segunda-feira, 29 de abril de 2013

FEROZ ALZHEIMER

deseducação

Vai abordar o mundo
de quem vem moribundo
o abandonando a tudo

ou roça a superfície
a tutora artífice
da ignorância em riste...

O curso todo é triste.

Pra quem vem furibundo
atirando em perdizes

incauto ou nauseabundo
à mercê de arrecifes

é chiste a todo custo

deparar que inexiste
desempoçar profundo...

sábado, 27 de abril de 2013

DA FLUÊNCIA DAS CADEIAS

A questão
mormente
da estação
corrente
de antemão
presente

à mente
sobre a ação
à frente

candente
brotação
de sempre:

- transição
de lição.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

DA NATUREZA DA FRAUDE

conjugação regular

Eu te engano.
Tu me enganas.
Ele engana.

Nós desenganados
vos desenganamos

neles acreditando...

quinta-feira, 25 de abril de 2013

AFINAL VESPERTINA

pensando em Cruz e Sousa

Uma manhã daquelas
noite de Cinderela;
de uma aurora, à janela
à toa a soprar bela;

numa tarde estendida
madruga boa a vida
entre as várias perdidas
- das tidas às partidas...

***

Uma tarde sozinha
quando tarde declina
(antes arde seguida
mui cansada dos dias)

na luz do sol de Sousa
se abre em tapeçarias
(as dores coloridas)
à noite que avizinha...

quarta-feira, 24 de abril de 2013

GARGALO IV

constatações

A perspectiva
do prospectivo

(velho dançarino
experto, adivinho
que não perde a linha)

é o liso chão movediço

(a clivagem imprevista)

que o futuro agora cria.

***

A perdição que se vê
funda e só na garrafa
é a condição de você
mesmo um nó da tarrafa...

segunda-feira, 22 de abril de 2013

GARGALO III

o beco de um conto

... esse encadeamento
de escolhas no tempo
dos fatos ao vento
de lado batendo
dobrado ao relento

do laço em que lento
as folhas preencho
na bolha em que avento
dados do momento...

Então depreendo
que um paço acalento
(mas não compreendo).

A estória - mal lembro.
Sua memória - eu vendo...

domingo, 21 de abril de 2013

PRESENTE BARROCO

futuro pastiche

Um limpo domingo
de nuvens, florido

do Olimpo ao presídio
no mundo em que vives
anexo ao que pintes:

- eu peço que imites
um Rubens de hospício...

sexta-feira, 19 de abril de 2013

QUADRA DO BOM ALUNO

Tome um gole de café
acorde e então estude
seu objeto de fé:
- um café seu no bule...

quinta-feira, 18 de abril de 2013

PENA

Quando sou ente a desaparecer
em momento de nenhum fôlego
vem de repente um prolegômeno
curto, singular - um fenômeno!...

"Enquanto mal houver o que dizer
sento-me, sinto-me; se parecer
que estou morto, melhor adormecer
o meu triste entardecer de pombo".

PEDAÇO DE BILHETE

perfumado alfinete

... ao dar um tempo de si.

Subtrair-se daqui
sem trair-me haraquiri.

Apartar-me colibri
do caminho por ali
às murchas flores daí

abandonadas por ti...

terça-feira, 16 de abril de 2013

GARGALO II

e um espelho refrator

Como é difícil atravessá-lo
e fácil compreendê-lo; mas atá-lo
dourado peixinho vermelho de aquário
num cabo rotineiro de fluxo sensato

(rabo rebolado perfeitamente encaixado)

[sendo]

mais do avesso tubarão retardado por dinheiro
antecipado imprevisto no indeciso conjunto deste experimento

antecipado indeciso no imprevisto conjunto deste envolvimento
avesso ao retardado tubarão por mais dinheiro

[tendo]

(perfeitamente reencaixável rabo enrolado)

... ... ...

... ...

...

{até parar de bater}

segunda-feira, 15 de abril de 2013

MATÉRIA ESCURA II

... pois ouço ressentidos
(ninguém por consentido)
pouco aquém dos sentidos

os ossos invisíveis
(o aço pois presumível)
do espaço previsível

[meios dos fins do início]

MATÉRIA ESCURA

Um magro silêncio estudioso
às vezes reouço neste corpo
soprando aqui, ali, acolá:

- pequeno grupo predisposto
celular, especular, olho
interior por exteriorizar.

Porque vendo, em vez deste corpo
o que muito aquém está no mar

toco a tez da terra também no ar
preso à superfície deste horto

que trago magro, poeira estelar
há muitas eras, terras de lá:

- além de ruídos, indícios já
movendo aqui, ali, acolá...

sábado, 13 de abril de 2013

GARGALO

Espremido
percevejo
do que sinto
de passagem
sobra texto
pras bobagens

que descrevo
de paisagens:
- sobrepeso
que habilito
pela imagem
exprimindo...

quinta-feira, 11 de abril de 2013

A ORDEM DOS FATORES II

poesia

Eu sinto e escrevo
poemas pensando

no que primeiro

sigo segundo

um autor terceiro:

- meu alterego
mau e benigno...

