.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

TERRITORIAL II

Sou uma criatura da Asa Norte.
O resto da cidade - é a morte!

Sou caso de prospectiva
vida de eremita com sorte
em Brasília - senso teria?

(ilha nesta casa revista)

Ter de deixá-la, minha Asa
abandoná-la, minha taba

é como obrigar-me da Ceasa:

- hortifrutigranjeira, castra
das carnes paixões madrugadas!...

(baratos se houvessem, tão caras)

Se sou criatura da Asa Norte
(o avesso da outra asa, forte)

de móveis que removo imóveis
de carros que apodreço raros
de sonhos que aposento sonhos

por que perguntas - Sul, Sudoeste

Lagos Sul, Norte, satélites
aquela expansão a noroeste?

Nada contra as efemérides
dos lugares em que estiveste

- mas sou cacto da Asa Norte

(animal sem rodas, radical
de esporas, esporo do local)

talvez único dessa espécie.

...

[Brasília, da perspectiva
acima - sentido faria?]

QUANDO ESQUEÇO

de bebê-lo

Café à tarde
esfria cedo

- esfria à parte
da arte que intento

(e descontento)

até que o tento
tarde destarte

[parte que acedo
descarte à arte]

domingo, 31 de agosto de 2014

VANDECIRA

amanhã, dois anos

Pedi-me, a se defini-la
da Mércia, a que Vandecira;

urgi-me, pra separá-la
de Mércia, a jabuticaba

que já jabuticabeira
quase espinheira fingia
docemente apalavrada

de dar coice que pareça
quando entende que eu mereça
posteriormente a pomada

e urticária das besteiras
a respeito dos vespeiros
(francamente!) do parceiro:

- de banana, bananeira
da pipoca, pipoqueira
do cinema, companheira

até a liça sonolenta
de um fonema noutro poema

(de uma fome, cozinheira
da segunda, confeiteira
da terceira sobremesa)

...

Após tantas tentativas
pelas quantas Vandeciras

perdi-me, a mal defini-la
daquela, a que estenderia

Mércia que de Mércia saiba

(mas talvez a pena valha
apenas sintetizá-la:)

[radical na convicção
moderada da sua expressão]

{qual erótica poesia
de nossa pornografia}

sábado, 30 de agosto de 2014

MÁ EDUCAÇÃO

grato a Almodóvar

No sábado na escola
a obrigação da hora

pra cada um que chega
da sexta na cerveja

(na sétima, que seja)

é má lição agora
comprida das demoras

[cumprida, comemoras]

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

REVISITA 10: MANIFESTAÇÃO DE FÉ

Enquanto estás a olhar de longe
parecendo definir desilusão
mão invisível, aponto a ponte
a límpida saída, anunciação:

- não me assusta de antemão a tua ausência!

Teus pensamentos, irreconhecíveis
voltados contra quem os revelou
eu compreendo, em vários dos níveis
na certeza do que os desmotivou:

- não me assusta a imprecisão da tua ausência...

No interior, acolho uma luz terna
que um dia clareará nossa vivência

à parte de ti, também erma...

- e da mesma parte, embora extrema
não me assusta a escuridão da inconsciência!

Na vasta imensidão dos oceanos
algo deixou-nos, fechou passagem;

e enquanto cada ato a sós pesamos

outro caminho, de outro destino, abre-se viagem!...

23/07/1981

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

QUANDO REVISITO

pretérito necrotérios

Minha poesia passada

(a que mel com fel rimava
uma e outra veia cava)

causa-me certo embaraço:

- como presente, o passado
se acotovela barato...

Minha poesia era enxada
de lápis, papel, mais nada;

poesia agora enxadada
grátis do papel, por nada:

- mas quanta novela fiava
dores de que hoje desfaço

ontem sabores de inchaços
poéticos - de putrefatos!...

[se nela eu exagerava
o que existia de fato

(o que de fato pensava
que se eximia dos fados)

este meu olho enxergava
(se extemporâneo o palato)

contemporânea a palavra]

terça-feira, 26 de agosto de 2014

O que acontece

"O trabalho enobrece o homem"
(máxima ideológica)

Quando muito o trabalho, já pouca outra coisa.

