terça-feira, 21 de abril de 2009

Da relação entre mito e poesia

"O mito é como um organismo: desenvolve-se, transforma-se e se renova sem cessar. É o poeta que realiza essa transformação. Mas não a realiza em obediência a um simples desejo arbitrário. O poeta estrutura uma nova forma de vida para o seu tempo e interpreta o mito de acordo com as suas novas evidências interiores. O mito só se mantém vivo por meio da contínua metamorfose da sua idéia. Mas a idéia nova é transportada pelo veículo seguro do mito."

Werner Jaeger, Paidéia: a formação do homem grego. Tradução de Artur M. Parreira. São Paulo: Martins Fontes, 2001 (4ª ed.), p. 96.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Homero como educador

"A arte tem um poder ilimitado de conversão espiritual. É o que os Gregos chamaram psicagogia. Só ela possui ao mesmo tempo a validade universal e a plenitude imediata e viva, que são as condições mais importantes da ação educativa. Pela união destas duas modalidades de ação espiritual, ela supera ao mesmo tempo a vida real e a reflexão filosófica. A vida possui a plenitude de sentido, mas as suas experiências carecem de valor universal. Sofrem demais a interferência dos sucessos acidentais para que a sua impressão possa alcançar sempre o grau máximo de profundidade. A filosofia e a reflexão atingem a universalidade e penetram na essência das coisas. Mas atuam somente naqueles cujos pensamentos chegam a adquirir a intensidade de uma vivência pessoal. Daqui resulta que a poesia tem vantagem sobre qualquer ensino intelectual e verdade racional, assim como sobre as meras experiências acidentais da vida do indivíduo. É mais filosófica que a vida real (se nos é lícito ampliar o sentido de uma conhecida frase de Aristóteles), mas é, ao mesmo tempo, pela concentração de sua realidade espiritual, mais vital que o conhecimento filosófico."

Werner Jaeger, Paidéia: a formação do homem grego. Tradução de Artur M. Parreira. São Paulo: Martins Fontes, 2001 (4ª ed.), p. 63.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Recado a Pierre

Meu querido, não se aborreça com silêncios. Aquieto-me porque insignificante diante da imensidão de tudo que acontece comigo. Aquieto-me porque, prosaico, abraço o arcaico: tornei-me integralmente sofista sem talento, a vender-se oralmente somente àqueles dispostos a mensalidades. Todas as manhãs úteis, e três dias à noite. Atendo pela alcunha "professor"...

sábado, 10 de janeiro de 2009

Nunca ali estive

Este blog não está morto. Ainda. É que atravesso outro território - onde folhas e flores trocam cores, e frutos vitimam pássaros e formigas; onde prados são escarpados, e vizinha a mais remota montanha. Absorto, observo: embora sinta o ar mudar de lugar, e os passos sigam a hora lassa de agora, eternamente logo retornarei (eu sinto, é óbvio)...

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

TORPEDOS XXV

... as muitas coisas /
que quase doidas /
passeiam loiras /
apenas moitas /
clareiam a mão /
(da imaginação) /
de escuridão...

27/10/08, às 21:58:51

***

... este ardor /
é calor /
a torpor /
nosso amor...

30/10/08, às 08:44:58

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

TORPEDEIRO

... torpedeio /
teu bloqueio /
porque meio /
não se veio...

02/10/08, às 09:11:58

***

... torpedeio /
teu bloqueio /
de anseios /
corriqueiros...

02/10/08, às 09:27:08

***

... torpedeio /
os teus seios /
dos meus beijos /
doutros jeitos...

02/10/08, às 09:34:09

***

... torpedeio /
e protejo: /
permaneço /
remanesço /
e aquiesço /
por um preço...

02/10/08, às 09:42:41

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

SETEMBRO

Ante o fim da seca
Nos confins da gente
(onde a porta emperra
mal a alma geme)

Há uma luz que deita
Só e fracamente
De má consciência
Por sobrevivente

À desnatureza
Que naturalmente
Mostra-se dureza

Mesmo umedecida:
- Desde quase sempre
verde expectativa...

sábado, 4 de outubro de 2008

TORPEDOS XXIV

... tu'água /
(que nado) /
deságua /
n'anágua /
por nada...

02/10/08, às 08:50:25

***

... esta boca /
só te solta /
se já hora /
bate à porta...

02/10/08, às 09:00:38

TORPEDO XXIII

... sono - um sono /
de nenhum sonho /
que fosse escombro /
de hoje outono...

02/10/08, às 08:32:15

sábado, 27 de setembro de 2008

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

QUESTÃO DE ESTAÇÃO

A questão
(da transição)
Da estação:

- Se chuva vinha

se convinha

(ao parasita)

não soube; mas vizinha

à seca ministra

(quer visita)

não houve.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

OUTRO TORPEDO

... meu amor tece /
breve /
um leve /
rumor de prece /
que permanece...

19/09/08, às 20:12:17

UM TORPEDO

... parado, o ar encosta /
inclinado, à memória /
daquelas horas, de hordas /
crepitando langorosas...

