sexta-feira, 7 de junho de 2019

RECEIO


As sombras

avançam

à sombra

do vosso

sossego

estreito

e alheio.


(perfeito:

na alfombra

do nosso

despego


as sombras

avençam


a lombra

do fosso

no meio)

quarta-feira, 5 de junho de 2019

FISIOLÓGICA

do fim da poesia


[a morte

da letra

consorte

soletra

má sorte]


[penetra

sensível

meu corte]


(impetra

risível

suporte)


[dá petra

visível

de porte

audível

na uretra]

sábado, 1 de junho de 2019

quarta-feira, 22 de maio de 2019

QUÁDRUPLA DE ÁGUA


(a forma

de bágua

adorna

sua água)


(em dorna

sal d'água

entorna

sua mágoa)


(a norma

da mágoa

amorna

sua frágua)


(a fôrma

de frágua

enforma

qual bágua)

sábado, 11 de maio de 2019

NA IDADE MÉDIA IV


A ignorância

da sua constância

ignorante


nele constata

um ruminante

sem ruminância.


(coisa abstrata

num semelhante

em duas patas)

NA IDADE MÉDIA III


[a treva

esfrega

na cara


sua prega

deveras

opaca]

domingo, 5 de maio de 2019

sábado, 13 de abril de 2019

DUPLA QUADRA REVISIONISTA

Dilma


[se brava

qual treva

houvera

(a vera)


na trova

tal eva

costela

nem era]

TERRITORIAL V


De manhã

ao sair

da rechã


e rumar, prosseguir

de conseguir chegar

(na ponta, revoltar)


porque me dou conta

(homem primitivo)


da pinda

que clivo

reponta

do exílio


inda sou

(aos cinquenta e nove)


uma criatura da Asa Norte.

terça-feira, 2 de abril de 2019

segunda-feira, 1 de abril de 2019

PRIMEIRO DE ABRIL

facções


Fardadas
dicções

adrede
sofistas;

armadas
ficções

na rede
autista

parede
à vista

fricção.


[se nada
micção;

se dadas
na crista

cocção?]

domingo, 31 de março de 2019

CALMA III

há meia hora


[eu pensei

(de aragem

pelo ser)


que cansei

da viagem

de escrever


que zanzei

por friagens

a vencer


(a imagem

antever)


bobagens!]

sábado, 16 de março de 2019

CALMA II


Sem poesia

sou concha vazia.


Sem poesia

dou na mesma

maresia.


Se lesma

molusco

caracol

(caramujo)


sem espiral, farol

guarda-sol, um graal


nem se eu fosse o Cabral

moveria.

sexta-feira, 15 de março de 2019

QUADRA CAVERNAL II

demissões

[o primeiro que chega
o segundo que sai
o terceiro que fica
o quarto que (se) vai

o quinto porque cega
o sexto porque cai
a sétimo na fila
oitavo sem um pai

(o nono retifica
o décimo que esvai)]

domingo, 10 de março de 2019

CALMA

ainda sobre o recesso blogueiro


A poesia

salva.


A poesia

dealva.


Não poesia

dura

calva


nem sua afasia

pura

valva;


mas aquela

amarela

de macela


que resulta

de mistura


malva.

sábado, 2 de março de 2019

QUADRA DE SOMA ZERO

sobre o porquê do recesso blogueiro


[minha incompetência física

compete com a estilística;

o que sobra então de energia

soçobra a que não deveria] 

domingo, 17 de fevereiro de 2019

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

DRAGA II

[o cansaço
do formato

neste espaço
abstrato

eu refaço
imediato

num regaço
meio ingrato

que ameaço
timorato

e embaraço
bem barato]

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

domingo, 10 de fevereiro de 2019

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

DESTRAMA


Prazer?

No amor?


Favor

fazer

amor

de cor:


- da cor

ader

calor

redor


a pôr

lazer

a mór

fervor


pra flor

arder

a dor

que for.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

NA IDADE MÉDIA II

síntese retrospectiva


Anil
vazio

febril
estio

civil
feitio

(servil
gentio);

pavio
hostil

bravio
funil

sombrio
covil...


Abril
tardio.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

SICÁRIA

[o desejo
malfazejo

que solfejo
num bocejo

murmurejo
benfazejo?]

VICÁRIA

[na inquisição
das opiniões

pelos bordões
da aquisição

o que erêncio
predomina

junto ao nêncio
por apreensão?

seu silêncio
sua rotina

lamparinas
na neblina?...]

