quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

ALTERCAÇÃO

Emudecida a noite
escurecida a rua

esqueceria a lua
esclarecer a coisa

- enternecê-la outra
ensandecida a tua?

(de rua a tua lua?...)

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

DEZEMBRINA II

Lua natalina
amanhã minguante
nua e cristalina
faz-se doravante

(jaz agora adiante
da manhã sombria)

DEZEMBRINA

Coberto o exterior
é tudo interior:

- e penso anterior
ao todo ulterior.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

DEZEMBRO VIII

amnésia sazonal

Em dezembro
eu deslembro

(não me lembro
de setembro)

o trabalho
do argumento

que desmembro
e retalho

e picado
embaralho

pelo adentro
orvalhado

do carvalho
do meu centro;

e chegado
o consenso

(empilhado
em novembro)

de agulhá-lo
recosendo

concentrado
pra caralho

o refaço
sentimento

(e o disfarço
no momento)

deslembrado

- de dezembros?...

domingo, 22 de dezembro de 2013

DEZEMBRO VII

Nada novo sob o cinza

descoberto a cada esquina
encobrindo as avenidas;

algodão cujo avizinha
água sua porém limpa;

esporão sujo que adia
a lavadura de cima

(pois verter escadarias
chover desentenderia)

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

DEZEMBRO VI

Neste tempo esquisito
- véspera do solstício

além de astro afastado
em cinza envelopado

da rua já apartado
- de chuva protegido

a ter comigo estado
na chuva agradecido

seria sol de fato...

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

PARAGENS HAVERÃO

Caminho para onde ninguém está
para onde ninguém mais caminhará.

Lugar por onde ninguém passará.
Lugar que mais ninguém alugará.

Lugar. Caminho. Espaço. Passagem.
Algo desobrigado, alguém dirá.

Para o andarilho pessoal, paisagem
impessoal, com suas trilhas à margem;

para o resto dos outros, miragem
imagens fugidias de viagens...

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

CREAMING MY FAITH

while listening classical music

Eric

epic

... ...
... ... ...
... ... ... ...
... ... ... ... ...
... ... ... ... ... ...
... ... ... ... ... ... ...
... ... ... ... ... ...
... ... ... ... ...
... ... ... ...

clap clap clap

Clapton!...

[I feel free
in the presence of the Lord
(in the sunshine of your love)
after midnight:
- let it rain!
- let it grow!...]

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

VISCOSA

A lesma que gira a terra
gosmenta debaixo dela

cuja espessa pressa escorre
presa ao que lenta percorre

como de árvore carece!
em verde poste, parede:

- pois de ágape amor padece
o passo na cor que excreta

de cada dor que decorre
cada frescor que amarela...

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

DEZEMBRO V

Que tempo esquisito.
Que vento mosquito

pisando fininho
repica um caminho

sobre a pele esquiva

do que ele cindido

sob a pele arquiva...

sábado, 14 de dezembro de 2013

DA ÁRVORE

à cidade

Descendo

descendendo

descendescendo

descendencedendo

desce.

Cresce

(desde sempre
que se lembre)

subespécie.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

MADIBA

Alguém que dignifique o cálculo das consequências

impregnando-se de um intento eleito da consciência

e se responsabilize pelo hiato entre as grandezas
(princípios, diretrizes, objetivos, incertezas)

revelado pelas ações e através delas apenas

no inumano sacrifício pela humanidade alheia

(como fizeram uns poucos em nossa longa existência)

merece toda a vossa admiração e reverência.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

RENEGOCIANDO TRÊS DESÁGIOS

de presságios

Do labor a mais trabalho por lazer

(de no clássico sentido recriar
o porque reflexivo deve ser)

desencontrei-me pela idade do cão
coleirado por dívidas a salgar.

Tal a situação. Qual a questão senão

quantas vidas terei mesmo de saltar
até uma livre de maior apreensão?

Para o melhor juro algum cálculo haver
dou-lhe o passado de um pródigo a quitar

a fim de caso o presente perceber
que o futuro o bem desfrute de antemão!...

