08/01/15
praia do Coqueirinho, PB
... na Paraíba
mais caraíba
eu curtiria
bem pindaíba...
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
CURRAIS DE PEIXE
05/01/15
Pontas de Pedra, PE
... lá se vão criaturas de linha reta
de conduta ilibada (o olhar revela)
no caminho das gaivotas (que não presta)
pelos labirintos dos Minos da pesca
qual gado calado de fato submerso
(calado de barco de fado submerso)
na rota escorreita do matadouro depressa
a fim de perfeito com pimenta...
Pontas de Pedra, PE
... lá se vão criaturas de linha reta
de conduta ilibada (o olhar revela)
no caminho das gaivotas (que não presta)
pelos labirintos dos Minos da pesca
qual gado calado de fato submerso
(calado de barco de fado submerso)
na rota escorreita do matadouro depressa
a fim de perfeito com pimenta...
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
QUADRA DE PEDRA III
05/01/15
Pontas de Pedra, PE
A linha d'água na beira:
- a minha tornozeleira
desenvolvendo ligeira
decerto interdependência...
Pontas de Pedra, PE
A linha d'água na beira:
- a minha tornozeleira
desenvolvendo ligeira
decerto interdependência...
CRUSTÁCEA
04/01/15
Pontas de Pedra, PE
Cada conchinha da praia
é uma casinha habitada
por inquilino de guarda
- tal a iguaria salgada!
Cada casinha na praia
é uma conchinha sonhada
por inquilino a morada
- tal fantasia a salgada!...
Cada coisinha da praia
cada criatura da areia
no paraíso se espraia
na vida dura é alheia!
Mas o que aproximaria
concha e casa não seria
qualquer noção proprietária
- somos todinhos tilápias!...
Pontas de Pedra, PE
Cada conchinha da praia
é uma casinha habitada
por inquilino de guarda
- tal a iguaria salgada!
Cada casinha na praia
é uma conchinha sonhada
por inquilino a morada
- tal fantasia a salgada!...
Cada coisinha da praia
cada criatura da areia
no paraíso se espraia
na vida dura é alheia!
Mas o que aproximaria
concha e casa não seria
qualquer noção proprietária
- somos todinhos tilápias!...
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
QUADRA DE PEDRA
03/01/15
Pontas de Pedra, PE
Em praia tão rasa
a água não passa
de poça espelhada
da coisa ajoelhada.
Pontas de Pedra, PE
Em praia tão rasa
a água não passa
de poça espelhada
da coisa ajoelhada.
DUPLA QUADRA DE PEDRA
02/01/15
Pontas de Pedra, PE
areia grossa
areia fina
areia grossa
areia fina
areia grossa
areia fina
areia possa
mudar de sina
Pontas de Pedra, PE
areia grossa
areia fina
areia grossa
areia fina
areia grossa
areia fina
areia possa
mudar de sina
quinta-feira, 1 de janeiro de 2015
QUADRA DA BOA CONTAGEM DO TEMPO NAS FÉRIAS
Primeiro de janeiro
é bem de fevereiro
e mal acaba em março
de domingo a sábado.
é bem de fevereiro
e mal acaba em março
de domingo a sábado.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
2015
Novamente o calendário
é uma peça de vestuário
de efêmera qualidade
diante da publicidade;
adiante, outro itinerário
da mesma modalidade
promete-se necessário
(não obstante arbitrário)
como se anuário ao contrário!...
é uma peça de vestuário
de efêmera qualidade
diante da publicidade;
adiante, outro itinerário
da mesma modalidade
promete-se necessário
(não obstante arbitrário)
como se anuário ao contrário!...
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
OLINDA
Desde os quinhentos
pelos seiscentos
e setecentos
eram trocentos
de aventureiros
a açucareiros;
de portugueses
a brasileiros
desde os flamengos
foram trocentos
do seu mosteiro
ao seu convento;
dos oitocentos
aos novecentos
de bonecos mamulengos
aos bonecos gigantescos
sobre as casas centenárias
pelas ruas madrugadas
já são trocentos
mais de batuques coroados
e metais ensolarados...
Sempre aos trocentos:
- pois a história deste lugar
é proletária e popular.
pelos seiscentos
e setecentos
eram trocentos
de aventureiros
a açucareiros;
de portugueses
a brasileiros
desde os flamengos
foram trocentos
do seu mosteiro
ao seu convento;
dos oitocentos
aos novecentos
de bonecos mamulengos
aos bonecos gigantescos
sobre as casas centenárias
pelas ruas madrugadas
já são trocentos
mais de batuques coroados
e metais ensolarados...
