Que currículo?
Vivaz
ou vivo?
Atrás
ou isto?
Capaz
ou misto?
Detrás
ou visto?
Antraz
ou minto?...
Qual registro?
domingo, 13 de novembro de 2011
THROUGH THE NIGHT
A medida da madrugada
(creio, confiante
de sua firme espessura opaca)
é seu avanço pela alma desarmada - esperança
de que pouco será mais que nada - o bastante
para atravessá-la
- a palavra.
(creio, confiante
de sua firme espessura opaca)
é seu avanço pela alma desarmada - esperança
de que pouco será mais que nada - o bastante
para atravessá-la
- a palavra.
sábado, 12 de novembro de 2011
AMANHÃ DE NOVEMBRO
Que suave luz é esta
tão claramente bela
que se traduz em brisa
(ôndula partícula)
e tudo textualiza
(obreira indistinta)
de funda alegria?...
tão claramente bela
que se traduz em brisa
(ôndula partícula)
e tudo textualiza
(obreira indistinta)
de funda alegria?...
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
B-52
Chegou a hora de deixar
as bombas todas no hangar.
Voar leve
(sem brevê que o carregue)
segundo carta doutro plano
anteposto - deste ano anticorpo
(vez que o mapa de antanho
esqueceu-se, descuidado
coisas tolas em contrário).
Chegou a hora de largar
a tralha toda num lugar.
Voar breve
(sem querer-se muito alegre)
porque amanhã, quando, quem sabe?
(se ascendente branco ultraleve)
as bombas todas no hangar.
Voar leve
(sem brevê que o carregue)
segundo carta doutro plano
anteposto - deste ano anticorpo
(vez que o mapa de antanho
esqueceu-se, descuidado
coisas tolas em contrário).
Chegou a hora de largar
a tralha toda num lugar.
Voar breve
(sem querer-se muito alegre)
porque amanhã, quando, quem sabe?
(se ascendente branco ultraleve)
domingo, 6 de novembro de 2011
ASSIM
Cansei de esperar por estas pernas
desejarem caminhar enfim despertas
ao encontro do mar sóbrio de horizontes.
São todos interiores - os muros, as escarpas, os aclives
que somados a deslizes
fincaram-me aqui arborescente
e lentamente - numa indolência virtuosa que desmente
uma antiga urgência dos porões incandescentes
desta casa outrora incendiada - mas agora
parecendo sólida e segura - a porta
amadurecendo a fechadura...
desejarem caminhar enfim despertas
ao encontro do mar sóbrio de horizontes.
São todos interiores - os muros, as escarpas, os aclives
que somados a deslizes
fincaram-me aqui arborescente
e lentamente - numa indolência virtuosa que desmente
uma antiga urgência dos porões incandescentes
desta casa outrora incendiada - mas agora
parecendo sólida e segura - a porta
amadurecendo a fechadura...
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
DISCREPANDO
Finados, como esperado
taciturno e bacento - pro gasto
colide comigo avesso
doutro pródigo feriado.
O café eufórico - que faço
sorvido é de pronto - amargo
a ponto de servir aos biombos
com que divido os humores
- as decorações interiores.
taciturno e bacento - pro gasto
colide comigo avesso
doutro pródigo feriado.
O café eufórico - que faço
sorvido é de pronto - amargo
a ponto de servir aos biombos
com que divido os humores
- as decorações interiores.
sábado, 29 de outubro de 2011
DOMÉSTICA QUESTÃO
A primeira tempestade no novo mundo:
- raios, trovões - tudo!
E clarões por sobre os portões.
E cavalos trotando do lado do muro
molhando esporões.
Mas por que razão
a água, no chão
(corrida do céu iracundo)
empoça minha atenção?
- raios, trovões - tudo!
E clarões por sobre os portões.
E cavalos trotando do lado do muro
molhando esporões.
Mas por que razão
a água, no chão
(corrida do céu iracundo)
empoça minha atenção?
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
BONITA
Teus olhos, lindos
se verdes ou azuis - são lindos
ornamentam misteriosos
(de tão límpidos)
os claros complementos expressivos
dos teus vários sorrisos.