11/09/08, às 20:32:05

domingo, 14 de setembro de 2008

EXPLICAÇÃO

Não há tempo de escrever poesia
Não há desejo, vontade espicaçada
De ressentida - um avesso de vida

A felicidade é estéril
Não rima com fértil
Com arte, destarte
À míngua

Não combina, erétil
Carpe diem diarista

Não nessa língua...

terça-feira, 9 de setembro de 2008

TORPEDO MINERAL

... que animal /
tão vegetal /
este específico /
estar geral...

08/09/08, às 16:00:26

domingo, 7 de setembro de 2008

TORPEDOS AVULSOS

... e é lá /
bem longe /
o de cá /
horizonte...

04/07/08, às 16:50:02

***

... minha, companheira /
amada, solteira /
tua falta, certeira /
sem eira, me deixa /
à beira de queixa /
quiçá verdadeira...

25/07/08, às 21:20:46

***

... o tapete invertido /
traz, acima escondido /
um mistério passivo /
de si contemplativo...

28/08/08, às 18:09:25

sábado, 6 de setembro de 2008

TORPEDOS DESMEMORIADOS

... teu hábito /
do hálito /
perfumado /
por acaso /
é estória /
da memória /
desgostosa /
do agora...

23/07/08, às 15:09:24

***

... da fresta da memória /
vem sempre uma estória /
de como, por agora /
demoro nesta hora...

23/07/08, às 15:23:24

***

... a festa da memória /
é sempre uma estória /
de como, quando febris /
(do quanto somos febris) /
repomos pingos nos is...

29/08/08, às 09:23:02

domingo, 31 de agosto de 2008

Hiato agostino

Viver substituiu qualquer outra coisa. Impressão de que definitivamente. Impressionante: todas as unidades parecem extrapolar - pólvoras espaço-temporais.

Logo que pudesse, daria início à série Prazeres domésticos... Quem sabe sem necessariamente num buraco negro?

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Hiato julino

... neste mês, predominou viver - e ler - sobre escrever. Quando bem se vive e muito se lê, o tempo bojudo toma conta de tudo...

domingo, 22 de junho de 2008

TORPEDOS XXIII

... espere /
que, breve /
(ultraleve) /
rei serei /
sob a seda branca /
da luz que anda...

18/06/08, às 11:23:02

***

... a minha tese /
e tua antítese /
têm na ascese /
(do que padece /
de boa índole) /
a sua síntese...

18/06/08, às 21:48:45

***

... visto que a noite /
frio de açoite /
cede o pernoite /
vou, e que me espere /
(se for doce e leve) /
meu ninho em breve...

20/06/08, às 22:18:33

***

... não demoro /
porque gosto /
(e re-gosto /
a teu gosto...)

20/06/08, às 22:29:36

segunda-feira, 9 de junho de 2008

TORPEDO XXII

... sim, fiz /
com bis /
(eu quis) /
e vis /
a vis /
que diz /
"abris!" /
(e giz /
na tez /
feliz /
de vez...)

09/06/08, às 11:20:58

sexta-feira, 6 de junho de 2008

TORPEDOS XXII

... eu rio /
de frio /
o frio /
do rio...

03/06/08, às 10:41:50

***

... camadas de ar /
descem devagar /
para abrigar /
este acobertar /
da hora a vagar...

03/06/08, às 10:52:06

***

... te amo /
e tanto /
que quando /
o quanto /
levanto /
assomo /
assombro /
d'escombro...

03/06/08, às 11:01:01

sábado, 24 de maio de 2008

sexta-feira, 23 de maio de 2008

A FORÇA DE UM

Uma gota
Sequer, gota
Conta, se gota
Boa.

No conta-gota
Do tempo à toa
A gravidade, a força
Do que ressoa

(se justa, se bela, se doa)

Predomina - a pessoa.

TORPEDOS CINZENTOS

... a saudade /
da idade /
só me bate /
quando arde /
(tal maldade) /
cedo ou tarde...

19/05/08, às 10:47:52

***

... se triste a poesia /
se mesmo descabida /
amo-a de partida /
para dar vez à vida...

19/05/08, às 10:59:53

***

... e se for, que importa /
tanto amor, se a hora /
toda amargor agora /
muito interior devora /
mesmo a dor, por fora?...

20/05/08, às 19:46:46

TORPEDO DA MEMÓRIA

... fresca /
recente /
luminosa /
passas clara /
(na memória) /
pela clarabóia...

19/05/08, às 10:27:16

sábado, 17 de maio de 2008

DESDOBRADIÇO

Todas rupturas
Ferem costuras
(paciências do presente)
Segundo repulsas
Estupidamente

Por todos lados - pilhas de fatos
Constrangedores, carentes vereadores
De poentes verdadeiramente

Interessados
Na gente.

Descansamos. O fardo dum coração pesado
Quebrado, encarnado a vácuo

Vem com a dor - ente ambíguo
Não sabido vegetal, ou mineral
Se animal divino, demônio angelical
De tudo o fundo absoluto, resoluto

Num pio

Veludo, reconfortante, enganador
Macio de amor...

TORPEDO SÓ

... quero o colo /
que adoro /
(porque toco /
o teu solo) /
pr'adormecer /
este querer
de você ter /
e mais poder...