Sempre aos trocentos:
- pois a história deste lugar
é proletária e popular.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
domingo, 28 de dezembro de 2014
QUADRA TSÉ-TSÉ
Sono à tarde, cedo ou tarde
vento contra, toma tempo
desde cedo, todo ou parte
deste sonho, desatento...
vento contra, toma tempo
desde cedo, todo ou parte
deste sonho, desatento...
sexta-feira, 26 de dezembro de 2014
CORRENDO EM BOA VIAGEM
Dia sim dia não
venho de Jaboatão;
dia sim dia não
estou no calçadão
quase em movimento
(impressão do vento?)
sob um certo peso
deste firmamento
(de Nordeste ao centro)
até que o momento
(de antemão presente)
imponha que eu pense
no que ressinto então:
- podia ser sempre...
venho de Jaboatão;
dia sim dia não
estou no calçadão
quase em movimento
(impressão do vento?)
sob um certo peso
deste firmamento
(de Nordeste ao centro)
até que o momento
(de antemão presente)
imponha que eu pense
no que ressinto então:
- podia ser sempre...
quinta-feira, 25 de dezembro de 2014
TESE QUE DEFENDERIA
face a tanta maresia
A praia fatigaria
meu desejo de poesia.
O mar comprometeria
(embora estimule a liça)
mil ensejos de poesias.
A esmagadora maioria
das presenças naturais
- de homens a vela a peixes do cais
contra conspiraria:
- quando finco os pés na areia
a realidade impermeia
da natureza que brilha.
A praia fatigaria
meu desejo de poesia.
O mar comprometeria
(embora estimule a liça)
mil ensejos de poesias.
A esmagadora maioria
das presenças naturais
- de homens a vela a peixes do cais
contra conspiraria:
- quando finco os pés na areia
a realidade impermeia
da natureza que brilha.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
QUADRA ANÊMICA DA AREIA
... de praia que subtraia
dos sentidos a palavra
ou de melhor descrevê-la
(seria convalescença?)
dos sentidos a palavra
ou de melhor descrevê-la
(seria convalescença?)
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
QUADRA DA PRAIA
... a praia serpenteia
pela vontade alheia
que me invade - areia
aranha de sua teia...
pela vontade alheia
que me invade - areia
aranha de sua teia...
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
SEXTILHA ESTIVAL
Há uma brisa recifense
que parece que se sente
que aparece a toda gente
de um lugar independente
a vagar impunemente
do que se ache recifense.
que parece que se sente
que aparece a toda gente
de um lugar independente
a vagar impunemente
do que se ache recifense.
QUADRA ESTIVAL
Da quentura ensolarada
que acomete a madrugada
cedo sobra a passarada
a cagar toda a sacada!...
que acomete a madrugada
cedo sobra a passarada
a cagar toda a sacada!...
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
BACK TO MY AMERICAN WEST
while listening to Chris Rea's
A memória da grande pradaria
terminando nas Rochosas, seria
(porque de poética melancolia)
mais um sintoma de que poderia
ter sido outra a via - uma outra vista
então surpreendente quão indistinta
da vastidão transcendente e finita
do que ofereceria qualquer vida -
que todavia, paralela à minha
(como realidade imaginativa)
coexiste pacífica alternativa.
A memória da grande pradaria
terminando nas Rochosas, seria
(porque de poética melancolia)
mais um sintoma de que poderia
ter sido outra a via - uma outra vista
então surpreendente quão indistinta
da vastidão transcendente e finita
do que ofereceria qualquer vida -
que todavia, paralela à minha
(como realidade imaginativa)
coexiste pacífica alternativa.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
EM BRASÍLIA
última notícia
Do Gênesis, Noé
(sendo o nêmesis que é)
já desembarcou com seu dilúvio
autorizado de cima (o clima)
sobre a profecia que duvido.
Mas, em se tratando de Dom Bosco
é capaz de vir jantar conosco
sem que acabe o mundo num eflúvio
Noé, do Gênesis
(entre parênteses).
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
REVISITA 37: PRAÇA BATISTA CAMPOS
Belém do Pará
Sobram folhas caídas no banco da praça.
No cair das folhas
jaz o tempo inamovível
que passa-possante rápido-e-lépido
- o bólido do espaço indefinível
de velocidade inamovível.
Datas evocam imagens inalcançáveis
incansavelmente;
o passado é uma corda já roída
imprestável;
se quisermos sobrevergar o arco do destino
quais setas atingirão o alvo?
A saudade tapa a boca
de repente;
sons guardados na lembrança
animam o gramofone:
- a praça vazia testemunha
o que é de vida nenhuma.