E, ao urdirem sucessivos
- ao combinarem - os ciclos
de tais cores e brilhos -
trazem o mar longínquo
(se verde ou azul - não firmo)
a este árido interior que sinto:
- a tua perspectiva, umedecida
da mais humana simpatia
irriga de imaginações
- de emoções antevistas -
a minha secura, retrospectiva
à mercê de monções - da vida
que tal clima
oscila...
01/10/2011
se verdes ou azuis - são lindos
ornamentam misteriosos
(de tão límpidos)
os claros complementos expressivos
dos teus vários sorrisos.
E, ao urdirem sucessivos
- ao combinarem - os ciclos
de tais cores e brilhos -
trazem o mar longínquo
(se verde ou azul - não firmo)
a este árido interior que sinto:
- a tua perspectiva, umedecida
da mais humana simpatia
irriga de imaginações
- de emoções antevistas -
a minha secura, retrospectiva
à mercê de monções - da vida
que tal clima
oscila...
01/10/2011
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
O CASAL
último poema na antepenúltima morada
No topo de uma torre - dessas de celular
que a tecnologia espeta - uns horrores - na paisagem
de toda urbana vizinhança
entardece um par de gaviões carcarás - de passagem
vestidos - magníficos - daquela luz oblíqua
que a todos esperança.
Parecem pacientes - ou serei eu, pormenorizante
observando-os horizontes de um sonho? As asas abrigam altivas
um silêncio alpino - sem o vítreo ruído do frio
porque trópico o sinto. Pressinto-os casal distinto
em sua lógica curva de reta elegância - a despeito da rotina
de pombos e ratos que nossa desordem multiplica
[diga-se, rapina distinta
da sanha imobiliária que nos vitima:
a cidade, a sociedade - diga-se, vizinhas
de suspeita fidalguia].
Ao fim neles, vislumbro - comovido - a economia
dos vôos medidos - sem o desperdício
típico de toda mesquinharia
porque fundo o ressinto. Mal poder isto ou aquilo
por esclerose progressiva - dos projetos de vida
os olhares dissocia - de vontades
em função das atrofias que o tempo assina
(a contragosto, contando as gotas - de tinta)
e ensina.
30/07/2011
No topo de uma torre - dessas de celular
que a tecnologia espeta - uns horrores - na paisagem
de toda urbana vizinhança
entardece um par de gaviões carcarás - de passagem
vestidos - magníficos - daquela luz oblíqua
que a todos esperança.
Parecem pacientes - ou serei eu, pormenorizante
observando-os horizontes de um sonho? As asas abrigam altivas
um silêncio alpino - sem o vítreo ruído do frio
porque trópico o sinto. Pressinto-os casal distinto
em sua lógica curva de reta elegância - a despeito da rotina
de pombos e ratos que nossa desordem multiplica
[diga-se, rapina distinta
da sanha imobiliária que nos vitima:
a cidade, a sociedade - diga-se, vizinhas
de suspeita fidalguia].
Ao fim neles, vislumbro - comovido - a economia
dos vôos medidos - sem o desperdício
típico de toda mesquinharia
porque fundo o ressinto. Mal poder isto ou aquilo
por esclerose progressiva - dos projetos de vida
os olhares dissocia - de vontades
em função das atrofias que o tempo assina
(a contragosto, contando as gotas - de tinta)
e ensina.
30/07/2011
quinta-feira, 30 de junho de 2011
À ESPERA
Há momentos
em que devemos
contabilizar - o ritmo lento
dos batimentos.
Aguardar. Fiscalizar o tempo.
Encher balões
de especulações - entendendo
a contingência do ar
nessas condições
e o imperativo - relativo
de se despreocupar
os botões.
Sob o céu limpo, ao estar fino
reflito - sob a rendição de esperar.
[pausa]
Neste chão da estrada
de beiras descansadas de poeira perfumada
ao alcance das narinas renovadas
faço-me confortável
(neste posto de gasolina
que a imaginação propicia)
sem espreguiçar:
- importa atentar à premissa
que o virar a esquina
possibilita em seguida.
em que devemos
contabilizar - o ritmo lento
dos batimentos.
