o caminho oposto
Nestas férias sem Nordeste
(ressentimento da peste!)
sem sua beleza celeste
sem seus prazeres terrestres
solicito ao Centro-Oeste
mais que nunca, esteja a oeste:
- bem longe dos caranguejos
daquele mar inconteste
porque invejoso o desejo
(o qual pragueja e praguejo!)
contraditório que almejo
guardado num lugarejo...
[inda que seja um bosquejo
tal de ter - mas sertanejo]
terça-feira, 15 de dezembro de 2015
segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
REVISITA 110: CASA DE CONTOS
39º poema de À procura de Nefertari
Casa dos Contos (também conhecida como "Casa de Contos"). Prédio construído entre 1782 e 1784, na então Vila Rica das Minas Gerais, para servir como residência ao arrematante dos contratos dos dízimos e entradas João Rodrigues Macedo. Este alugou a sua parte térrea em 1789 para aquartelar as tropas encarregadas de reprimir a Inconfidência Mineira, e servir de prisão aos réus mais ilustres da conspiração. Ali, Cláudio Manuel da Costa, sonetista e inconfidente, teria se suicidado em 4 de julho.
Quando estou todo, inteiro
aquém de mim, para dentro
à mercê do zumbido surdo
sem fragmento, do silêncio
aquela voz, que ouso que penso
costura, do nervo à agulha
fonemas às letras, retalhos de sílabas
a colchas de palavras, estendidas
parecendo daí até aqui:
- a tua voz, que penso que ouço
dizendo-me, do fundo do meu poço
que não devo (embora por pouco)
porque não posso (enredado o sentido)
sair senão deste invólucro.
28/08/2005
domingo, 13 de dezembro de 2015
QUADRA EXPLICATIVA
consultoria sem poesia
Em meio a três dias inúteis
a minha fé esteio nos fúteis:
- o dinheiro ganho naqueles
mais direito confere a estes.
Em meio a três dias inúteis
a minha fé esteio nos fúteis:
- o dinheiro ganho naqueles
mais direito confere a estes.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
NO PLANALTO VENTRAL
Raios, clarões vários
trovões de cenários:
- quase o fim do mundo
desfecho iracundo
pra quem treme muito
(ou que teme fundo)...
***
Meu amor pegunta
porque toda chuva
gosta de assustá-la:
- acho que por nada
dada a natureza
(natureza dada).
QUINTILHA DO QUE (SE) SUCEDE
Leves dias - quando empilham
à medida que nos ilham
(da vida de que precisam)
[das lidas que os justificam]
breve mais pesados ficam.
à medida que nos ilham
(da vida de que precisam)
[das lidas que os justificam]
breve mais pesados ficam.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
DESTE MOMENTO
usufrutuário
Estou recluso
e ensolarado
algo profuso
e continuado
nada confuso
desencontrado
do que desuso
abandonado
no que mais uso
desafinado...
Estou excluso
idealizado:
- um inconcluso
recuperado.
Estou recluso
e ensolarado
algo profuso
e continuado
nada confuso
desencontrado
do que desuso
abandonado
no que mais uso
desafinado...
Estou excluso
idealizado:
- um inconcluso
recuperado.
DRONE
While rolling the Stones
watching the Flintstones
the milestones
the tombstones
all the capones
(and their clones)
I must turn this cornerstone
alone
[with Nina Simone]
watching the Flintstones
the milestones
the tombstones
all the capones
(and their clones)
I must turn this cornerstone
alone
[with Nina Simone]
SEM SABÃO
a Pedro Sérgio, no seu aniversário
De manhã, São Pedro
bateu o cinzeiro
(todos os cinzeiros
do mundo carvoeiro)
sujando feio o ar:
- no alto o firmamento
e aqui o calçamento.
E o enxágue, Pedro?
Quem irá fazê-lo?
[ô santo fumante
pouco edificante!...]
...
{a natura veio
- e num só vareio
me lavou o Pedro
com tudo no meio}
De manhã, São Pedro
bateu o cinzeiro
(todos os cinzeiros
do mundo carvoeiro)
sujando feio o ar:
- no alto o firmamento
e aqui o calçamento.
E o enxágue, Pedro?
Quem irá fazê-lo?
[ô santo fumante
pouco edificante!...]
...
{a natura veio
- e num só vareio
me lavou o Pedro
com tudo no meio}
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
TEMPORADA
Capa d'água
na sacada.
Empoçada.
Espelhada
- a moçada
nem molhada.
Festa n'água
que desagua
numa frágua...
na sacada.
Empoçada.
Espelhada
- a moçada
nem molhada.
Festa n'água
que desagua
numa frágua...
PECILOTÉRMICA
A via do lagarto
se percorre sob o sol:
- à noite, congelada
pernoita reparada.
Se vida de lagarto
(lida e sorte alternadas)
corre igual ao caracol
mas também ao rouxinol;
há cobras e lagartos
há sobras e catartos
e soçobras e infartos
- mas também um girassol
sombreando dez espartos
no vaivém de lua e sol.