O vento sibilante/balouçante/refrescante
ecoa inaudível
quando a paisagem foge à mente
(se morre o som
fantasmice)
A Batista Campos é o zoológico dos meus bichos interiores.
09/07/1984
Sobram folhas caídas no banco da praça.
No cair das folhas
jaz o tempo inamovível
que passa-possante rápido-e-lépido
- o bólido do espaço indefinível
de velocidade inamovível.
Datas evocam imagens inalcançáveis
incansavelmente;
o passado é uma corda já roída
imprestável;
se quisermos sobrevergar o arco do destino
quais setas atingirão o alvo?
A saudade tapa a boca
de repente;
sons guardados na lembrança
animam o gramofone:
- a praça vazia testemunha
o que é de vida nenhuma.
O vento sibilante/balouçante/refrescante
ecoa inaudível
quando a paisagem foge à mente
(se morre o som
fantasmice)
A Batista Campos é o zoológico dos meus bichos interiores.
09/07/1984
Um desassossego de Pessoa
"Tenho mais pena dos que sonham o provavel, o legitimo e o proximo, do que dos que devaneiam sobre o longinquo e o estranho. Os que sonham grandemente, ou são doidos e acreditam no que sonham e são felizes, ou são devaneadores simples, para quem o devaneio é uma música da alma, que os embala sem lhes dizer nada. Mas o que sonha o possivel tem a possibilidade real da verdadeira desillusão. Não me pode pesar muito o ter deixado de ser imperador romano, mas pode doer-me o nunca ter sequer fallado á costureira que, cerca das nove horas, volta sempre a esquina da direita. O sonho que nos promette o impossivel já nisso nos priva d'elle, mas o sonho que nos promette o possivel intromette-se com a propria vida e delega nella a sua solução. Um vive exclusivo e independente; o outro submisso das contingencias do que acontece."
Fernando Pessoa, "O livro do desassossego". In Obras de Fernando Pessoa, vol. X (prosa). Lisboa: Promoclube, p. 38.
Fernando Pessoa, "O livro do desassossego". In Obras de Fernando Pessoa, vol. X (prosa). Lisboa: Promoclube, p. 38.
MODESTA
Quero agora sair da gaiola
aprisionada desta poesia
toda oxidando em maresia
cerrada - sem vista para orlas
de tal modo/maneira que empola
enquadrada de forma irrestrita;
quero romper o canto das rimas
(de um gabola que se acha da hora)
ora a corromper sua assimetria;
quero partir agora do poeta
e travestir-me a vera do esteta
pateta que sou e soou poeta!...
....
(mas que autocrítica mais severa!)
[a quem convenci-me de véspera?...]
aprisionada desta poesia
toda oxidando em maresia
cerrada - sem vista para orlas
de tal modo/maneira que empola
enquadrada de forma irrestrita;
quero romper o canto das rimas
(de um gabola que se acha da hora)
ora a corromper sua assimetria;
quero partir agora do poeta
e travestir-me a vera do esteta
pateta que sou e soou poeta!...
....
(mas que autocrítica mais severa!)
[a quem convenci-me de véspera?...]
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
QUADRA DA CORRIDA ENCAMINHADA
Aos cinquenta e cinco anos de idade
correr cinquenta e cinco minutos
é como andar de uma a outra cidade
sobre um par de joelhos resolutos.
correr cinquenta e cinco minutos
é como andar de uma a outra cidade
sobre um par de joelhos resolutos.
sábado, 13 de dezembro de 2014
DE FÉRIAS SEM FÉRIAS III
pré-litorânea
Elusiva ou ilusiva
sensação animaria
outro ser subjetivo:
- mas bloqueia adjetiva
o que então alegraria
íntimo e substantivo
de certo ponto de vista.
Ilusivo ou elusivo
retro ou retrospectivo
(decerto pontos de vista)
este estar que objetivo
mudar introspectivo
abunda por tal motivo
aparências todavia.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
DE FÉRIAS SEM FÉRIAS II
É tanto tempo livre
que livre o tempo oprime;
é tanto tempo livre
que livre o tempo exige
justo o que nunca tive
- tanto que quando o tenho
é como inexistisse
(como se me punisse)
que livre o tempo oprime;
é tanto tempo livre
que livre o tempo exige
justo o que nunca tive
- tanto que quando o tenho
é como inexistisse
(como se me punisse)
REVISITA 36: INTERROGAÇÃO
Os calos da imaginação
doem se calçados
com ideias pequenas.
Você lembra de um tempo
em que qualquer pensamento
era palavra
e esta a ação?
Não?