A ORDEM DOS FATORES

pedagogia

Primeiro a lição
segundo a prova.

Primeiro a prova
segundo a lição.

A lição da prova
primeiro. Segundo
a prova da lição.

Lição primeira:
- segunda prova

(segundo a lição
prova primeira).

***

Prove primeiro
segundo a lição

(a derradeira).

quarta-feira, 10 de abril de 2013

DA TEMPESTADE

O tempo imediatamente à frente
tão escuro, tão espesso - e rente

a um chão que malsão não reconheço!

Imediatamente - de repente!
Tal momento rente, qual serpente

insidiosamente mal percebo...

O desenho desse agora mesmo
desse aqui tão inseguro e estreito

faz-me ir do que a mente pressente:
- um devir nervosamente ao peito...

terça-feira, 9 de abril de 2013

SOBRE O PRESCINDÍVEL

vão

Não há o que não passe
- amor, dor - e trace

o que não se apague.
Por que então impasse

- se vou, vais - que afague
desrazão de ais demais?...

segunda-feira, 8 de abril de 2013

QUADRA INGLESA

Maggie, rest in peace.
But please, Milky, please
take your ideas with you
(and those policies too).

MIL E OUTRAS NOITES

entre duas vigílias

... e um barco apareceu do nada
- enevoado vaso fantasma -
num sonho em que uma nau naufraga
- tão tragicamente que atrasa -
ao término de uma batalha.

Assim termina a estória rasa
de um couraçado que fez água
boiar no meu sono urinada.

Se outra começa, outra jornada
- do barco que do nada veio
enevoado vaso cargueiro
- o encarcerado mensageiro
do que ao cabo acaba no meio - -

diz Sheherazade assanhada
(em verdade a capitulada
personagem reutilizada)

que outra noite fiz necessária...

domingo, 7 de abril de 2013

A LENTE IMUNDA DA GRIPE

disgusting

Entre os sentidos e o que despercebo
descoordenando o lento cerebelo

congestionando inteiro o entendimento
embaçando, entupindo, entorpecendo

vai escorrendo catarrento, escorrendo
pelo brando e sujo envidraçamento
do mundo infeccionado muco apenso

o periodismo preciso da vinda
virótica que pressurizo ainda...

(apesar do que a tecnologia
farmacêutica expectoraria)

sexta-feira, 5 de abril de 2013

QUAL FUTURO JUBILOSO

sobre o que dói junto aos olhos

O meu velho corpo novo
mais a mim é misterioso
à medida em que de novo
envelheço mais um pouco;

o meu novo corpo velho
renova em mim o Restelo:
- um pessimismo de velho
otimista que conservo;

ancorados neste corpo
os sacrifícios do dorso
farão a história do morto;

liberadas desse vezo
as esperanças de peso
me esquecerão sem apreço...

segunda-feira, 1 de abril de 2013

MUNDO BORRADO DE AMOR

a sintaxe da tarde

A luz deitando a sombra
(à luz deitando a sombra)
[a luz deitando à sombra]

salienta seu mistério.
Saliente-se: o mistério
das duas, luz e sombra

salientes anacondas
nas paredes das fronhas

vazias, compassivas
(exceto em certos climas)

das crases muy amigas
na tarde-alegoria:

- aquelas restritivas
de boa companhia...

domingo, 31 de março de 2013

DUPLA QUADRA DE PÁSCOA

Um domingo sem poesia
alguma. Em que a corrida
da paisagem, ressabia
em função de morta, a via

nenhuma, quieta, vazia
parcamente percorrida:
- sem que do retorno, a ida
torne em diferença, vida...

sexta-feira, 29 de março de 2013

quinta-feira, 28 de março de 2013

MUITO ALÉM DOS JORNAIS

de leituras que confortem convicções

O que acontece quando não mais vencem eleições?
O que acontece quando não mais se tem os grotões?

O que acontece quando golpes de toda sorte
- dos quartéis às cortes - não mais apontam o norte?

Quando a confraria reunida em convescotes
mal ventila medidas que desmintam seus cofres?

O que será dos excelsos poderes de sempre
- da banca, da indústria, do Papa - nem mídia à frente

que os encubra, que nos engane, que mude a lente?...

***

O atavismo das mandíbulas
magarefes dos vossos sonhos

bissexto reabre-se em fístulas
ancestrais do gênero homo;

seu verniz civilizatório
relevado à luz das savanas

(no interesse antropológico
de sua longa pertença à história)

às favas reconta uma estória
de antiga confiança em chicanas:

- a despeito de mais estreitas
no tempo que agora as espreita...

terça-feira, 26 de março de 2013

DUAS QUESTÕES RAREFEITAS

e a resposta controversa

Onde vou que foi amanhã
este hiato de vida terçã?

Onde fui que vai de manhã
a química de Amsterdã?...