16/05/08, às 20:48:09

terça-feira, 6 de maio de 2008

TORPEDOS REFLEXIVOS

... meus torpedos /
são tormentos /
agridoces /
das mil cores /
do só querer /
(e não poder) /
te ver terçã /
toda manhã...

28/04/08, às 10:43:00

***

... um torpedo /
a contento /
fragmento /
tempo adentro /
avizinha /
da tua vida /
a que é minha /
indevida...

02/05/08, às 13:38:07

domingo, 4 de maio de 2008

TORPEDOS XXI

... hoje estive /
num declive /
sem deslize /
que sentisse /
(mas eu disse /
tal acinte /
e desdisse /
qual pedinte) /
inclusive...

24/04/08, às 21:41:33

***

... uma brecha /
à distância duma flecha /
em curva /
abrupta /
encurta /
esta ânsia matutina...

28/04/08, às 09:14:44

sábado, 3 de maio de 2008

TORPEDO XXI

... eu acho /
(não raro) /
que lavro /
orvalho /
num jarro /
teu vasto /
carvalho /
dum maio /
dourado...

23/04/08, às 21:48:31

quinta-feira, 1 de maio de 2008

DUAS BALAS

... a lua /
é nua /
na rua /
se tua...

23/04/08, às 20:29:57

***

... senão /
é sim /
então /
tim-tim?...

23/04/08, às 20:37:21

quarta-feira, 30 de abril de 2008

BÁRDICO TORPEDO

... meu amor /
que má dor /
o calor /
de supor /
teu mentor /
um vetor /
a dispor /
antemão /
de razão /
(coração?...)

22/04/08, às 09:51:07

terça-feira, 29 de abril de 2008

TORPEDO XX

... um pio /
assovio /
de tuiuiú perdido /
cortou o ar /
(inadvertido) /
que desvio para o mar...

22/04/08, às 09:31:04

segunda-feira, 28 de abril de 2008

TORPEDOS XX

... o cansaço /
é mormaço /
que me lembra /
a água fresca /
da tua presença...

15/04/08, às 09:30:06

***

... do silêncio das paredes /
a memória de prazeres /
antecede os quereres /
que não tarde os deveres /
hão de ser antes de teres...

17/04/08, às 18:00:32

***

... embora norte /
(embora a sorte) /
você não pode /
o que eu posso: /
olhar defronte /
e ver a fonte /
lugar aonde /
eu simples moro...

19/04/08, às 10:17:12

***

... visto que o presente /
ontem teve um poente /
e hoje, de repente /
te vi lua crescente /
sigo astros, mormente /
astrologicamente...

22/04/08, às 08:18:30

domingo, 27 de abril de 2008

COLEIRA

Não escrevi mais
Por não precisar demais
Aquelas coisas tais
Que urtigam barcos no cais.

Não descrevi mais
Porque o talento da ambição
O desejo do impulso a mais
Não dessalgaram a questão.

Só o cão do vizinho
No seu parco destino
Tão circunscrito

Ao latido querer
O dever reverter
Eu mediocrizo.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

TORPEDO LUNÁTICO

... há uma jóia suspensa no céu /
e eu queria estar cá /
ao léu /
para contemplar /
o céu /
eu breu enluarado /
ao léu...

08/04/08, às 19:16:15

sábado, 5 de abril de 2008

TORPEDO E FRAGMENTO

... sob o sol /
girassol /
sou, e mal /
torto a tal /
ponto, qual /
bom sinal /
ao final...

01/04/08, às 11:30:09

***

... no pau-de-arara /
a veia cava /
só te chamava...

03/04/08, às 09:18:34

quinta-feira, 3 de abril de 2008

TORPEDO XIX

... o meu amor /
não vem da flor /
(nem por amor /
da rosa cor): /
vem do labor /
com que ardor /
roubo calor /
do sol-de-pôr...

29/03/08, às 14:19:56

quarta-feira, 2 de abril de 2008

TORPEDOS GEOGRÁFICOS

... o sol abriu /
no azul anil /
comigo a mil /
milhas de ti /
sem colorir /
um colibri /
deste Brasil /
em Paraty...

25/03/08, às 11:05:56

***

... em Goiânia /
nossa ânsia /
de estância /
foi tamanha /
que saímos /
pianinhos /
na debanda...

25/03/08, às 11:30:22

terça-feira, 1 de abril de 2008

TORPEDOS XIX

... o sol das plantas /
de flores tantas /
invejo - por ter /
(seu morno beijo) /
acesso ao ser /
que mal desejo /
das entranhas!...

19/03/08, às 14:12:46

***

... por sobre a grama /
aquele que ama /
te mira - e acerta /
retinha, a flecha /
com tal, qual arte? /
que nele mal cabe...

22/03/08, às 11:55:03

sexta-feira, 28 de março de 2008

CONSCIÊNCIA CORPORAL

O uso
Avulso
Do pulso

Do chão
(o apoio)
Aos céus
(num arrojo)

E másculo - o músculo

Impele - de todo

Tudo:

- Desde que sorvido
prático, o sumo
suco que abundo.

quinta-feira, 27 de março de 2008

TEMPO E POESIA: TORPEDOS

... sábado /
quiçá domingo: /
tempo tinto /
e vário /
de antepasto /
com afinco /
desmedido /
do tecido /
há fino /
partilhado...

