segunda-feira, 21 de abril de 2014

O ASFALTO A SEGUIR

ressaca à vista

A cruz
no chão

reluz
(senão)

a luz
que não

reduz

(pifão)

[o aduz
então]

domingo, 20 de abril de 2014

QUADRA DA CLARA VIA

Esta é manhã daquelas
para o amanhã deveras:
- qual terçã fantasia
tal o afã deste dia!...

sábado, 19 de abril de 2014

PATO DE PARQUE

não de zoológico

Inchado de pipoca
a cara de boboca

eu me queria agora
seguro até a aurora

(não vejo horta nenhuma)

até as crianças do mundo nos revisitarem
(até os tratadores imundos nos revistarem)

parvo, apenado e feliz

(vivo acaso por um triz)

quarta-feira, 16 de abril de 2014

CÍRCULO RACISTA

o fragmento
de pigmento
que segmenta

Um pigmento
nos fragmenta
num segmento.

Um segmento
nos pigmenta
num fragmento.

Um fragmento
nos segmenta
num pigmento.

Um pigmento...

terça-feira, 15 de abril de 2014

DESOSSADO

O toque do meu despertar
(standard jazz, pra variar)

desvela-me logo a sonhar
tão cedo com outro acordar

mais tarde (talvez junto ao mar)

e então sim, reconectar

outro enfoque enfim, pra variar

(tango nuevo, pro celular)

sábado, 5 de abril de 2014

SELEÇÃO BRASILEIRA

a propósito de 1964

Qual cérebro pleno
de memória e esquecimento

vosso armário cheio
de sacos sem documentos

(nosso patrimônio
anônimo de neurônios)

chega uma hora (agora)
[se outrora, seria sua aurora]

em que derrama - massa malsã

na rede da história amanhã

seu peixe apodrecido:

- retrospectivo
crente, e seletivo

(pente coletivo)

de escrúpulo relativo
do túmulo ao início.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

PRATICAMENTE

A distância entre este
e o próximo momento

na constância deste
seguido movimento

entre esta tarefa
e a próxima janela

na centimetragem
difícil desta fase

é metade quase
do dobro dessa imagem...

quinta-feira, 3 de abril de 2014

ORDENS DE FATORES

fator de produtos

Quando acordo
eu concordo
meu desejo

mais de acordo
com o ensejo
como o vejo.

***

Quando acordo
meu desejo

eu concordo
com o ensejo

- mas de acordo
como o vejo.

***

Quando acordo
mais de acordo

eu concordo
meu desejo
como o vejo

com o ensejo.

***

Quando acordo
com o ensejo

- como o vejo
meu desejo

eu concordo
- mas de acordo.

***

Quando acordo
como o vejo

- mais de acordo
meu desejo
com o ensejo

eu concordo.

***

Quando acordo
eu concordo
com o ensejo

- mas de acordo
como o vejo
meu desejo.

terça-feira, 1 de abril de 2014

VERDE-AMARELA

Primeiro de Abril:

- dia do fuzil
em mão varonil
(porque tanto arguiu);

- data corpanzil
da mentira a mil
deslavada anil

p. q. p.!!!...

[da quartelada
progenitora
(mais pra madrasta)
de redentora
quadra macabra]

segunda-feira, 31 de março de 2014

Uma pausa para outras coisas

Este alterego comunica - a quem porventura o ler - que irá se ausentar deste blog nos próximos dias (talvez semanas). Compromissos e obrigações do prof. Sérgio Euclides noutras instâncias tomarão o seu lugar.

Enfim, a poesia pode esperar.

M. B.

DOS SUJEITOS DA EDUCAÇÃO

não objetos de atenção

Nos botões da juventude
há o verdor da juventude:

- quando somos jardineiros
(de fevereiro a janeiro)

nos dão sinais de espinheiros
medicinais e temperos!...

***

Os botões da juventude
transparecem inquietude

impaciente, quase rude
face às dores de virtudes

(um senão da juventude
à velhice da atitude);

os botões da juventude
avermelham o que ilude

na vergonha dos senhores
da cegonha estupradores

(demais depois pendores
estendidos estertores):

- mas lembremos, talvez flores
despetaladas de amores

deveras menos autores
atores sempre amadores;

os botões da juventude
reconectam amiúde

(na presteza da saúde)
o que vivo mormente urge

de raiz/caule/folha/flor
destino/presente/o que for:

- o fio que a vida urde
à parte as vicissitudes;

os botões da juventude
(quando está quem os procure)

antecipam aventuras
apenas mais se futuras:

- sonhadoras, sonhadores
de esperanças semeadores

sem projetos de colheitas
móveis, espreguiçadeiras...

