sexta-feira, 8 de julho de 2016

ARTISTA

ao meu amor, no seu exame final

Gastróloga

gastrologista;

gastrônoma

culinarista:

- astronômica

a Vandecira

gastronômica

teve o seu dia!...

QUADRA GOLPISTA XII

níveis/objetivos da programação

...

(lá vem a 'escola sem partido'

para filhos disciplinados

por uns tios descerebrados)

...

[vem a escola sem partido

pelo homogêneo sentido

das coisas sob o fascismo]

...

{a escola dos 'partidos':

- de tipos alienados

num mundo reificado}

quinta-feira, 7 de julho de 2016

DAS PENAS

pesagem

Às vezes
são meses

às vezes
siameses

quereres
inveses

poderes
vieses

deveres
reveses

prazeres
halteres...

(pesares

às vezes

plumagem)

Registro

Hoje, este blog completa dez anos.

O seu significado (e avaliações), mantenho em suspenso.

M. B.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

QUADRA GOLPISTA XI

wikileaking

From Washington
to Curitiba

cakes & fashions
fakes & falcons
makes & pactions
brakes & tractions...

De Curitiba
para Washington

o filé mignon.

terça-feira, 5 de julho de 2016

PRECE DESTE PESCADOR CEDO

fragmento

... por um feixe

(um teixe)

que eixe

os peixes

meus peixes;

por um farol

do arrebol

que os deixe

caracóis

girassóis

ao crisol

deste anzol...

segunda-feira, 4 de julho de 2016

COROLÁRIOS

literários

2. Se arbitrário

(pois gregário)

corolário

ao contrário:

- solitário

num rosário

mais precário

que ordinário.

1. Solitário

voluntário

és precário

sem cenário:

- o ervanário

proprietário

de uso vário

temerário.

QUESTÕES A ESTA ALTURA

da aventura

Que queremos os dois
que sonhamos a sós?

Aonde iremos depois
de acordados após

aceitarmo-nos pois
despeitados avós

conformados do aboiz

(matadouro de bois)

que olvidamos algoz?...

URUGUAYA

Quero uma lida

- una muy linda
pero tranquila

qual um Mujica
sem biografia

por outra vida
tal como a via

fotografia
que eu poderia:

- uma guerrilha
contemplativa

por la poesía.

domingo, 3 de julho de 2016

Na passarela subterrânea

109/209 Norte

"Todos
nascem
nus.

O resto
é drag."

AUTOMAT

Domingo

comungo

promessas

comigo

travessas

contigo

compressas

conosco

remessas

convosco

homessas

consigo...

[depressa

conjugo (o)

conjunto

domingo]

sábado, 2 de julho de 2016

BREXIT III

razão e projeção

1. um futuro que se adia
democrático;

2. um presente que judia
plutocrático;

3. um passado que fendia
aristocrático.

A ilusão de (2) foi (1).

A elusão de (3) é (2).

A elisão de (1) será (3).

quinta-feira, 30 de junho de 2016

SOBRE O PROJETO II

filosofia

Literatura
sem estatura

eu faço

na caradura.

Se encontro espaço
entre cabaços

perduro

qual joão-com-braço.

Como seria
talento houvesse?

Lerias

mas Hermann Hesse...

SOBRE O PROJETO

neste recesso

O isolamento
no acostamento

do tempo

experimento.

O sol de fora
eu dentro afora

relembro

outros momentos.

Que faço agora
correndo a hora?

Descrevo

quais movimento.

ENLUARADOS

Sob a noite
no telhado

vi dois gatos
entreolhados

num silêncio
calculado

entre miados
isolados...

Sob a lua
vi dois gajos

(um malhado
outro branco)

quais pessoas
sossegando

vidas boas
entretanto...

quarta-feira, 29 de junho de 2016

PONDO-SE

A claridade
do sol à tarde

é toda e parte
suas contrapartes:

- jaz sobre as vias
certa aspereza

de luz que cria
à sombra friezas;

- traz das sofias
melancolia

e de estranhezas
mais profundeza;

- faz da beleza
desarmonias

de naturezas
em sintonia...

[mas tais verdades
da realidade

sem agudezas
aceitarias?...]

QUADRA GOLPISTA X

dilemática

A república apodrece.

A sua política puba
o seu sujeito apodrenta
o seu futuro se estraga.

A situação deteriora
a conversa se corrompe
a convivência putrefaz.

A insatisfação fermenta.

...

Há propostas sobre a mesa
que endireitem pela esquerda?