ICÁRIA

[a educação
sem recursos

de banqueira
é bancária

mas sem fundos

temerária
põe-se à beira

sem percursos
de elevação]

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

AOS NETOS

João Vitor, Salomão, Cecília
e a quem vir ainda


Sistema solar

no segundo andar.


(o sistema solar

num segundo estelar

prometeu escalar

pelo céu descendo neste andar)


[bolas de tênis, papel, bilhar

espalham-se a espelhar

Mercúrio, Vênus, a Terra, o mar

e o resto do sistema solar]


{bolas de tênis, papel, bilhar

e o que mais constelar

(livros, mapas e um sofá, so far)

centrifugam o olhar...}

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

MODO PROTEU

As condições
de produção

dos poemeus
nesta estação

entre serões
de maniqueus

dão na questão
do que sandeu:

- se é fariseu
ou apogeu

se não o invés
que prometeu

a contramão
ao rés do chão...

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

sábado, 26 de janeiro de 2019

VIRAGEM

Vento & chuva
lua baixa:

- bento à uva
já na caixa

mas rebaixa
catanduva

(rua & faixa
de saúva)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

NAUTILUS


... o barco

do dia

atraca

fadigas

no porto

da noite

que obriga...


... e aguarda

neblinas

de um sono

que oculte

o fardo

do sonho

na vida...

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

TERRITORIAL IV

update


Fui uma criatura da Asa Norte.

O resto da cidade - segue sendo a morte...


(agora casa
não mais apê
embora rasa
segue a tevê)


[antes urbano
o desalento
é suburbano
depois que atento]


{no Jardim Botânico
futuro do passado
sou adubo orgânico
enfim reprocessado}

RESSACA BOA


Azul

o mar

do céu.


(ao sul

um par

ao léu)


[taful

meu bar

ilhéu]


{paul

tomar

chapéu}

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

REVISITA 167: BOULDER BROKER

último poema da caderneta


Um bar


como o ar leve

de um breve par


é uma seve:


- pode se dar

junto à neve.


(longe do lar

deve)


1996

sábado, 19 de janeiro de 2019

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

ECOLÓGICA II

A massa verde
o que recolta

do que se perde
à minha volta

ondula ao vento
algo saudosa

daquele tempo
paleozoico:

- quando essa fauna
era da flora

e a nossa história
somente estória...

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

REVISITA 166: DESILUSÃO DE BAR

Como vejo a moça em fuga
pela esquina à direita?

A que menos fuma
ou a que aligeira

algo desatenta?

Não sei ainda. Deveria?

Nem promessa tenho
que assente

um sentido numa notícia...

Mas linda
alguém dali virá

ao cenho:

- na curva lógica da mesa

razão da cadeira
paixão cervejeira

numa ilusão de estar...

1991

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

REVISITA 165: PLENO ÁCIDO


Há um vazio
mal preenchido

gente demais.

Faces profusas
dançando à frente

fátuas seduzem
pesadamente:

- cada uma

uma promessa
espuma, quimera

plúmbea.


O que de raso
ali no fundo

há no espetáculo
de figurante

não tão pardacento?

Demônios, personagens
inadministráveis;

gênios do conhecimento
contraditórios;

riqueza alheia
a qualquer certeza;

performances, vômitos
indômitos romances...


Vou navegado
disposto à mesa

dono de nada
entre as cadeiras;

entregue a desígnios
que ignoro

fado convicto:

- mal preenchido
gente demais...


26/11/1991

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

REVISITA 164: NÊMESIS

aos pedaços


Madrugada.

O sibilo do silêncio
desperta nele mesmo

uma impressão tua:

- em mim, como fica?


Ângulos do teu rosto
o rico sorriso, o todo gostoso

cruzam comigo a noite
avultando muito:

- perseguem o quê?


Detalhes menores, em suma

subvertem a minha causa
a sua pausa justa

(deixá-los em suma paz).


Impulsiva, a caneta
deita sílabas, sentenças

sobre o branco que me deu

o teu gozo repetindo
uivos roucos nos ouvidos

comandando fibrilante
dedos noutros orifícios...


Fonemas, poemas
mãos dadas, tomadas

são agora da memória:

- mas um sonho bate à porta
diligente à nossa procura

desejoso de cura
alguma.


Dolorosamente
recorto do teu corpo

a juba, a pele, a vulva
o hálito dos pelos negros;

e curvas, dobras, a fenda rubra

por onde não mais estão
aonde não se descubra...


[tudo que escorre e pinga
dessa carne viva

cadafalso me tortura
o equilíbrio neste momento

sem o teu tempo]


1991

REVISITA 163: FOGUEIRA

O que é o bar

senão o exacerbar
de incertas expectativas?

