[agora chove
nos contrafortes
de alguma sorte
com epicentro
bem mais ao norte
(verão dezembro
então tropical
se parecendo
com outro Natal)]
sábado, 6 de dezembro de 2014
NUBLADA II
... este sfumato
chiaro cinzeiro
já ensolarando
tão brasileiro:
- por que Leonardo
não interveio
junto a São Pedro
(de Roma mesmo)
chover do afresco?...
NUBLADA
A cobertura
de baixa altura
tem curvatura
de ferradura
meio enterrada
de cavalgada
interrompida
da madrugada
amanhecida.
de baixa altura
tem curvatura
de ferradura
meio enterrada
de cavalgada
interrompida
da madrugada
amanhecida.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
(DES)SAZONAL
É todo interno
(nem sempre inverso)
o movimento
(decerto inverno)
que mal intento
agora mesmo.
Este dezembro
de veraneios
ainda não disse
ao que interveio
- por pouco triste
por pouco velho
tampouco quero
que seja menos.
Ainda que visse
no que me adentro
ainda que viesse
de outro novembro
talvez coubesse
dizer que acedo
se movimento
de outros momentos
[se primavera
de outonais eras
reconsidero]
(nem sempre inverso)
o movimento
(decerto inverno)
que mal intento
agora mesmo.
Este dezembro
de veraneios
ainda não disse
ao que interveio
- por pouco triste
por pouco velho
tampouco quero
que seja menos.
Ainda que visse
no que me adentro
ainda que viesse
de outro novembro
talvez coubesse
dizer que acedo
se movimento
de outros momentos
[se primavera
de outonais eras
reconsidero]
MANÍACO-DEPRESSIVA
Seu olhar e seu sorrir
e o que mais de você vir
(da superfície opulenta
de entranhas aos quarenta)
[eu, se olhar você sorrir
o que mais seu existir
para outro antes de vir...]
quando meus em harmonia
(da vontade que só minha)
[pois tão meus e minha, ó linda!]
são inteiros de utopia
(aos pedaços todo dia)
e o que mais de você vir
(da superfície opulenta
de entranhas aos quarenta)
[eu, se olhar você sorrir
o que mais seu existir
para outro antes de vir...]
quando meus em harmonia
(da vontade que só minha)
[pois tão meus e minha, ó linda!]
são inteiros de utopia
(aos pedaços todo dia)
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
REVISITA 32: VERBO II
Se tiveres em essência
Aquiescência
Tolerarás o absurdo
o obtuso
Dignamente farto...
11/03/1983
Aquiescência
Tolerarás o absurdo
o obtuso
Dignamente farto...
11/03/1983
REVISITA 31: VERBO
o primeiro
O vento não afaga sua pele como penso
nem perpassa seus cabelos como meus dedos.
Não há chance para nós.
Não há duas palavras para a mesma impressão.
Mas se insisto
em abraçar limitado o infinito
sou um ponto no deserto
que você vê.
19/01/1983
O vento não afaga sua pele como penso
nem perpassa seus cabelos como meus dedos.
Não há chance para nós.
Não há duas palavras para a mesma impressão.
Mas se insisto
em abraçar limitado o infinito
sou um ponto no deserto
que você vê.
19/01/1983
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
REVISITA 30: E. T.
Para além do úmido olhar
no alto negro azul, pó de estrelas
manto dos magos
gráfico do infinito
vive o amigo
perto e viajante
o menino
terno visitante
pomba da paz intergaláctica...
O êxtase extraterrestre.
03/01/1983
DUPLA QUADRA UNIPOLAR
de que me adianta tentar?
Amanheço da alegria
que alvorece dolorida
neste ensolarado dia
de estação interrompida
já que plúmbea deveria
pela quadra duplicida
mal escrita, bem chovida:
- pluviosa sensaboria...
Amanheço da alegria
que alvorece dolorida
neste ensolarado dia
de estação interrompida
já que plúmbea deveria
pela quadra duplicida
mal escrita, bem chovida:
- pluviosa sensaboria...
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
BENEFIT
Jethro Tull
... a paisagem de fora
e a de dentro, por ora
coincidem - o que acalma
minh'alma em sua vertigem
em sua sonora origem:
- a de imagem agora
daquela outrora virgem...
... a paisagem de fora
e a de dentro, por ora
coincidem - o que acalma
minh'alma em sua vertigem
em sua sonora origem:
- a de imagem agora
daquela outrora virgem...
MEU RECIFE
do alterego inclusive
Arrecifes
em que estive
- desististe
ô Euclides?
O Recife
em que estive
(indo a pique)
insististe
- porque nosso amor inclusive!...
Arrecifes
em que estive
- desististe
ô Euclides?
O Recife
em que estive
(indo a pique)
insististe
- porque nosso amor inclusive!...
ESQUECÍVEL
Em dezembro
eu me lembro
de dezembros
contratempos
de outro tempo:
- quando o vento
(que soprava
contraventos)
alentava
turbulento
desalentos
que eu levava
desatento
todo o tempo...
eu me lembro
de dezembros
contratempos
de outro tempo:
- quando o vento
(que soprava
contraventos)
alentava
turbulento
desalentos
que eu levava
desatento
todo o tempo...
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
DA CONSCIÊNCIA SEM
Jogar melhor o jogo das aparências
a fim de melhor refletir uma essência;
jogar melhor o jogo das aparências
a fim de melhor cultivar parecenças;
circular melhor pelas adjacências
na perspectiva afim de compreendê-las
(talvez melhor proteger as diferenças
e enfim administrá-las com prudência)
[ou] [ou] [ou]
... ou renunciar ao jogo das aparências
a fim de reconhecer sua impertinência
face à termodinâmica decadência;
ou mesmo argumentar pela inexistência
do jogo, das aparências, de uma essência
(talvez aquietar-se pela inexistência
de consequência alguma nessa existência)
a fim de melhor refletir uma essência;
jogar melhor o jogo das aparências
a fim de melhor cultivar parecenças;
circular melhor pelas adjacências
na perspectiva afim de compreendê-las
(talvez melhor proteger as diferenças
e enfim administrá-las com prudência)
[ou] [ou] [ou]
... ou renunciar ao jogo das aparências
a fim de reconhecer sua impertinência
face à termodinâmica decadência;
ou mesmo argumentar pela inexistência
do jogo, das aparências, de uma essência
(talvez aquietar-se pela inexistência
de consequência alguma nessa existência)
domingo, 30 de novembro de 2014
sábado, 29 de novembro de 2014
REVISITA 29: TRÓPICO
original atualíssimo
Não há vontade, nem que má
nem ambição.
Nenhuma gota de voluntariedade.
Apenas um véu branco cobrindo o olhar
e maleita dormência.
10/12/1982
Não há vontade, nem que má
nem ambição.
Nenhuma gota de voluntariedade.
Apenas um véu branco cobrindo o olhar
e maleita dormência.