(sob a mesa, há privadas
negociatas de acrobatas

pra repleções instantâneas)

[sob a mesa, há migalhas
que empilhadas viram palha

pra combustões espontâneas]

VISITA RÁPIDA

O bem-te-vi
que esteve aqui

veio de lá
(feito sabiá)

pelo açaí?

Pelo cajá
taperebá?

Um tamanduá
pelos cupins?

(que bicho há
pra outros fins?)

...

Foi por ali
sumido já?

(molhando o ar
me distraí

olhando o mar)

terça-feira, 28 de junho de 2016

TRILHA PRUM PAÍS NOVO

a Egberto Gismonti

Da alma dos escravos
segundo um Orfeu novo

é dança das cabeças
a dança dos escravos

ao sol do meio dia
numa janela de ouro:

- circense fantasia
sonho de academias;

mágico feixe de luz
na bandeira do Brasil...

Das águas luminosas
(casa das andorinhas)

vêm saudações do Carmo (aos)
corações futuristas:

- porém num trem caipira
com sanfona caipira;

nó de sobrevivência
de Amazônias na infância

de água e vinho em família...

segunda-feira, 27 de junho de 2016

REVISITA 143: DUO

a um par de amigas

Juntas aquelas duas, as duas
são as tagarelas do macio;
quando extáticas, palavreiam
gorjeiam os sons do infinito!...

Por entre objetos, acerca das formas
rolam incontidas em prosa; diversas
vão coloridas as ideias; talvez conversa
de sereias, a mim nocauteia - líquida e certa!

(por que elas fazem comigo
isto? - o encanto, à face
à queima-roupa feminino?)

Sério, delas logo atrás passo
zonzo, relembrando o caminho
do percurso silábico acidentado

a prestar atento o ouvido
resoluto ao gozo no riso...

08/12/2001

domingo, 26 de junho de 2016

BREXIT II

Quem quer a Europa

tanto de auroras
quanto demoras

velha senhora

(aquela Europa
fora de moda)?

A sectária
mais reacionária?

A belicista
balcanizada?

A missionária
colonialista?

Civilizada?

Imperialista?

Amedrontada?

Passa da hora:

- quem quer a Europa
velha de volta?...

sábado, 25 de junho de 2016

DO BAILE

No descompasso
inevitável

de onde repasso (o)

tempo no espaço
todo que sonho

inabitável

[seja medonho (ou)
admirável]

me desenfronho

de uma balada (a)

outra levada
daquela dança

por onde avanço
na corda cambo

de pedra bamba
que me emancipe (e)

por outro esquife

recorde um samba.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

SEXTILHA RECIDIVA

do lide da série
'meu passado vos pertence'

Quem eu fui, não fui mais.

O que fiz, fiz jamais.

Quando à beira do cais

onde foi, adernais.

...

Como então ademais?

(porque falo demais?...)

terça-feira, 21 de junho de 2016

REVISITA 142: JÂNGAL

O búfalo do interior escuro, impaciente adolescente,
assedia-me; as cordas que o retém, no seu esgarço,
testemunham - tão pessoalmente - uma indisciplina
minha, familiarmente velhaca - e farta de cansaços.

Vem o monstro rápido à lisa superfície, cão negro
sem peso; da minha alma agastada, traz nenhum remorso;
resoluto, pisa os meus pruridos; se fraco lhe abro porteiras,
abala agradecido a carreira, como se me considerasse...

Esse búfalo do interior escuro, em largo movimento
amassa delicadezas de relva virgem; despedaça cores
de mimosas flores; mas, na minha dor aguda

que aos sentimentos anula, à passagem da fera,
pontua estreito o desejo - nela impulso, em mim desespero
- de abrir por dentro um caminho...

07/11/2001

segunda-feira, 20 de junho de 2016

CONJUGAL

O vácuo

incluo
no duo.

O vácuo
possuo

do duo.

Do duo
no vácuo

recuo
e amuo:

- se cruo

me excluo.

domingo, 19 de junho de 2016

REVISITA 141: RECONHECIMENTO

Vezes te pressenti, dos escombros
de meus vários sonhos; aos pedaços
vinhas intuída; proibida ao ouvido
sopravas um canto desconhecido.

Teus olhos, tão com outros confundidos
já os vira; como lanternas, padeciam
atirados à escuridão mais espessa
(mas acima
de onde afinal sempre intuíra).

Agora te materializas, encarnada
em mulher de fases várias! Dona de luas
das largas faces que ocultas...

