O céu baixo
escuro, algodoado
pisca branco o seu espanto
como um gato
miando, amuado
o distante rugido de ontem:
- doutro ano de cão, tigre, rato
de gato escaldado
que de morto
só o casco
há molhado
tuberculoso
de um descaso
do calendário
mas neste dia
que triste mia
às sete vidas
(mal despedidas)
prefere a minha - agasalhar de melancolia.
Gaiato...
segunda-feira, 14 de março de 2011
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
ALGO ATRASADO
WALL STREET
Nas bolhas
as bolsas
perfuram
os bolsos
nos olhos.
Bilhões, a rodo
(a fuligem)
sobrevoam o negrume do jogo.
Senões, de modo
(imaginem!)
que se perfumam por sobre o esgoto.
No chão coberto do branco
do pó de papéis em desalinho
caídos
das telas de dígitos sumindo
um cano, num claro burburinho
de tubular proporção rompe-se antigo
no imperfeito coração da vizinhança:
- uma ambição em desarranjo
que regurgita explicitando
sua cíclica, imorredoura vocação
por oportuna governança
[a cobiça renascida pela vida da savana
de outra perspectiva - da hiena rediviva;
pelo mar inexistente da savana, a poeira do ar
inexistente de montanha; por terras, oh céus! e animais
de savanas e savanas sideralmente literais]
(como os juros de certas dívidas
de acordos, promessas e garantias
e mais vítimas leoninas)
[numa pródiga pretensão
de toda fístula que se doura derivativa
pílula
e quando à deriva
tosse, espirra - e deletéria
a assassina bactéria democratiza].
22/01/2009
(04/01/2011)
Nas bolhas
as bolsas
perfuram
os bolsos
nos olhos.
Bilhões, a rodo
(a fuligem)
sobrevoam o negrume do jogo.
Senões, de modo
(imaginem!)
que se perfumam por sobre o esgoto.
No chão coberto do branco
do pó de papéis em desalinho
caídos
das telas de dígitos sumindo
um cano, num claro burburinho
de tubular proporção rompe-se antigo
no imperfeito coração da vizinhança:
- uma ambição em desarranjo
que regurgita explicitando
sua cíclica, imorredoura vocação
por oportuna governança
[a cobiça renascida pela vida da savana
de outra perspectiva - da hiena rediviva;
pelo mar inexistente da savana, a poeira do ar
inexistente de montanha; por terras, oh céus! e animais
de savanas e savanas sideralmente literais]
(como os juros de certas dívidas
de acordos, promessas e garantias
e mais vítimas leoninas)
[numa pródiga pretensão
de toda fístula que se doura derivativa
pílula
e quando à deriva
tosse, espirra - e deletéria
a assassina bactéria democratiza].
22/01/2009
(04/01/2011)
domingo, 26 de dezembro de 2010
IT KEEPS ME RUNNING
Os deuses do azul que se deitam em luz
na largura matinal desta avenida mal-entregue
a nós, eventually runners, neste dominical mass ritual
(ascese)
pelo bem-estar universal
ofuscam os obstáculos
(tentáculos a tentar abraços)
de cada passo desta surda e ruidosa
e calosa e sedentária - dolorosa e solitária
corrida cinquentenária.
Por tais passadas
entre eles, declaro
(quieto o pensamento
honesto o sentimento
num agradecimento
insinuado neste aperto
da boca ressecada)
que corro por nada:
- nem por saúde, ou o prazer
amiúde de percorrer
com o olhar.
na largura matinal desta avenida mal-entregue
a nós, eventually runners, neste dominical mass ritual
(ascese)
pelo bem-estar universal
ofuscam os obstáculos
(tentáculos a tentar abraços)
de cada passo desta surda e ruidosa
e calosa e sedentária - dolorosa e solitária
corrida cinquentenária.
Por tais passadas
entre eles, declaro
(quieto o pensamento
honesto o sentimento
num agradecimento
insinuado neste aperto
da boca ressecada)
que corro por nada:
- nem por saúde, ou o prazer
amiúde de percorrer
com o olhar.