FOOTBALLS

... esta bola que se vê
(redonda, oval, coloré)

rola a bosta da tevê
(meu canal sophistiqué)

no coração das férias:

- qual paixão pretérita
delonga et cetera...

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

140 SONS DE SÍLABAS

para as celebrações natalinas

Um sujeito cuja felicidade de gerar seus próprios problemas
com jeito cevando sua capacidade de irresolvê-los dezenas

e assim cultivado estabelecendo como seu aposto mecenas
o aprazer somar/subtrair/multiplicar e dividir fonemas

em insignificados poemas

exprimiria exatamente o quê

(postularia pontualmente o quê)
[esconderia estritamente o quê]
{possivelmente ponderaria}

neste natalício mês apenas?...

AGORA HÁ TEMPO

neste momento

Que gravitação?
Qual gravidade?

O que saldarão
de tal saudade?

[aquela à margem
da personagem]

Se folhas ao chão
testemunhassem

sobre planações
e aterrissagens

diriam botões
despetalassem?

Seriam chorões
por mais aragens?

Teriam senões
à realidade?

[aquela do grão
com validade]

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

COMO CREIO ESTA POESIA

e à crítica eludiria

As condições de produção
(antes da gente, de uma ação)

definem o que vem à mão
à língua, boca, teclado
(antes da mente, coração)

tudo junto e misturado
porém desconectado

[as Adorno's constellation]

e mal (re)conectado
por tal esforço arbitrário
a ver significado

[Freud's rationalization]

de modo que reprodução
das condições ao contrário...

DEZEMBRO IV

... aspirar o espesso

nem quente nem fresco

bom ar de dezembro

derruba pra dentro

seu adensamento

(meu entupimento)

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

CINESTÉSICA

As costas doem
me desconstroem;

moem de fato
(até o palato)

férias do tato
com que olfato

sentidos latos...

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

ZERO CEB

A luz caiu.
Dizer o quê

se o que se vê
reduz a estar

de peignoir

o que existiu?

DEZEMBRO III

Mãos enormes do deus do tempo
no dia cedo escurecendo

já vão disformes vento adentro
de um quadro a outro embrutecendo

até que dão adeus aos dedos

de água pia descendo veios...

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

A NOITE PASSADA

sozinho contigo

No silêncio da escuridão
escuto a razão dizer não

aos amores que nem estão.

Mas em vão. Mais um pouco, e irei
a nenhum outro lugar, sei

embora sonambulando
(o sonho me deslocando).

Mas antes de mais um pouco
pulsa apenas isso que ouço

agora perambulando
(o sono me descolando)

até o teu ótimo colchão.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

INTRATÁVEL

Colapso
do lapso

de crer no aço

do que faço

e desfaço

- como um traço
apagável

que então ranço
impagável...

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

NO ESCRITÓRIO

Um ventilador gigante
girando mas gentilmente

transparece que possante
calor faça suavemente;

um cadastro vigilante
anotado tenazmente

ocultando qual farsante
o fraude jaça mormente

se funcionário galante
que ao descrevê-lo comente

de qual jeito interessante
à secretária somente:

- o que um fichário vacante
arquive do peito à mente

da cinza sombra abrasante
dessa redoma inclemente...

PAUSA CELEBRATÓRIA

da pequena vitória

As tripas reviradas
das ripas chulipadas

na hora da virada
(agora tudo ou nada)

torcida desbragada
na vida encruzilhada

- é natural, não achas?

Passada a enrascada
da lida encalacrada

a horda de estocadas
das normas deslocadas

(o mal numa tacada)

- as pipas despregadas
à nossa volta, o que achas?...

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

MINHA TORRE

a Michel de Montaigne

Eu construo
edifico

diuturno
sin permiso

outro fundo
outro piso

sobretudo

edifício
(orifício)
junto ao muro

para ofício
aquém-mundo

[prolíficos
versículos]

e ali fico

sobre tudo

insepulto

de tranqüilo

com aquilo...

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

ESQUECÊ-LO IDO

Sobre o que é havido
suspeito que ouvi-lo

sabe esclarecê-lo:
- cada acontecido.