Estremeço! Medo eu teria até quando
sobre a caverna, e por dentro dela
façamos - dos escombros - teu castelo.

24/03/2001

sábado, 18 de junho de 2016

DA ESTAÇÃO

O sol do inverno

exterioriza

um grilho interno

que dói à vista

(pelo que perto

significa)

quinta-feira, 16 de junho de 2016

PASSAGEIRO

A sensação que tenho
do tempo acelerando

avessa ao andamento
do tempo ponderando

a cada momentâneo
tropeço extemporâneo

(comigo recorrendo
inútil contra os danos)

não causa desespero
nem tira o sono quando

os dias sucedendo
estreitam cotidianos

há muito, muito tempo
desde os primeiros anos...

[tal sensação contenho
novel recomeçando

a lembrar de recreios
sonhando veraneios

sujeito a veteranos
do mal-estar humano

que avento passageiros]

quarta-feira, 15 de junho de 2016

REVISITA 140: VINDO

... às vezes numa via do futuro imaginado
o carinho breve de um par de mãos amigo
pressinto sempre vindo comigo encaminhado
entranhando estrangeiro um círculo de erros
preso ao carro passado girando infindável
o aparato dos ventos à margem de destinos
onde paro e desatino ao penar pela estrada
a pensar do que morreria se de mãos
estranho fosse se sentisse engordurado
a nuca enrijecida num intento que abrisse
outra via entorpecida de conforto encorajando
essa ida antecipada enfim ao dia curvo
do qual derraparia para além do curto
circuito onde erro a ermo aquém dos sonhos
cárceres onde morto vivo quando então
liberto de carícias privaria...

05/06/2001

terça-feira, 14 de junho de 2016

TEMPORAL

Se tudo precipita
o que desacelera

eu mesmo de visita
nativo desta terra

se mesmo de visita
o que desacelera

eu tudo precipita
nativo desta terra!...

REFLEXÕES

Os textos externos
ao mundo moderno

(pesados cadernos
do céu e do inferno)

releio-os eternos
arcaicos, hodiernos.

Os textos internos
(de fundo materno)

que escrevo fraterno
num caderno aberto

doem-me o esterno
de comoções ternas:

- talvez por reflexos
côncavos, convexos

de textos externos

[recôncavo o nexo
de fundo complexo

no mundo moderno]

domingo, 12 de junho de 2016

sábado, 11 de junho de 2016

GÊMEO

Da luz
no ruz

Ormuz
aduz

que Arimã
de manhã

(louçã)

seduz.

...

[o abenuz
que reluz

marfuz
só amanhã]

sexta-feira, 10 de junho de 2016

REVISITA 139: UMA VOZ DE MULHER

Mulher, a tua voz, tão doce,
é tão adulta! Terna e crescida,
sempre premia, séria a carícia,
meu premido ouvido ao telefone...

Voz madura! Mas de onde
imagino senhas a um amor insone
consumindo-se, já em vigília eterna,
vela mais amarela no escuro de mim...

Materna, sim, a tua voz não destrata
a minha palavra! E às vezes consolos
ela sussurra, algo desconsolada

quando assustada; e quase reclama,
rouca a garganta, em divina afonia
- "que loucura tua!" -, a minha!...

06/05/2001

quinta-feira, 9 de junho de 2016

PLURIDIMENSIONAL

portanto, paciência!

O tempo da existência.
A existência do tempo.

O tempo da experiência.
A experiência do tempo.

O tempo da exigência
- já exigência do tempo.

O tempo da expediência:
- a expediência dá tempo

(há tempo experimenta)

quarta-feira, 8 de junho de 2016

QUINTA COLUNA

a quem, da cúpula
do governo Dilma

vestir a carapuça

Na cobrança do escanteio
no fim do segundo tempo

- quando o efeito faz seu arco
e o arco traz seu defeito -

surge um cara ali no meio
da zaga - como um zagueiro

alto, largo, sem embargo
contra qualquer contratempo

que abandona seu goleiro...

No gol-contra da derrota
da vontade impenitente

(daquela que logo arrota
seu fracasso indiferente)

o motivo da chacota
(da vitória na maciota)

foi achar que quem defende
só defende (você entende?...)

Quem defende, quem ataca
quem se esconde, quem destaca

entre todas, sua jogada
- ao realizá-la contrária -

considerando a pelada
sobretudo pela pátria?...