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
PRELIMINAR
Depois de tanto tempo
de assim mesmos - do calendário
obeso
(comigo quando? por quanto peso?
retardatário
não lembro)
De esquecer-me, por dentro
de um canto, num silêncio
jazigo - de já ditos
(em termos)
Venho, a tempo
(que seja vento, e forte)
De varrer-me, de sorte
que volte
E não mais me evite:
- e drible o drible
do deus-me-livre
que se omite.
de assim mesmos - do calendário
obeso
(comigo quando? por quanto peso?
retardatário
não lembro)
De esquecer-me, por dentro
de um canto, num silêncio
jazigo - de já ditos
(em termos)
Venho, a tempo
(que seja vento, e forte)
De varrer-me, de sorte
que volte
E não mais me evite:
- e drible o drible
do deus-me-livre
que se omite.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Enfim
... retornar a este espaço é possível? Somente, creio, se a poesia apresentar-se novamente como desafio - e um prazer imenso, meticulosamente cerzido, como outrora.
É hora?
É hora?
domingo, 5 de julho de 2009
TORPEDOS ESQUECIDOS
... aqui, a brise é doce /
e o agora, suave /
como se só bastasse /
um triz da tua imagem /
(mas sei, e não tarde /
que é só quase...)
04/02/09, às 11:28:06
***
... torpedo /
sumido /
dum beijo /
perdido /
que deixo /
urdido /
no tempo /
que giro /
e esqueço /
consigo... /
(mas disso /
me lembro /
contigo /
eu mesmo)
17/03/09, às 10:29:03
e o agora, suave /
como se só bastasse /
um triz da tua imagem /
(mas sei, e não tarde /
que é só quase...)
04/02/09, às 11:28:06
***
... torpedo /
sumido /
dum beijo /
perdido /
que deixo /
urdido /
no tempo /
que giro /
e esqueço /
consigo... /
(mas disso /
me lembro /
contigo /
eu mesmo)
17/03/09, às 10:29:03
terça-feira, 21 de abril de 2009
Da relação entre mito e poesia
"O mito é como um organismo: desenvolve-se, transforma-se e se renova sem cessar. É o poeta que realiza essa transformação. Mas não a realiza em obediência a um simples desejo arbitrário. O poeta estrutura uma nova forma de vida para o seu tempo e interpreta o mito de acordo com as suas novas evidências interiores. O mito só se mantém vivo por meio da contínua metamorfose da sua idéia. Mas a idéia nova é transportada pelo veículo seguro do mito."
Werner Jaeger, Paidéia: a formação do homem grego. Tradução de Artur M. Parreira. São Paulo: Martins Fontes, 2001 (4ª ed.), p. 96.
Werner Jaeger, Paidéia: a formação do homem grego. Tradução de Artur M. Parreira. São Paulo: Martins Fontes, 2001 (4ª ed.), p. 96.
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Homero como educador
"A arte tem um poder ilimitado de conversão espiritual. É o que os Gregos chamaram psicagogia. Só ela possui ao mesmo tempo a validade universal e a plenitude imediata e viva, que são as condições mais importantes da ação educativa. Pela união destas duas modalidades de ação espiritual, ela supera ao mesmo tempo a vida real e a reflexão filosófica. A vida possui a plenitude de sentido, mas as suas experiências carecem de valor universal. Sofrem demais a interferência dos sucessos acidentais para que a sua impressão possa alcançar sempre o grau máximo de profundidade. A filosofia e a reflexão atingem a universalidade e penetram na essência das coisas. Mas atuam somente naqueles cujos pensamentos chegam a adquirir a intensidade de uma vivência pessoal. Daqui resulta que a poesia tem vantagem sobre qualquer ensino intelectual e verdade racional, assim como sobre as meras experiências acidentais da vida do indivíduo. É mais filosófica que a vida real (se nos é lícito ampliar o sentido de uma conhecida frase de Aristóteles), mas é, ao mesmo tempo, pela concentração de sua realidade espiritual, mais vital que o conhecimento filosófico."
Werner Jaeger, Paidéia: a formação do homem grego. Tradução de Artur M. Parreira. São Paulo: Martins Fontes, 2001 (4ª ed.), p. 63.