***

Quando somos jardineiros
(de sinais o tempo inteiro)

o espírito aventureiro
nos dá cores e espinheiros

doces desfrutos, e azedos
medicinais e temperos!...

sábado, 29 de março de 2014

SÁBADO ÀS SETE

É hora boa
a hora primeira

porque destoa
da manhã inteira;

porque esta toalha
ainda está seca;

porque a batalha
não me peleja;

porque mortalha
(ou o que seja)

é só uma rima
nessa poesia...

...

Porque trabalha
(a natureza)

para que valha...

QUADRA CHUVOSA

As gotas aflitas
de frio no vidro
me avisam, "reflita
que estio extravias!..."

sexta-feira, 28 de março de 2014

SOBRE A NOITE MAIS ESCURA QUE A NOITE

o abismo num pires de meia hora

Cochilo profundo à tarde
desejo de gozo que arde
na arte de um sono curto em
despretensioso mergulho

(ao que nunca mais cogito
além de um leve suspiro)

naquela verticalidade sem
idade/gravidade/sentido

ativando a enganosa memória
(pois sonho) da emergência (suponho)

da experiência do nada (pois nulo
o encontro à parede do mistério)

retornada à vigília (num pulo
passado ao presente refrigério)

***

[somente poesia
poesia insolente

(diz-se ensolaradamente

poesia de vida
inclusivamente)

enfrenta a entropia]

quinta-feira, 27 de março de 2014

FÍSICO SÍSIFO

Correr, se machucar

lamentar descansar;

curar, recomeçar

(do ponto de parar)

a correr, machucar

noutra pedra angular...

terça-feira, 25 de março de 2014

MATEMATICISTA

O que compreendo, matematizo.
(o que incompreendo, probabilizo)

[objetivo, não sou omisso]

Manuseio quantitativo as quantidades.
Manuseio quantitativo as qualidades.

(se qualidades em quantidade
são quantidades as qualidades)

[dão qualidade às quantidades]

***

Encontro razões nas proporções (das relações).
Encontro razões nas desproporções (das paixões).

No caso (frequente) de haver senões

- desrazões, desproporções em ações
- desrazões da paixão por explicações

procuro razões para todas as situações.

A verdade é só a realidade.
A realidade só é a verdade.

segunda-feira, 24 de março de 2014

VICIOSA

O que se repete
(repete, repete)

e desapetece

repele e repete
e nos anoitece

até que se esquece

(padece, parece)

domingo, 23 de março de 2014

NUNCA VI SUA COR

antes do Google Images

Meu amor é flor
cor de baobá.

Baobá dá flor?
Nunca vi se há.

Seja como for
(flor de baobá)

pelo amor da cor
que da flor será...

sexta-feira, 21 de março de 2014

ANTES DA FORMATURA

sobre a roupa que se usa

Sob um céu esquisito
que desceu repentino

sobre a rua seguindo
(sob a lua sumindo)

sobra tempo pra isto:

- a respiração curta
que então me veste encontra

(contra o volante em luta)
mais justa a contratura!...

quinta-feira, 20 de março de 2014

NA PISTA

de uma ciclovia

Ando o caminho - e reto
corro e desvio - e acelero
o dobro indo - e disparo
quase morto vindo - e paro:

- se respiro o que aspiro
expiro o meu ser finito...

NO ESPAÇO

presencial e virtual

Curto, descurto, curto
descurto, curto, descurto
curto, descurto, curto
descurto, curto, descurto:

- vário ou não (senão zero)
binário certo que vero.

NO QUARTO

crescente ou minguante

Ligo, desligo, ligo
desligo, ligo, desligo
ligo, desligo, ligo
desligo, ligo, desligo:

- claro ou escuro, claro
que digo que escuro sigo...

quarta-feira, 19 de março de 2014

terça-feira, 18 de março de 2014

segunda-feira, 17 de março de 2014

MAMÃE

sem luz

(ligo)

um cruz

credo!

(digo)

reluz

medo

...

(sigo)

cedo

[cedo

cedo]

DAS INCERTEZAS DO CLIMA

A natureza enfurecida
- raios, trovões e companhia

lembra a minha, a tua, renhidas
disputas irreconhecidas.