Nada a merecê-lo
soma ao ocorrido:

- mesmo convertê-lo.

Cabe enfim a um zelo
vir subtraí-lo:

- o que o cerebelo
põe de mim corrido
desde o tornozelo.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

LIDA FINANCEIRA

Nos bancos
barrancos
são tantos
tamancos
de tantos
tamanhos
achados
rachando
agora
pisando
sem hora
nas danças
rangendo
gastanças
(de auroras
a outroras)
comprando
a praça
vendendo
fumaça
comendo
poupanças
chorando
pitangas
rolando
de ilharga
(gemendo
fodendo
contudo)
sorrindo
crescendo
pra tudo
partindo
créditos
préstimos
débitos
códices
óbices
óbitos
(lívidas
dívidas
líquidas)
a prazo
a vista
(perdida
no caso)
da casa
o lote
do carro
o dote
casados
barracos
tão caros
calotes...

MANTRA DOS TRÊS TEMPOS

convém não esquecer

A única vida vivida
que se faz servida - é a minha;

a única vida servida
que se fez devida - a que eu tinha;

a única vida devida
que se fará ainda - avizinha...

terça-feira, 26 de novembro de 2013

SOB O VÉU DE NOVEMBRO

Este meu olho manco
vê preto-cinza-e-branco

este céu de Vincent

repleto de ser tanto
nesta época do ano.

Esse céu de Vincent
demais fotografado

em preto-cinza-e-branco

no início do passado
nessa época do ano.

Esse meu olho manco
com desdém inocente

fotografa o presente
amém àquele plano.

SOCIAL

De um lado

de outro

desagrado

(e desagravo)

só.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

QUADRAS CORRIDAS

de paulistanas

... fim de semestre
(rogo que adestre)
- e a São Silvestre
logo ali, mestre!...

***

... o café, pão dá
boto fé (não já)
Buscapé, vão lá
- Tatuapé, tão tá!...

domingo, 24 de novembro de 2013

AOS DOMINGOS

com Vandecira

Acho ditoso o quanto é tempo
primeiro ou derradeiro nosso.

Sinto questão de entendimento
que abraçá-lo realmente posso.

A menos que encachoeiramento
de segundos em mais décadas

- tão precipitados déspotas

pode o tempo fiado convosco
correr lento um fiapo de épocas!...

terça-feira, 19 de novembro de 2013

ÔNDULAS

Cada canto do apartamento
redesenha seu sombreamento

dependendo de onde vir a luz
- se da rua, ou de um tormento;

cada canto na noite adentro
redesperta no sono o centro

da vontade de retroceder
de qualquer bondade de ceder

- arrepender do que o som seduz...

sábado, 16 de novembro de 2013

ARQUEOLÓGICA

Passando os anos
observo-os

enquanto tantos
acumulando

tão distanciados
antepassados

porquanto dado
a contemplá-los

os dispensando
de aprendizados

ultrapassando
alimentá-los

emaciando-os
fossilizados

de preservado...

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

FEIJÃO DE ALGODÃO

Céu baixo.

E abaixo

sozinho

eu baixo

(baixinho)

ameno

sonzinho

de abrigo

antigo.

Sereno

(ao menos)

os nervos;

o ninho

pequeno;

o facho

em baixa

consigo

(eu acho)

...

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

GARGALO V

ar, ar, mais ar!...

Münchhausen, Desencachar
Pantaleão ainda por achar

poder-se-ia eu barão voar?

Necessário considerar:

- pois há mais pelos a puxar
se o pântano não for drenar;

mais tiros que hesito atirar
que balas e botas de usar;

contas de contas a pagar
antes de estórias a contar...

Prospere terráqueo ou lunar

marítimo de navegar
ou ritmo a ultrapassar

preciso outro livro editar.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

AUTOR AGONIZANTE

talvez seu ajudante

Sempre acho que é o último.
O verso derradeiro

(porque o senti no íntimo)

até o próximo sê-lo.

(digo, aquele postado
antes deste, entalado)

Melhor, em todo caso
tecer seu paradeiro

(o paradouro deste
desenganado aquele)

vindouro ao fim e ao laço
de algo passado, ou vulto

de outro sujeito oculto

que enfim queira escrevê-lo...