Se a disputa andar sem rédea
a despeito de laborar

haverá um filho-da-luta
sempre silvério, um calabar

sem respeito pela várzea
- mas que o bom senso reputa -

pra jogar ali no meio
(brasileiro ou estrangeiro)

e entregar o time inteiro...

terça-feira, 7 de junho de 2016

segunda-feira, 6 de junho de 2016

AGONÍSTICA

A princípio
aos domingos

(passadiços
precipícios)

pouco, nada
de palavras:

- o que abraça
particípios

em deslavras
sucessivos

(cruzilhadas
opressivas)

tempo espaça
excessivo.

...

[presumido
descrevendo

nada novas
algazarras

num crescido
quase horrendo

quanto velho
seu contexto:

- o que espalhas
a contento

entre as almas
e o momento

junto à calma
e ao tormento?]

...

{brota disso
dobradiço

depois telas
destravando

brancas, pretas
cantilenas

mariposas
enganando

do que esposa
borboletas:

- papeletas
de que ainda

vale a pena
dar notícia}

domingo, 5 de junho de 2016

REVISITA 138: O ABISMO

Do abismo, só um sopro
percebo ascender sob o rosto;
careço a coragem tal, fugidia
de medir-lhe a profundeza:

- no poço coração, infinita.

Do penhasco, evito a beira
a acrofóbica ventania;
a imensa atmosfera, rasteira
insidiando-se cobra espiral

enroscando o meu passo.

Da luz, esvaindo-se horizontal
lamento os dias, muito úteis
divagados perdidamente:

- lembrança do quanto o amor
me amou a si somente.

[na escarpa, é o nada
todo o medo da morte
descoberta de frio;

do fim, só temo, hirto
a sua demora gelada]

04/08/2000

sábado, 4 de junho de 2016

FÉ NA RAZÃO

[razão da fé]

Na luz

o ser

deduz

do ver.

...

[da cruz

o ser

reluz

a ver]

PASSADO

Sábado (o) sono

tátaro fono

láparo tono

cágado zono
sáfaro cono

(sábado mono)

[domingo (o) sono]

sexta-feira, 3 de junho de 2016

DA MESMA MOEDA

Sexta-feira.

A semana

que se inteira

prazenteira

de sacana

doidivana

se apresenta:

- caravana

trabalheira!...

quinta-feira, 2 de junho de 2016

PARADOXO AMAZÔNICO

da conservação da extinção
(de sua exploração)

Pirarucus

tucunarés

curimatãs

ou tambaquis:

- sedes de cá

cozem ali

fomes de lá.

Mais outra vez

tão-só manás

- o que os mantêm?

Se àqueles reis

fores atrás

irão também

peixes demais.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

O QUE VEM, BOM TAMBÉM

de um estoico epicurista

A quarta perdida
sozinha entre os dias

sozinho me deixa
com duas ameixas

com três novos versos
(nenhum submerso)

e algumas imagens
(por volta das quatro)

todas de passagem:

- mas nada de fato
retorna mais caro!

[de ameixas, desgosto
de poemas, a gosto

os quadros, suporto
- se dados, a rodo!...]

...

{há quarta pedida?...}

JOÃO

Pedro, Antônio

Do punho
junino

de cunho
joanino

meninos

rascunho

divinos.

terça-feira, 31 de maio de 2016

QUADRA GOLPISTA IX

Os ovos impossíveis
de voos implausíveis

eclodem, indizíveis

e explodem, invencíveis

na cara indefinível
do cara irreprimível...

(safardana ou imbecil?)

[ratazana ou pai gentil?]

{porcelana do Brasil?...}

RABISCO

O disco
dourado

(um cisco
no espaço)

louvado
corisca

a vista

gravisca

do paço.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

CONVERSADORES

A sala dos professores
mais fala dos estertores

conservadores.

(a fala dos professores
mais trata de perdedores)

...

[a fala nos estertores
não trata dos superiores

(anteriores, posteriores);

qual vala de bons odores
não trata dos maus vapores:

- dos detratores
(seus assessores);

- dos impostores;

- dos desertores]

...