(a natureza escurecida
turva a minha em suas visitas)

Mas se pensarmos noutros dias

- manhãs de sol sem companhia
de nuvens que mal notarias

o que amanhã benfeitorias
de natureza enternecida

perceberiam que avizinha?...

sábado, 15 de março de 2014

LEMBRETE DE AGASALHO

variações

A brisa suave
é o vento quase.

***

A brisa suave
é o vento quase
mais lento, quase
- mas movimento.

***

A brisa suave
é o vento quase
que alento, quase
por um momento.

***

A brisa suave
é o vento quase
no movimento
que vejo atento.

O TRABALHO DE DEUS NO SÁBADO

Dourar

solar

o mar

sem mar

do ar.

QUADRA AFLITA

O tamanho da beleza
da madrasta natureza
quando arrasta a correnteza:
- musaranho (com certeza).

SEXTILHA DO SÁBADO

Manhã no cerrado
(se venho obrigado)
tem seu céu errado:
- tão fundo azulado
que largo de lado
(se estou abrigado).

sexta-feira, 14 de março de 2014

SEMPRE A OESTE

Amarelou de novo o chão
no canto esquerdo do salão

do mundo à frente da visão.

Toda tarde é conexão
com o repente da impressão

- e atraente a percepção
de um universo contente

(no verso aparentemente)

UMA QUESTÃO

em defesa da paróquia

sobre a vida heroica

(a que faz história
que jaz na memória
e záz! constelação):

se era cenozoica
desde a concepção

das tais condições ótimas
(senão paleontológicas)

uma num quatrilhão

toda na contramão

[se não aleatória (a)
natureza estoica]

da nossa evolução

- seria boa então?

quinta-feira, 13 de março de 2014

UMA DATA ENGARRAFADA

há 183 verões

recordou-se
imperiosa

de memória
novamente

(no que coube
aquietei-me).

Dessa noite
cabulosa

mil pernoites

noutras noites
(outras houve)

entre açoites
pedras, foices
cacos, dores

desejou-se
doppio dolce:

- ontem e hoje
Pedro foi-se!...

quarta-feira, 12 de março de 2014

NO LOCAL DO GLOBAL

a new game now

Café e futebol.
Cookies. Um cachecol
de torcedor leal.

A poltrona. O canal.

Barcelona ou Real
ou Chelsea ou Arsenal;

Higuaín e Albiol
(Maradona à sombra).

Nesta tarde de sol
agudo e tropical

há fé num time tal
num jogador global:

- se inglês, belga, espanhol
(se não, torcido em prol)

também deste local.

segunda-feira, 10 de março de 2014

MARIA O DECLÍNIO

Estia

o rio

do ofício

no início

(a via

ofídia

do dia

no cio);

havia

um mio

um pio

que ria;

que ia

e ardia

e pio

sofria

(o raio

pungia;

lacaio

frigia);

mas frio

vazio

ou cheio

valia.

domingo, 9 de março de 2014

HEART OF GOLD

busca virtual

Flechas amarelas
de uma a outra tela

são flores e velas
que a sorte protela;

setas de janelas
como piscadelas

alvos de olhadelas

a uma ou outra delas

à procura dela:

- a que for mais bela
será Cinderela

(a que a dor revela)

ACERCA AINDA DO CARNAVAL

ressaca & delírio & sacada

O tapete móvel da chuva
palpável sobre a rua suja

(lavável sob a lua cuja
alvura só imagina a turma)

estacionou ali há pouco

depois de batucar conosco
antes de transbordar em poço.

Ali (o) Babá, Simbá, Aladim
Colombina, Pierrô, Arlequim

(ascensoristas do patropi)

entre gastados adereços
e postergados endereços
trataram de sumir de novo

(do calendário do povo aqui)

ao transmutarem-se tampouco
em realidade já do esgoto:

- seu tapete imóvel na rua
empoça visível a turba...

sexta-feira, 7 de março de 2014

QUADRA DE SALA II

Um silêncio
contrafeito
de inocêncios
porta jeitos...

QUADRA DE SALA

de aula

A linha do cabelo
sugere o cerebelo
mais belo - do encéfalo
a mente a contrapelo.

MÁXIMA

sombreada

O malefício
(disparatado)

do benefício
(justificado)

é fictício

[se verídico
por despeitado]

quarta-feira, 5 de março de 2014

CINZAS

Quarta à tarde

o estandarte
da vaidade

não mais arde

de carnavalidade
sob um sol de verdade

(do amor sem dor nem favor)

no quarador do equador.