(quando meninos perguntam

respondo Apeninos que não

ao longo do sonho em que vão

ao largo da imaginação)

INSTÁVEL

Entre nublada
e ensolarada

entre cinzenta
e barulhenta

a tarde oscila
descolorida

meio indisposta
à minha porta

que dá pra rua
- mundo que sua...

segunda-feira, 25 de março de 2013

IMAGINAÇÃO CREPUSCULAR

ruim

Há pouco, a morta tela se impôs
sobre a pouca ideia - e esta se pôs
a caminho, no carro do sol.

Mera, era ideia com terçol:
- mas mais inflamada e embaçada
que absoluta catarata.

Curta pois, ela se decompôs
carona hoje de caracol:
- quem sabe amanhã, camarada?...

quinta-feira, 21 de março de 2013

ANTES QUE SEJA TARDE

não mais é leite o que derrama

As palavras
as suicidas

agravadas
agressivas

por bobagens
de passagem

tornam breves
quaisquer teses

sobretudo
sobre a muita

prateleira
que a amnésia

tintureira
embranquece

nas falésias
sob a pele...

quarta-feira, 20 de março de 2013

DE TARDEZINHA

Um friozinho percorrendo a alma
sozinho desconfortando o corpo

- um fiozinho repuxando calmo
este linho que cedendo encorpa

o degredo da memória em face
do incômodo da necessidade -

ao cabo aquece contraditório:

- este tempo que por fora esfria
por dentro daquela aorta estia
o que ela empoça sem serventia...

segunda-feira, 18 de março de 2013

PAPA ANTIQUUS

aos bem-aventurados com memória

Sua liderança tem de aparecer imaculada.
Pura a res publica figura - o homem, sua jornada.

Sua liderança tem de aventurar à via sagrada
o rebanho do manso bilhão. É o que minha mãe acha.

Sua liderança tem de suceder inquestionada.
Acima de hermenêuticas. À parte qualquer racha.

Mas do corpo de Francisco sempre alonga sua sombra
à tarde, desde Assis. Até que a noite se interponha.

Até que a noite Assis esconda, é de Jorge que alonga
a sombra naturalmente argentina de Francisco:

- do corpo historicamente argentino do arcebispo
metropolitano, cardeal-presbítero, arcebispo
coadjutor, bispo auxiliar, reitor, confessor, superior
provincial, mestre jesuíta, diretor espiritual

austero, discreto, frugal - à margem de todo o mal...

domingo, 17 de março de 2013

ORAÇÃO MATINAL DE DOMINGO

antes de qualquer físico sacrifício

Tudo está diante de nós:

- dos nossos olhos para olhar
todo ouvidos para escutar
outros sentidos a falar
(tato do olfato paladar).

Tudo está diante de nós:

- todo o amor do mundo para içar
todo amor profundo que fizer
amores fecundos por instruir
(sobre os muitos sentidos do amor).

Basta o olhar recomeçar...

sábado, 16 de março de 2013

QUE DIA LINDO

sua luz não tem nada a ver com isso

A despeito de no observado
rir e chorar seu observador

da independência o dia ordinário
ordinário é a maior evidência:

- com tal frequência repetido
no laboratório do início
da seca estação científico
(a natureza em desalinho)

este dia de toda brisa
agradável e colorida

luminoso em toda a sua glória

com violência contrasta afora

o que padece ao ir por dentro

de alguns passantes cabisbaixos
(alguns pensantes ao contrário)

pois que parecem ofendidos
pela beleza que os enfeita...

[mas qual - qual relação a defender
entre a impotência de mal resolver
e a indiferença de somente ser?]

sexta-feira, 15 de março de 2013

É ISTO

acerca do que nunca derrotamos

Enfrento a sombra dos detalhes irritantes
sobre a pele avermelhando do cotidiano.

É isto - quando enfim insignificantes
(graças a esforços maturando mês a ano)

as contradições que nos castigam desde antes
do bigue bangue, o acaso, por trás do pano

abençoa em pessoa percalços cortantes
que indizivelmente nos apartam do humano.

Enfrento a sobra de rebotalhos que adiante
revestirei contra perdas melhor que danos

por dar-me um lixo reciclado ao luxo de anos.

É isto - e quando enfim insignificante
o destino, seu fado será meu decano...

quarta-feira, 13 de março de 2013

DA ENTROPIA V

O fim será assim:

- razão e paixão
quereres afins
(metades que são)

terão não a mim...

DA ENTROPIA IV

O fim será assim:

- deveres que então
tiveres ou não
paredes ao chão

assim irão sim...

terça-feira, 12 de março de 2013

DA ENTROPIA III

O fim será assim:

- poderes ruirão
mas murmurarão
que sim pelo não

enfim quanto ao fim...

segunda-feira, 11 de março de 2013

DA ENTROPIA II

O fim será assim:

- sem que poesia
perfume a via
do dia-a-dia

ao fim nem jasmim...

DA ENTROPIA

o fim será assim

Neto
filho
pai
avô

tenho
sido
de quem
sou.

Neto tenho
filho sido
pai de quem
avô sou.