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

PUBLICITÁRIA

A imaginação, quando se encontra

no frigir dos olhos nas gôndolas
aquém dos miolos, além da conta

aparece visão da Gioconda

na via turística rápida
(meno male se fotográfica)

dos faustosos museus da ótica
nobiliárquica socializada:

- fixando a deidade refratada
à frente um vidro à prova de bala...

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

TAUTOLÓGICA

see the lyrics

A virtude
da juventude:

- Hey Jude
(aliás, fortitude)

em virtude
de juventude...

DEPOIS DE REBANHO

bovino entretanto

Cansado de esperar
(o que não sei contar)

cansei de conservar

o peito a deserdar
o amor de andarilhar

por medo de encontrar
a dor a esquadrilhar...

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

RECADO DE ESCREVER NA TESTA

pintar na fronte do horizonte

Se eu tiver de labutar demais

por solicitar favores tais
retribuíveis em labores mais
(e deles dever fugir jamais)

melhor talvez procurar um cais

qualquer ótimo embarcadouro
(de gente, bicho, tralha, ouro)

e com pedra, corda e pescoço

(discretamente, sem desdouro)

eludir o fundo do poço...

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

PLUVIOSA

A tristeza das folhas
sob a mesa da tarde

traz-me cônscio da bolha
em que estreito destarte;

velha a botelha, e a rolha
arbitrária na arte

centenária da escolha
de contrário abrigar-me...

terça-feira, 5 de novembro de 2013

LIQUIDIFICADO

não importa o caso

Moléculas d'água
viriam do nada

sob a tua anágua
secularizada;

sobre a tua mágoa
vertiam por nada

escorrida bágoa
que dissimulavas...

O que acarretava
junto à veia cava?

Arrependimento?
(teu contentamento?)

Um desprendimento?
(teu contentamento?)

Não que isso importasse:

- moléculas d'água
(sob a tua fachada)

vinham meia-água...

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

NA ÁREA ADVERSÁRIA IV

uma dor

Que será de mim
sem meu time enfim

na Primeirona?

(como assim, a fim
da Segundona?!?!)

NA ÁREA ADVERSÁRIA III

torcedor

Um mau juiz
- o tal Ruiz

foi o algoz
- algo atroz

que te apraz
vir loquaz...

NA ÁREA ADVERSÁRIA II

foi quase

Na trave
o entrave

à glória
que se abre

vitória
do lacre...

NA ÁREA ADVERSÁRIA

minuto quarenta e sete do tempo segundo

A hora não dá trégua:

- água pra minha égua
bota de sete légua
mapa pra minha régua

bégua agora me nega!...

(daí a orientação
debaixo do travessão

vai longe do gol então

na cabeçada de mão
trocada de goleirão

pra segunda divisão)

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

DA IMPUTABILIDADE

da ação maquinal

Os homens que drones
em vão responsáveis
por irresponsáveis

com amos afáveis
de planos aráveis

no campo dos patamares elevados

(dos andares que grampearem enlevados)

são já homens cones
na linha dos clones
mecanicamente;

ciborgues insones
da rinha demente

desde antigamente
não há um recente:

- são sempre somente...

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

QUADRA CÓSMICA

razão e proporção

Esta insignificância:
- a medida da constância
de dois olhos na grandeza
do tamanho da beleza.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

TRANSFORMED

a Lou Reed

Cobalto e amarelo
- combinação e elo

entre a tarde que esvai
(suicida samurai)

a noite tardia

e o que foi de um dia...

SEMANCOL

cruzes!

Os poemas não vão bem.
Usar tremas, não convém.
Estratagemas, não contêm

que avestruzes dão penas também...

terça-feira, 29 de outubro de 2013

SUCH A PERFECT DAY

and Lou is gone

... amiga, subterrânea havia
iluminada urbana poesia
de cacos, nacos - a providência

dos apetites, música e tinta
em toda morte da inexperiência
pouco inocente perto da quinta

rua, praça, desgraça, avenida

do mundo no bardo pontiagudo
suavemente impoluto, contudo
(rolling the rocks entre sussurros)

ao longo da artéria caminhada
subcutânea - tão delicada

em substância
quão deflagrada
extravagância

aterrissada desalojada

no vasto nada

da vida ganha e redevorada

pela autoestrada

autoindulgente e contemporânea...