10/12/1982
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
ALA DA SALA
dos professores
contemporâneos
enquanto atores
extemporâneos
sob fatores
controladores:
- educadores
edulcorando
um show de horrores
(dos educandos?...)
Sala das cores
ala das dores:
- dos estertores
de antes amores
diante dos mores
de outros valores...
[sala das cores que desbotamos
lavando o lodo através dos anos;
ala das dores que cultivamos
lavrando a todos do viés dos anos]
REVISITA 28: BEIJO MORENO
Ando mudo, sem procura
Bicho exposto à visitação pública;
Corroído pela mesmice perplexa
Cansado.
Mas te vejo, calmo o teu semblante
Tratando-me com tolerância carinhosa;
Mãe serena, cheia de filhos e filhas
De paciência, ante a imatura inquietude!...
Ando o mundo, sem procura
Bicho exposto aos de vista curta;
Coalhado de coisas, figuras mórbidas
Triste e opaco.
Mas quando pousa o teu olhar, ao vagar
Pássaro negro em rochedo oceânico
Diminui a solidão, um ponto no horizonte
Desmancha a espuma na infinitude das águas...
...
"À procura de mim, procuro-te
Nos teus lábios, de estranha doçura
Inquisidores da dúvida;
Nas palavras assim proferidas
Ecos de ti, íntimas;
No teu beijo moreno, meigo
Meu andarilho anseio...
Procuro-te, à procura de mim."
18/11/1982
18/11/1982
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
DURANTE
Antes do temporal
esta paz surreal
empurra meus olhos juntos fugidios
escapulindo passarinhos furtivos.
O resto de mim não consegue.
Do lado de cá da janela
assiste comigo ao que segue
como se de si fosse a cela
ou sob tutela estivesse
(e toda cautela impusesse).
[diante do temporal
há passarinhos - presos ou fugitivos]
...
Depois do temporal
revolto a ver normal
esta paz sem igual.
esta paz surreal
empurra meus olhos juntos fugidios
escapulindo passarinhos furtivos.
O resto de mim não consegue.
Do lado de cá da janela
assiste comigo ao que segue
como se de si fosse a cela
ou sob tutela estivesse
(e toda cautela impusesse).
[diante do temporal
há passarinhos - presos ou fugitivos]
...
Depois do temporal
revolto a ver normal
esta paz sem igual.
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
ELEGÍADA
de um maníaco
Este ar etéreo
te deixa aérea
na estratosfera
da indiferença!...
Então funéreo
eu me despeço
até que desças
ao andar térreo
da vida dessas
sem refrigério
e me umedeças
do que antes peço
de tua presença
em tua ausência!...
Este ar etéreo
te deixa aérea
na estratosfera
da indiferença!...
Então funéreo
eu me despeço
até que desças
ao andar térreo
da vida dessas
sem refrigério
e me umedeças
do que antes peço
de tua presença
em tua ausência!...
terça-feira, 25 de novembro de 2014
ESTE DESCOMPROMISSO
pretérito perigo
O abismo - me sorrindo
(do seu esconderijo)
o seu sorriso lindo
a esta altura - finjo
que não sou nada rijo
[no meu duplo sentido]
àquela altura (minto
senão que regozijo)
a fim de escapar disso
(de vez escarpar ido
este descompromisso)
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
REVISITA 27: A ESPERA
Bate a chuva
lenta, nula
atrás da porta:
agora, o lado claro de ser
pouco importa.
Pinga a mente
ressentidamente;
os pensamentos, vagam
semidirecionados
retros, menores
retroses de lã.
Dançam os dedos
multimeios
parecendo milhares:
"sê a seda, agulha relax
mostra-me a teia
tecida rarefeita
assim que se faz".
(antevista a carícia
a lembrança vicia;
quanto aos corpos, unidos
contorcidos de gemidos
resta a memória
da fé, sua pausa
o fim da retidão)
...
Se tola vem a mosca
à toa
pouco importa:
agora, clareia o ser
atrás da porta.
01/11/1982
sábado, 22 de novembro de 2014
MEFISTOFÉLICA
Vocábulos
de estábulos
literários
me encabulam:
- gritam pra sair
poder existir
se fazer ouvir
querem ter porvir
(querem ter PORVIR!!!)
[como se o futuro do presente
o garantisse postumamente]
...
{meu demônio e eu concordamos:
- melhor desapalavrar
de qualquer um avatar}
de estábulos
literários
me encabulam:
- gritam pra sair
poder existir
se fazer ouvir
querem ter porvir
(querem ter PORVIR!!!)
[como se o futuro do presente
o garantisse postumamente]
...
{meu demônio e eu concordamos:
- melhor desapalavrar
de qualquer um avatar}
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
YES, RELAYER
lembrança progressiva
... meus portões do delírio
da adolescência - lírios
do campo da inocência -
abriram minha ciência
cedo e tarde (destarte
sua impermanência em arte
há muito e há pouco) - rios
de sons que ainda ouço
vindos daquele poço
de antigo colorido
que ainda desvario
- refletido em colírio
sonoro desde moço
para os olhos que olvido...
... meus portões do delírio
da adolescência - lírios
do campo da inocência -
abriram minha ciência
cedo e tarde (destarte
sua impermanência em arte
há muito e há pouco) - rios
de sons que ainda ouço
vindos daquele poço
de antigo colorido
que ainda desvario
- refletido em colírio
sonoro desde moço
para os olhos que olvido...
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
QUADRA DO DIA
A tristeza da melancolia
é mais triste porque indefinida:
- tristeza de si desconhecida
e mais triste porque não sabia...
REVISITA 26: JARDIM
A flor desnuda estanca o fluxo
do amor da abelha
centelha.
No pouso breve da folha de luxo
borboleta
tem telha.
Pássaro aventa, voa e derruba
da lua
quem telha.
27/10/1982
do amor da abelha
centelha.
No pouso breve da folha de luxo
borboleta
tem telha.
Pássaro aventa, voa e derruba
da lua
quem telha.
27/10/1982
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
DESTA PRA PRÓXIMA
intergeracional
... para onde eles irão
(e outros que seguirão)
sem boa educação
- a do sim e do não
em livre oposição?
Para onde todos vão
se há deseducação
(a do 'sim, por que não?')
a induzir instruções
certas das conclusões
- dos meios ou senão
dos fins com deduções?...
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
EM RESUMO
será o eremita?
Dos meus jogos em tempos de abraços:
- eu gosto mais do primeiro tempo
(no segundo, me vem um cansaço);
- o intervalo, se faz necessário
(meus quinze minutos de vestiário);
- gosto menos do terceiro tempo
do quarto nos quintos, contratempos
(prorrogações do gasto de erários)
[quando os escrúpulos vão pro espaço]
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
PERIFERIA
refém do clima?
A capa cinza
de cor escura
sobre a cidade
que não Brasília
porque avizinha
a dor sozinha
da tempestade
então mais dura
retém ainda
água à vontade...