(malasarte
já vai tarde)

[jamais arde
de saudade]

terça-feira, 4 de março de 2014

CARNAVALESCAS

fragmentações

Diante do estardalhaço
(em riste o meu palhaço)

de cada mal desfaço
(no modo imaginário)

seu canto sacerdotal

chamando o tal calado
patronal de canário

(de pássaro do fado)

***

Antes o estardalhaço
depois triste o palhaço

durante os quais desfaço
da minha unção laboral

a uma função industrial:

- por que conformá-la real
se ficção pré-industrial

de fato pós-carnaval?...

CARNAVALESCA

No entrudo
com tudo

me introduzo

narigudo
cabeludo
barrigudo

(e membrudo
sobretudo
te introduzo)

[intruso
(incurso)
contudo]

segunda-feira, 3 de março de 2014

POLISSÊMICA

Palavras me procuraram
quando deitados estavam

eu, meus botões, arbitrários
eu vezes dois, vezes vários;

seus sentidos refratários

vezes antes se afastaram
pressentidos temerários;

depois vezes se cruzaram
enquanto de pé encontravam

meus pés dez itinerários:

- dois tidos três, tidos vários
durante os quais extraviavam...

sábado, 1 de março de 2014

ÁGUAS DE MARÇO

não por acaso

Abriu, e fechou
choveu, e parou.

Nada melhor ilustra a impotência
da natureza da inteligência

quando o clima frustra antecedências
(planos, desejos, acordos, ciências)

[abriu, me animei
choveu, reparei]

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

JANEIRO UMA QUIMERA

Fevereiro já era.

O cosmos acelera
o passo na sua esfera;

a postos destempera

o espaço et cetera
(traços de primaveras)

de dentro da cratera

pro centro da tapera

nos braços da galera:

- epicentro da espera
por outra atmosfera...

MAGO DE BARROS

justo o contrário

O Manoel me deforma a boca de alegria
aluarada crescente de dentes das risas.

(um rasgo jubiloso que me alarga as tripas)

[se eu risse sozinho, jamais reverteria]

...

Um Manuel para além da alta poesia?
O Manoel para aquém de outras poesias.

Basta lê-lo. Basta revê-lo
toda vez ao desesquecê-lo

[já que o melhor é nunca imaginá-lo

Merlin do Pantanal (pois de qual mesmo?...)]

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

POIS CURTA SOBREMANEIRA

um conselho

O fogo velho da vida

(escaravelho que teima
rolar o sol sobreguisa)

quando queima, nos convida
(rogo vermelho de freima)

a requeimar em seguida:

- acender a carne viva
numa ardência prosseguida

noutra vida mais curtida
tida rejuvenescida

(e curta sobremaneira
ainda que sobreviva)

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

TURÍSTICA

viagem de agência de viagens

Aquela praia distante
do mar do voo adiante;

a bela praia ondulante

das férias equidistante

das artérias vigorante

daquela arraia perante
câmeras mil doravante;

praia embora quimérica
(de infantil a esotérica)

agora não obstante:

- se em vão febre héctica
mantida por operante;

- se fantasia homérica
(se desfaria a América)

desta vez interessante...

***

Aquela praia elusiva
a se dar como destino;

praia de mim exclusiva
apesar de arear o tino:

- seu cartaz, mapa da mina
capaz de apontar a minha...

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

17:58

Há uma tarde, quando caída
que embaça a vista - de saída

arrastando-se, escurecida

para a noite desconhecida.

(uma tarde desprotegida
em vista de outra recaída)

domingo, 23 de fevereiro de 2014

CONFORTO DO ESPAÇO

O céu baixo

e eu abaixo

(cabisbaixo)

encostados

(os dois lados)

e estreitados

(os dois dados)

num abraço

do mormaço.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

MOCHA FRAPPUCCINO

recordação da delícia

Um café no fim da tarde

ardendo de frio a língua

que subitamente estia.

(algum leite explicaria)

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

EM BRANCO

ao fundo

Parede de crânio
de estável estanho

(segundo sicrano)

no vácuo do fátuo
estava eu estranho

na rede anônimo
qual um parônimo:

- da rede neurônio
(parede, suponho)

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

MEU TEATRO

renegociável

Eu aguardo sempre que esperado
mas o fermento ocasionalmente;

quando anteriormente combinado
considerando perdidamente...