15/03/08, às 11:46:35

***

... quando cinza /
o dia /
a vida /
lida, a poesia /
acalma /
anima /
e conforta: /
e, uma hora /
nos mostra /
próxima /
a porta...

18/03/08, às 19:54:11

quarta-feira, 19 de março de 2008

TORPEDOS XVIII

... neste momento /
um fragmento /
de pensamento /
de ti ao vento /
pousou atento /
ao que sou lento /
noutro momento...

13/03/08, às 12:04:28

***

... o azul veludo /
do céu escuro /
respiro fundo /
quando sozinho /
(e só contigo) /
caminho limpo /
o chão que piso...

13/03/08, às 20:05:39

segunda-feira, 17 de março de 2008

TORPEDOS FILOSÓFICOS

... segue meu 'te amo' /
romântico /
semanticamente /
cândido /
cartesianamente /
(entretanto) /
plano sintético /
desse mistério...

10/03/08, às 13:13:47

***

... Tadeusz /
rima com Deus /
rima com meus /
medos teus /
seios de cristal delicado: /
um sonho-pássaro /
a pedir tanto cuidado...

12/03/08, às 18:30:23

domingo, 9 de março de 2008

O ESTRANHO MUNDO DO SÉRGIO

Deito-me, quieto.

Penso-me, decerto
No tranqüilo limbo acolchoado
Descolado do resto.

Membros, eu peso
E deles vos despeço
Conceitualmente incompleto; deito-me

Horizonte, a nascente
Levemente contente
Sorvendo por trás o poente...

Chumbo. Solda. Pouco
Sou antes da hora

Insuficiente. Mortiço, só
Literariamente

Já que muito me desmente.

sábado, 8 de março de 2008

TORPEDO XVIII

... embotado, sou /
ar compacto /
recortado, ou /
do redor, ato /
mitigado, vou /
abalroado...

03/03/08, às 15:44:01

TORPEDOS DO AMOR ESCANCARADO

... cadê meu pretexto /
pra te ver, um contexto /
que nos dê, a contento /
o que seja, sem alarde /
antes cedo que tarde?...

27/02/08, às 11:35:35

***

... meu amor /
a consciência do amor /
é dor /
e cor: /
consciência da flor...

03/03/08, às 17:37:33

***

... no décimo-quinto dia /
pensei no que eu traria /
ao amor que ilumina /
teus passos de escolhida...

05/03/08, às 17:54:38

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

TORPEDOS XVII

... sangue /
murmurante /
espada /
flamejante: /
a memória /
tesa, flácida /
da refrega /
doce, áspera /
da espera /
encontrada...

25/02/08, às 13:59:06

***

... a consciência /
do que aspiro /
não é a mesma /
da que expiro: /
a diferença /
está contigo...

25/02/08, às 18:15:36

***

... teus olhos /
inda nebulosos /
e orvalhados /
(recém-acordados) /
residem rotineiros /
(da retina vizinhos) /
no meu dia ao meio...

26/02/08, às 11:30:49

***

... nas Casas Bahia /
junto à freguesia /
da sala, da cozinha /
da lavanderia /
morro em pé, nesta fila /
só por tua companhia...

26/02/08, às 15:35:15

domingo, 24 de fevereiro de 2008

TORPEDO XVII

... teu perfume /
(meu costume) /
alimenta /
a presente consciência /
dessa calma abstinência: /
a certeza /
enfim de resolvê-la...

22/02/08, às 10:33:37

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

TORPEDO ZEN

... hoje medi /
e meditei /
(e se vi /
aí não sei /
mas revivi) /
sentindo que /
por ser daqui /
a bem querer /
reconheci...

20/02/08, às 14:16:44

domingo, 17 de fevereiro de 2008

TOMADA DE POSIÇÃO

Sem televisão: contato mínimo com a conjuntura
Sem pressa - na superfície passadiça que perdura
As mãos nos ossos da estrutura

Yôga, descompressão, literatura
Conversação com quem me atura
Delicadeza, antevisão, compostura

Paciência:

- Desta vez, eu no comando
das exigências do que amo.

LONGÍNQUA

Longínqua, és linda
Hipermetropia; nuvem
Cujo cinza esfria, algodão
(quando à mão convém)
Que baixo principia solidão;

Longínqua, dali turvas
Mil atenções das curvas
Untadas de neblina; os sãos
(os que desviam de antemão)
São teus fantasmas nesta via;

Longínqua, de lá secas
Minha língua paladina
Para coisas que se ditas
(inações correspondidas)
Pelas coxas trairias;

Longínqua, és olímpica
A quarteirões de vista:
- Se dura água-marinha
da razão mais cristalina
por que tanto quererias
tão errada companhia?

- E longínqua dos meus dedos
(da beleza dos momentos)
maldirias a rotina
da delícia dos folguedos
requebrando os brinquedos
redeixados ao relento?...