Deve ter sido antes de Cristo
antes da Criação
(inexistente, portanto
mas até quando?)
Deus nos deu o homem com preguiça
inacabado a quem coube a iniciativa
de completar-se
a ser feliz?
O que nos diz
a história da civilização
- dos percalços intransponíveis
aos quais pouco a adaptamos -
faz com que persista a questão:
- contemplar o completar-se, a ser feliz...
Os calos da imaginação
doem se calçados
com ideias pequenas.
03/05/1984
doem se calçados
com ideias pequenas.
Você lembra de um tempo
em que qualquer pensamento
era palavra
e esta a ação?
Não?
Deve ter sido antes de Cristo
antes da Criação
(inexistente, portanto
mas até quando?)
Deus nos deu o homem com preguiça
inacabado a quem coube a iniciativa
de completar-se
a ser feliz?
O que nos diz
a história da civilização
- dos percalços intransponíveis
aos quais pouco a adaptamos -
faz com que persista a questão:
- contemplar o completar-se, a ser feliz...
Os calos da imaginação
doem se calçados
com ideias pequenas.
03/05/1984
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
REVISITA 35: CLARIDADE
Pela claraboia passa a nova luz solar
luz solar nova porque manhã;
A manhã fresca, recente, luminosa
passa clara pela claraboia
Meus olhos namoram os flocos da luz solar
rastro de poeira da mobília sacudida;
Meu corpo transpassa o caminho para cima
solto fantasma na casa branquipálida
Passa a vida pela claraboia
vira o sótão um belo altar;
Oro sem querer, a vista para cima
à procura de um anjo no caminho luminoso
Na manhã clara boia branca a luz
de uma nova fresca a transpassar a idade;
Traz recente à mente a pálida fantasia
de um anjo nascente da poeira sacudida...
14/10/1983
luz solar nova porque manhã;
A manhã fresca, recente, luminosa
passa clara pela claraboia
Meus olhos namoram os flocos da luz solar
rastro de poeira da mobília sacudida;
Meu corpo transpassa o caminho para cima
solto fantasma na casa branquipálida
Passa a vida pela claraboia
vira o sótão um belo altar;
Oro sem querer, a vista para cima
à procura de um anjo no caminho luminoso
Na manhã clara boia branca a luz
de uma nova fresca a transpassar a idade;
Traz recente à mente a pálida fantasia
de um anjo nascente da poeira sacudida...
14/10/1983
BUTTON REVERSED
the trivial case of this Benjamin
(a Scott Fitzgerald)
A morrinha
se tem lugar
que aporrinha
de impacientar
seria no ar
que se aspira
e se expira
mais devagar
ao se espremer
(até me doer)
esta espinha
a adolescer
à tardinha
de envelhecer...
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
REVISITA 34: ALEGORIA DE UM SENTIMENTO
Meu amor
que as pedras te abandonem!...
As pedras que te tocaram
(tão frias e duras suas ásperas curvas)
terminaram te partindo em expansivos
fragmentos no tempo reincidindo
a dilatar o espaço
sideralizados.
E eu de tão triste
de precoce velhice
ansioso te acompanho acompanhável
interessado na trajetória dos teus pedaços no infinito.
Meu amor
por que cristal multifacetado
quebraste em milhares
de caquinhos irreconciliáveis?
Por acaso não teria eu forjado
para ti indivisível um aço inoxidável?
(bem sei do meu fracasso)
A chuva de estrelas cadentes
tangente ao firmamento
gera o sentimento inexplicável:
- por ti esfarelada
de mim angustiado...
Meu amor
(meu em vão sublime horror)
não escorra entre meus dedos
no vazio dos meneios;
cubra-me do teu pó divino;
deixe-me assim teu íntimo
(embora eu não possa mais ser teu amigo)
sol radiante entre belas negras nuvens!...
Depois cinza não ficaremos
faremos festa quando chover
- entrelaçados de longe
incontrastáveis atrás do horizonte...
25/07/1983
que as pedras te abandonem!...
As pedras que te tocaram
(tão frias e duras suas ásperas curvas)
terminaram te partindo em expansivos
fragmentos no tempo reincidindo
a dilatar o espaço
sideralizados.
E eu de tão triste
de precoce velhice
ansioso te acompanho acompanhável
interessado na trajetória dos teus pedaços no infinito.
Meu amor
por que cristal multifacetado
quebraste em milhares
de caquinhos irreconciliáveis?
Por acaso não teria eu forjado
para ti indivisível um aço inoxidável?
(bem sei do meu fracasso)
A chuva de estrelas cadentes
tangente ao firmamento
gera o sentimento inexplicável:
- por ti esfarelada
de mim angustiado...