[honey, by the way:]

Lou's miscellanea (por meridiana)
é extemporânea à tal banana

abduzida daquela capa
e reduzida multiplicada

a uma cizânia
nau capitânia...

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

SINTÉTICA

As paredes do aqui-e-agora

dão sede de auroras

embora

nas vezes de outrora

o vão que ali sucede as obras.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

DE SEGUNDA MÃO

Segunda-feira:

- nunca a primeira

(da domingueira

sensaboria)

subsequente

sobrevivência

de derradeira

sabedoria

[inconsequente

em decorrência]

domingo, 20 de outubro de 2013

DR VIRTUAL

O bombardeio

(por bombardeiros
sem paradeiro)

não fará queijo
do e-mail, creio;

mas pisa a tela
(a minha e a dela)

da tarantela
de outras querelas

senão deveras...

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

CLIMATOLÓGICA

alegoria da eterna finitude

O céu desceu à nossa posição atual
(recém-saída da estiagem estacional)

com seu agasalho úmido e habitual.

Distância mínima entre o chão e o alto
entre aquelas nuvens e esta poça eventual.

Admistão do óleo das cores no asfalto.

[ânsia máxima de ocupar o vão de algo
de algo preenchido de vazio ocasional]

O daltonismo do solvente universal
(eufemismo para o nosso a pé descalço)

prevalece no crepúsculo cobalto
ante a noite encorpada (talvez em falso);

o olho dói no músculo, osso, vertebral
nossa herdade horizontal do cadafalso.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

SEMPRE UMA ESQUETE

repetitiva

Na interna esquina
que externa a linha

da quitinete

(nessa cozinha
dá-se a toalete)

o que me habita
(sempre uma esquete)

quase sem tinta
fita-cassete
escrivaninha

lembra o macete
(vendo a vizinha)

desce o cacete
e pinta o sete:

- porque digita
me compromete

com a desdita
enfim bendita
que se repete

(sempre uma esquete)...

LUMINÁRIAS

Fixos porta-luzes elétricos
vagas irradiações etéreas

claros pilares métricos
longas tochas aéreas

escadões tétricos
pontas venéreas

simétricos
whereas

..
.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

TELEJORNALISMO

seu paroxismo

Vez em quando é isto:
- um ventriloquismo

por teleprompter
teletransmitido

de onde o dono estiver
tanto e como aprouver.

LÍNGUA DE PRATA

cinemática

... afunilando
o que soprando

afutricando
afuleimando
afuzilando

o que sobrando
afugentando...

terça-feira, 15 de outubro de 2013

ESTORVANDO O DESFILE

aos colegas com bile

Subintelectual semiqualificado
(segundo os experts)

algo estou profissional protorremunerado
exposto a cassetetes

(de pais, responsáveis e autoridades em greve).

Professor incondicional
ainda que me queira mal;

confessor em tempo integral
(ainda que me queiram mal)

das mazelas do real:

- daquelas que não vêm ao caso
entregues ao sabor do acaso

no balacobaco do atraso
(pro balacobaco me atraso!...).

Cinderelas até o ocaso
somos gazelas decorridas de obstáculos;

trainers, entertainers, palhaços
na sociedade consequente do espetáculo

remodernizados por detrás.

(é o que nos informa o mercado
embora saturado de tais)

...

Formais, naturais, caricaturais
(versões indolores do descaso)

sou ator por pavor dos demais.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

FORÇA FUNDAMENTAL

e grau de inclinação

Declínio, declive
descido, decide

quanta gravidade
atribuir à idade

pela gravidade
do devir na idade.

sábado, 12 de outubro de 2013

O QUE PREVALECERÁ

Desenvolvida a hora
Pandora escurecida:

- o que desvela agora?
- o que zela escondida?...

Esquece das palavras
em suas palas sombrias

destinadas trágicas
lunáticas desditas...