Aguardar. Fiscalizar o tempo.
Encher balões
de especulações - entendendo
a contingência do ar
nessas condições
e o imperativo - relativo
de se despreocupar
os botões.
Sob o céu limpo, ao estar fino
reflito - sob a rendição de esperar.
[pausa]
Neste chão da estrada
de beiras descansadas de poeira perfumada
ao alcance das narinas renovadas
faço-me confortável
(neste posto de gasolina
que a imaginação propicia)
sem espreguiçar:
- importa atentar à premissa
que o virar a esquina
possibilita em seguida.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
O CASTELO
Lá estão - as paredes amigas
frias de solidão. E telhas, por cima
de tudo que o espaço abriga.
Encaixadas, parelhas - as andorinhas
verão a hora ansiosa da chegada:
- esta, não se perderá por nada
tão aguardada, uma vida adiada
da jornada que em vão adiava.
Aproxima-se a hora prestimosa
da couraça repousada. Dos arreios
nos correios - para quem merecê-los
e mais a carga. Assim, vez em casa
cuidarei do jardim, talvez da mansão
do silêncio, então - a maior construção.
frias de solidão. E telhas, por cima
de tudo que o espaço abriga.
Encaixadas, parelhas - as andorinhas
verão a hora ansiosa da chegada:
- esta, não se perderá por nada
tão aguardada, uma vida adiada
da jornada que em vão adiava.
Aproxima-se a hora prestimosa
da couraça repousada. Dos arreios
nos correios - para quem merecê-los
e mais a carga. Assim, vez em casa
cuidarei do jardim, talvez da mansão
do silêncio, então - a maior construção.
domingo, 26 de junho de 2011
QUESPERANÇA
Num instante que me abarca
claro e discrepante - um instante
sem trapaça - sem sair do mapa,
um interesse andante
- um quixote balouçante
desloca-se jusante
para aquém daquela larga
atenção constante.
E outros de mesma marca
que lhe seguem controversos
mas a bem de conhecerem
de quais pontos e diversos
puxam-se, empurram-se, embora
medianos e perfilados - meridianos alinhavados
pela agulha indiana da história:
- trêmula bandeira, lanterna por estórias
indispostas em buracos da memória;
facho sobre sanchos - ambos
êmulas fileiras - de certezas
escorreitas escapando-lhe agora
pelas beiras desta hora
verdadeira...
(da consciência rarefeita dos interesses em questão
- de sua escuridão perfeita)
claro e discrepante - um instante
sem trapaça - sem sair do mapa,
um interesse andante
- um quixote balouçante
desloca-se jusante
para aquém daquela larga
atenção constante.
E outros de mesma marca
que lhe seguem controversos
mas a bem de conhecerem
de quais pontos e diversos
puxam-se, empurram-se, embora
medianos e perfilados - meridianos alinhavados
pela agulha indiana da história:
- trêmula bandeira, lanterna por estórias
indispostas em buracos da memória;
facho sobre sanchos - ambos
êmulas fileiras - de certezas
escorreitas escapando-lhe agora
pelas beiras desta hora
verdadeira...
(da consciência rarefeita dos interesses em questão
- de sua escuridão perfeita)
quinta-feira, 16 de junho de 2011
AGORA II
Um presente absoluto
concentra meu cansaço do futuro.
As pernas, fortes
pesam - são músculos
recém-adquiridos de estudos
de reter-se a tentativa
por juventude e vida
(o que em vão seria).
A fronte, embora refrescada
do ar-condicionado da madrugada
às mãos firma - e me apóia, esgotada
mas não a ponto
de querer mais nada
(a partida, a jornada).
E os pensamentos
especialmente aqueles mesmos
tesos - os referentes a intentos
parecem adensamentos
paralíticos de momentos
ansiolíticos
[o fio do tempo
rompeu-se, creio
num cio - tão cedo
que não vi-o vindo
- o medo...].
concentra meu cansaço do futuro.
As pernas, fortes
pesam - são músculos
recém-adquiridos de estudos
de reter-se a tentativa
por juventude e vida
(o que em vão seria).