Tenho neto
sido filho
de quem pai
sou avô.

Neto sido
de quem sou
filho tenho
pai avô.

Sido neto
sou de quem
filho pai
avô tem.

Sou também
avô sido
pai que nem
neto ou filho...

De qual filho
tens avô
sido neto
pai que sou?

Pai de filho
esquecido
avô mesmo
neto estou!

Sendo pai
avô filho
de qual neto
terei sido?...

quinta-feira, 7 de março de 2013

SOLO NOTURNO

que o declive seja suave

Na nova ciclovia
(concluída outro dia)

experimentei-me nó:
nervos, músculos, ossos

amarraram-se novos
excitaram-se polos

exercitaram-me só

num gozo silencioso
(o prazer de ser corpo)

pela parede escura
da corrida noturna

percorrida diuturna
por quem solo se cuida...

CONDUTA CAPITULAR

de um professor cansado do futuro

Fazer nada.
Emudecer.
(ouvir o ser

no inseto de asa que perturba a sala)

Certamente por querer poder dever

nada dizer

face à deseducada
(talvez por tal ardência
da tecnoadolescência)

indiferença
da meninada
destinatária

dos temas edificantes em pauta:

- na inveja dos voos rasantes da aula
pelas janelas faiscantes do agora!...

quarta-feira, 6 de março de 2013

CINZA MATINAL

estendeu-se noturna

Mal o dia me acordou turvado
(opaco o pensamento, nublado
o sentimento), quis de imediato
o sono fora do horário, claro

tal meu ambiente esterilizado
- onde a eventualidade do atraso
raro desatualiza o andamento
rotineiro do procedimento

inteiro. Senão do avesso ambiento
(pela contramão do sentimento
a despeito de qual pensamento)
mal o sono ao dia sonolento...

terça-feira, 5 de março de 2013

POEMAR À TARDE

poetar longe de lá

... o doce deste café
(além do tomá-lo bem)

é o palavreado até
então considerado

(antes de descartá-lo
num vão imaginário)

teclado quando convém...

segunda-feira, 4 de março de 2013

CÍCLICA

O sol que invade a cela
onde básico existo

na tarde que se encerra
num átimo previsto

explode em rubra tela
o quanto necessito

da consciência do ciclo.

WISHFUL THINKING II

perspectiva de quitinete

O céu na ponta da Asa Norte
(na setecentos e dezesseis)
difere um pouco daqueles seis
anteriores que vi - de sorte

que quando na mente o contemplo
entre aqueles seis estertores
- o refugo dos anteriores -
pouco sinto do acontecido

(daquilo repassado ao vento)
que agora pudesse feri-lo
tão céu - condição da sétima

tentativa apologética
de salvaguardar um projeto
da morte que o ronda incompleto...

domingo, 3 de março de 2013

A título de fechamento

Está concluída a apresentação dos poemas de viagem ditos nordestinos.

M. B.

A VOLTA (FRAGMENTO)

23/01/13
Brasília, DF

... depois de Caruaru e sua feira
que Garanhuns divisa a primeira
clara manifestação da seca:
- cactos, plásticos e a cinzenta
cor da bicharada modorrenta;

em Paulo Afonso tem-se a surpresa
daquela hidrelétrica avarenta:
- de cruzar um rio indivisivo
(ferindo a alma de São Francisco)
quando a morte o atravessa a caminho;

Jeremoabo, Tucano, Serrinha
riscam o mapa numa descida
tão prolongada que na Bahia
Feira de Santana resumia
a estrada dolorida que houvesse;

ao dobrar para Ipirá a oeste
Itaberaba e por fim o agreste
dão lugar à chapada onde Seabra
(pela Diamantina só roçada)
à vista mais indica uma etapa

em Ibotirama repensada:
- porque então no sertão reencontramos
o velho Chico de poucos amos
- além de gastos no asfalto de anos
cacos de períodos diluvianos;

Bom Jesus da Lapa - convenhamos
foi evitada - e a evitamos
(com o amparo de todos os santos)

por Brejolândia e Tabocas até
Santa Maria pois da Vitória...

[enfim a soja após Correntina
afinal cabe aqui numa nota:
a que varre o cerrado da história
é a ração em ação em Brasília]

QUADRA DA BOA DESPEDIDA

18/01/13
Jaboatão dos Guararapes, PE

... cumpre daqui bem partir:
- sempre que reparti-lo
(o ser infinitivo)
no prazer tido de vir...

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

OS BRENNAND

15/01/13
Recife, PE

No que antes engenho refez-se com engenho
na Várzea dos santos dois mundos inteiros;

um coleciona, outro recria a efeito
na Várzea dos gêmeos pois mundos inteiros;

se o ferro um aponta e outro a pedra arredonda
(das armas e estátuas da guerra dos sexos
à crítica das armaduras dos nexos)

e então concretizam o que nunca vimos
(da liça em apreço à peça do oleiro)

na Várzea dos primos são números primos...