{a sala dos professores
mal fala dos seus valores

(de suas cores em suas flores)

[dos seus amores
nos arredores

inspiradores
de menos dores]}

domingo, 29 de maio de 2016

DO PRAZER DE VOLTAR

a andar e correr

A caminhar
este aquecer

do dia neste corpo de ar

- e então trotar
(não mais correr

do dia nesse corpo ímpar)

sábado, 28 de maio de 2016

QUADRA GOLPISTA VIII

ao clássico idiota
(no grego sentido)

Vais boquiaberto
a descoberto

por desconsertos
do desconcerto

bandido, esperto
(mal menor, certo?)

do qual despertas
fingindo experta

tua escolha 'serta'...

sexta-feira, 27 de maio de 2016

AQUIESCÊNCIAS

Diferenças
de consciência

diferenças
entre ciências

diferenças
sobre crenças:

- preferências
de nascença

(parecenças
proveniências

convivências);

aparências
referências

conveniências;

impaciências
turbulências

(malquerenças
desavenças)

resistências;

...

[onisciências]

quinta-feira, 26 de maio de 2016

REVISITA 137: NO CHÃO TARDIO

A lua transcendente, já não mais
ilude o meu olhar, no solar da praça em frente;
gude lúdica suspensa, na sua graça hoje suspeita
jaça foi a riscar firme neste invólucro o tormento!...

Tal disco no firmamento, já não mais
desatina o meu sonhar, a rolar fora de órbita;
num flerte embasbacado, eu exorbitava surdo
de vãs virtudes órfãs, a negar de vez o mundo!...

Embaraçado dom casmurro, já não mais
parto-me indivíduos, dividindo o chão e o cimo;
e uno como um figo, e talvez convidativo

passo agora qualquer hora sobre a mesa colorida
sob a lâmpada da cozinha; com o luar de fora
embaçando a claraboia...

(a luz elétrica domestica)

31/07/2000

quarta-feira, 25 de maio de 2016

QUADRA GOLPISTA VII

Machado, Jucá, Renan, Sarneys
(mídia, supremo, nós e voceis)

Os golpes do golpe
no golpe dos golpes

(do golpe no golpe
dos golpes nos pobres)

engolfam-nos, torpes

até que outros, nobres
(golpes, contragolpes)

engolfem sua sorte

até nossa morte...

terça-feira, 24 de maio de 2016

ATRIBUTOS

um tributo

Do ser brasileiro

o estar em braseiros
assando o traseiro.

Ao ser brasileiro

viver sem dinheiro

de labor rasteiro
a convir terceiros

serenando obreiro.

Por ser brasileiro

seguir por carreiros
e chegar primeiro

sendo companheiro.

Sendo brasileiro

parir um herdeiro

de Deus o cordeiro
de outros escudeiro...

...

[algo brasileiro

ao mirar nevoeiros

- acertar ponteiros]

...

{será brasileiro

se sobrar inteiro
o ser marinheiro

e enfim timoneiro
lograr derradeiro}

segunda-feira, 23 de maio de 2016

domingo, 22 de maio de 2016

LUNAR

Crescente

giboso

minguante

garboso

em cheio

hesito

o instante

que orbito

de novo.

DOMINGO LINDO

Num dia liso
sem compromissos

brando e macio
(sem teus buchichos)

a hora escorre
escusatória

por onde corra
(contraditória)

entre cochilos
das sete às nove

entre os amigos
das onze às cinco

e à meia-noite

entre cochichos

(sem teus amigos)

sábado, 21 de maio de 2016

sexta-feira, 20 de maio de 2016

VESPERTINA II

Depois da sesta
franca da sexta

o que desperta

(por uma fresta
sob essa testa)

é esta pedra

branca que negra
sobe uma hedra

sobre a floresta
que se atravessa.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

DANÇA DAS CABEÇAS

(de Egberto e Naná)

... lança a minha terça
quarta, quinta ou sexta

aonde o tempo vá

sem que em vão pretexte
por certa descrença

que não celebrará:

- aonde o sábado
domingo ou feriado

contempla a segunda
como se solteira:

-- como Dandalunda
opulenta a feira!

[a vida, primeiro
sua lida, fecunda...]

quarta-feira, 18 de maio de 2016

REVISITA 136: NOIVA

Que teu vestido, branco

dispa tua pele, clara

pronta a queimar-se, cinza:

- na cabeleira, prata

sonhos de cabeceira.

08/06/2000

terça-feira, 17 de maio de 2016

JULIETAS

No abraço de Morfeu
certo cansaço meu

sonha com Cecília
(sua juvenília)

parte da família

do seu vovô Romeu...

segunda-feira, 16 de maio de 2016

REFLEXOS

A tarde amarela
o que verão dela:

- a tarde à janela
à tarde a donzela

(o que botão nela).

A tarde amarela
o que senão ela?

...

A tarde amarela
a que visão dela

enquanto à janela?