Meu amor
(meu em vão sublime horror)
não escorra entre meus dedos
no vazio dos meneios;
cubra-me do teu pó divino;
deixe-me assim teu íntimo
(embora eu não possa mais ser teu amigo)
sol radiante entre belas negras nuvens!...
Depois cinza não ficaremos
faremos festa quando chover
- entrelaçados de longe
incontrastáveis atrás do horizonte...
25/07/1983
DE FÉRIAS SEM FÉRIAS
O muro sem trégua maciço das férias
- onde o corpo em repouso segrega a mente
até que esta o desregre impiedosamente -
elevou-se montanhoso à minha frente
sem régua a mil léguas de fato das férias...
... ... ...
... e por mais que eu alpinista decadente
despreocupe de escalá-lo noutra frente
(por saber que já não posso quem o enfrente)
do corpo e da mente preciso de férias...
- onde o corpo em repouso segrega a mente
até que esta o desregre impiedosamente -
elevou-se montanhoso à minha frente
sem régua a mil léguas de fato das férias...
... ... ...
... e por mais que eu alpinista decadente
despreocupe de escalá-lo noutra frente
(por saber que já não posso quem o enfrente)
do corpo e da mente preciso de férias...
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
REVISITA 33: DEDICATÓRIA
Quando em ti minhas mãos passeiam
alegres, soltas, agradáveis, febris
E tua pele arrepia; e a carne lateja
tesa e macia
Sorvemos cravados olhares do outro, dardos cadentes
dados do jogo incandescente
E nos tornamos cúmplices, verídicos
legitimamente cativos
da mesma emoção.
Paixão! A loucura senil dos velhos está na tua ausência!...
10/05/1983
domingo, 7 de dezembro de 2014
(RE)VIRANDO A (TREVA) CURVA
pistas
... da criatura apolítica
insatisfeita e acrítica
quando então conjectura
sua loucura política
travestida travessura:
- ver se estão ali na esquina
(se pregando uma doutrina)
[se golpistas na surdina]
{se um futuro que combina}
... da criatura apolítica
insatisfeita e acrítica
quando então conjectura
sua loucura política
travestida travessura:
- ver se estão ali na esquina
(se pregando uma doutrina)
[se golpistas na surdina]
{se um futuro que combina}
sábado, 6 de dezembro de 2014
NUBLADA IV
[agora chove
nos contrafortes
de alguma sorte
com epicentro
bem mais ao norte
(verão dezembro
então tropical
se parecendo
com outro Natal)]
nos contrafortes
de alguma sorte
com epicentro
bem mais ao norte
(verão dezembro
então tropical
se parecendo
com outro Natal)]
NUBLADA II
... este sfumato
chiaro cinzeiro
já ensolarando
tão brasileiro:
- por que Leonardo
não interveio
junto a São Pedro
(de Roma mesmo)
chover do afresco?...
NUBLADA
A cobertura
de baixa altura
tem curvatura
de ferradura
meio enterrada
de cavalgada
interrompida
da madrugada
amanhecida.
de baixa altura
tem curvatura
de ferradura
meio enterrada
de cavalgada
interrompida
da madrugada
amanhecida.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
(DES)SAZONAL
É todo interno
(nem sempre inverso)
o movimento
(decerto inverno)
que mal intento
agora mesmo.
Este dezembro
de veraneios
ainda não disse
ao que interveio
- por pouco triste
por pouco velho
tampouco quero
que seja menos.
Ainda que visse
no que me adentro
ainda que viesse
de outro novembro
talvez coubesse
dizer que acedo
se movimento
de outros momentos
[se primavera
de outonais eras
reconsidero]
(nem sempre inverso)
o movimento
(decerto inverno)
que mal intento
agora mesmo.
Este dezembro
de veraneios
ainda não disse
ao que interveio
- por pouco triste
por pouco velho
tampouco quero
que seja menos.
Ainda que visse
no que me adentro
ainda que viesse
de outro novembro
talvez coubesse
dizer que acedo
se movimento
de outros momentos
[se primavera
de outonais eras
reconsidero]
MANÍACO-DEPRESSIVA
Seu olhar e seu sorrir
e o que mais de você vir
(da superfície opulenta
de entranhas aos quarenta)
[eu, se olhar você sorrir
o que mais seu existir
para outro antes de vir...]
quando meus em harmonia
(da vontade que só minha)
[pois tão meus e minha, ó linda!]
são inteiros de utopia
(aos pedaços todo dia)
e o que mais de você vir
(da superfície opulenta
de entranhas aos quarenta)
[eu, se olhar você sorrir
o que mais seu existir
para outro antes de vir...]
quando meus em harmonia
(da vontade que só minha)
[pois tão meus e minha, ó linda!]
são inteiros de utopia
(aos pedaços todo dia)
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
REVISITA 32: VERBO II
Se tiveres em essência
Aquiescência
Tolerarás o absurdo
o obtuso
Dignamente farto...