[se medievo o primeiro e o outro primevo
à parte os tempos são no espaço certeiros:
pois que dois primos encaminhando arteiros
pernambucanos Pernambuco no centro]

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

(DUPLA) QUADRA ZEN

10/01/13
João Pessoa, PB

O gato da Lara
(bicho coisa rara)
medita uma casa
(sua vida parada).

A casa da Lara
(nicho coisa clara)
é assim meditada
(seu gato se basta).

QUADRA DE PRAIAS

09/01/13
João Pessoa e Cabedelo, PB

Bessa, Intermares, Camboinha
delas miragens ainda:
- dessas paragens à esquina
belas pra quem as cultiva...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A LARA

09/01/13
João Pessoa, PB

A amiga que tanto estimo
me cumpre à risca um paraíso:

- se muito além da Paraíba
dos mui turistas que a visitam

é o bem que sinto que sentimos...

A JOÃO PESSOA

08/01/13
BR 101 (Pernambuco-Paraíba)

Rumo norte à vista sigo ainda
o que a sorte senão premedita

no caminho paralelo à terra
sob o céu à direita da serra

- desde então pressentido quimera
que mesmo cinza nunca desaba

no que resseca à esquerda do mapa...

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

ANTES DE PROSSEGUIR

08/01/13
Pontas de Pedra, PE

Sopra nas árvores
(e dança a roçar-se)

aragem estival
de fundo de quintal

sem intimidade
com qualquer idade

(pois mais que natural
às eternidades).

A manhã se espraia
(daqui a pouco parto)

para além da areia
mas aquém do passo:

- na aurora as sereias
(que o ocaso teriam
cantado perfeitas)
sereias seriam?...

[pois daqui já parto
(a memória em duas)
para além das dunas]

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

ZERO HIDROGRÁFICO

07/01/13
Pontas de Pedra, PE

A praia me evade, paisagística
e logo, logo penso que inexista.

Um sonho de vigílias coloridas
insustentáveis, ininterrompidas

numa desocupada terapia
para um homem reduzido ao principal:

{homem de bens despido e de todo mal
[despossuído (homem enfim vestido
do lodo igual), indistinguível do  sal]
bruto e para um mar afinal líquido}

- massa que nada amolecida n'água!...

[a lama do siri
que logo chega aqui]

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

À VELA

06/01/13
Pontas de Pedra, PE

... as asas dos barquinhos
- se espetados bichinhos

preferem águas de olhos
ancorados de sonhos...

MAR COMENDO

06/01/13
Pontas de Pedra, PE

A brisa amornada
na água combina

o que pressentira
de falsa ressaca:

- verde, crespa, opaca
(pasta esmeraldina)

a saia da brisa.

Assim assedia
a linha caiada

à vista da casa.

A vista

salgada adocica a ameaça

ondular

deste mar.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

COMEDORIA (A LISTA)

06/01/13
Jaboatão dos Guararapes, PE

O que ali se come
(do que recordo aqui)

[a partir do uísque
gelado ao meu gosto
com água de coco]

na ordem que a fome
recorta-me de si:

- o que rola de maduro
(e/ou se reforma em suco):
é cajá, mangaba, mamão
banana-comprida, melão
acerola e manga-rosa;

- o que vem do mar com tudo:
a fritada do camarão, fritada de aratu
empada de camarão, outras mais com camarão
caranguejo, siri, lagostim, polvo, sururu
peixes aquáticos e aéreos pra (então) agora;

- o que sai do forno escuro:
cuscuz, bolo de rolo, bolo de noiva
tortas e o bolo de massa de mandioca;

- o que o fogo esquenta muito:
dobradinha, macaxeira, pirões
cozidos particulares de serões
charque, jerimum, carne de sol de porco
guisado de bode, fava e feijão de corda;

- o que não sei de qual mundo:
a bolacha de Maragogi, o queijo do reino
bolacha sete-capas, mungunzá e tapioca...

Ali, professo que comi - e sem hora
(mas note que os doces evito por ora)...

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

MARCO ZERO II

03/01/13
Recife, PE

Centrífuga, a visão explora
o carcomido, o restaurado

(o mais bonito do passado
que sobrevive das auroras)

por séculos indesejados
de visitação fora de hora:

- sobre holandeses, portugueses
sebastiões da civilidade

pergunte pois somente àqueles
que bronzearam brasilidades...

[do Recife Antigo
venho no caminho
do costeiro anfíbio
que travo comigo]

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

MARESIA

03/01/13
Jaboatão dos Guararapes, PE

O que entra pelas narinas
e delas sai - o que ensinas

algo mais do que transpiram
almas ali por Galinhas...

FAMÍLIA NORDESTINA

02/01/13
Jaboatão dos Guararapes, PE

O rei, naturalmente patriarca
tinge sob o sol a nua farda;

distinta a sua rainha, e a fuzarca
que ela organiza - já que é da casa

que afinal se trata inteira a vida;

e cada filharada, em escada
- seja antiga, noviça ou postiça

a pirâmide escala invertida
(da descendência reconhecida)

e emoldura esta fotografia...

sábado, 2 de fevereiro de 2013

PARQUE D. LINDU

02/01/13
Recife, PE

Não há sol, não há mar
que modifique Oscar

- modo de desenhar
de ser, de se tornar.