TEMPO E RENOVAMENTO
memória e esquecimento
Já tive seis
depois doze
dezoito, vinte e um
trinta e cinco
quarenta e dois;
passei cinquenta
e nada lenta
a vida em cada uma das idades
- nas cinquenta e cinco oportunidades
aniversariadas até o presente -
é sempre a da presente novidade:
- uma de cada vez, cada vez uma.
[um ano de cada vez, cada vez um
que antes de experimentado era nenhum]
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
MANOEL SE FOI
notícia repetida (de entristecida)
embora inexatamente verdadeira e
agora devidamente contextualizada e
acompanhada de uma inevitabilidade
... já cumpria travessia de
fauna para flora havia bom
tempo (bem lento na fusão
lavrada e apalavrada com
coisas de sua atenção).
Outro tempo bom e Barros
mineralizar-se-á - porque
sua obra (próxima da lenta
decomposição estelar), a
caminho de o ser, o é já.
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
REVISITA 25: SOPRO
Passa o tempo
pássaro no vento;
e
marcando o passo
passo:
- inerte como rocha
oco feito concha
monte de lava
faz-de-conta.
29/09/1982
REVISITA 24: BREVIDADE
Por um instante
o fluxo da vida detém-se na análise passiva
conviva da preguiça
e o meu corpo fecha-se por completo
ansioso de algum sentimento
majestade sem coroa
e a tua vontade dorme solta
o sono arquetípico da lassidão.
...
(não saberemos a razão das coisas)
27/09/1982
o fluxo da vida detém-se na análise passiva
conviva da preguiça
e o meu corpo fecha-se por completo
ansioso de algum sentimento
majestade sem coroa
e a tua vontade dorme solta
o sono arquetípico da lassidão.
...
(não saberemos a razão das coisas)
27/09/1982
ÂNGELA
Desde que me entendo por gente
teu rosto está em minha mente;
desde que me entendo com gente
teu rosto aqui está suavemente
rosto sorrindo desde sempre;
se me desentendo com gente
teu rosto então condescendente
ri novamente - mas somente
se eu não desentender da mente...
teu rosto está em minha mente;
desde que me entendo com gente
teu rosto aqui está suavemente
rosto sorrindo desde sempre;
se me desentendo com gente
teu rosto então condescendente
ri novamente - mas somente
se eu não desentender da mente...
terça-feira, 11 de novembro de 2014
ANTES DE AS ESQUECER
É sempre assim antes de escrever:
- acho que as palavras vão morrer
antes de se permitirem ver
antes de me deixarem rever
o que poderiam vir a ser
se de fato as soubesse escrever.
SINONÍMIA ALAGADIÇA
Aquela flor no pântano
será uma flor de pântano
do charco o delgado encanto?
Aquela flor no lodaçal
será uma cor do tremedal
do aguaçal banhado de sol?
Em atascal que atola o sal
aquela flor tão brejeira
contrária a tal natureza
(de odor cediço à lameira)
seria a dor da beleza?...
será uma flor de pântano
do charco o delgado encanto?
Aquela flor no lodaçal
será uma cor do tremedal
do aguaçal banhado de sol?
Em atascal que atola o sal
aquela flor tão brejeira
contrária a tal natureza
(de odor cediço à lameira)
seria a dor da beleza?...
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
SEM BOLA DE CRISTAL
Quando o tempo incita
que o momento excite
quando a hora avisa
que o agora vive
quanta água parada
deságua em deslize
poça apodrecida
de repente livre?
Quanta água pesada
desgasta a calçada?
Poça rediviva
movimenta a vida?
E quanto a espaçá-la
- calçando a calçada
enquanto espaçá-lo
- o momento dado
é de quem a alçada?
...
[sem bola de cristal
de gude, sem canal
(à frente o matagal)
me escuso after all]
que o momento excite
quando a hora avisa
que o agora vive
quanta água parada
deságua em deslize
poça apodrecida
de repente livre?
Quanta água pesada
desgasta a calçada?
Poça rediviva
movimenta a vida?
E quanto a espaçá-la
- calçando a calçada
enquanto espaçá-lo
- o momento dado
é de quem a alçada?
...
[sem bola de cristal
de gude, sem canal
(à frente o matagal)
me escuso after all]
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
QUADRA PÓS-ELEITORAL
heterodoxa
A rachadura
é na fervura
(é da fervura)
[dá em fervura]
{só é fervura}:
- tão mais sólida
quão insólita!...
A rachadura
é na fervura
(é da fervura)
[dá em fervura]
{só é fervura}:
- tão mais sólida
quão insólita!...
terça-feira, 4 de novembro de 2014
DO LÉXICO GOLPISTA
de sua assustadora imprecisão assustadiça
Se aqui e agora
Brasil for Brazil
(Brazil for Brasil)
será que importa?
Será que exporta
se dois ou dez mil
se mais de cem mil
fizerem hora?
Se estão por fora
sem tais vezes mil
será que aporta?
Será que emborca?...
(se então aborta
calma ou Mallorca?)
[se aqui ou embora
por que varonil?]
...
Se houver pólvora
sob um véu anil
em qualquer Brasil
a flor no fuzil
será que aurora?...
Se aqui e agora
Brasil for Brazil
(Brazil for Brasil)
será que importa?
Será que exporta
se dois ou dez mil
se mais de cem mil
fizerem hora?
Se estão por fora
sem tais vezes mil
será que aporta?
Será que emborca?...
(se então aborta
calma ou Mallorca?)
[se aqui ou embora
por que varonil?]
...
Se houver pólvora
sob um véu anil
em qualquer Brasil
a flor no fuzil
será que aurora?...
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
CUSTOMIZADO
Amo o que escuto
escuto o que amo.
Amo o que leio
se leio o que amo.
Vejo que escuto
vejo que leio
vejo que os amo.
Mas sei o quanto
se além há muito
e aquém de tudo
o sinto mudo?
...
(vejo mais quando?...)
escuto o que amo.
Amo o que leio
se leio o que amo.
Vejo que escuto
vejo que leio
vejo que os amo.
Mas sei o quanto
se além há muito
e aquém de tudo
o sinto mudo?
...
(vejo mais quando?...)
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
REVISITA 23: CONTAS DE BRILHO
Mostra-me como o silêncio
Com que envolves o melhor momento
Alimenta teu sonho
E de mim terás a promessa
De não violar tua cidadela
Castelo dos teus segredos
Peço-te ainda, e não mais que uma vez
Para ensinar-me o mergulho
Tenso, agudo, profundo
No negro lúcido dos teus olhos
Par de contas translúcidas
E de mim terás quase tudo
Quase a metade do mundo
A metade que te falta
Para saíres das sombras...
15/09/1982
CULTURAL
Agora a gravidade jaz seu serviço com incompetência...
Horizontalizou-me a paixão - mas sem crise de abstinência...
Agora a gravidade da condição me estrala sem demência...
(verticalizou-se em sazonalidade com demais consciência)
...