A dança das expectativas
lança as adotivas contra as minhas

mais antigas crenças movediças
sobre o palco das perspectivas;

seu ato na forma de um tablado
(apesar do piso vacilante)

[de pensar que o repito hesitante]

faculta a reforma do ensaiado:

- à coreografia futurista
junta certos passos retrasados...

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

DUAS EMAS

macho e fêmea

De fonema em fonema
(guturalmente apenas)

por um telefonema
chequemos as agendas:

- podemos Ipanema
ou Paranapanema

contigo até Diadema;

- podemos um cinema
talvez uns dois esquemas

(irmos à piracema
florirmos as juremas);

- podemos, sapopemas
de um mesmo ecossistema

curarmos eczemas
cheirando a alfazema;

- podemos, duas emas
(possíveis macho e fêmea)

esquecer dos problemas
enquanto são teoremas

- chequemos as agendas!...

...

A salvo de dilemas
poderemos ler poemas:

- se trabalhoso o tema
de fonema em fonema...

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

O TERÇO

As pontas
de versos

que arquivo
peçonhas

dão conta
dois terços

do ouvido

que esquivo

remonta.

SOU ESTE

Parede

é a pele

(a minha
sozinha);

na rede

a tua

de lua
(cortina)

esquece!...

ACESSO PRIMORDIAL

persona e internet

Das teclas desta cona
(asseclas sem-vergonha)

pouco ou nada funciona

(outra qualidade essencial de um sistema impessoal);

o que em vão nos alonga
(já que então nos delonga)

da tecnologia prometida de ponta

colapsa, e apronta

outro mecanismo de defesa dessa onda

contra a testosterona

contra a raiva e o Gardenal
(para o bem, não para o tal):

- um retorno espiritual
a Montaigne e Pascal

muito embora temporal
(pois durante o temporal)

[até que uma reconexão restabeleça
novamente a tua presença de ponta-cabeça]

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

VICE-INVERSA

A espiral endêmica
da violência/falência

espirala urêmica

da inconsciência a consciência
mais violenta/violeta:

- a crença/avença/doença
da sua convalescença.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

TRISTE VERÃO

2014

Três candidatos
a três palhaços;

dez rolezinhos
por um pedaço;

um pelourinho
ali no parque:

- Sheherazade!...

[mas que beldade
rachel-do-mato
(do mato a mando)
de qual herdade?...]

...

Cinegrafista
assassinado.

Quão triste o fado
(morto um marido)

do crime, e lato
(um pai perdido)

hão de informá-lo

morte de fato
jornalística:

- de casuística
sorte do fato.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

DE OUTRA ESPÉCIE

a Leandro Wirz

Disse um varão, mais de uma vez
(desfaçatez?) - poesia é pão.

Sinto que sim, penso que não
longe de mim;

tão distantes tais instâncias
(longe de mim a desrazão!)

senão instante a distância:

- perto as pedras
duram duras.

...

Tal poesia
outrossim poder-se-ia.

Pão dos mitos
dos arcanjos ambrosia;

e aporia
(solução de compromisso)

dos quejandos fantasia:

- de Leandros e Belmiros
saltimbancos dos neurinos...

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

HORA SEXTA

do abismo a beira

Sonho que sou outro

vezes indisposto
logo após o almoço

(penso o quão frequente);

sonho que sou outro

coisa ou gente, um novo
ente no presente

a não ver somente;

sonho que sou outro

num deslocamento
do espaço no tempo

sem ancoradouro;

sonho que vindouro

vezes estou moço
(vezes parecendo);

que acordado sendo

vezes me arrependo
meses antevendo

anos de lamento
sonhando um momento;

sonho que sou outro

ao intuir o preço
de encontrar-me preso

tão frequentemente...

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

ONTEM

sempre

A tarde calma no domingo

(parte da alma do caminho)

[algo estranha porque consigo]

me descansa do que pressinto

outra semana prosseguindo...

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

TRABALHO TROPICAL

solilóquio sob o rigor da chefia

[dia útil no calor
de uma tarde ainda pior

(o que chamas de horror
face ao ventilador)

impacta o labor?

Compacta o langor?

Contacta o senhor?

Qual pacto gestor
(para além do rumor)

nos permite transpor

(tão aquém do frescor)

o temor derredor?]

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

CONSTATAÇÃO III

Azul é o céu.
Perfeito o véu.