À noite, desconfias:

- serão escuridões mais
sertões adiante portais?

Descobrirás de dia:

- em sua tez presumida
nudez sumida havida...

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

DOENTE

... ao final
deita o sol

horizontal;

com terçol
arde mal

de cachecol
tarde afinal...

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

NA FÍSICA DA MODERNIDADE

górdios sequer nós de alguns dos nossos

Karl primeiro, Friedrich segundo
estabeleceram que no mundo

tudo o que é sólido desmancha no ar.

Mas no processo, frisa Zigmunt
(cioso da trajetória ao gasoso)

é intermediário liquidificar.

Desgostoso da história, pastoso
secundária figura na estória

entre respostas, tão consciencioso
onde figuras, retida a escória?

1. animal pretensamente ativo
(porém mouco mente pouco altivo)
tolhido estado vegetativo;

2. pós-produtor ao pé mantenedor
de ego apolítico consumidor
(de amores filmes a tristes de horror)

3. recolhido ao privado epistolar
de narrativas por irrealizar
(seus públicos hão de justificar);

4. ...

***

[homem sem qualidades de Musil
bem plasmado num fluido inconsútil

poderias condensar um Brasil?]

terça-feira, 8 de outubro de 2013

DOURADA

Contra a luz, a urina
(jato de cerveja)

por certa e líquida
é carnavalesca:

- pura purpurina
máscula que seja...

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

O QUE ENTRANHA A MENTE

Espremo o que exprimo
do presente estreito:

- palavreado fino
(franzino o degredo)

geado rarefeito
(escorregadio).

Extremo o que imprimo
arduamente obreiro

daquilo que esgueiro
(feito percevejo)

com efeito ausente:

- certo desempenho
que me estranhe à gente

convencionalmente.

sábado, 5 de outubro de 2013

NUBLADO

Amanheceu entardecido
um sábado obscurecido

classificado restritivo:
- o claro do escuro indistinto.

(determinado a ser seguido
por entristecido domingo)

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

DO DELÍRIO DE VIAJAR SOZINHO

no covil de um crânio em desalinho

Nos abraços que os desejos nos dão
nos avanços que os ensejos nos hão

de proporcionar, cabem mil verões
à beira-mar das imaginações!...

Fora, há mil universos perdidos;
por dentro, dá um caminho segui-los

na preamar crédula das intenções!...

Embarque as células, assim varões
outrossim varoas! - e as emoções

de induzir canoas de pretensões

trarão aos remos águas potáveis
e aos internos, termos palatáveis:

- devaneante marinha mercante
doravante da tina escaldante!...

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

DOS PODEROSOS DE PLANTÃO

a nós o que é deles, pois não

A superfície do corpo
acusa a intenção do dolo

à flor da intuição que sofro
da razão do desconforto:

- a institucionalização
(sem régua, trégua ou recato
réplica, égua-e-cavalo)

da transparência como ação.

***

Pressuposto: a transparência
pressuposta de si mesma

na tautologia plana

(categoricamente sã
absolutamente chã)

de uma assepsia plena

contra contradições, senões
paradoxos, camaleões.

***

O que será de vós então
- vós: pobres ricos que virão
e tudo de nada verão?

Sê pois tecnológica
e antisséptica ciência;

depois seja em sua lógica
panóptica indecência!

[ao menos o inverno verão]

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

DE UM TEMPO MAIS-QUE-PERFEITO

ao presente contrafeito

A entropia, ratazana
rói e mia, gata mansa;

distopia fenescina
dói e pia, patativa;

putativa, mói o dia
que vige, pelo amor de Deus!...

- tantos Orfeus e Eurídices
repelindo-se junto aos seus...

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

POLIDEZ

Estreito
ao peito
um braço

sem traço
de abraço
desfeito.

O QUE RESTA DE EMBELEZAMENTO

O calor da tarde nos protege
quando remanescemos inertes.

Abajures escanteados na cal
de pátios enferrujados do sal

alhures, figuramos nesse rol.
Abutres nos aguardam sob o sol

a fito naquilo que movemos
com o fito do empoleiramento.