[o gravitacional
naturaliza mal]
Horizontalizou-me a paixão - mas sem crise de abstinência...
Agora a gravidade da condição me estrala sem demência...
(verticalizou-se em sazonalidade com demais consciência)
...
[o gravitacional
naturaliza mal]
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
REVISITA 22: A PENUMBRA
Viste dois flocos de neve, pequeninos
tirados da escuridão
- teus olhos, brancos de susto
arregalados diante de mim!
Faz-se de espelho, o meu ser
dos teus medos o reflexo de anseios
- do silêncio, onde não caminhas
por ser negro invisível
Vivos na penumbra, fogem as mãos
os pés, o corpo, vestidos
de tecido mais fino, sem estrelas
sem mais máculas...
De forma que, minha querida
foram só dois pontos claros, pequeninos
fazendo par, como nós
diante do desconhecido.
25/08/1982
25/08/1982
REVISITA 21: FANTASIA MATUTINA
No limiar das trevas para a claridade
pululam dedos do incriado.
Vão luzes cortando o ar já refeito
das mazelas dos respirandos do dia anterior.
Da densa noite ficou um rastro
iluminado por desejos de um sonho.
Verde floresta de criaturas e cogumelos
perdeu-se incompletamente.
Sobe o sol por cima do real
movimentando o calor da angústia rotineira.
Rostos de reconhecida ambiguidade
são pedras jogadas no caminho.
Anda a roda gigante - logo densa outra noite
recobrirá o que descansa a vida.
Livre no sono a procura
sonhará perdida a floresta encantada.
27/07/1982
AO SENHOR DA CHUVA
O clima lava o mundo.
O tempo lava a fundo.
O clima muda a fundo
O tempo muda o mundo.
(é cíclico e profundo
de fato o raso mundo
encíclico e jucundo)
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
ON THE EDGE II
... vida se apresenta
morte nos aguarda:
- entre tais certezas
por que a caminhada
pelas incertezas
mal nos representa?
(nossas inteirezas)
[vossa via larga]
{toda a repetência}
morte nos aguarda:
- entre tais certezas
por que a caminhada
pelas incertezas
mal nos representa?
(nossas inteirezas)
[vossa via larga]
{toda a repetência}
ON THE EDGE
... pois aqui já estamos
sem que percebamos:
- desde sempre andando
(desde que lutando)
ainda respirando;
pobre ou prosperando
rico ou conservando
nos precarizando
vivos entretanto...
sem que percebamos:
- desde sempre andando
(desde que lutando)
ainda respirando;
pobre ou prosperando
rico ou conservando
nos precarizando
vivos entretanto...
domingo, 26 de outubro de 2014
QUADRA ELEITORAL
conjugações
Se candidato convincente
ou cotado com demérito
será futuro do presente
ou futuro do pretérito.
Se candidato convincente
ou cotado com demérito
será futuro do presente
ou futuro do pretérito.
sábado, 25 de outubro de 2014
QUADRA QUÁDRUPLA DECADENTE
síntese & explicação
Trabalho
baralho
trabalho
baralho
baralho
baralho
paspalho
(caralho!...)
[eu trabalho
e embaralho
eu trabalho
e embaralho
se embaralho
mais baralho
(e o trabalho)
eu paspalho
pra caralho!...]
Trabalho
baralho
trabalho
baralho
baralho
baralho
paspalho
(caralho!...)
[eu trabalho
e embaralho
eu trabalho
e embaralho
se embaralho
mais baralho
(e o trabalho)
eu paspalho
pra caralho!...]
terça-feira, 21 de outubro de 2014
REGISTRO MECÂNICO
grilos?
Meu carro engoliu uns passarinhos
que agora comigo seguem rindo...
Meu carro engoliu dois passarinhos
quatro, seis, dez - ao invés de cinco
sete, treze, dezessete primos:
- pois pares formando casaizinhos
mostram porque estão reproduzindo...
Meu carro engoliu uns passarinhos
que agora comigo seguem rindo...
Meu carro engoliu dois passarinhos
quatro, seis, dez - ao invés de cinco
sete, treze, dezessete primos:
- pois pares formando casaizinhos
mostram porque estão reproduzindo...
domingo, 19 de outubro de 2014
QUADRA SOBRE DUAS PERNAS
homo ludens
Enquanto eu for isto
- o bípede arisco
meu prazer arrisco
sob o sol a pino!...
Enquanto eu for isto
- o bípede arisco
meu prazer arrisco
sob o sol a pino!...
sexta-feira, 17 de outubro de 2014
GÊNESE
a Sebastião Salgado
Curvo-me à majestade do bardo!...
Seu olho magnificado
por tudo fotografado
profunda o veio largo
extremo e próximo
(do meio tácito)
humanizado
agridoce
salgado.
Curvo-me à majestade do bardo!...
Seu olho magnificado
por tudo fotografado
profunda o veio largo
extremo e próximo
(do meio tácito)
humanizado
agridoce
salgado.
AO SENHOR DO TEMPO IV
perfurando outubro
Ao senhor do tempo
(que não me ouve mesmo)
pelo contratempo
(de não me ouvir mesmo):
- haverá pois tempo
de oxalá esquecê-lo!...
Ao senhor do tempo
(que não me ouve mesmo)
pelo contratempo
(de não me ouvir mesmo):
- haverá pois tempo
de oxalá esquecê-lo!...
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
DEMOCRÁTICA
uma diretriz
Da mídia a fera
a ser batida
é a atmosfera
da própria mídia
que vos sitia
em blogosfera.
O que se espera
que não se espera
(pois desespera)
- que poderia
- que deveria
pois mobiliza?
Da blogosfera
mais combativa
virá a esfera
que a publiciza:
a vida ativa
- mas coletiva.
domingo, 12 de outubro de 2014
REVISITA 20: O QUADRO
A parede do meu quarto pendurava uma curva
De uma estrada de pinheiros e árvores retorcidas
Encravando a sua forma em pedra fantasmagórica
Desde a tenra infância dos mistérios o fascinante
Quando eu nesse quadro mergulhava absorvido
Meus me tropeçavam os cascalhos do caminho
Eu jogava os olhos para trás do muro verde
Certo de encontrar muito melhor qualquer resposta
Ao chegar dobrando a vista da beleza de saber
Se a vida do outro lado da pedreira poderia
Restava acreditar já quando tudo escurecia
Dos receios desse tempo um então maior segredo
Agora há separados nós do quadro e do quarto
Longes do amado mundo e abandonando a alegria
Imaginando ainda que quanto mais escuro
Decerto encontrarão mais segredos qual respostas...
07/06/1982
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
DOM CASMURRO
udenista
No clima eleitoral
separo o bem do mal.
Se clima eleitoral
reparo o mal que tem:
- o aparo tal que o bem
(o bem daqueles sem)
ampara o zen no sal.
Desse modo o clima
prepara o tal que vem
da perspectiva
nada desmedida
de uma só medida:
- a minha!