- E mais longe, indiferente
à coisa vária que altera
de remédios a comédias
que questões esquecerias
(quais senões recordarias)
da gravidade que encerras?

Longínqua, seda fina
Se quiseres, mais ainda
Ser pandorga pela vida
(tua turística ambrosia)
Solte a linha, solte a linha!...

(daqui, maravilhado
do teu poder multiplicá-lo
Dédalo enraizado
torcerei por um bom clima)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

GRAVIDADE ZERO

Enquanto, recoleto
Repasso, circunspecto
Os mínimos parvos gestos
Do trivial funcional no deserto

A menos de um centímetro
Do imenso inteligível
De um ângulo apreensível
Do âmbito hipodérmico insensível
Que anestésico sinto

Desmorono, suavezinho
Retroativo - retrospectivo

Sem empuxos, repuxos, muxoxos
Parco, solto - graniticamente disposto
Numa linha do destino, opaco
Vezes asno resoluto

Até o vácuo absoluto
Dos órgãos pulverizados
Dos acórdãos etéreos

De gravidade zero:

- Onde a casca-pólen que removo
de novo, menos leve que fútil
não é exatamente breve
(posto que útil)
para os fins a que serve.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Poema da hora

a arte de perder, na célebre apreensão de Elizabeth Bishop

"Uma arte

A arte de perder não é nenhum mistério;
tantas coisas contêm em si o acidente
de perdê-las, que perder não é nada sério.

Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
a chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Depois perca mais rápido, com mais critério:
lugares, nomes, a escala subseqüente
da viagem não feita. Nada disso é sério.

Perdi o relógio da mamãe. Ah! E nem quero
lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Perdi duas cidades lindas. E um império
que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.

- Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo
que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser mistério
por muito que pareça (Escrevo!) muito sério."

Elizabeth Bishop, O iceberg imaginário e outros poemas. Tradução de Paulo Henriques Britto. São Paulo: Companhia das Letras, 2001, p. 309.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

TRANQÜILO DESESPERO

Um silêncio
Inocêncio
Invertido.

O que tenho
Vertido
De um lago
Desconhecido
Por um lado
Invisível

Deseja

Irreprimível

Que nada aconteça

(além da presença
do indizível).

***

Demônios
(acredito)
Não assomam
Distraídos;

Demônios
Infernizam
Num suposto benefício
Da eternidade que aguarda
(os seus filhos)

Para depois do precipício.

***

Alguém
Sussurra

(comovido)

Uma surra
Do espírito.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

HIC ET NUNC

Achei que ia.

Achava que indo
Vinha - uma saída.

Vez saído
Resolveria?

Pois fico. E peço
Ajuda ao cafezinho:

- Inda vívido
o vivido.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

EXPOSTO II

O templo, imenso
Não tenho
Como guardá-lo, todo
A contento.

São uma, mil portas
Várias, as formas
Das frestas, fissuras
Janelas, aberturas

Por onde vem, soturno
O adubo
Da treva
Que opera:

- O cão negro de Churchill
(e branco, meu poodle).

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

QUE VENHA DALGUM LUGAR

Não sei bem quando
Um lado rés do clima
Acordou meu espanto
Para o chumbo branco
Que cinzela Brasília
(sua falta de esquinas)
Tarde da noite, e de dia;

Como se os vários deuses
Que aguamos no altiplano
Se limitassem, dali mesmo
Ao estio da liquidação - a esmo

Dos meses retrospectivos
Fadados ciclotímicos
Multipolares aqui;

E inertes, nada fizessem
Olimpicamente - solertes?
No bom auxílio a quem

(tão escrava, todavia
do mas contudo, senão
havia entretanto e porém)

Deles mais precisasse:

- Como se eu bastasse!...

domingo, 27 de janeiro de 2008

TORPEDO TERMINAL

... um rio morno /
escorreito, vazio /
vai na direção anterior /
do sentido, indo /
absorto, absorvido /
absolvido de todo...

19/01/08, às 22:06:04

sábado, 26 de janeiro de 2008

INTEIRO

A vida
qu'eu quis
é armadilha
vis-à-vis:

- Nela, caí
anil e viril
partido
a mil...

TORPEDOS RETARDADOS II

... o amor que lhe tenho /
sábio do vário tempo /
sabe-te sentimento /
por saber de si mesmo...

05/01/08, às 10:23:12

***

... que um dia, primavera /
meu cuidado, sem pressa /
seja atalho, promessa /
do trabalho do amor /
em ti, minha dor /
mais bela...

06/01/08, às 12:24:06

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

WISHFUL THINKING

Não brigo
mais comigo
(se demasiado
o atrito);

Opero
moderado
(é provável)
e contrito
(mais difícil)
pendulando
(vezes balançando)
do desejo
ao juízo;

Ambos senhores
indivisos
prescientes
inimigos
indo corredores
(à esquerda, à direita)
constitutivos
(à espreita)
do meu destino
antes do jazigo;

Por um caminho
a meio-termo
(de etéreos
paraísos
a honestos
precipícios)
embora estreito:

- Um desvio por dentro.

TORPEDOS RETARDADOS

Nove meses atrás /
comecei a pensar-te /
tão suave /
com tal arte /
que pensar-te depois /
mais, a dois /
não separei mais...