...
[diga amém aos girassóis]
se percorre sob o sol:
- à noite, congelada
pernoita reparada.
Se vida de lagarto
(lida e sorte alternadas)
corre igual ao caracol
mas também ao rouxinol;
há cobras e lagartos
há sobras e catartos
e soçobras e infartos
- mas também um girassol
sombreando dez espartos
no vaivém de lua e sol.
...
[diga amém aos girassóis]
segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
EU PROMETO
Amanhã voltarei a correr
porque cochilo após o almoço
cochilo tal que é chumbo grosso:
- entre os vivos, ressaltam-se outros.
Porque afundo depois do almoço
na treva de um sono absurdo
- do qual voltar eu quase anulo -
amanhã tratarei de correr.
Logo após o almoço de sonho
- sonho culinário que almoço -
sobrevém sono um poço surdo
num bloco de granito escuro
trafegando o rio mais bruto
- um que dá vontade de morrer...
Por isso, volverei a correr
entre os vivos - os outros - todos -
a fim deste estar fortalecer
no que os dias hão de suceder.
porque cochilo após o almoço
cochilo tal que é chumbo grosso:
- entre os vivos, ressaltam-se outros.
Porque afundo depois do almoço
na treva de um sono absurdo
- do qual voltar eu quase anulo -
amanhã tratarei de correr.
Logo após o almoço de sonho
- sonho culinário que almoço -
sobrevém sono um poço surdo
num bloco de granito escuro
trafegando o rio mais bruto
- um que dá vontade de morrer...
Por isso, volverei a correr
entre os vivos - os outros - todos -
a fim deste estar fortalecer
no que os dias hão de suceder.
ANÉIS
o negócio da nossa ciência política
Te dou alguns anéis
alguns contos de réis
pelos meus dedos fiéis.
Promessas em papéis
sentenças, aranzéis
em línguas de babéis
- ou fugas em batéis
(apesar dos parcéis) -
pelos meus dedos fiéis.
Te cedo alguns tonéis
desvios de farnéis
e sobras de cartéis
caça-níqueis, troféus
- festejos em hotéis
puteiros em apês
entregas de pastéis
em colchões de frouxéis -
pelos meus dedos fiéis.
Repassando chapéus
te cultivo plantéis
de chefes, barnabés
parlamentares rés
de juízes, coronéis
soldados em corcéis
convocando tropéis
(talvez até os quartéis)
pelos meus dedos fiéis.
Se necessário um viés
te envio alguns novéis
justiceiros cruéis
(rebeldes ou bedéis)
ou penas de aluguéis
(arautos de escarcéus)
pra afundar em marnéis
os que forem infiéis
a estes dedos - os dez!
E quando enfim os céus
pedirem mausoléus
escribas de cordéis
em torno dos incréus
operando cinzéis
brilhando fogaréus
encobrirão com véus
o quanto fomos réus
por nossos bons anéis...
Te dou alguns anéis
alguns contos de réis
pelos meus dedos fiéis.
Promessas em papéis
sentenças, aranzéis
em línguas de babéis
- ou fugas em batéis
(apesar dos parcéis) -
pelos meus dedos fiéis.
Te cedo alguns tonéis
desvios de farnéis
e sobras de cartéis
caça-níqueis, troféus
- festejos em hotéis
puteiros em apês
entregas de pastéis
em colchões de frouxéis -
pelos meus dedos fiéis.
Repassando chapéus
te cultivo plantéis
de chefes, barnabés
parlamentares rés
de juízes, coronéis
soldados em corcéis
convocando tropéis
(talvez até os quartéis)
pelos meus dedos fiéis.
Se necessário um viés
te envio alguns novéis
justiceiros cruéis
(rebeldes ou bedéis)
ou penas de aluguéis
(arautos de escarcéus)
pra afundar em marnéis
os que forem infiéis
a estes dedos - os dez!
E quando enfim os céus
pedirem mausoléus
escribas de cordéis
em torno dos incréus
operando cinzéis
brilhando fogaréus
encobrirão com véus
o quanto fomos réus
por nossos bons anéis...
domingo, 6 de dezembro de 2015
CULTIVO
Entre o fim do domingo
e a manhã da segunda
anoiteço um sentido
que depois me madruga
para as coisas bem-vindo
a partir da segunda
repartir no domingo.
DAS PRECIPITAÇÕES
de auroras
O domingo encoberto
pelas águas voadoras
descobre as maritacas
junto das mariposas!
Do silêncio soberbo
das últimas pessoas
elas vêm, às carradas
(falo das maritacas)
perturbando, espaçosas
o tempo de um acerto:
- entre esta madrugada
(fado das mariposas)
e agora a chuvarada
há pouco sossegada...
O domingo encoberto
pelas águas voadoras
descobre as maritacas
junto das mariposas!