- A minha!!
- A MINHA!!!...
No clima eleitoral
separo o bem do mal.
Se clima eleitoral
reparo o mal que tem:
- o aparo tal que o bem
(o bem daqueles sem)
ampara o zen no sal.
Desse modo o clima
prepara o tal que vem
da perspectiva
nada desmedida
de uma só medida:
- a minha!
- A minha!!
- A MINHA!!!...
terça-feira, 7 de outubro de 2014
À NOITE, TROVA
Dia de prova
vem e renova
que com a prova
que sem a prova
o que comprova
do que renova?
Que nem aprova?
Que nada prova?
Que desaprova
o que reprova?
Que basta a nota?
(que bosta a nota...)
[à noite, trova!...]
vem e renova
que com a prova
que sem a prova
o que comprova
do que renova?
Que nem aprova?
Que nada prova?
Que desaprova
o que reprova?
Que basta a nota?
(que bosta a nota...)
[à noite, trova!...]
RECADO ELEITORAL
aos meninos que não viram
Findou o primeiro turno
de volta para o futuro:
- por isso, porém, contudo
verifique, antes de tudo
(entre cético e incrédulo)
o vigésimo século
dos pretéritos aécios:
-- quando a tal desigualdade
era desigualdade tal
que qualquer barbaridade
mostrava uma qualidade
naturalmente natural.
[a normalidade do mal
(sua banalidade real)]
Findou o primeiro turno
de volta para o futuro:
- por isso, porém, contudo
verifique, antes de tudo
(entre cético e incrédulo)
o vigésimo século
dos pretéritos aécios:
-- quando a tal desigualdade
era desigualdade tal
que qualquer barbaridade
mostrava uma qualidade
naturalmente natural.
[a normalidade do mal
(sua banalidade real)]
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
SUPERQUADRA DA SAFADA FALTA DE LUZ
singela homenagem à CEB e carapuça àqueles que corrompem a política
À família
que famiglia
fez quadrilha
de Brasília.
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
AO SENHOR DO TEMPO III
short report
Ainda tímida
timidazinha
(anágua antiga
de mariazinhas)
uma água arisca
numa descida
arrefecida
protochovia
tarde e vazia.
[chuvisca ainda]
Ainda tímida
timidazinha
(anágua antiga
de mariazinhas)
uma água arisca
numa descida
arrefecida
protochovia
tarde e vazia.
[chuvisca ainda]
terça-feira, 30 de setembro de 2014
REVISITA 19: BELÉM, PRIMEIRAS IMPRESSÕES
três fragmentos
O calor já não é tanto; a umidade absorve gradativamente minha indisposição. Estou me adaptando.
***
Belém é melancólica. Parece mulher triste e maltratada. Ouço que desleixada e suja por disputa de filhos ilustres - mulher de malandros coronéis, caprichosos e abusivos. Porém, a cidade mantém certa beleza - a beleza do casario antigo, da copa unificada das mangueiras solidárias... Belém é ultimamente bela - embora comprometida pela velhacaria autoritária, que promove a novidade malfeita e com esta bem coexiste.
***
A tarde é chuvosa sempre. Nuvens negras cobrem o céu e o chão; a vida cobre-se de cinza diariamente. Belém escura é lúgubre, um filme antigo; os antigos casarões de sombras úmidas reavivam seu encanto de passado glorioso. Retomadas, as ruas ainda pertencem mais à chuva do que aos homens. Mais parece uma maneira de se lavar a alma...
03/05/1982
O calor já não é tanto; a umidade absorve gradativamente minha indisposição. Estou me adaptando.
***
Belém é melancólica. Parece mulher triste e maltratada. Ouço que desleixada e suja por disputa de filhos ilustres - mulher de malandros coronéis, caprichosos e abusivos. Porém, a cidade mantém certa beleza - a beleza do casario antigo, da copa unificada das mangueiras solidárias... Belém é ultimamente bela - embora comprometida pela velhacaria autoritária, que promove a novidade malfeita e com esta bem coexiste.
***
A tarde é chuvosa sempre. Nuvens negras cobrem o céu e o chão; a vida cobre-se de cinza diariamente. Belém escura é lúgubre, um filme antigo; os antigos casarões de sombras úmidas reavivam seu encanto de passado glorioso. Retomadas, as ruas ainda pertencem mais à chuva do que aos homens. Mais parece uma maneira de se lavar a alma...
03/05/1982
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
AO SENHOR DO TEMPO II
Desertei.
Deserdaste.
Desertificou.
(nos certificamos
assim do que amais:
- dos banhos os sais
que umidificais)
[...]
{se assim por enquanto
rechoverão quando?}
Deserdaste.
Desertificou.
(nos certificamos
assim do que amais:
- dos banhos os sais
que umidificais)
[...]
{se assim por enquanto
rechoverão quando?}
domingo, 28 de setembro de 2014
AO SENHOR DO TEMPO
do clima que endura
... e nada de chuva:
- como passa de uva
ao invés da fruta;
- ou bafo perdura
revés da frescura;
- calmaria escura
em convés de escuna...
Cadê o manda-chuva
o dono da estufa
(do sopro que enfuna
na seca a úmida
presença que a cura)
- mercê nos ajuda
você que é da luta?...
... e nada de chuva:
- como passa de uva
ao invés da fruta;
- ou bafo perdura
revés da frescura;
- calmaria escura
em convés de escuna...
Cadê o manda-chuva
o dono da estufa
(do sopro que enfuna
na seca a úmida
presença que a cura)
- mercê nos ajuda
você que é da luta?...
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
DA ESPÉCIE
Cansamos, cansamos, cansamos...
Comemos (se o temos), comemos...
Dormimos, dormimos, dormimos...
Sonhamos, morremos - e infindos
mais fertilizam-nos jacintos...
Comemos (se o temos), comemos...
Dormimos, dormimos, dormimos...
Sonhamos, morremos - e infindos
mais fertilizam-nos jacintos...
DA FICÇÃO II
revisitando as revisitas
Por que remexê-lo
- o enorme novelo
de vida enlevada?
Da lida passada
por que me interesso
apenas se impressa?
Por que remexê-la
agora enredado
que desinteressa?
A enorme novela
(seleto o passado)
diversa do impresso
arrisca sintética
o verso pretérito?...
Por que remexê-lo
- o enorme novelo
de vida enlevada?
Da lida passada
por que me interesso
apenas se impressa?
Por que remexê-la
agora enredado
que desinteressa?
A enorme novela
(seleto o passado)
diversa do impresso
arrisca sintética
o verso pretérito?...
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
REVISITA 18: AREAL
versões
Caminho hesitante nestas ruas de espinhos
Com os olhos vidrados de ver o mundo opaco
Quase cessa a procura, tamanho o cansaço
De divisar o horizonte sempre árido e deserto.