(um tempo que passou
merece descansar)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

QUESTÃO DE (IN)COMPETÊNCIA

02/01/13
Recife, PE

Face à poesia de Cabral
(aos referentes de Cabral)
sobre a sua terra natal

- mais se acerca de algum canal
- pedra, cerca, gente, mangal -
(o que me acomete afinal)

por muito que cuide e queira
alagado de ribeiras

não posso ou devo acolhê-las
à margem do que eu entenda:

- ao menos na minha letra
que duplica tais pobrezas...

[do povo desassistido
e a minha (bem entendido)]

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

NA PASSAGEM

31/12/12, 01/01/13
Jaboatão dos Guararapes, PE

... pois Candeias, Piedade
Prazeres, Boa Viagem

são delas - das milhares
de pessoas nos lares

bares e bulevares
onde coube mais povo;

são de todos - altares
que de novo saudaram
uma nova saudade

num preamar de gente:
- mar agitado em frente

à espinha dentada do Recife

(cuja arquitetura alinhada
se vê arrecife da praia)...

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

BRUTA

30/12/12
Jaboatão dos Guararapes, PE

Uma mangueira que seja
com gravidade deseja

gravidade abraçadeira
do chão bom que a serpenteia.

Uma crescida no mangue
do alongamento do instante

(na litorânea represa
disso de fato que espessa)

verte seu fado no sangue
da manga que presenteia:

- na mais perfeita doçura
(de tão vermelha de escura)
da gorda carne madura

que espatifa tanto a fruta!...

domingo, 27 de janeiro de 2013

MARCO ZERO

30/12/12
Recife, PE

Vandecira
se visita

vira a esquina
dobra o Pina...

PARA QUANDO CHEGARES II

29/12/12
Jaboatão dos Guararapes, PE

Em meio às coisas
de cores boas
das tuas pessoas

fibras afoitas
(soltas lembranças)

tecem candanga
uma calanga
pernambucana...

sábado, 26 de janeiro de 2013

PARA QUANDO CHEGARES

29/12/12
Jaboatão dos Guararapes, PE

Faço longa esta viagem
ao mundo do teu amor.

Longa? Uma bobagem
que se diz do fundo em flor...

ENFIM OS GUARARAPES

29/12/12
Jaboatão e Recife, PE

... e a Piedade, Prazeres
Candeias de parentes

(e a Boa Viagem daqueles
tubarões recifenses)

na amizade dos pares
de cuidar de pomares:

- de sair pelos bares
a zelar por seus lares...

***

Na tarde de Jaboatão
mui descansei - mas em vão

vez que todo o fogo em mim
crepita longe do fim.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

ASFALTO FATAL II

28/12/12
BR 101 (Sergipe-Alagoas)

De Aracaju a Maceió
me abandonou (pouquinho só)

a santa dos motoristas.

Obras/desvios/lombadas
às carradas duplicadas;

ases/algozes/vítimas
de manobras indistintas;

mais estresse/sudorese
(na elegância das palavras)

e a emoção que quisesse
subitamente estragada...

[na roda do carro que diriges
(na rota doutro carro que afliges)
à moda deste barro que impinges
a sobra do buraco que atinges]

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

ASFALTO FATAL

27/12/12
BR 116 (Rio-Bahia)

Correr a preta língua
daquela rodovia;

lamber com as duas vistas
suas vilas repartidas;

cruzá-la em companhia
de loucos na Bahia;

contê-la na consciência
úmida de impaciências...

E a putrefação veloz
da vida posta à margem

sob a queimação feroz
contraposta à paisagem

sofisticam a viagem:

- horror trivializado
cinzelado no calor...

[imprevidência e morte:
neste verão dos deuses
peregrinos siameses
a caminho do norte]

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O SERTÃO QUE MAIS EXISTE

26/12/12
Montes Claros, MG

A solidão de um quarto
tão à beira do vasto

qualquer perdido interior

tem passageiro o torpor
(quando o sono nos deixa)
da visão ribanceira;

pois no dia seguinte
rebrilha em superfície

a velha expectativa
(ribeira que resiste)

do encalço de uma entrada
- novo asfalto da estrada;

posto o carro na via
é porém como a vida

se espelho parasita
da próxima parada:

- mesma cidadezinha
no coração de cada...

[mais uma cujo norte
exige contraforte
de nordestina sorte]

EUCALIPTOS

26/12/12
estrada para Montes Claros, MG

Ver-te - só teu verde à vista
ao longo desertifica:

- imaturamente arrisca
(estreitamente, à risca)

a completa anestesia.

De Montes Claros a Belo Horizonte
presumo ignorar rinocerontes...

(de Montes Claros a não sei aonde)

A título de esclarecimento

Viagem concluída! No que diz respeito ao mencionado na última postagem, só consegui anotar brevemente impressões ao longo do percurso - e a partir de determinado momento, praticamente nada, soterrado pela riqueza dos referentes...