M. B.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

REVISITA 9: ECLIPSE LUNAR

Criaturas do turno, preparai-vos:

- negra, cobrirá vosso prateado
terra, sob o peso dos lacaios

uivando seu espaço encadeado;

- então navegarão, espíritos
todos velhos, piratas aflitos

indagando-se, e ao tempo frio
quais tesouros do mundo sombrio...

(disporão, no rumo das estrelas
descaminhos de pedras na poeira
de um falso movimento, parelhas
agulhas - e um arco-íris na veia!...)

Rios fundidos com margens virão
tão mares da total escuridão

assim como irão - contudo, se mais

areia desaguarem, carga, cais...

16/07/1981

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

terça-feira, 19 de agosto de 2014

PELA VIDA QUE SIGA

A entrada em calmaria
num movimento brando

desta vida esquisita
dos cinquenta mais quantos

pede uma ave-maria
(padre-nosso podia)

que já vou deslizando
(lisa a sensaboria)

nesse estar nem estando
nada andando ou boiando...

A entrada em sesmaria
de um desespero branco

nesta altura infinita
da fundura dos planos

pede outra ave-maria
(outra reza postiça)

já que sem solavancos

depois de anos de trancos
(dos destinos sombreando)

como eu repararia
qual a estrada em seguida?... 

sábado, 16 de agosto de 2014

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

REVISITA 8: BEIJOS CÁLIDOS DE SAUDADES

O frescor das manhãs tem meu desejo
de tua calma, sem revolta, aqui dentro
moderada, me aquecendo teus beijos
cálidos, na medida do bom senso...

Junto de ti mora um anjo
mandado por mim, um arcanjo
cuidando, da aurora ao crepúsculo
do que te deixa depois ver do escuro...

Meus passos percorrem teus passos
(por isso não perco, querida)
teus rastros de vista, meus traços
riscados de vida infinita...

Para cada saudade, ingênua palavra
solta, do silêncio, no papel que trava

expressando um requerer pulsante

musculoso vagalume errante...

***

O róseo entardecer tem meu desejo
de tua alma, sabedora, aqui dentro
da saudade, matando sem teus beijos
cálidos, incontidos de bom senso...

14/07/1981

terça-feira, 12 de agosto de 2014

MEU OLHO POR TESTEMUNHA

... desmaiando

esmaecendo

esvaindo

...

já se pondo

moribundo

e tão lindo

...

(meu sol indo

desde às cinco)

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

DE POESIA QUANDO ENCURTA

Quando uma poesia curta
anoitece prematura

prevalece pré-noturna
enquanto arde por agora

(porquanto arte sem demora
antes tarde do que nunca);

quando essa poesia curta
antes parte do que nunca

transparece meia aorta
ante aquele que lhe aporta

sem que amadureça a forma
no espaço de meia hora...

[quando essa poesia surta
convalesce natimorta]

domingo, 10 de agosto de 2014

HUMOR DOMINGUEIRO II

Outra tarde muda
que se faz de surda:

- assim absurda
cega-me rotunda

(ceva-me infecunda
pra outra segunda)

domingo, 3 de agosto de 2014

HUMOR DOMINGUEIRO

A sua tarde muda
domingo não muda:

- ou se faz a muda

pra chave facunda
(pra boa segunda)

ou então se afunda...

sábado, 2 de agosto de 2014

QUADRA DA INVERSA OBRIGAÇÃO

compensação

... enquanto for mau afagar
um quanto de vida boa
seu contanto é desnaufragar
o tanto que a vida doa...

REVISITA 7: MÁXIMO MÍNIMO POSSÍVEL

Se bom silêncio for seu remédio
não me demore, pode ir pra casa;
sobre seu tédio, cobertor médio
fará sua mente sonhar pesada;

se for maduro um tempo futuro
sua direção, apresse certeira;
não me apodreça em cima do muro
tão bom menino, de eira sem beira;

se névoa seca for pela manhã
dissipar-te antes do meio-dia
retorne enfim minha esperança vã
melhor desse humor, como eu queria...

10/07/1981