***
De tanto caminhar por estas ruas de espinhos
Tenho os olhos vidrados de ver o mundo opaco
Quase cesso a procura, tamanho o cansaço
De divisar o horizonte sempre árido e deserto.
***
De tanto caminhar pela vida a descoberto
tenho os olhos vidrados de haver o mundo baço;
quase cessa o que procuro, tamanho o cansaço
de empurrar o horizonte a mais árido e deserto...
Belém, 1982; Brasília, 2014.
Caminho hesitante nestas ruas de espinhos
Com os olhos vidrados de ver o mundo opaco
Quase cessa a procura, tamanho o cansaço
De divisar o horizonte sempre árido e deserto.
***
De tanto caminhar por estas ruas de espinhos
Tenho os olhos vidrados de ver o mundo opaco
Quase cesso a procura, tamanho o cansaço
De divisar o horizonte sempre árido e deserto.
***
De tanto caminhar pela vida a descoberto
tenho os olhos vidrados de haver o mundo baço;
quase cessa o que procuro, tamanho o cansaço
de empurrar o horizonte a mais árido e deserto...
Belém, 1982; Brasília, 2014.
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
REVISITA 17: MASSA FALIDA
... quanto ao que esvazio-me, alego sua ausência de paixões.
Como frutos se amadurecidos
não colhidos
feridos por passarinhos.
(se no chão terão destino
verei)
23/09/1981
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
QUADRA PRÓXIMA DA CHUVA
Do combinado do calor
com a secura derredor
derreter resulta à flor
o aguardo do amor do aguador...
terça-feira, 16 de setembro de 2014
DIDÁTICA PEDAGOGIA
Aula fugidia do dia
aula que se arrasta sofrida
(aquela arrestada perdida
creio, por particularista)
uma sala de aula esvazia:
- onde quarenta e nove havia
sete vezes sete seria
(o que multiplicar-se-ia)
a aula do dia traíra...
domingo, 14 de setembro de 2014
REVISITA 16: DESTINO
Destina-se uma faca
à carne preparada:
- a dividir as águas
das almas inundadas.
Destina-se à criança
brincar com sua balança:
- a burlar vigilâncias
de pesos e distâncias.
Destina-se uma faca
destina-se à criança:
- a ser predestinada
(reconhecida fada)
destina-se defronte
do que certo horizonte
(decerto que horizonte).
16/09/1981
à carne preparada:
- a dividir as águas
das almas inundadas.
Destina-se à criança
brincar com sua balança:
- a burlar vigilâncias
de pesos e distâncias.
Destina-se uma faca
destina-se à criança:
- a ser predestinada
(reconhecida fada)
destina-se defronte
do que certo horizonte
(decerto que horizonte).
16/09/1981
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
DE UMA ILUSÃO ELUSIVA
A sala de aula vazia
depois das aulas do dia
(após toda a algaravia
babélica que a visita)
ecoa sabedoria?
[tal qualidade elusiva
como ilusão distintiva
(porque elusão desmedida
à parte mais discursiva)
ignoro-a ilusiva?]
Ou da porta, todavia
pelas carteiras, solita
deste orfanato, conviva
vento encanado seria?...
depois das aulas do dia
(após toda a algaravia
babélica que a visita)
ecoa sabedoria?
[tal qualidade elusiva
como ilusão distintiva
(porque elusão desmedida
à parte mais discursiva)
ignoro-a ilusiva?]
Ou da porta, todavia
pelas carteiras, solita
deste orfanato, conviva
vento encanado seria?...
REVISITA 15: SETEMBRO
O ciclo fecha-se
incompleto?
Minha satisfação muda
não encontra paralelo
conosco.
Teu humor agitado
força sua razão ao vislumbrar-me.
Mas não há cordas ou grilhões
(mesmo seda branca)
para rompermos...
04/09/1981
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
DA FICÇÃO
O passado
impõe-se 'ado':
- põe-se dado
pois de fato.
Que pesado!...
(o trabalho
de inventá-lo)
REVISITA 14: UMA CARTA
curta, acerca de anos universitários
Nada posso dizer do sentimento hibernante sem hesitar frações de tempo presente. O tempo. Elástico ressecado, amnesia seletivo o pensamento (e seus rompimentos).
Dos anos que passam, apenas resquícios de momentos cruciais especificam. A alegria incontida; a decepção maldisfarçada. A memória detalha - mas o tempo que escorrerá das lembranças inexiste. Pura ilusão.
Assim é que condensaremos três anos de nossas vidas no espaço de um dedal. Esse dedo - de galinha ou de elefante - deslizará sobre as marcas dos semblantes, pelo que mudamos e no que aprendemos. A partir daí, entretanto - quanto às estórias da história -, outras poderemos: à medida que formos novos em nossos momentos, mais longe e difuso e enganoso será o passado, mesmo marcante.
Creio melhor assim. Justificará as demais tentativas.
29/08/1981
Nada posso dizer do sentimento hibernante sem hesitar frações de tempo presente. O tempo. Elástico ressecado, amnesia seletivo o pensamento (e seus rompimentos).
Dos anos que passam, apenas resquícios de momentos cruciais especificam. A alegria incontida; a decepção maldisfarçada. A memória detalha - mas o tempo que escorrerá das lembranças inexiste. Pura ilusão.
Assim é que condensaremos três anos de nossas vidas no espaço de um dedal. Esse dedo - de galinha ou de elefante - deslizará sobre as marcas dos semblantes, pelo que mudamos e no que aprendemos. A partir daí, entretanto - quanto às estórias da história -, outras poderemos: à medida que formos novos em nossos momentos, mais longe e difuso e enganoso será o passado, mesmo marcante.
Creio melhor assim. Justificará as demais tentativas.
29/08/1981
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
REVISITA 13: AGOSTO
A luz tênue iluminando o teu rosto
contrasta a sombra com o claro exposto
pelas esquadrias de vidro
que amoroso enfeito a teu gosto.
Teus pensamentos oculto
dos basculantes que adorno
colorido.
(eu vigilante de um mundo
desenterrando em agosto)
20/08/1981
contrasta a sombra com o claro exposto
pelas esquadrias de vidro
que amoroso enfeito a teu gosto.
Teus pensamentos oculto
dos basculantes que adorno
colorido.
(eu vigilante de um mundo
desenterrando em agosto)
20/08/1981
terça-feira, 9 de setembro de 2014
REVISITA 12: LEMBRANÇA
de um recado
Se soubesses do brilho
com que penso os teus olhos
a noção de distância
desapareceria
como ave agonizante
do mar da superfície.
Eu não lamentaria tanto
contratempos, ventos contrários
aos quais fomos insubmissos;
tampouco envergaria a lança
(hipotética embora)
amiga das nossas feridas
- pois tanto és mais querida
na proximidade física
de eu mais sentir teus pensamentos.
[não estão tão mortas
as raízes entrelaçadas
por si em mim de ti]
15/08/1981
Se soubesses do brilho
com que penso os teus olhos
a noção de distância
desapareceria
como ave agonizante
do mar da superfície.