Do silêncio soberbo
das últimas pessoas
elas vêm, às carradas
(falo das maritacas)
perturbando, espaçosas
o tempo de um acerto:
- entre esta madrugada
(fado das mariposas)
e agora a chuvarada
há pouco sossegada...
sábado, 5 de dezembro de 2015
REVISITA 109: AOS TRINTA E UM
38º poema de À procura de Nefertari
Arisca, a leve brisa deste lindo dia
sopra-me fresca ainda; e à folha vira
a tua data na superfície lisa, rutilante
da geladeira que habito, desde antes
do estio; e chama à retina a lembrança
de outros dias, brancos, nesta branca
cozinha - dos ritos de queijos e vinhos
à larga servidos, entre beijos e risos...
Bem assim, hoje, eu gostaria que fosse
a minha celebração de ti - uma cotidiana
reencenação dos teus olhos reafirmando
brilhantes, a minha opaca ciência de ti:
- do misterioso fundo negro da tua retina
onde bela se perde a razão desta vida...
27/08/2005
sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
MÉTODO
escorço
Objetivo
subjetivo
qualitativo
quantitativo
contemplativo
é o meu motivo.
Daí assisto
a isso e aquilo
a esta e aquele
com alma leve
e atentamente
sem que um estorço
torça o esforço
pelos sentidos
comprometidos:
- tais fenômenos
como são mesmos
nem mais nem menos.
Objetivo
subjetivo
qualitativo
quantitativo
contemplativo
é o meu motivo.
Daí assisto
a isso e aquilo
a esta e aquele
com alma leve
e atentamente
sem que um estorço
torça o esforço
pelos sentidos
comprometidos:
- tais fenômenos
como são mesmos
nem mais nem menos.
AFEITO
Um beijo
(teu queixo)
um queijo
(queijeiro)
trejeitos
respeitos
proveitos
- mas feitos
com jeito
suspeito -
aceito
(o efeito)
[defeitos
perfeitos]
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
SOBRE IR
possibilidades perfeitas
Ontem, vou hoje.
Hoje, irei amanhã.
Amanhã, fui ontem.
Ontem, fui hoje.
Hoje, vou amanhã.
Amanhã, irei ontem.
Ontem, irei amanhã.
Amanhã, vou hoje.
Hoje, fui ontem.
Ontem, fui amanhã.
Amanhã, irei hoje.
Hoje, vou ontem.
Ontem, vou amanhã.
Amanhã, fui hoje.
Hoje, irei ontem.
Ontem, irei hoje.
Hoje, fui amanhã.
Amanhã, vou ontem...
Ontem, fui ontem.
Hoje, vou hoje.
Amanhã, irei amanhã.
Ontem, vou hoje.
Hoje, irei amanhã.
Amanhã, fui ontem.
Ontem, fui hoje.
Hoje, vou amanhã.
Amanhã, irei ontem.
Ontem, irei amanhã.
Amanhã, vou hoje.
Hoje, fui ontem.
Ontem, fui amanhã.
Amanhã, irei hoje.
Hoje, vou ontem.
Ontem, vou amanhã.
Amanhã, fui hoje.
Hoje, irei ontem.
Ontem, irei hoje.
Hoje, fui amanhã.
Amanhã, vou ontem...
Ontem, fui ontem.
Hoje, vou hoje.
Amanhã, irei amanhã.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
DE UM BEI PERTO DO REI
Chegaram as férias
para as quais estarei
- de férias, não serei.
[férias de sequelas
folgo nas falésias]
Um dia, outras férias
serão amnésias
deste tempo destas;
chegarão aquelas
paramnésicas
nas quais florescerei.
[um frei longe da grei]
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
POETA
Enquanto sorvo
meu café lento
enfrento o estorvo
da fé que tenho:
- por qual talento
(ou desalento)
paro rebentos
torvos de feios
e os absorvo
filhos de corvos?
Vêm de terceiros
(dos controversos?)
primeiro os termos
segundo os versos
conspirem presos
formar quadrilhas?
Juntar tercetos
quadras, quintilhas
sextilhas mesmo
alexandrinas?
Quadro dantesco
quintos do inferno
se uma vez eco
de outra vasilha...
[se má poesia
a filha é minha!]
...
{enquanto sorvo
a fé que tenho
meu café bento
frente ao estorvo
esfria lento}
meu café lento
enfrento o estorvo
da fé que tenho:
- por qual talento
(ou desalento)
paro rebentos
torvos de feios
e os absorvo
filhos de corvos?
Vêm de terceiros
(dos controversos?)
primeiro os termos
segundo os versos
conspirem presos
formar quadrilhas?
Juntar tercetos
quadras, quintilhas
sextilhas mesmo
alexandrinas?
Quadro dantesco
quintos do inferno
se uma vez eco
de outra vasilha...
[se má poesia
a filha é minha!]
...
{enquanto sorvo
a fé que tenho
meu café bento
frente ao estorvo
esfria lento}
Assinar:
Postagens (Atom)