É o tempo. Nosso lento creófago
é frio - o contrário desse afago

aquecido e enganador. Mas melhor
o embuste transitório do calor

na tarde outonal que se inicia
(mesmo com predadores à vista).

sábado, 28 de setembro de 2013

A SEGUIR

não repetir

Ouço enverdecendo
outro encantamento.

Pressinto a verdura
propenso o momento

vendo a esta altura
amadurecendo.

(contra a desventura
de outra descendendo
um recolhimento)

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

É PRIMAVERA

A altura do sol nesta época
- agastada como se um déspota

a chuva acerta, mormente alegra
cores súbitas - súditas delas

heras, buganvílias e bromélias
cheias de formigas e azaleias
e cheiros jasmineiros, camélias
sobre mangas, laranjas, colmeias

rizomáticas atmosferas
apinhadas de larvas e feras

gratas de a distância ser aquela!...

Fim de tarde como meio-dia
à sombra úmida do que estia

até a próxima cortina d'água
tirar rápida da tina fátua

a sorte única de outra mágica...

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

A CURVA

num daqueles dias

Graça natural
rebenta o cipoal

temperamental;

na boa, de mal
lenta ou vertical

gravitacional:

- tema recorrente, a decadência
decadesce o poema, em conseqüência
de um trema inconsequente, a consciência
evanescente da impermanência...

... (ência, ência, ência) ... Por quais ciências

ecoa múltipla a falência
- e num esgarço de indecência

destoa cúpida a carência
entre as minúcias da existência?...

...

[venta o lodaçal:
onde ponho a cal
medicamental?]

terça-feira, 24 de setembro de 2013

LARANJAS

de mandachuvas

Hidrogênio e oxigênio
enternecidos trigêmeos

provam meu instinto errado;

regam o ferro cerrado
este mês - e nos próximos

o verão de outros óxidos...

ÁRVORE

Pouco importa sair

(da semente sumir)

se o apenas estar

(no perfeito enraizar)

ocupa o tempo de ir

(ao ditoso devir)

e o espaço de ficar

(para frutificar).

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

AMBIÇÃO ENDIVIDADA

A penhora do tamanho
deste agora meu antanho
ano a ano ajuízo a lanho
em prejuízo desse ganho

e no juízo que decorre
mais escorre do que corre
(porque do momento o norte)
qualquer tempo até a morte

[se presságio eu saberia
qual ágio preludiaria
um funeral de estilista]

{pois o normal é debalde
deterioração do molde
e incineração num balde}

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

ZELOTE

Cresce o vigor
junto ao fervor
de um limpo amor
por essa dor;

sem polegar
opositor
a postergar

sinto o calor
confortador
de concordar

reverberar

seja oposto
ou preposto
do desgosto

restaurador:

- a ser maior
nada menor
creditarás
se Barrabás!...

ANTES DE COMÊ-LA

A véspera
amarela

da nêspera
japonesa

(se chinesa
portuguesa

uma gueixa
entre ameixas)

doce deixa (a)
nespereira:

- em madeixas
me sombreia...

terça-feira, 17 de setembro de 2013

ORÁCULO

Amo o Aulete
na internete:
- pai dos burros
intramuros!

Amo o Aulete
de um a sete:
- quando o curso
sem decurso;

Ô Arlete
amo o Aulete:
- nele o mundo
vasto é fundo!...

Quitinete
és o Aulete:
- conténs tudo
eu contudo...

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

FROM BOULDER, COLORADO, USA

flooding

Tenho notícia de uma parte do mundo
que já foi toda deste meditabundo;

triste notícia de um mundo absoluto
passado particípio de onde flui tudo...

Hoje no lugar daquele tempo espacial

devastações culturalmente naturais
(tamanha a racionalidade do animal)

têm consequências tais que se entreabrem pessoais:

- estarão bem?, me perguntei, qual zé-ninguém
em sua mais alta insignificância zen;

- estarão todos bem?, reperguntei-me again
na intenção de saber sem tenção de escrever

e contato fazer - na paralisia
desavergonhadamente irreprimida

face ao que contudo foi e devastei-me...

sábado, 14 de setembro de 2013

RECONHECIMENTO II

... na velocidade
da mundanidade

jaz o meu respeito:

- já que a realidade
perceber direito

me desfaz inteiro...