11/03/1983
Aquiescência
Tolerarás o absurdo
o obtuso
Dignamente farto...
11/03/1983
REVISITA 31: VERBO
o primeiro
O vento não afaga sua pele como penso
nem perpassa seus cabelos como meus dedos.
Não há chance para nós.
Não há duas palavras para a mesma impressão.
Mas se insisto
em abraçar limitado o infinito
sou um ponto no deserto
que você vê.
19/01/1983
O vento não afaga sua pele como penso
nem perpassa seus cabelos como meus dedos.
Não há chance para nós.
Não há duas palavras para a mesma impressão.
Mas se insisto
em abraçar limitado o infinito
sou um ponto no deserto
que você vê.
19/01/1983
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
REVISITA 30: E. T.
Para além do úmido olhar
no alto negro azul, pó de estrelas
manto dos magos
gráfico do infinito
vive o amigo
perto e viajante
o menino
terno visitante
pomba da paz intergaláctica...
O êxtase extraterrestre.
03/01/1983
DUPLA QUADRA UNIPOLAR
de que me adianta tentar?
Amanheço da alegria
que alvorece dolorida
neste ensolarado dia
de estação interrompida
já que plúmbea deveria
pela quadra duplicida
mal escrita, bem chovida:
- pluviosa sensaboria...
Amanheço da alegria
que alvorece dolorida
neste ensolarado dia
de estação interrompida
já que plúmbea deveria
pela quadra duplicida
mal escrita, bem chovida:
- pluviosa sensaboria...
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
BENEFIT
Jethro Tull
... a paisagem de fora
e a de dentro, por ora
coincidem - o que acalma
minh'alma em sua vertigem
em sua sonora origem:
- a de imagem agora
daquela outrora virgem...
... a paisagem de fora
e a de dentro, por ora
coincidem - o que acalma
minh'alma em sua vertigem
em sua sonora origem:
- a de imagem agora
daquela outrora virgem...
MEU RECIFE
do alterego inclusive
Arrecifes
em que estive
- desististe
ô Euclides?
O Recife
em que estive
(indo a pique)
insististe
- porque nosso amor inclusive!...
Arrecifes
em que estive
- desististe
ô Euclides?
O Recife
em que estive
(indo a pique)
insististe
- porque nosso amor inclusive!...
ESQUECÍVEL
Em dezembro
eu me lembro
de dezembros
contratempos
de outro tempo:
- quando o vento
(que soprava
contraventos)
alentava
turbulento
desalentos
que eu levava
desatento
todo o tempo...
eu me lembro
de dezembros
contratempos
de outro tempo:
- quando o vento
(que soprava
contraventos)
alentava
turbulento
desalentos
que eu levava
desatento
todo o tempo...
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
DA CONSCIÊNCIA SEM
Jogar melhor o jogo das aparências
a fim de melhor refletir uma essência;
jogar melhor o jogo das aparências
a fim de melhor cultivar parecenças;
circular melhor pelas adjacências
na perspectiva afim de compreendê-las
(talvez melhor proteger as diferenças
e enfim administrá-las com prudência)
[ou] [ou] [ou]
... ou renunciar ao jogo das aparências
a fim de reconhecer sua impertinência
face à termodinâmica decadência;
ou mesmo argumentar pela inexistência
do jogo, das aparências, de uma essência
(talvez aquietar-se pela inexistência
de consequência alguma nessa existência)
a fim de melhor refletir uma essência;
jogar melhor o jogo das aparências
a fim de melhor cultivar parecenças;
circular melhor pelas adjacências
na perspectiva afim de compreendê-las
(talvez melhor proteger as diferenças
e enfim administrá-las com prudência)
[ou] [ou] [ou]
... ou renunciar ao jogo das aparências
a fim de reconhecer sua impertinência
face à termodinâmica decadência;
ou mesmo argumentar pela inexistência
do jogo, das aparências, de uma essência
(talvez aquietar-se pela inexistência
de consequência alguma nessa existência)
domingo, 30 de novembro de 2014
sábado, 29 de novembro de 2014
REVISITA 29: TRÓPICO
original atualíssimo
Não há vontade, nem que má
nem ambição.
Nenhuma gota de voluntariedade.