[a fazer]

Resta ao chão
vermelhão

do verão

escarcéu!

A ESCOLA CHAMA

a escolta em chamas

O processo pedagógico.

O processo pedagógico
no processo sociológico;

o progresso sociológico
do processo pedagógico

(do progresso pedagógico
o progresso sociológico);

o regresso compensatório
do egresso psicológico
(seu reingresso escatológico);

o insucesso comprobatório
de um retrocesso avaliatório...

Todo esse precatório
(nos ossos palavrório)

[do fosso o purgatório]

{excesso culturológico}

sim, não posso...

TRADIÇÃO SELETIVA

conversas de conversas

... da desmemória ouvira
imprópria outra história

(história de mentiras
embora desta vida)

desenterrada viva
e na jornada urdida

bricolagem de estórias

à margem aditivas
a finalmente nada

pelo fiado das Moiras
Parcas descabeladas:

- todas selecionadas
de empates a vitórias;

- nenhuma mal contada
(à parte as das derrotas)

restando bem lembradas
lorotas literárias...

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

CHEATING THE HANGMAN

from The Doobie Brothers' song

Lembro da pradaria
do quão espaçaria

- como não lembraria?

Na imensidão erguida
por olhos sobre rodas

eras havia. Horas.
A eternidade agora.

Lembro na pradaria
de cisões assumidas

(precisões presumidas
com retoques de Midas)

entre o acima e o abaixo

- velho espelho deitado
céu debaixo das minas.

Lembro tal pradaria.
Esqueço que a prolongo:

- dos paredões rochosos
ao longo do eastern edge

o que horizontaliza
radicalizaria

deposto sob a vista.

Lembro qual pradaria
(a maravilha segue)

mas antes de agrícola:

- a minha foi perdida
de paixão por westerns

da mais cara ficção

[esta civilização]

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

FIM DAS FÉRIAS

vida que siga

Do ócio ao trabalho
beócio embaralho

num dia de estalo

semanas de fato
perdidas no talo

(banana de fato)

até que a transição conclua

(entre a casa e a rua)

passagem de uma a outra estufa...

domingo, 2 de fevereiro de 2014

TEMPORÁRIO

Primeiro de fevereiro
segundo meus carcereiros:

- o tempo inteiro sem tempo
de tempo presente sê-lo;

- o tempo desnecessário
(antetempo, retrotempo);

- o tempo dos contratempos
tempo do vento contrário...

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

1976/77

férias

Adolesci
(os espinhos).

Adoeci
(das espinhas).

Coalesci

em Coaraci

com Ceci

e outras ideias/coisas aéreas dali

(depois noutras aleias/poisas etéreas)

até aqui

[embora de réguas/caixilhos
por obra de léguas nos trilhos]

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

EXOBIOLÓGICA

Um disco e sua antena
suavemente tensa

(tigela suspensa
levemente pensa)

sobre o céu apontam
desapontamentos

- se aos sonhos remontam
são outros quinhentos...

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

MAQUIAGEM DA IMAGEM

pintura e miragem

Um canyon
meu crayon

desenhou
(abismou)

numa parede de memória
tão velha e verde e natimorta.

(dela o desci desfiladeiro
e me perdi pois perdigueiro)

***

Mão velha e verde e natimorta
a concebeu tela composta

onde se lê - sequer estória
escavação real existe

que quente
resfrie

e canyon
já estive.

***

Lá estive
(pré-crayon)

Cro-Magnon
until now

(lápis/caneta/pincel/batom)

[clarins/herrera/chanel/avon]

atemporal e independente
daquele vale coincidente...

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

VERÃO INVERSO

De vítreo

num lesto

a plúmbeo

molesto

hoje o céu

(sob o véu)

soçobrou

(só sobrou)

em vídeo.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

CASTANHO O VENTO

fragmento

... quanto ao ar compacto
praticamente vê-lo

(lambendo o teu cabelo)

causa-me o impacto
da mente escurecê-lo

- como ipso facto
o sentimento fê-lo...

SEU PESO RELATIVO

São dias graníticos
estreitos orifícios

por onde emagrecidos
passamos inteiriços

enquanto passadiços
(entes, dutos, períodos)

senão quando cediços...