08/12/07, às 20:12:30

***

... a manhã é cinza-clara /
no compasso da jornada /
entre o que significa /
e de nada desconfia...

25/12/07, às 12:22:51

***

... o meu querer /
não descrevo /
de tão prever /
tal ensejo: /
o prazer /
de retê-lo /
ao te ver /
meu desejo...

28/12/07, às 14:57:01

***

... limpar os trilhos /
do que se ama /
pra bem andar /
a andança /
te põe maquinista /
alquimista /
a viga-mestra /
de tua vida...

31/12/07, às 09:29:50

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

À FELICIDADE FUGIDIA

Dela, que venha mais forte
A consciência da precariedade
De sua boa sorte - a fugacidade
(pra qu'eu não me demore)

De sua exaltação bem conforme
Uma fresta de luz que palco ilumine
Teu juízo perfeito - o teu ciclo inteiro
Que afaga, e destrata, e apaga - e, rarefeito
(o sentido sentimento), mordisca

Minha décima-sétima vida
Verde anoitecida cinza - opala invertida
Escaldada à beira-vista - escalada

Deste alto coqueiro em que nos encontramos
Solitários - solidários - por enquanto...

[meu amor - a cor
das ruínas
dos teus passeios
renascentistas

não é a minha
não é a minha

(mas é minha
esta pousada amiga
mandala acrílica - o prisma
que - pausadamente - arruínas)]

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Um ensinamento Yaqui

Don Juan segundo Castañeda

"Cada caminho é apenas um entre um milhão de caminhos. Você deve ter sempre em mente que um caminho é apenas um caminho; se achar que não deve segui-lo, não deve permanecer nele em nenhuma circunstância. Se achar que deve segui-lo, agora, deve fazê-lo. Qualquer caminho é apenas um caminho, e não há nenhuma afronta a você mesmo ou a qualquer um se largá-lo porque sua mente lhe diz para fazê-lo. Mas a sua decisão de ficar num caminho ou de deixá-lo deve ser livre de medo e ambição. Eu lhe advirto: observe de perto e deliberadamente cada caminho. Experimente-o quantas vezes julgar necessário. Então faça a você mesmo, e só a você, uma única pergunta: 'Este caminho tem um significado?' Todos os caminhos são os mesmos, conduzem ao nada. São caminhos que vão através do mato. A única questão é se o caminho tem um significado. Se o tiver, é um bom caminho; se não, não tem utilidade. Ambos os caminhos levam ao nada, mas um tem significado e o outro não. Um leva a uma caminhada alegre; enquanto estiver nele, estará bem. O outro fará com que amaldiçoe sua vida. Um o faz ficar forte, o outro o enfraquece."

Carlos Castañeda, Teachings according to Don Juan. Berkeley: University of California Press, 1968 (publicado em português com o título A erva do diabo). Citado por Leo Buscaglia no seu livro Amor. Tradução de André Feijó Barroso. Rio de Janeiro: Record: Nova Era, 1997 (19ª ed.), pp. 41-42 e 143-145.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

A intuição do instante

"Não sabemos o que é que faz o calor e a claridade. Não podemos fixar a hora em que o mistério se tornou claro o bastante para se enunciar como um problema. Mas que diferença faz? Quer ela venha do sofrimento, quer venha da alegria, todo homem tem na vida essa hora de luz, a hora em que ele compreende subitamente sua própria mensagem, a hora em que o conhecimento, iluminando a paixão, desvenda ao mesmo tempo as regras e a monotonia do Destino, o momento verdadeiramente sintético em que o malogro decisivo, propiciando a consciência do irracional, se torna ainda assim o sucesso do pensamento. É aí que se situa o diferencial do conhecimento, o fluxo newtoniano que nos permite perceber como o espírito surge da ignorância, a inflexão do gênio humano na curva descrita pelo progresso da vida. A coragem intelectual consiste em manter vivo e ativo esse instante do conhecimento nascente, em fazer dele a fonte inexaurível de nossa intuição e em desenhar, com a história subjetiva de nossos erros e equívocos, o modelo objetivo de uma vida melhor e mais clara."

Gaston Bachelard, A intuição do instante. Tradução de Antonio de Padua Danesi. Campinas: Verus, 2007, pp. 12-13.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

MOVIMENTOS

O branco no chão
encanta o vão
acima;

e qualquer linha
(expectativa acerca
do que seria
a coisa sem cercas)

cercaria
a ida.

A ida, come a vida.

***

Brisa. Ida. A vida
com aquela oblíqua
luz que a tudo abriga

(obriga)

obscurece, à vista
a vinda.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

TORPEDO XVI

... caí num buraco /
escuro /
cheio de saudade /
e tudo /
mas amanhã, saio /
metade /
porque hoje, lasso /
açoite, tarde /
da noite - te aguardo...

06/12/07, às 20:10:01

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

TORPEDO XV

... à tarde /
a mente arde /
tua lembrança: /
a que me lança /
a um lugar /
junto a mar /
em Marte /
(tanta a ânsia
de amar-te...)