A fronte, embora refrescada
do ar-condicionado da madrugada
às mãos firma - e me apóia, esgotada
mas não a ponto
de querer mais nada
(a partida, a jornada).
E os pensamentos
especialmente aqueles mesmos
tesos - os referentes a intentos
parecem adensamentos
paralíticos de momentos
ansiolíticos
[o fio do tempo
rompeu-se, creio
num cio - tão cedo
que não vi-o vindo
- o medo...].
domingo, 12 de junho de 2011
Carpe diem
adaptação do clássico de Horácio (de 23 a.C.)
a partir de traduções disponíveis
Não procures saber, Leucona
- por ser inútil -
qual fim os deuses nos destinaram.
Não consultes sequer
os números babilônicos:
- Melhor aceitar! E venha o que vier!
Que Júpiter te dê ainda muitos invernos
ou seja este o último que agora desfaz
em rochedos hostis, as ondas do mar Tirreno.
Viva com sensatez, cuide do teu vinho
encurte a longa esperança
- pois a vida é breve!
Enquanto falamos, foge ávido o tempo:
- Aproveite bem o dia de hoje
que o amanhã não nos merece...
a partir de traduções disponíveis
Não procures saber, Leucona
- por ser inútil -
qual fim os deuses nos destinaram.
Não consultes sequer
os números babilônicos:
- Melhor aceitar! E venha o que vier!
Que Júpiter te dê ainda muitos invernos
ou seja este o último que agora desfaz
em rochedos hostis, as ondas do mar Tirreno.
Viva com sensatez, cuide do teu vinho
encurte a longa esperança
- pois a vida é breve!
Enquanto falamos, foge ávido o tempo:
- Aproveite bem o dia de hoje
que o amanhã não nos merece...
domingo, 17 de abril de 2011
ANTE A LUA CHEIA
Este sábado noturno e claro
(réstia de um dia obtuso, ensolarado)
põe-me em soturno estado
algo alegre - que madruga entregue
a seu febril contrário - e revirado
remete-me àquele diáfano
momento abril em que escapo
(incrustado num ente qualquer)
pra mal perto de Alenquer:
- a um passado que não comando
por não ser do tempo sequer
mas tão necessário quanto
comer e beber, se der - e se tanto
por bem esquecer como é...
(réstia de um dia obtuso, ensolarado)
põe-me em soturno estado
algo alegre - que madruga entregue
a seu febril contrário - e revirado
remete-me àquele diáfano
momento abril em que escapo
(incrustado num ente qualquer)
pra mal perto de Alenquer:
- a um passado que não comando
por não ser do tempo sequer
mas tão necessário quanto
comer e beber, se der - e se tanto
por bem esquecer como é...
segunda-feira, 14 de março de 2011
PRIMEIRO DE JANEIRO
O céu baixo
escuro, algodoado
pisca branco o seu espanto
como um gato
miando, amuado
o distante rugido de ontem:
- doutro ano de cão, tigre, rato
de gato escaldado
que de morto
só o casco
há molhado
tuberculoso
de um descaso
do calendário
mas neste dia
que triste mia
às sete vidas
(mal despedidas)
prefere a minha - agasalhar de melancolia.
Gaiato...
escuro, algodoado
pisca branco o seu espanto
como um gato
miando, amuado
o distante rugido de ontem:
- doutro ano de cão, tigre, rato
de gato escaldado
que de morto
só o casco
há molhado
tuberculoso
de um descaso
do calendário
mas neste dia
que triste mia
às sete vidas
(mal despedidas)
prefere a minha - agasalhar de melancolia.
Gaiato...
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
ALGO ATRASADO
WALL STREET
Nas bolhas
as bolsas
perfuram
os bolsos
nos olhos.
Bilhões, a rodo
(a fuligem)
sobrevoam o negrume do jogo.
Senões, de modo
(imaginem!)
que se perfumam por sobre o esgoto.