E quando avermelha
a que verão lembra?

(se tarde avermelha
o que então espelha)

domingo, 15 de maio de 2016

REVISITA 135: ALENTO

inspirado em Cruz e Sousa

A magia hoje turvou meus olhos
como um róseo vagar preso às nuvens...
No crepúsculo, às tapeçarias de um verso antigo
teu suave humor contrapôs a cor do amor que a ti dedico.

Hoje, o fremir do abismo acariciou caridoso minha face
como se avisado a ser precisasse, sem acordar-me
para os desacertos de fundo... Ora, o mundo
ao lembrar estreito o que embargo!

Mas teu lume de hoje, ah, este valeu a ousadia
de pensar o dia além do acaso, do compasso amargo
da regra tristemente observada; como se a vida

lépida nos arrumasse, intrépida na vergonha
de saber-se inútil ante tua armadilha
involuntária - a vagar, acima

numa cor mágica.

30/05/2000

sábado, 14 de maio de 2016

MADRUGADA ALTA

da minha janela

Uma gata faz a ronda
do silêncio em movimento

sobrevoando o pavimento
da motocicleta Honda;

e repousa de sua sonda
o que houver sobre o cimento

sob a sombra que arrendonda
a rotina do momento.

[eu repouso na sua onda
a retina em pensamento]

sexta-feira, 13 de maio de 2016

NEOKANTIANA

Desta vez, este tempo infernal
antecederá o mal do bem.

Desta vez, seu ritmo normal
precipitará o mal no bem:

- esse mal que mobiliza o bem
o impulsiona e movimenta além.

...

O que houver do humano universal
(racional, fraternal, magistral)

virtualizará o que contém.

O contexto é outro. Seu texto também.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

REATIVA

A raiva

duelista

de artistas

saraiva

esgaivas

nas draivas

da laiva

farsista.

...

[conquista

que eu saiba

benquista:

- tal raiva

malquista

golpistas]

quarta-feira, 11 de maio de 2016

A QUEM ADOECE NA LUTA

porque adolesce na rua

Adiantam os baços
de humores cabaços

um futuro opaco
adiante o buraco...

Por que o pessimismo
na idade risonha?

Medo do fascismo?
Daquela vergonha?

Cunhar que peçonhas?
Temer que pamonhas?

Meninas, meditem:
Meninos, reflitam:

- as ondas vão e vêm
sua história é de ninguém...

...

Estômagos novos
(e fígados idem)

estranham os ovos
que as cobras progridem;

entranhas sensíveis
sofrem que regridem

de um jogo velhaco
velho de jogado...

Mas jovens de fato
são virgens de crises

de suas reprises
sem que sejam fracos:

- no jogo jogado
de encurtados prazos

o que lhe é invisível
são os tempos vários

e os vários espaços
dos seus resultados.

...

[para que lutemos
(uns mais, outros menos)

todos alargamos
tudo que vivemos]

segunda-feira, 9 de maio de 2016

WALDIR MARANHÃO

(Eduardo Cunha)

O golpe
da popa

no golpe
'da estopa'

trigolpe

galopa

a escopa:

- a tropa
que topa

as gropas
de europas

diz opa!...

(diz oba!
tem sopa...)

domingo, 8 de maio de 2016

REVISITA 134: DESCONHECIMENTO

Da noite, somente a parte em que me perco
mais escura volta, e elusiva; e pára sua brisa
sobre a fina dor que esfarrapa a má desculpa
de dormir no cerco a mim, de minha feitura.

Sopro, ao sufocar, a vela negra sob o manto
e durmo, por faltar vento que varra a bruma
do assaltante medo; na morfina então confiante
do sonho, a malha rompo - o que me empulha.

Estofado, o tempo comprometo, amortecido
esvaindo em perpétua revisita do reconforto
ao familiar círculo de expectativas vazio;

se perdido, é da chance definitiva de queda
que rompa a fundo o medo, aquela parte da noite
onde durmo enfermo, enfim - por minha culpa.

28/05/2000

QUADRA DO DIREITO

à direita

Justiça seletiva
e justiça nenhuma:

- tão univitelinas
quão bandas numa bunda!...

sexta-feira, 6 de maio de 2016

POR ABOMINAR O VÁCUO

a política é natural

O que se põe
(ou se antepõe)

alguém dispõe
e predispõe.

...

Quem interpõe
- o que repõe?

Quem contrapõe
- a que se opõe?

...

- por que indispõe
quando propõe?

...