Werner Jaeger, Paidéia: a formação do homem grego. Tradução de Artur M. Parreira. São Paulo: Martins Fontes, 2001 (4ª ed.), p. 63.
quarta-feira, 4 de março de 2009
Recado a Pierre
Meu querido, não se aborreça com silêncios. Aquieto-me porque insignificante diante da imensidão de tudo que acontece comigo. Aquieto-me porque, prosaico, abraço o arcaico: tornei-me integralmente sofista sem talento, a vender-se oralmente somente àqueles dispostos a mensalidades. Todas as manhãs úteis, e três dias à noite. Atendo pela alcunha "professor"...
sábado, 10 de janeiro de 2009
Nunca ali estive
Este blog não está morto. Ainda. É que atravesso outro território - onde folhas e flores trocam cores, e frutos vitimam pássaros e formigas; onde prados são escarpados, e vizinha a mais remota montanha. Absorto, observo: embora sinta o ar mudar de lugar, e os passos sigam a hora lassa de agora, eternamente logo retornarei (eu sinto, é óbvio)...
domingo, 30 de novembro de 2008
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
TORPEDOS XXV
... as muitas coisas /
que quase doidas /
passeiam loiras /
apenas moitas /
clareiam a mão /
(da imaginação) /
de escuridão...
27/10/08, às 21:58:51
***
... este ardor /
é calor /
a torpor /
nosso amor...
30/10/08, às 08:44:58
que quase doidas /
passeiam loiras /
apenas moitas /
clareiam a mão /
(da imaginação) /
de escuridão...
27/10/08, às 21:58:51
***
... este ardor /
é calor /
a torpor /
nosso amor...
30/10/08, às 08:44:58
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
TORPEDEIRO
... torpedeio /
teu bloqueio /
porque meio /
não se veio...
02/10/08, às 09:11:58
***
... torpedeio /
teu bloqueio /
de anseios /
corriqueiros...
02/10/08, às 09:27:08
***
... torpedeio /
os teus seios /
dos meus beijos /
doutros jeitos...
02/10/08, às 09:34:09
***
... torpedeio /
e protejo: /
permaneço /
remanesço /
e aquiesço /
por um preço...
02/10/08, às 09:42:41
teu bloqueio /
porque meio /
não se veio...
02/10/08, às 09:11:58
***
... torpedeio /
teu bloqueio /
de anseios /
corriqueiros...
02/10/08, às 09:27:08
***
... torpedeio /
os teus seios /
dos meus beijos /
doutros jeitos...
02/10/08, às 09:34:09
***
... torpedeio /
e protejo: /
permaneço /
remanesço /
e aquiesço /
por um preço...
02/10/08, às 09:42:41
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
SETEMBRO
Ante o fim da seca
Nos confins da gente
(onde a porta emperra
mal a alma geme)
Há uma luz que deita
Só e fracamente
De má consciência
Por sobrevivente
À desnatureza
Que naturalmente
Mostra-se dureza
Mesmo umedecida:
- Desde quase sempre
verde expectativa...
Nos confins da gente
(onde a porta emperra
mal a alma geme)
Há uma luz que deita
Só e fracamente
De má consciência
Por sobrevivente
À desnatureza
Que naturalmente
Mostra-se dureza
Mesmo umedecida:
- Desde quase sempre
verde expectativa...
sábado, 4 de outubro de 2008
TORPEDOS XXIV
... tu'água /
(que nado) /
deságua /
n'anágua /
por nada...
02/10/08, às 08:50:25
***
... esta boca /
só te solta /
se já hora /
bate à porta...
02/10/08, às 09:00:38
(que nado) /
deságua /
n'anágua /
por nada...
02/10/08, às 08:50:25
***
... esta boca /
só te solta /
se já hora /
bate à porta...
02/10/08, às 09:00:38
TORPEDO XXIII
... sono - um sono /
de nenhum sonho /
que fosse escombro /
de hoje outono...
02/10/08, às 08:32:15
de nenhum sonho /
que fosse escombro /
de hoje outono...
02/10/08, às 08:32:15
sábado, 27 de setembro de 2008
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
QUESTÃO DE ESTAÇÃO
A questão
(da transição)
Da estação:
- Se chuva vinha
se convinha
(ao parasita)
não soube; mas vizinha
à seca ministra
(quer visita)
não houve.
(da transição)
Da estação:
- Se chuva vinha
se convinha
(ao parasita)
não soube; mas vizinha
à seca ministra
(quer visita)
não houve.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
OUTRO TORPEDO
... meu amor tece /
breve /
um leve /
rumor de prece /
que permanece...
19/09/08, às 20:12:17
breve /
um leve /
rumor de prece /
que permanece...
19/09/08, às 20:12:17
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