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

CINESTÉSICA II

Enquanto corro

no piso quente

parte do corpo

(parte mormente)

que se ressente

- da fossa o fosso

- da pista o posto

- da folha o olho

(disso que posso)

aparta ciente

(parte somente)

do sorvedouro

de estar presente

(à frente a mente)

em carne e osso.

sábado, 18 de janeiro de 2014

PEIA

Há um bloqueio

desinformando a que veio

(como informa a natureza dos bloqueios).

Dessa forma incerteza de freio

- por onde passeio

(anseios, enleios, receios

próprios e alheios)?

Impróprio recalcular seu custeio

quando oculta-se o meio

[quando cheio o ponteio dos feios gorjeios

do seio]

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

DA HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA

síntese

Ralés

Marés

Manés
(Pelés)

a pé;

axés
(com fé)

até

[new] poles

roles

bonés

rolés:

- outro revés
das ratazanas do convés...

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

METÁSTASE

Desnaturalizar.
Artificializar.

A dupla face do nosso triste apartar
de todo o resto do universo especular

são duas fases do nosso baço operar.

(mas que cansaço espetacular!...)

Ao contrário do normal
mal-estar ocidental

(bendizer confessional
de um salafrário impessoal
refratário a um natural)

entre outras possibilidades
eu queria ter qualidades:

- queria ser duro
- queria ser mole

- queria ser muro
e poder seu furo

- queria ter sorte
de apenas consorte;

se de sorte adiante da morte
(isto é, se houver sorte na morte)

- queria ser nulo

pra que pouco fique
pra que nada amole
nada sacrifique...

[talvez justifique
(porque nos resta tudo explicar)

o banzo manco que acomete o maxilar]

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

EM APREÇO

Entardeço.

Encareço
(reconheço)

o meu terço

nesse preço

sem apreço.

BEM-AGRADECIDO

Cercado de maravilhas
aos sentidos concedidas

por acaso a cada dia
consentindo sobrevida

da aurora à aurora seguinte
de agora em agora a esfinge...

Por que então tantas lamúrias
quantas dádivas diuturnas?

Pois sou mais um homúnculo
grato - malgrado o que vige

até que no crepúsculo
a escuridão predomine

para além do lusco, fusca
imanência do azeviche...

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

CÍCLICA II

Segunda
cerrada

de fora
parece

segunda
passada

que assada
se esquece

e agora
ressente

afora
na gente...

sábado, 11 de janeiro de 2014

DOURADO

vislumbre

Luz e sombra

alternando
uma a outra

contrastando
suas coisas

sob o manto
das mangueiras

- o que assombra?

Tão ligeiras
indivisas

são parceiras
vitelinas

(a despeito
da presteza

com que a vista
as respeita)

RADIOSA COM HORA

No tempo devagar
intento divagar

sobre o vento solar

- da coroa estelar
à proa deste olhar

na paz da luz-maná
(saravá, saravá!...)

até que do além-mar

alguém aqui no bar
(aquém dali emborcar)

irrompa esse vagar

(de tromba bem estar)

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

DO BOM-MOCISMO

opções

Mal-entendido
tenho de dizer

que houve equívoco.

Se responsável
admiti-lo

(quando improvável
arrependido).

Se ventríloquo
(bem entendido

corresponsável
inimputável)

tento desdizer
(por ser tão oco)

aquele querer
(querer tampouco)

deste mesmo ser.

***

recomendações

Fácil, difícil
tátil, audível

reconhecê-lo.

Fútil, sensível
quase invisível

útil revê-lo.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

EXPERIMENTALISTA

contra-argumento

Para que inventar palavras
ou torcê-las, mutilá-las?

(divinizar-se ao criá-las
não bastasse maltratá-las)

Impaciência com palavras?
Foram todas inventadas:

- alguma desceu do céu, cresceu do nada
em caso de mistificação sagrada?

- alguma esquecida quedou-se escondida
sem boca que a ouvisse dizer encobri-la?...

As que importam, exportaram
(porque significantes)

concretudes de falantes, de escreventes

coletivamente de antes:

- depois outras, de outros entes

pelas portas e janelas
dos sentidos sentinelas.

(a palavra socialmente o é somente)

***

Os limites da linguagem
são limites de experiência:

- sua presente existência.

[o que delimita, nos familiariza
(ao longo da estrada que se interioriza)
com o ser estranho estar humano à margem]

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

LARVA

Logo que me arrasto
por debaixo esbarro

em consciência de superfície.

Quão haver precário
(ao fremir pensá-lo)

tem fruta de casca que biche
e coice de casco que pise
ou foice que rasgue azeviche

pouco importando avizinhação.