O que é o bar

senão concertação
salivar especulativa?...

Nele, predomina a vaidade

reduzida à necessidade
premente de novos arranjos.

(enganos?)

E cada mesa, cartucheira passional

porta intimidades
exteriorizáveis

passíveis de explosão
se a cota do álcool engatilhar...

Grande divã, o bar.

1991

SUBSTANCIALISTA


A vida

é mais

do que


[não ter sorte
ganhar porte
fazer a corte
tratar o corte
perder o norte
tomar um forte...]


sobreviver à morte.

sábado, 12 de janeiro de 2019

REVISITA 162: HORA FELIZ

A luz oblíqua
na branca toalha

arruma a mesa às cinco.

A tarde ubíqua
já deita poalha

num bar qualquer do mundo.

A rua, afora
trepida seus calores;

adentro, chacoalha
ideias nas cervejas.

Turvas figuras
estacionando

abrem sorrisos;

aguardam delirantes
a tal mirada errante

que solamente as veja.

Na hora à toa
o ocaso voa

da espuma à boca;

na sua festa
toda amarela

cabe, ludo
tudo, quase:

- o acaso absurdo
desde que se esqueça;

desde que derreta
temores de amores...

31/10/1991

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

REVISITA 161: ABSTÊMIO

Penso
num bar.

Atento ao ar
tento poetar.

Mau poeta.

Já sinto
há tempo

que o vácuo
no mar
por dentro

reclama
a seco:

- se me abstenho
mau declamar...

1996

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

REVISITA 160: LOLITA

poema de caderneta

A tua pouca idade
um pouco me assusta.

Seduz este rebelde
aquém daquela curva.

Será a tua idade?
Será porque és beldade?

Será porque se sabe
o que desestrutura?

Ou que por qual metade
verá tal impostura!...

...

(o que então resulte
dessa infantilidade

tampouco nos machuque
na hora da verdade)

1991

Nota relativamente importante

Ontem, encontrei uma caderneta de poesia, perdida na papelada transferida para a Torre Nova. Trata-se de alguns poemas que esbocei em 1991 e 1996, respectivamente, e que não foram concluídos. Correspondem a um período marcado por certa boemia, pela vida acadêmica doméstica e estrangeira, e por (des)ilusões amorosas.

Como no caso do material anterior ao Sol Reflexo, considero o conteúdo da caderneta bastante desigual - neste caso, imprestável na sua maior parte. Ainda assim - talvez mais por uma questão de registro -, decidi reaproveitar o que for possível nos termos do Projeto Revisitas, realizado aqui no blog entre julho de 2014 e outubro de 2016.

A numeração dos poemas seguirá a do Projeto.

Vamos ver no que dá.

M. B.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

EM JANEIRO III


O tempo acordado

um tempo sonhado


é tempo dormindo

desapercebido.


(do tempo passando)

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

DO CLIMA


A insistência


do tempo claro

no espaço limpo


pede chuva.


Uma que turve


a inconsciência

da fantasia

idílica


do que chuvisca.

SENTADO


O sol

dourado

me ignora.


Seu brilho lá fora

chorrilho

tem hora;


cá dentro me viro

se tenho paçoca

polvilho

pipoca

tevê

e você...


...


Translúcido

se lúcido vou

à disposição

(terçol se não)


prum banho de luz

moreno andaluz

que então me seduz

do filtro solar


qual o problema do tema

arisco do tempo a calhar?


O sol que existe

pelo chuvisco

segue o seu curso;


eu sigo triste

(contigo em riste)

o que consigo

do telecurso...


...


A lua minguante


na tela crescente

o bastante...


Ignoro?

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

EM JANEIRO II

O dia passa

(a manhã anda
a tarde corre
a noite voa
a madrugada)

e aqui à toa
no alto da torre

a mente nada
na linha d'água:

- entre uma banda
e alguma onda

nalguma frágua...

domingo, 6 de janeiro de 2019

SONETO MINEIRO

pedalada súbita


Belo horizonte

o de Brasília

da caminhada

ou da corrida;


belo horizonte

o de Brasília

sem ais defronte

nem mais homília:


- como se ponte

para as vigílias

detrás os montes


fosse uma fonte

de juvenílias

pelas Marílias...

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

CRUA



É isto:

a casa

(de vidro)


é este

espelho

ubíquo


de um ego

ampliado


que finge

resguardo.



[que penso

que vejo

às vezes

mais claro


mas sinto

que tenho

mais vezes

opaco]



{que faço

das pazes

meu revés


reflexo

das fezes

ao invés}

SOLIDÁRIA


Um morcego

apreensivo

voa cego

relativo

sem pespego

voo crivo

nem sossego

distintivo...