Eu não lamentaria tanto
contratempos, ventos contrários
aos quais fomos insubmissos;
tampouco envergaria a lança
(hipotética embora)
amiga das nossas feridas
- pois tanto és mais querida
na proximidade física
de eu mais sentir teus pensamentos.
[não estão tão mortas
as raízes entrelaçadas
por si em mim de ti]
15/08/1981
sábado, 6 de setembro de 2014
REVISITA 11: ESPERA E MUDANÇA
três fragmentos
Deusa do mar
transpiro o teu respirar
mesmo a milhas de distância da costa.
Faz minha boca voar
de mim salgar.
***
Ah, meus olhos, teus olhos
de um brilho a outro, ah, brilho
transfigure nossas vidas opacas!...
***
Saudade dá e passa
e vem e vai a vaga
não estique a prosa meu bem, rebentá-la
ressacada! A palavra
dá vontade e passa.
13/08/1981
Deusa do mar
transpiro o teu respirar
mesmo a milhas de distância da costa.
Faz minha boca voar
de mim salgar.
***
Ah, meus olhos, teus olhos
de um brilho a outro, ah, brilho
transfigure nossas vidas opacas!...
***
Saudade dá e passa
e vem e vai a vaga
não estique a prosa meu bem, rebentá-la
ressacada! A palavra
dá vontade e passa.
13/08/1981
SUPÉRFLUA
Um sol oblíquo
e um ar melífluo
(ambos contínuos)
algo acordaram
cedo um silêncio
mutualíssimo.
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
LIVRO DE HISTÓRIA
presa à retina
Duas meninas
raparigotas
par de garotas
das pequeninas
que a vida rota
disfarçaria
de olhos bolotas
negras retintas
porque tão lindas;
uma Carlota
outra Joaquina
(Debret lorota
Rugendas via)
posaram horas
livres de estórias
(serões patriotas)
pra uma visita
da minha vista
litografias.
terça-feira, 2 de setembro de 2014
TERRITORIAL II
Sou uma criatura da Asa Norte.
O resto da cidade - é a morte!
Sou caso de prospectiva
vida de eremita com sorte
em Brasília - senso teria?
(ilha nesta casa revista)
Ter de deixá-la, minha Asa
abandoná-la, minha taba
é como obrigar-me da Ceasa:
- hortifrutigranjeira, castra
das carnes paixões madrugadas!...
(baratos se houvessem, tão caras)
Se sou criatura da Asa Norte
(o avesso da outra asa, forte)
de móveis que removo imóveis
de carros que apodreço raros
de sonhos que aposento sonhos
por que perguntas - Sul, Sudoeste
Lagos Sul, Norte, satélites
aquela expansão a noroeste?
Nada contra as efemérides
dos lugares em que estiveste
- mas sou cacto da Asa Norte
(animal sem rodas, radical
de esporas, esporo do local)
talvez único dessa espécie.
...
[Brasília, da perspectiva
acima - sentido faria?]
O resto da cidade - é a morte!
Sou caso de prospectiva
vida de eremita com sorte
em Brasília - senso teria?
(ilha nesta casa revista)
Ter de deixá-la, minha Asa
abandoná-la, minha taba
é como obrigar-me da Ceasa:
- hortifrutigranjeira, castra
das carnes paixões madrugadas!...
(baratos se houvessem, tão caras)
Se sou criatura da Asa Norte
(o avesso da outra asa, forte)
de móveis que removo imóveis
de carros que apodreço raros
de sonhos que aposento sonhos
por que perguntas - Sul, Sudoeste
Lagos Sul, Norte, satélites
aquela expansão a noroeste?
Nada contra as efemérides
dos lugares em que estiveste
- mas sou cacto da Asa Norte
(animal sem rodas, radical
de esporas, esporo do local)
talvez único dessa espécie.
...
[Brasília, da perspectiva
acima - sentido faria?]
QUANDO ESQUEÇO
de bebê-lo
Café à tarde
esfria cedo
- esfria à parte
da arte que intento
(e descontento)
até que o tento
tarde destarte
[parte que acedo
descarte à arte]
Café à tarde
esfria cedo
- esfria à parte
da arte que intento
(e descontento)
até que o tento
tarde destarte
[parte que acedo
descarte à arte]
domingo, 31 de agosto de 2014
VANDECIRA
amanhã, dois anos
Pedi-me, a se defini-la
da Mércia, a que Vandecira;
urgi-me, pra separá-la
de Mércia, a jabuticaba
que já jabuticabeira
quase espinheira fingia
docemente apalavrada
de dar coice que pareça
quando entende que eu mereça
posteriormente a pomada
e urticária das besteiras
a respeito dos vespeiros
(francamente!) do parceiro:
- de banana, bananeira
da pipoca, pipoqueira
do cinema, companheira
até a liça sonolenta
de um fonema noutro poema
(de uma fome, cozinheira
da segunda, confeiteira
da terceira sobremesa)
...
Após tantas tentativas
pelas quantas Vandeciras
perdi-me, a mal defini-la
daquela, a que estenderia
Mércia que de Mércia saiba
(mas talvez a pena valha
apenas sintetizá-la:)
[radical na convicção
moderada da sua expressão]
{qual erótica poesia
de nossa pornografia}
Pedi-me, a se defini-la
da Mércia, a que Vandecira;
urgi-me, pra separá-la
de Mércia, a jabuticaba
que já jabuticabeira
quase espinheira fingia
docemente apalavrada
de dar coice que pareça
quando entende que eu mereça
posteriormente a pomada
e urticária das besteiras
a respeito dos vespeiros
(francamente!) do parceiro:
- de banana, bananeira
da pipoca, pipoqueira
do cinema, companheira
até a liça sonolenta
de um fonema noutro poema
(de uma fome, cozinheira
da segunda, confeiteira
da terceira sobremesa)
...
Após tantas tentativas
pelas quantas Vandeciras
perdi-me, a mal defini-la
daquela, a que estenderia
Mércia que de Mércia saiba
(mas talvez a pena valha
apenas sintetizá-la:)
[radical na convicção
moderada da sua expressão]
{qual erótica poesia
de nossa pornografia}
sábado, 30 de agosto de 2014
MÁ EDUCAÇÃO
grato a Almodóvar
a obrigação da hora
pra cada um que chega
da sexta na cerveja
(na sétima, que seja)
é má lição agora
comprida das demoras
[cumprida, comemoras]
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
REVISITA 10: MANIFESTAÇÃO DE FÉ
Enquanto estás a olhar de longe
parecendo definir desilusão
mão invisível, aponto a ponte
a límpida saída, anunciação:
- não me assusta de antemão a tua ausência!
Teus pensamentos, irreconhecíveis
voltados contra quem os revelou
eu compreendo, em vários dos níveis
na certeza do que os desmotivou:
- não me assusta a imprecisão da tua ausência...