05/12/07, às 17:54:22

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

TORPEDOS XVI

... se só medida, a vida /
métrica, pontual /
esférica, gradual /
termina pura disciplina /
torcida /
que desatina, afinal... /

03/12/07, às 20:06:11

***

... agridoce /
destino /
neste teu inverno /
cíclico /
guarde meu terno /
carinho /
até flores /
reabrirem doces /
o caminho...

04/12/07, às 11:11:47

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

TORPEDOS XV

O amor, quem sabe /
o que dele há de vir /
além do perfeito experimento /
do idílico tormento /
que nos trouxe até aqui?...

28/11/07, às 15:53:21

***

... a minha boca /
louca /
é uma rosca /
a te girar /
no ar /
girar /
o ar /
girar, girar, girar /
pra te deixar /
sem ar...

28/11/07, às 17:04:39

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

SUPERMERCADO

As vistas deste mundo
Entorpecem a retina; e se não fosse
A noite descer rotina
Tal promessa luzidia, eu diria
É aquela que eterniza;

À vista deste mundo
O que bem vem é lucro; e se não fosse
O vaivém rubro de tudo
As marés enluaradas, eu diria
São delírios de convés;

Este mundo, à vista
De graça insignifica; e se não fosse
Parcelada a questão vivida
A resposta encontrada, eu diria
Reforça toda mentira...

domingo, 25 de novembro de 2007

DA SABEDORIA

Como se soubesse
O que aconteceria
Ao dia - como se teceria
A superfície contida

Movediça, do poderia
Do talvez, do deveria
Das nuanças do quereria:

- Andanças da vontade
que mal sacia, verdade
que mentira, houvesse
uma tarde a escolher

como se poder
saber o que seria
evitasse - o pôr-da-vida...

TORPEDO XIV

... talvez a melancolia /
venha do que se quereria /
se poderia /
deveria /
alternativa à alternativa /
de brilhar o dia...

23/11/07, às 08:18:36

DO DICIONÁRIO XXVII

Sexo: desconexo
Nexo submerso
Do teu inverso.

sábado, 24 de novembro de 2007

TORPEDO XIII

... meu amor, hoje /
explodiu cores /
meio assim: /
do azul-cedo /
ao tardo-vermelho /
tudo que vi /
foi contínuo carmim...

22/11/07, às 20:29:22

TORPEDOS XIV

... da casa dos teus sonhos /
alegres ou medonhos /
sou vizinho, colorido /
pintor das paredes /
do teu músculo cardíaco...

22/11/07, às 10:46:27

***

... um fragmento /
poeira cósmica /
de que sou feito /
só por ti próxima /
pulsa perfeito...

22/11/07, às 11:07:10

***

São quatro sílabas /
sete letras /
nesta língua alvissareira /
que aproxima e serpenteia: /
e o mistério /
que nos medeia...

22/11/07, às 11:28:25

***

Baby, beijos /
molhados, certeiros /
zelosos carteiros /
do maior dos desejos: /
a perfeita indecência /
talvez de joelhos...

22/11/07, às 20:01:33

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

SEMPRE A VERDADE

Apesar da volta
Duma umidade remota
Não embaço

A verdade, embora
Saiba torta a possibilidade
De verdades - por trás de portas.

A secura de antes
Desacomodava a vontade
De saber que nada, nada

Entre o pó e a jornada
Seriamente atrapalhava
O bom andamento do que andava.

Apesar desta umidade
De remota idade
Não embaço.

TORPEDOS XIII

De esquetes, maquetes /
deste sonho concreto /
dum reto Prometeu /
(transtornado Romeu) /
brotam poemeus /
pros olhos teus...

21/11/07, às 10:51:18

***

... sopra um vento /
doce, adentro /
num momento /
presente do tempo: /
teus sussurros /
intramuros /
de cuidados noturnos...

21/11/07, às 21:17:27

***

Das folhas secas /
da memória obesa /
de história /
e certezas /
uma em falta /
não faz falta: /
a vida sem ti /
natimorta...

21/11/07, às 21:58:11

terça-feira, 20 de novembro de 2007

TORPEDO XII

... fim de aula /
e agora /
toda a calma /
intercede /
(quase ascese) /
em teu favor /
meu tão amor...

19/11/07, às 11:13:52

sábado, 17 de novembro de 2007

TORPEDOS XII

... estou doente de saudade /
não é gripe, é amizade /
um amor compartilhado /
para sempre ter-se ao lado...

13/11/07, às 10:07:02

***

... caindo /
a tarde /
sinto /
(não é tarde) /
que a vontade /
de falar-te /
(minto: /
de beijar-te /
o sorriso) /
me invade...

14/11/07, às 18:00:47

***

... um sono macio /
(de sonho infindo) /
abraça a memória /
da aurora contigo...

16/11/07, às 09:54:12

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

TORPEDO XI

Do poente à aurora /
veio, imenso, agora /
cor de triste flor de outrora /
sem o amor da rosa /
sem tua essência cheirosa!...

11/11/07, às 12:50:14

terça-feira, 13 de novembro de 2007

TORPEDOS XI

... e aí, o que fazer /
quando por dentro bater /
o que se quer esquecer /
só por um dia - a ver?...