[alguém pospõe
e predispõe]

quinta-feira, 5 de maio de 2016

VONTADE CREPUSCULAR

Este horizonte

deita vermelho

para que preto

siga defronte.

[assim eu vejo
que faz por onde

nesse horizonte
o meu desejo]

COMPROMISSO

Entre o olho
entra um outro.

Entre o olho
entra um outro.

Entre o olho
e o sobrolho

um endosso.

Entre o olho
e um abrolho

o seu osso.

Entre o olho
um colosso

eu recolho.

Entre o olho
e o tal fosso

(um que é grosso)

o que posso

são teus olhos
(de molosso)

no que é nosso.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

WHO ARE THE SITTING DEAD?

das horas mortas

Em frente à tevê

enfrento você
maldigo você

mastigo você
chiclete clichê

à vossa mercê
nesta matinê:

- uni, duni, tê
salamê, minguê

privé de purê
nada colorê...

[imbecil o quê?!...]

terça-feira, 3 de maio de 2016

ORÇAMENTÁRIA

figurativa

O buraco

no sovaco

do casaco

do velhaco

deixa opaco

mais embaixo

(pelo saco)

outro caco

menos fraco

do seu taco

por um naco

do pataco...

segunda-feira, 2 de maio de 2016

QUADRA LEMBRETE

aos gabinetes

São vossos pais
vosso país

senão os tais
que não traís.

REVISITA 133: MAIO

A secura do ar intensifica
finíssima a seca interior
por tudo ter sob a areia.
O sol em branco cáustico
passa a rodo a alma presa
vaso encalhada, folha morta.

Todavia, vida alternativa
havia. Nota híbrida de expectativas
cortava o tempo lasso do estio
antes de estatelar, descompassadas
gotas em telhados imaginados
abrigos abraçados sob a chuva.

Entretanto, sobreveio a secura
à noite entre sonhos, loucura
assassina antes da luz bater-se.
Rasgado o oásis, de um veio escuro
sangrei cristais sobre a terra úmida
até rachá-la amarelada e dura.

...

Dura a estação enrijecida. Branco
cobre-se o dia, e vive-se maio ainda.
Ante a folha comida, pago, formiga
com grãos de areia a dívida descabida:

- querer muito o peito em descompasso
sua pena intensifica, encalhada a alma
cáustica por desejos dela acima.

15/05/2000

JAMAICANA

Em noite
que pegue

(senoite
que regue)

o reggae
me segue.

Questão poético-existencial

na passarela subterrânea 115/215 Norte

"O padrão
é seu patrão?"

sábado, 30 de abril de 2016

sexta-feira, 29 de abril de 2016

TEMER

O vácuo do café
a vácuo sem café:

- como assim, no sopé
recua um rodapé?

O vácuo da maré
de quem bota o boné

e surfa marcha a ré
(surfista jacaré).

Vácuo em puro estado
vácuo conspirado;

um golpe selado
polichinelado:

- dão pajés recados
(do mercado a vácuo)

pra ralé ir a pé
e evacuar o que der.

...

[se há café, boto fé
que resisto ao mané]

quinta-feira, 28 de abril de 2016

NAUFRÁGIO OUTONAL

O tempo voa.

O pensamento
escoa lento.

Meu corpo aproa
seu movimento

canoa adentro
e o vento o coa.

Sob a garoa
sobre o momento

a coisa toda
que estou fazendo

termina à toa
meio ao relento

e se alagoa.

...

(não foi o tempo
nem foi à toa)

quarta-feira, 27 de abril de 2016

DO IMPOSTO

retido na tela

Eu não vejo porque não
ver as coisas como são:

- assisto televisão.

(vejo o que é sim e o que é não
- a verdade da visão;

ouço que é assim - que as versões
são senões nas transmissões)

...

[e a corrupção
da sonegação?]

[na sonegação
da corrupção
da sonegação

eu vejo que tevê
há - e não há de quê!...

(desde que à mercê
fique do clichê)]

terça-feira, 26 de abril de 2016

SÍNTESE POÉTICA

licença enganosa

Um poema curto
condensa hirto

todo um segundo
do mundo indo

engodo vindo:

- porque o seu tempo
de ser escrito

sequer destempo
terá podido

(já que escorrido)

segunda-feira, 25 de abril de 2016

domingo, 24 de abril de 2016

PRETO BÁSICO

Ali no quintal

a noite ancestral

caiu do varal

retinta e banal.