(intrusivo

dele ofego

meio esquivo

o alterego)

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

EM FRENTE À TEVÊ XXVII

férias sérias



Angular a tevê

regular o sofá

todo jabaculê

talvez seja quiçá.



(o que então se revê

de tão retangular

tanto enquadra você

como a sala de estar)



[não saber o porquê

de ver quadrangular

deixa mais a mercê

a preguiça assentar]



{angular o clichê

regular o acará

quando pagam cachê?

quanto nos levará?...}

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

NA IDADE MÉDIA

inauguração


Ouço fogos
pelo charco

entre rogos
algo parcos

sem que o jogo
(seu navarco)

cesse o fogo
nesse barco.

Hidragogos
seus hiparcos?

Polemarcos
demagogos?

De outros narcos
desafogo?

Porta-fogo
de olhizarcos?...

...

(pedagogo
desembarco?)

domingo, 30 de dezembro de 2018

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

DA TORRE


Fronteiriço

o manto cinza


dobradiço

tanto anuncia


inteiriço

o fim do dia


quanto viço

superestima


da chuva à vista.

domingo, 23 de dezembro de 2018

PETER PAUL


As nuvens

de corpos

em Rubens


são corpos

nas nuvens

sem morbo


de um Rubens

barroco

sem nuvem.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

ESPERTINA


Aluada

madrugada


nevoada

madrugada


coleada

madrugada


enleada

namorada

divagada...


Camarada

madrugada


escarpada

madrugada


temperada

madrugada

desatada...


Graduada

alvorada


oleada

na aurora...


Matinada.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

QUADRA SEM ROUPA

[um veranico
no maçarico
por impudico
eu namorico]

EM FRENTE À TEVÊ XXVI

Dona Ione visitando


Com minha mãe


maratonas

noveleiras

em poltronas

varejeiras

de acetona

na madeira


são como vês:


- mamãe dona

das cadeiras

dos consoles

cabeceira

no controle

das fronteiras

dos paroles


mas caseira...


- e mandona

companheira

dos programas

cavaqueira

de pijamas

amazona

nesse drama

nessa trama


como queiras...

sábado, 15 de dezembro de 2018

FORTUITA


Uns vaga-lumes

nos visitaram

no lusco-fusco


já competindo

com outras luzes

pelo negrusco.


Foi goleada.


A natureza

nos deu de graça.

CURANDEIRA


Margarina

ou manteiga?


Feminina

ou só meiga?


Da colina

ou da veiga?...


...


(na taleiga

medicina


mas antiga)

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

VARANDA NORTE


No azul límpido

inequívoco

e comprovado


me despreparo


ao contemplá-lo

desamparado.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

CIÊNCIA TRISTE


Entre meus livros

e seus autores


há mais ruído

entre escritores

pesquisadores

e professores


que seus leitores;


meio aturdido

fui instruído

por tais amores


a ter juízo


sem prejuízo

do que improviso

de tudo isso;


nos estertores

dos arredores


é o que consigo

manter a cores:


- entre bolores

qual estudante

contudo disso...

VARANDA LESTE


Sobre o papel

do céu


o seu pastel

pincel


pinta um tropel

corcel.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

TORTURA CHINESA


O pinga-pinga

a conta-gotas


(seca a moringa

água de esguelha)


n'água-furtada

me dá na telha;


escorre e corre

bágua de rotas


da calha em metal

à malha mental


de ponta a ponta

cada temporal...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

QUADRA FORMIGUEIRA


Deserdo

saúva

desertos

da chuva.

TEMPORAL II


... mais nuvens, grávidas

chegam, ávidas

parideiras

sazonais

de água

má...


(pávido

paroleiro

pelo telhado

remolhado

tremendo

temo)

NA TORRE III


O idílio

do exílio

me ocorre.


Ótimo

no átimo

decorre.


Interno

alterno

socorre.


(à parte

trocar-te

de porre)

domingo, 2 de dezembro de 2018

DA CEB

momentos atrás

[a luz se foi;

se voltará
a este lugar

dependerá
de haver depois

um céu de mar]

sábado, 1 de dezembro de 2018

SONETO SOCIAL


Qual par de aves em paisagens

meus ouvidos sobrevoam

o farfalhar das folhagens

talvez aquém de onde pousem.


Qual par de olhos drapejando

tais tecidos revestindo

indo e vindo verbejando

entre dedos entretidos


despercebo um tanto quando

uns sentidos dissociam

dos que planam terem visto:


- um par deles na voragem

dos rumores verdecia

talvez além do que se ouse...