29/10/07, às 18:21:07

***

... da tarde, a luz clara /
a ti não se compara /
que a tua, perfumada /
rosada inunda a sala!...

31/10/07, às 17:08:03

***

... o céu escurece /
no que resplandece /
(musgo contrastante) /
saudoso, errante...

07/11/07, às 17:01:18

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

TORPEDO X

... assim, de saudade /
o tempo, alimento /
até o momento /
de tarde, comê-lo...

26/10/07, às 14:39:03

domingo, 11 de novembro de 2007

TORPEDOS X

... por que poemeus /
curtos, longos - todos teus /
se felizes os horóscopos /
penam, pedregosos /
em tão fecundo solo?...

25/10/07, às 10:35:22

***

... cultive doce o teu desejo /
desde cedo, pra mais tarde /
que prometo, sem alarde /
vorazmente atendê-lo...

25/10/07, às 10:52:12

***

... vou te beijar muito, muito /
da luz, ardejar oculto /
logo após o crepúsculo...

25/10/07, às 16:01:58

TORPEDO IX

... na refrega /
que a vida entrega /
de bandeja à vela /
sem serventia /
(imóvel calmaria) /
tua alquimia /
soprar-me-ia...

19/10/07, às 20:21:58

Novembro

... tempo de correria, de falta de tempo; tempo de torpedos - curtos, condensados de amor imenso e espesso, (tomara que) docemente contundentes. A seguir, uma revoada deles.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Outra palavra de Riobaldo

"Senhor, sei? O senhor vá pondo seu perceber. A gente vive repetido, o repetido, e, escorregável, num mim minuto, já está empurrado noutro galho. Acertasse eu com o que depois sabendo fiquei, para de lá de tantos assombros... Um está sempre no escuro, só no último derradeiro é que clareiam a sala. Digo: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia."

João Guimarães Rosa, Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006, p. 64.

sábado, 20 de outubro de 2007

Palavra de Riobaldo Tatarana

"Confiança - o senhor sabe - não se tira das coisas feitas ou perfeitas; ela rodeia é o quente da pessoa."

João Guimarães Rosa, Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006, p. 56.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

TORPEDOS IX

... se o tempo, cinza /
arma tempestade /
noutro clima, basta /
amorosidade...

18/10/07, às 16:49:25

***

... torpedos, inda que tardios /
tardos vingarão, enquanto /
de encanto vário travestidos /
livrarem do estio o coração...

18/10/07, às 19:53:20

***

... minutos ganham asas /
e segundos, em brasa /
juntos desaparecem /
(de paixões que adolescem) /
nas cadeiras desta sala...

18/10/07, às 21:34:26

TORPEDO VIII

... estranha - a distância /
tão breve - inda leve /
mas que arranha - se se mexe /
as entranhas da saudade que não cede...

15/10/07, às 14:52:14

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

TORPEDOS VIII

... entre papéis e processos /
te imagino, do avesso /
teu desalinho atento /
(centrado, ordeiro) /
sem tempo de um beijo...

09/10/07, às 11:03:04

***

... logo a noite virá /
abraçada contigo /
se este azul-mar /
desmaiar - apesar /
de lindo...

11/10/07, às 17:32:08

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

TORPEDOS VII

Já que mágico /
o encontro extático /
de torpedo e alvo /
diga-me algo /
do sorriso que não vejo /
por trás desse desejo...

05/10/07, às 08:33:44

***

... como você não responde /
(ocupada sei lá onde) /
destempero aqui insone /
destratando o telefone...

05/10/07, às 09:20:14

***

... mas logo me arrependo /
do mau jeito anterior /
sonhando noutro momento /
merecer o teu favor...

05/10/07, às 09:27:37

sábado, 6 de outubro de 2007

PURGATÓRIO

Há sons
Bem bons

No vasto sertão inaudito
(das aves das serras-do-paraíso)
Entre os ouvidos.

Outros, silencio:

- Porque penados, perdidos
no vão quebrado dos ruídos

(sobre o pescoço rouco
de moucos olhos doídos)

TODO SENTIDO

o sono, é uma almofada
de alfinetes sem dentes
por onde, desafundada
levanto saias de gentes

TORPEDOS VI

Quando paro /
e dou conta de mim /
o teu abraço /
é o que vem, assim /
o que enlaço /
da memória, enfim...

03/10/07, às 20:11:50

***

Não saem assim /
teus sinais de mim: /
- táteis, olfativas /
palatáveis, auditivas /
as cores deste sonho /
embalam o meu sono...

04/10/07, às 10:41:38

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

BRAKE

Parou tudo aqui
Por um remanso
(primeiro plano)
Num canto criado mudo:

- Modo de dizer que descanso

hipotético
deslocado

(já precário, cariado
incompleto)

de vez em quando
(anteprojeto)
ali, no mundo...

terça-feira, 2 de outubro de 2007

DA PRIMEIRA CHUVA

O cheiro desprendido
Que rompeu o estio
Quase tardiamente

Foi de sempre - emergido

Mágico, entranha

Básico, estranha
Experiência do incompreendido
Anteprimeiro sentido.