Entre o céu e o desvão
posto abaixo do chão

qualquer previdência inexiste.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

PROCESSO CRIATIVO II

Sem açúcar no café

(odioso, para quem vê)

procuro versar até

que um pio do zabelê

(precioso, ali na tevê)

encante ouvir - e com fé

parir enfim o que ler.

SEDENTARISTA

Entre o café e a rua, crente

no benefício do exercício
(eminente o seu sacrifício)

sério um corpo passa dormente
líquido sob a lua quente;

não há desprazer na empreitada
de observá-lo delegada

nem estar bem justificado
terceirizando a sua prática:

- só uma sã consciência do hábito
contra as artes de incorporá-lo!...


sábado, 4 de janeiro de 2014

CÉUS

Limpo o azul
dos olhos

sobre o sal

desde o sul

nada mal

de Abrolhos;

junto o azul
pedrento
dos mortos

na Cabul
dos corpos
por dentro;

em Mogul
recolho

sob o azul
sobrolho

um baú
de entolhos...

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

PORQUE AQUILES (E NÃO ULISSES)

a Ilíada, não a Odisseia

Quedar-se à frente do volante
do guidão, do leme vacante

à parte as rédeas das deidades
(por etéreas certas vaidades);

dar direção ao ajudante
(ao seu temor coadjuvante)

ao time, à coletividade
no campo - do campo à cidade

a qual destino doravante
(tal que predestine confiante)

acene sua mão vacilante
se pondera preponderante...

Cabe aos Homeros da Hélade
(e àqueles da posteridade)

homens ao menos, a verdade:

- por que a responsabilidade
da missão dignificante

sempre adiante da humanidade
(de sua cara precariedade)

erra diante de um arrogante?...

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

LIMINARIDADE

da virtualidade

Onde termina o braço
o arco e o bracelete

(a flecha entorpecente)

e começa a parede
da janela e sua rede?

Uma porta que traço
fictícia num paço

[implícita num passo]

{solícita num papo}

lícito e transcendente;

o ponto em que ultrapasso
o ego pelo batente

- quando conto que o faço
cego o quanto realmente?...

W4 NORTE

ciclovia

Este pedaço da cidade
deveras deixará saudade;

das vias xarás, é a herdade
(por aço da minha vontade)

das pernas em velocidades
solares/lunares - contrastes

de matizada variedade

(o sangue fluindo de verdade)

por aquela linearidade

de brasiliense suavidade
(das curvas sem utilidade);

e a mente, tem opacidades
quando corre da ociosidade

sedentariamente tão tarde
nessa pista de urbanidade:

- ainda mais lentamente à parte
(o sangue fluindo da verdade)

do que faço com minha idade...

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

NOVO ANO EM BRANCO

... mais uma virada da ampulheta
da folhinha, da ceifeira - contra
as quais, rediviva, a vida esgueira
desde o nascimento (e faz de conta)
por entre perfeitamente a mesma;

daqui a pouco, novamente apronta
essa parada que nos reencontra

longa em agonia convertida
num tormento agora de alegria

ao dobrarmos a última esquina
do calendário que se retira

(branco, da porta da geladeira)

domingo, 29 de dezembro de 2013

RETROSPECTIVA

2013, 12, 11, 10...

Meu mergulho
introescuro
ponderoso

cauteloso
nunca orgulha
meu orgulho

do percurso

dos recursos

das recusas

das escusas

como escunas
aclaradas

enfunando
atracadas

postergando
esperanças
sem tardança

[porém note:]

sem pinotes

sem chicotes

sem lambança

(segurança
de um Quixote
Sancho Pança)

...

Meu orgulho
não fagulha
meu mergulho

face ao fato
reluzente
e abraçado

do abrasado
timorato
inconsciente

(entrementes
contundente)

limitá-lo.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

DEIXA

de quem ficará pra trás

Enquanto cofio meus pelos
entredentes brancos e pretos

desconfio dos teus cabelos
(entrementes castanhos belos)

por aí provocando efeitos
entre amigos de veraneio;

esse queixume junto ao peito
vindo ao crânio menos perfeito

(porque ciúme estranho ao íntimo
que entranho aprazível, ínfimo)

distraído atribuo ao tempo
entretido, tamanho o zelo

pernambucano pelo verão:

- lá verão teus os meus cabelos
sejam brancos, castanhos, negros

com razão despertando anseios
entre tantos dourados pelos...