Apenas um véu branco cobrindo o olhar
e maleita dormência.
10/12/1982
Não há vontade, nem que má
nem ambição.
Nenhuma gota de voluntariedade.
Apenas um véu branco cobrindo o olhar
e maleita dormência.
10/12/1982
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
ALA DA SALA
dos professores
contemporâneos
enquanto atores
extemporâneos
sob fatores
controladores:
- educadores
edulcorando
um show de horrores
(dos educandos?...)
Sala das cores
ala das dores:
- dos estertores
de antes amores
diante dos mores
de outros valores...
[sala das cores que desbotamos
lavando o lodo através dos anos;
ala das dores que cultivamos
lavrando a todos do viés dos anos]
REVISITA 28: BEIJO MORENO
Ando mudo, sem procura
Bicho exposto à visitação pública;
Corroído pela mesmice perplexa
Cansado.
Mas te vejo, calmo o teu semblante
Tratando-me com tolerância carinhosa;
Mãe serena, cheia de filhos e filhas
De paciência, ante a imatura inquietude!...
Ando o mundo, sem procura
Bicho exposto aos de vista curta;
Coalhado de coisas, figuras mórbidas
Triste e opaco.
Mas quando pousa o teu olhar, ao vagar
Pássaro negro em rochedo oceânico
Diminui a solidão, um ponto no horizonte
Desmancha a espuma na infinitude das águas...
...
"À procura de mim, procuro-te
Nos teus lábios, de estranha doçura
Inquisidores da dúvida;
Nas palavras assim proferidas
Ecos de ti, íntimas;
No teu beijo moreno, meigo
Meu andarilho anseio...
Procuro-te, à procura de mim."
18/11/1982
18/11/1982
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
DURANTE
Antes do temporal
esta paz surreal
empurra meus olhos juntos fugidios
escapulindo passarinhos furtivos.
O resto de mim não consegue.
Do lado de cá da janela
assiste comigo ao que segue
como se de si fosse a cela
ou sob tutela estivesse
(e toda cautela impusesse).
[diante do temporal
há passarinhos - presos ou fugitivos]
...
Depois do temporal
revolto a ver normal
esta paz sem igual.
esta paz surreal
empurra meus olhos juntos fugidios
escapulindo passarinhos furtivos.
O resto de mim não consegue.
Do lado de cá da janela
assiste comigo ao que segue
como se de si fosse a cela
ou sob tutela estivesse
(e toda cautela impusesse).
[diante do temporal
há passarinhos - presos ou fugitivos]
...
Depois do temporal
revolto a ver normal
esta paz sem igual.
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
ELEGÍADA
de um maníaco
Este ar etéreo
te deixa aérea
na estratosfera
da indiferença!...
Então funéreo
eu me despeço
até que desças
ao andar térreo
da vida dessas
sem refrigério
e me umedeças
do que antes peço
de tua presença
em tua ausência!...
Este ar etéreo
te deixa aérea
na estratosfera
da indiferença!...
Então funéreo
eu me despeço
até que desças
ao andar térreo
da vida dessas
sem refrigério
e me umedeças
do que antes peço
de tua presença
em tua ausência!...
terça-feira, 25 de novembro de 2014
ESTE DESCOMPROMISSO
pretérito perigo
O abismo - me sorrindo
(do seu esconderijo)
o seu sorriso lindo
a esta altura - finjo
que não sou nada rijo
[no meu duplo sentido]
àquela altura (minto
senão que regozijo)
a fim de escapar disso
(de vez escarpar ido
este descompromisso)
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
REVISITA 27: A ESPERA
Bate a chuva
lenta, nula
atrás da porta:
agora, o lado claro de ser
pouco importa.
Pinga a mente
ressentidamente;
os pensamentos, vagam
semidirecionados
retros, menores
retroses de lã.
Dançam os dedos
multimeios
parecendo milhares:
"sê a seda, agulha relax
mostra-me a teia
tecida rarefeita
assim que se faz".
(antevista a carícia
a lembrança vicia;
quanto aos corpos, unidos
contorcidos de gemidos
resta a memória
da fé, sua pausa
o fim da retidão)
...
Se tola vem a mosca
à toa
pouco importa:
agora, clareia o ser
atrás da porta.
01/11/1982
sábado, 22 de novembro de 2014
MEFISTOFÉLICA
Vocábulos
de estábulos
literários
me encabulam:
- gritam pra sair
poder existir
se fazer ouvir
querem ter porvir
(querem ter PORVIR!!!)
[como se o futuro do presente
o garantisse postumamente]
...