No chão coberto do branco
do pó de papéis em desalinho
caídos
das telas de dígitos sumindo
um cano, num claro burburinho
de tubular proporção rompe-se antigo
no imperfeito coração da vizinhança:
- uma ambição em desarranjo
que regurgita explicitando
sua cíclica, imorredoura vocação
por oportuna governança
[a cobiça renascida pela vida da savana
de outra perspectiva - da hiena rediviva;
pelo mar inexistente da savana, a poeira do ar
inexistente de montanha; por terras, oh céus! e animais
de savanas e savanas sideralmente literais]
(como os juros de certas dívidas
de acordos, promessas e garantias
e mais vítimas leoninas)
[numa pródiga pretensão
de toda fístula que se doura derivativa
pílula
e quando à deriva
tosse, espirra - e deletéria
a assassina bactéria democratiza].
22/01/2009
(04/01/2011)
Nas bolhas
as bolsas
perfuram
os bolsos
nos olhos.
Bilhões, a rodo
(a fuligem)
sobrevoam o negrume do jogo.
Senões, de modo
(imaginem!)
que se perfumam por sobre o esgoto.
No chão coberto do branco
do pó de papéis em desalinho
caídos
das telas de dígitos sumindo
um cano, num claro burburinho
de tubular proporção rompe-se antigo
no imperfeito coração da vizinhança:
- uma ambição em desarranjo
que regurgita explicitando
sua cíclica, imorredoura vocação
por oportuna governança
[a cobiça renascida pela vida da savana
de outra perspectiva - da hiena rediviva;
pelo mar inexistente da savana, a poeira do ar
inexistente de montanha; por terras, oh céus! e animais
de savanas e savanas sideralmente literais]
(como os juros de certas dívidas
de acordos, promessas e garantias
e mais vítimas leoninas)
[numa pródiga pretensão
de toda fístula que se doura derivativa
pílula
e quando à deriva
tosse, espirra - e deletéria
a assassina bactéria democratiza].
22/01/2009
(04/01/2011)
domingo, 26 de dezembro de 2010
IT KEEPS ME RUNNING
Os deuses do azul que se deitam em luz
na largura matinal desta avenida mal-entregue
a nós, eventually runners, neste dominical mass ritual
(ascese)
pelo bem-estar universal
ofuscam os obstáculos
(tentáculos a tentar abraços)
de cada passo desta surda e ruidosa
e calosa e sedentária - dolorosa e solitária
corrida cinquentenária.
Por tais passadas
entre eles, declaro
(quieto o pensamento
honesto o sentimento
num agradecimento
insinuado neste aperto
da boca ressecada)
que corro por nada:
- nem por saúde, ou o prazer
amiúde de percorrer
com o olhar.
na largura matinal desta avenida mal-entregue
a nós, eventually runners, neste dominical mass ritual
(ascese)
pelo bem-estar universal
ofuscam os obstáculos
(tentáculos a tentar abraços)
de cada passo desta surda e ruidosa
e calosa e sedentária - dolorosa e solitária
corrida cinquentenária.
Por tais passadas
entre eles, declaro
(quieto o pensamento
honesto o sentimento
num agradecimento
insinuado neste aperto
da boca ressecada)
que corro por nada:
- nem por saúde, ou o prazer
amiúde de percorrer
com o olhar.
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
PRELIMINAR
Depois de tanto tempo
de assim mesmos - do calendário
obeso
(comigo quando? por quanto peso?
retardatário
não lembro)
De esquecer-me, por dentro
de um canto, num silêncio
jazigo - de já ditos
(em termos)
Venho, a tempo
(que seja vento, e forte)
De varrer-me, de sorte
que volte
E não mais me evite:
- e drible o drible
do deus-me-livre
que se omite.
de assim mesmos - do calendário
obeso
(comigo quando? por quanto peso?
retardatário
não lembro)
De esquecer-me, por dentro
de um canto, num silêncio
jazigo - de já ditos
(em termos)
Venho, a tempo
(que seja vento, e forte)
De varrer-me, de sorte
que volte
E não mais me evite:
- e drible o drible
do deus-me-livre
que se omite.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Enfim
... retornar a este espaço é possível? Somente, creio, se a poesia apresentar-se novamente como desafio - e um prazer imenso, meticulosamente cerzido, como outrora.
É hora?
É hora?
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