No interior, acolho uma luz terna
que um dia clareará nossa vivência
à parte de ti, também erma...
- e da mesma parte, embora extrema
não me assusta a escuridão da inconsciência!
Na vasta imensidão dos oceanos
algo deixou-nos, fechou passagem;
e enquanto cada ato a sós pesamos
outro caminho, de outro destino, abre-se viagem!...
23/07/1981
parecendo definir desilusão
mão invisível, aponto a ponte
a límpida saída, anunciação:
- não me assusta de antemão a tua ausência!
Teus pensamentos, irreconhecíveis
voltados contra quem os revelou
eu compreendo, em vários dos níveis
na certeza do que os desmotivou:
- não me assusta a imprecisão da tua ausência...
No interior, acolho uma luz terna
que um dia clareará nossa vivência
à parte de ti, também erma...
- e da mesma parte, embora extrema
não me assusta a escuridão da inconsciência!
Na vasta imensidão dos oceanos
algo deixou-nos, fechou passagem;
e enquanto cada ato a sós pesamos
outro caminho, de outro destino, abre-se viagem!...
23/07/1981
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
QUANDO REVISITO
pretérito necrotérios
Minha poesia passada
(a que mel com fel rimava
uma e outra veia cava)
causa-me certo embaraço:
- como presente, o passado
se acotovela barato...
Minha poesia era enxada
de lápis, papel, mais nada;
poesia agora enxadada
grátis do papel, por nada:
- mas quanta novela fiava
dores de que hoje desfaço
ontem sabores de inchaços
poéticos - de putrefatos!...
[se nela eu exagerava
o que existia de fato
(o que de fato pensava
que se eximia dos fados)
este meu olho enxergava
(se extemporâneo o palato)
contemporânea a palavra]
Minha poesia passada
(a que mel com fel rimava
uma e outra veia cava)
causa-me certo embaraço:
- como presente, o passado
se acotovela barato...
Minha poesia era enxada
de lápis, papel, mais nada;
poesia agora enxadada
grátis do papel, por nada:
- mas quanta novela fiava
dores de que hoje desfaço
ontem sabores de inchaços
poéticos - de putrefatos!...
[se nela eu exagerava
o que existia de fato
(o que de fato pensava
que se eximia dos fados)
este meu olho enxergava
(se extemporâneo o palato)
contemporânea a palavra]
terça-feira, 26 de agosto de 2014
O que acontece
"O trabalho enobrece o homem"
(máxima ideológica)
Quando muito o trabalho, já pouca outra coisa.
M. B.
sexta-feira, 22 de agosto de 2014
REVISITA 9: ECLIPSE LUNAR
Criaturas do turno, preparai-vos:
- negra, cobrirá vosso prateado
terra, sob o peso dos lacaios
uivando seu espaço encadeado;
- então navegarão, espíritos
todos velhos, piratas aflitos
indagando-se, e ao tempo frio
quais tesouros do mundo sombrio...
(disporão, no rumo das estrelas
descaminhos de pedras na poeira
de um falso movimento, parelhas
agulhas - e um arco-íris na veia!...)
Rios fundidos com margens virão
tão mares da total escuridão
assim como irão - contudo, se mais
areia desaguarem, carga, cais...
16/07/1981
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
terça-feira, 19 de agosto de 2014
PELA VIDA QUE SIGA
A entrada em calmaria
num movimento brando
desta vida esquisita
dos cinquenta mais quantos
pede uma ave-maria
(padre-nosso podia)
que já vou deslizando
(lisa a sensaboria)
nesse estar nem estando
nada andando ou boiando...
A entrada em sesmaria
de um desespero branco
nesta altura infinita
da fundura dos planos
pede outra ave-maria
(outra reza postiça)
já que sem solavancos
depois de anos de trancos
(dos destinos sombreando)
como eu repararia
qual a estrada em seguida?...
sábado, 16 de agosto de 2014
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
REVISITA 8: BEIJOS CÁLIDOS DE SAUDADES
O frescor das manhãs tem meu desejo
de tua calma, sem revolta, aqui dentro
moderada, me aquecendo teus beijos
cálidos, na medida do bom senso...
Junto de ti mora um anjo
mandado por mim, um arcanjo
cuidando, da aurora ao crepúsculo
do que te deixa depois ver do escuro...
Meus passos percorrem teus passos
(por isso não perco, querida)
teus rastros de vista, meus traços
riscados de vida infinita...
Para cada saudade, ingênua palavra
solta, do silêncio, no papel que trava
expressando um requerer pulsante
musculoso vagalume errante...
***
O róseo entardecer tem meu desejo
de tua alma, sabedora, aqui dentro
da saudade, matando sem teus beijos
cálidos, incontidos de bom senso...
14/07/1981
terça-feira, 12 de agosto de 2014
MEU OLHO POR TESTEMUNHA
... desmaiando
esmaecendo
esvaindo
...
já se pondo
moribundo
e tão lindo
...
(meu sol indo
desde às cinco)
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
DE POESIA QUANDO ENCURTA
Quando uma poesia curta
anoitece prematura
prevalece pré-noturna
enquanto arde por agora
(porquanto arte sem demora
antes tarde do que nunca);
quando essa poesia curta
antes parte do que nunca
transparece meia aorta
ante aquele que lhe aporta
sem que amadureça a forma
no espaço de meia hora...
[quando essa poesia surta
convalesce natimorta]
domingo, 10 de agosto de 2014
HUMOR DOMINGUEIRO II
Outra tarde muda
que se faz de surda:
- assim absurda
cega-me rotunda
(ceva-me infecunda
pra outra segunda)
domingo, 3 de agosto de 2014
HUMOR DOMINGUEIRO
A sua tarde muda
domingo não muda:
- ou se faz a muda
pra chave facunda
(pra boa segunda)
ou então se afunda...
sábado, 2 de agosto de 2014
QUADRA DA INVERSA OBRIGAÇÃO
compensação
... enquanto for mau afagar
um quanto de vida boa
seu contanto é desnaufragar
o tanto que a vida doa...
REVISITA 7: MÁXIMO MÍNIMO POSSÍVEL
Se bom silêncio for seu remédio
não me demore, pode ir pra casa;
sobre seu tédio, cobertor médio
fará sua mente sonhar pesada;
se for maduro um tempo futuro
sua direção, apresse certeira;
não me apodreça em cima do muro
tão bom menino, de eira sem beira;
se névoa seca for pela manhã
dissipar-te antes do meio-dia
retorne enfim minha esperança vã
melhor desse humor, como eu queria...
10/07/1981
não me demore, pode ir pra casa;
sobre seu tédio, cobertor médio
fará sua mente sonhar pesada;
se for maduro um tempo futuro
sua direção, apresse certeira;
não me apodreça em cima do muro
tão bom menino, de eira sem beira;
se névoa seca for pela manhã
dissipar-te antes do meio-dia
retorne enfim minha esperança vã
melhor desse humor, como eu queria...
10/07/1981
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