Portanto, os poemas da minha viagem ao Nordeste brasileiro basear-se-ão num acordo delicado entre o registro e a memória, ambos fragmentados e evanescentes... Seus subtítulos em itálico situarão os respectivos instantes no tempo e no espaço, e os diferirão da poesia aqui publicada regularmente.

É o que segue.

M. B.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

A título de encerramento

Este blogueiro finaliza suas atividades em 2012

(1) agradecendo às suas leitoras e leitores pela presença, estímulo e generosidade;

(2) desejando a todos um Feliz 2013; e

(3) comunicando que assim que possível disponibilizará neste blog os registros poéticos de sua agora iminente aventura rodoviário-antropológico-afetiva Brasília/Recife/João Pessoa/Recife/Brasília (plus everything in between), entre 26 de dezembro e 22 de janeiro próximos.

Se assim por enquanto, ficamos por aqui.

Inté!

M. B.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

NOTA SOBRE O FIM DO MUNDO

mais um

O mundo acaba pra quem morre.

O mundo acaba pra quem corre.
[muito]

O mundo acaba pra quem sorry!
[muito muito]

O mundo acaba pra quem fode!
[la petite mort...]

O mundo acaba pra quem acha
que o fim do mundo é uma tarrafa:

- da profecia dos arautos
(como consta em todos os autos)

a pescaria dos incautos...

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

EXTÁTICO DE ISOLADO

no mosteiro do mistério

Há um silêncio de ausências

que refresca a plateia

interna das ideias.

Um terço de presença

que rezo toda terça*

nos quartos sem janelas

dos quintos dessas férias...


*[de segunda a domingo
  (pra prender o ritmo)]

TRÊS BATIDAS

um vício

Não vi que corta.
Bateu na aorta

a mão desgraçada que preferi.

Não sei da horta.
Bateu à porta

a praga anunciada que destemi.

Não ouvi nada.
Bateu em casa

uma vontade danada de ir

pra Pasárgada.

(e perder de vir
cartear penúltimo da rodada)

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

MODO DE FAZER

Rápido sujo ou lento limpo
- qual no escrever melhor ritmo?

Rápido limpo um texto sujo?
Lento bem sirvo o dito cujo?

Limpo o bendito o reescrevendo?
Sujo-me de novo o relendo?

Rápido sujo e lento limpo
- poder dizê-lo adiante de o ver

qual se vencer é transcendido...

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

DA DIFAMAÇÃO

nota virtual

Mau significado
assim - sede de rede

pespegado à parede
do significante

significa, adiante

um mudo envidraçado
à mercê dos passantes...

ACERCA DOS FINS DA ARTE

"o fim da arte inferior é agradar,
o fim da arte média é elevar,
o fim da arte superior é libertar"

(Fernando Pessoa)

Caro Fernando,

Como mau estripador da inculta e bela língua
que somos, vou por partes (à parte os alicates):

- inferior, não desagrado
(especialmente as mocinhas
de etárias faixas vizinhas);

- médio, não elevo - o braço
(vez que lotado o alambrado
são pardos todos os gajos);

- superior, liberto a todos
(gajos, vizinhas e brotos)
desta leitura - tortura

cara à pessoa...

Desse modo, realizá-los - os supracitados
cabe-me sim - mesmo no patíbulo cedido

aos bem-intencionados...

Com justa admiração,

M. B.

DAWN

Aquém dos rumores
de temores
e tumores -

aquém de terceiros
por trás dos primeiros -

dos segundos
(dois minutos)
que muito clareiam -

um disco amarelo
toca o mais negro blues
- de anil seguimento
but without any clues...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

AO SUBLIME

poeta de todas as eras
- e às Cecílias e Florbelas

A poesia só me afeta.

Irrelevante poesia
(como fios de ambrosia
costurando fantasias):

- justamente a que mais presta.

Quanto a isso, sou constante
(de antiga presença adiante)
na medida em que sensível

apreciador, insisto, do inexprimível
mau pedestal da inapetência criativa:

- nesta anorexia que me castiga
e move, tal qual pedante cavalheiro
a contrapelo do andante cavaleiro...

***

A poética mais moderna
mal sei o que me desperta.

[somente a vossa, deveras]

SENSÍVEL

encontro intestino com o exótico

Na quente tarde que cai
assassino o meu bonsai

imaginário que sai
pela culatra do thai

estilo que assumi, uai!...

(mais tarde, gente, pois vai

que o asinino distrai
besides you, the Masai

em filme que descontrai
o preconceito demais)

[no wonder a indigestão
trespassando diagonal
os pomares da razão
num incêndio sazonal]

NAS FÉRIAS

paradoxo

A quebra da rotina
requebra toda vida

próxima à ruptura
ótima da criatura;

vezes em desprazeres
(nesses que têm poderes)

um ralo temporário
no rato rompe o diário

correr do cotidiano
sofrer ao longo do ano

até a superfície
a pé da meninice:

- por mundano há no lazer
seu humano a desdizer...