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

DA EXCELÊNCIA

dos excelentíssimos

Ao soberano rebanho

dispensamos atenção;
atenção dispensada

o que orienta a manada?

A consistência de antanho

esquecemos de antemão;
ante a mão esquecida

o que responsabiliza?

Pois não nos iludamos
com os rodeios de amos

vassalos noutros antros:

- a justiça é uma arte
indulgências à parte;

- o direito, um disparate
das conveniências, destarte...

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

PERECIMENTO

ódio ao físico

Antes de correr
ou exercitar

(antes de mover
meu peso de ser)

rói antecipar

a dor do dever
de se então cuidar.

Ó babaquice
sob um sol star!

Ô maluquice
por desenterrar!

Por que não ceder
corpo à velhice?

(é capitular
o capitular)

Por que socorrer
minha estultice?...

...

(e o ar a enluarar)

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

SETE

no gênero homo, espécie de sapiens

Todos os espaços coexistem
e todos os tempos coincidem

nesta cabeça de alfinete
sem que se perca qualquer item.

Sua rotação o promete.
Sua chã superfície, idem

quanto ao gênero de uma espécie:

- nossa celeste quitinete
onde se pinta e borda o sete...

[sete pecados capitais
(e os sete sacramentos tais)
multiplicados ademais
por sete bilhões de animais]

terça-feira, 10 de setembro de 2013

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

QUERO SER DE BARRO

a Manoel de Barros

No trabalho, sou um chato.
Quando resto, um palhaço.

Nada de dialético
bem parassintético;
mal dividido ao meio
assomo o dia inteiro

um desejo de Manoel:

- de lagarto, de tropel
de Bernardo e micos léus;
pedra e cisco antes de céu
passarinhos no escarcéu...

Palhaço ao remar, me acho
chato bipolar, creio

por ser curto o recreio...

DO ATRASO

(de)correr Brasília

Se tardo a cidade
desde tenra idade

seus ares de parque
seu clima de embarque

dão fotografias
de melhores dias.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

PÁLPEBRAS

O ocaso de dormir
sem que um sonho tenha

é caso de seguir
nem que o sono venha

o acaso ao insistir
- bem que assomo seja...

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

SOLECISMO BARBÁRICO

regressivo

... adaptamo
compactando
três musaranho
(dois era humano)
num suburbano
trem nem viajando...

UBIQUIDADES

A obliquidade
da realidade

- seu drible suave
sobre a verdade

vezes me invade.

Quando acontece

um pano desce
e me entorpece

(opacidade
tal que me abate).

Na minha idade
a realidade

(da obliquidade)

não coalesce
sabedorias

nem discrimina
sensaborias:

- meu vesgo imenso
sobre o que intento

muito a reflete
de serventia...

terça-feira, 3 de setembro de 2013

PÁ(T)RIA DIGITAL

por meia hora
toda uma era

Caiu a rede.
Saí da rede!
Caí da rede
quando somente
matava a fome
(a mais insone)
por sobrenomes
contando estórias
de desmemórias
em nicknames
indiferentes
desde que gente
(mesmo que a gente)...

Cadê a rede?
O que ela teve?
Os que têm sede
presentemente
de serem gente

- os have-nots
tão recorrentes
- os Lancelots
contra a corrente
- os ins and outs
todos bonitos
- e os menininhos
e as garotinhas
pois travestidos

gritam 'ausente!'
precocemente:

- subitamente
refaz a rede
precisamente
a paz de sempre...

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

DA PROPRIEDADE INTELECTUAL

a nau particular no mar geral

Nesta vida, nada nos pertence:

- seja massa cinzenta que tente
que coisa apartada lhe sustente

seja cara a proeza que se pense
de um ego enganado para sempre...

Desta vida, nada lhes pertence:

- vossas obras, inda longamente
nossas cinzas, mesmo de repente

- mesmo as artes deles dirigentes
inda inutilmente diligentes...