Tão repetida

a coisa afinal;

repetitiva

de roupa ideal

saída linda

caída normal.

sábado, 23 de abril de 2016

OS SENTIDOS NA MOLÉSTIA

Seja vírus
bactéria

seu arco-íris
sua matéria

eu os vejo
percevejos

dos desejos
que balouço;

eu os ouço
(meus arquejos)

arcabouços
deste cheiro

neste corpo
calabouço

que tateio

e então provo.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

RELATO DA DENGUE

zika ou chicungunha
(todas por alguma)

Foram quatro dias
à sombra dos dias.

Dolorosos dias.
Pavorosos guias.

Foram cinco dias
de casa invadida:

- sete longos dias
de excessiva vida

alheia e indevida
que eu desconhecia.

Foram oito as vias
na pele invadida

- todas avenidas
por qualquer medida.

Nove largos dias
de casa interdita.

Onze mudos dias
do que silencia

em vida excessiva

o que explicaria
sem microscopia

a pele esquisita.

Doze duros dias
e a alma esvazia;

treze tristes dias
que o corpo medita

doente de outras vidas
por sua vez sadias:

- foram quinze dias
doente noutra vida.

***

Foram vinte dias
de pele invadida

por microscopias.

E mais trinta dias
à sombra devida

talvez pela minha.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

REVISITA 132: SONHO DE PAPEL

Aquela fantasia fixada fotografia solicita colorida minha íris cristalina até que então puída peça outra à retina e renove estimada minha draga afasia...

Corro de galeria em galeria atrás da galega em flor luzia castanha trigueira da cor diria que qualquer boa vida dá mechas de menina...

Solto o peso do papel arrivista solto dedos de imaginação ressequida suplicada à princesa a visita da conquista da sereia da ilusão rediviva...

Vou girando arquivista a dupla água marinha azul verde cinza o polegar de par em par de cor defenderia que olhar aos olhos brilha...

Aquela fantasia que meu tempo adiaria solicita colorida minha velha alegria até que então querida traga outra à revelia que insuspeita ao delicada se refaça mais amada...

14/05/2000

terça-feira, 19 de abril de 2016

(QUADRA) [QUADRÚPEDE] {VIRA-LATA}

o golpe nos bolsos

(as falas bem gerais

das capas dos jornais

estão mal para as tais

talas emergenciais)

...

[tomar reais como réis

(de novo os coronéis
em velhos carrosséis);

dolarizar papéis

(a exemplo de alguns réus
há tempos reis ilhéus);

amodernar cartéis

(estatizados quais
privatizá-los mais);

e repassar chapéus

(mas entre o povaréu
sempre que sob o céu)]

...

{e o que virá depois

dos vossos entredois

nos arrocharem - vós

vira-latas que sois?...}

segunda-feira, 18 de abril de 2016

REVISITA 131: AZUIS

O par de entradas à frente
de frente não posso enfrentar;
ferem um brilho antigo, conhecido
de outras estradas intransitáveis.

Como evitá-lo, entretanto, desconheço
se mal adiante enfeita o caminho;
se, num encantamento rijo, o passo adianto
assoalhado em flores que ocultam tais espinhos.

O par anil de onde me fitas, entranhada
ora melancólica, vezes alegremente
algo colérica, ao termo resignada

também em dois me parte; e se tais azuis
tingem de rubra vergonha o meu hesitar
a razão, também não, mal posso evitar.

01/05/2000

domingo, 17 de abril de 2016

AMOR DEMAIS

dos animais

Dengue, zika
chicungunha

dengo, zica
caramunha

- a mosquita
que perfura

mamacita
me perdura!...

quinta-feira, 14 de abril de 2016

QUADRA (AINDA) DOENTE

Ainda não desta feita
a extinção das maleitas

ainda não nesta feira

(de oração pelas beiras)

segunda-feira, 11 de abril de 2016

REVISITA 130: ETÍLICA V

A tarde cai
pesada opala agastada
à minha frente.

Será que é
hora de zarpar?

Não ainda, replica a loura gelada
sussurrando os meus lábios:

- há gente chegando
ilusões se renovando...

10/03/1999

domingo, 10 de abril de 2016

REVISITA 129: ETÍLICA IV

Estou tomado da impaciência
de um contrato que não assino;
de uma uretrite
que resolvi curar a cervejas...

Por que tanta irritação, meu deus
demônio a quem nenhum casaco serve?

Além de pressentir os botões arrebentando
projetando-me puto entre as mesas

o que sei?...

10/03/1999