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

DIGO QUE...

... respiro (o)
caminho
que omito
destino

por sabê-lo
(quando feito)
tão afeito (a)

suar
no ar

fresco.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

PORQUE NÃO PUBLICO (sic)

virtual vantagem

Eu silencio
em benefício
(sinceramente)

deste artifício
do frontispício

do qual desvio
(prudentemente)

meu palavrório
inconsistente:

- porque mormente
(e anteriormente)

o acabamento
do destalento
do qual vitimo

é o ofertório
de que extravio

impunemente
Mauro Belmiro...

VIDA DE VIDRO III

finale?

o gerente
o funcionário
o querente

o salafrário

(e mais gente)

[ao fim e ao cabo
ossos do rabo]

VIDA DE VIDRO II

cacos

sabendo
de nada
oremos

***

madruga
o peito
em chamas

***

sabendo
do peito
em chamas

***

madruga
o nada

***

(oremos)

***

[e nós nos nós
vós nos vossos
a sós todos
tudo osso]

VIDA DE VIDRO

fragmento

Todos sabemos:
- basta um momento
(virando o vento)
e um pestilento
adoece espelhos.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

DE VÁCUO A HIATO, O C...!

falo deseducado

Qual o modo elegante
que seja preciso, exato

(do justo vocábulo
no devido formato)

de melhor dizê-lo ante
[este estado ofegante]

um léxico contrário?

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

NO ESPELHO

O estrangeiro de cá doutro lado
vezes de lado me olha, assombrado:
- vê diferença na parecença
e se vice-versa, desconversa;

seja no rosto limpo ou barbado
tristonho o semblante, refrescado
é interessante, varia menos
a comum impressão do que temos

ganho deste fulano, o Belmiro:
- de ambos alterego paulatino
a descascar a cebola do ego

de ambos íntimo sem patrocínio:
- ácido, lava o aço do cego
vínculo de que agora sou elo...

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

PORQUE NÃO MALHAREI HOJE

"as flores de plástico não morrem" (Titãs)

As dores do elástico
corpo que fui
não morreram a tempo

do très bien! cumprimento

do meu quase diário

esforço que flui...

DESJEJUM

Café ao lado, preparo
junto ao requeijão torrado
às oito da manhã deles fugidia
(daqueles que superfaturam seus dias)

minha dieta informativa.

[dito de maneira crítico-invertida:

a fim de melhor situar-nos
nesta vã complexidade seletiva
(entre fútil e venal) das construções jornalísticas

preparo, café ao lado
minha ração formativa]

Seu caleidoscópio inútil
- de uma perspectiva consútil (acho) -
impressiona, dado os dados
dispostos organizados

em especial, na marcação zagueira do tempo real
a serviço de anunciado benefício, concreto e atual
abstraído/extraído/traído? que não cheira!...

Desde cedo, o noticiário
(inteligível superfície de armário)
fragmenta a vontade, ininteligível
recurso manipulado

desconectado da vida das lidas
(do que o fardo do trabalho propicie)

por um número invariável de dedos engordurados
de vicários interesses moldurados:

- o que embrulha o processamento do estômago, e abaixo
do intestino termômetro...

(mas tal estar-mal, privilégio dos poucos
presunçosos infelizes que acreditam retroceder
solidários aos mochos sentidos moucos

dura o minuto da fritura do ovo um novo oferecer)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

CORPORAL II

Amasso (o)
cansaço

deitando
o dorso
no soalho.

(no caso)
O corpo
pesado

o espreme
e geme:

- gemido
não dele
(do torso
que acede)

mas sido (o)
regaço
retido
no abraço...

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

DA IDADE IV

sobre (in)conveniências

Esta pedra, agora, não faz sentido.
Não quando nada mais há para o antigo
- daqueles elementos distinguidos
que nos cercam (e a vida) ressentidos.

Este peso, agora, é desagradável.
Logo quando há espaços disponíveis
- àquelas oportunidades críveis
de administrarmos o degradável.

Assim sendo, essa pedra, com esse peso
carimba uma gravidade ao momento
perfeitamente dispensável aqui:

- como alguém com tal vontade de ceder
(por lhe faltar coragem de se atrever)
que assina contratos daqui por ali...

domingo, 2 de dezembro de 2012

TODA DOCÊNCIA

delírio crítico ante as férias

Enfim chegamos a um didático fim de etapa
- de mais uma, pedagógica, junto à tigrada
levemente hipnotizada - embora assustada
sobre como este mundo intenta socializá-la;

Diógenes nós, professores triplamente senis
- das virtudes às lanternas, esvaziados barris -
embora ultrapassados, precisam-nos uns Brasis
paralisados em dicotomias infantis;

será recente que esta geração no seu tempo
de anoréxicos valores e obesos temores
aprova a anomia geral do procedimento

tal qual a realidade das provas reprovada?
Será decente que professores - os atores
até sempre insistam encenar sua retirada?...