{meu demônio e eu concordamos:
- melhor desapalavrar
de qualquer um avatar}
de estábulos
literários
me encabulam:
- gritam pra sair
poder existir
se fazer ouvir
querem ter porvir
(querem ter PORVIR!!!)
[como se o futuro do presente
o garantisse postumamente]
...
{meu demônio e eu concordamos:
- melhor desapalavrar
de qualquer um avatar}
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
YES, RELAYER
lembrança progressiva
... meus portões do delírio
da adolescência - lírios
do campo da inocência -
abriram minha ciência
cedo e tarde (destarte
sua impermanência em arte
há muito e há pouco) - rios
de sons que ainda ouço
vindos daquele poço
de antigo colorido
que ainda desvario
- refletido em colírio
sonoro desde moço
para os olhos que olvido...
... meus portões do delírio
da adolescência - lírios
do campo da inocência -
abriram minha ciência
cedo e tarde (destarte
sua impermanência em arte
há muito e há pouco) - rios
de sons que ainda ouço
vindos daquele poço
de antigo colorido
que ainda desvario
- refletido em colírio
sonoro desde moço
para os olhos que olvido...
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
QUADRA DO DIA
A tristeza da melancolia
é mais triste porque indefinida:
- tristeza de si desconhecida
e mais triste porque não sabia...
REVISITA 26: JARDIM
A flor desnuda estanca o fluxo
do amor da abelha
centelha.
No pouso breve da folha de luxo
borboleta
tem telha.
Pássaro aventa, voa e derruba
da lua
quem telha.
27/10/1982
do amor da abelha
centelha.
No pouso breve da folha de luxo
borboleta
tem telha.
Pássaro aventa, voa e derruba
da lua
quem telha.
27/10/1982
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
DESTA PRA PRÓXIMA
intergeracional
... para onde eles irão
(e outros que seguirão)
sem boa educação
- a do sim e do não
em livre oposição?
Para onde todos vão
se há deseducação
(a do 'sim, por que não?')
a induzir instruções
certas das conclusões
- dos meios ou senão
dos fins com deduções?...
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
EM RESUMO
será o eremita?
Dos meus jogos em tempos de abraços:
- eu gosto mais do primeiro tempo
(no segundo, me vem um cansaço);
- o intervalo, se faz necessário
(meus quinze minutos de vestiário);
- gosto menos do terceiro tempo
do quarto nos quintos, contratempos
(prorrogações do gasto de erários)
[quando os escrúpulos vão pro espaço]
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
PERIFERIA
refém do clima?
A capa cinza
de cor escura
sobre a cidade
que não Brasília
porque avizinha
a dor sozinha
da tempestade
então mais dura
retém ainda
água à vontade...
TEMPO E RENOVAMENTO
memória e esquecimento
Já tive seis
depois doze
dezoito, vinte e um
trinta e cinco
quarenta e dois;
passei cinquenta
e nada lenta
a vida em cada uma das idades
- nas cinquenta e cinco oportunidades
aniversariadas até o presente -
é sempre a da presente novidade:
- uma de cada vez, cada vez uma.
[um ano de cada vez, cada vez um
que antes de experimentado era nenhum]
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
MANOEL SE FOI
notícia repetida (de entristecida)
embora inexatamente verdadeira e
agora devidamente contextualizada e
acompanhada de uma inevitabilidade
... já cumpria travessia de
fauna para flora havia bom
tempo (bem lento na fusão
lavrada e apalavrada com
coisas de sua atenção).
Outro tempo bom e Barros
mineralizar-se-á - porque
sua obra (próxima da lenta
decomposição estelar), a
caminho de o ser, o é já.
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
REVISITA 25: SOPRO
Passa o tempo
pássaro no vento;
e
marcando o passo
passo:
- inerte como rocha
oco feito concha
monte de lava
faz-de-conta.
29/09/1982
REVISITA 24: BREVIDADE
Por um instante
o fluxo da vida detém-se na análise passiva
conviva da preguiça
e o meu corpo fecha-se por completo
ansioso de algum sentimento
majestade sem coroa
e a tua vontade dorme solta
o sono arquetípico da lassidão.
...
(não saberemos a razão das coisas)
27/09/1982
o fluxo da vida detém-se na análise passiva
conviva da preguiça
e o meu corpo fecha-se por completo
ansioso de algum sentimento
majestade sem coroa
e a tua vontade dorme solta
o sono arquetípico da lassidão.
...
(não saberemos a razão das coisas)
27/09/1982
ÂNGELA
Desde que me entendo por gente
teu rosto está em minha mente;
desde que me entendo com gente
teu rosto aqui está suavemente
rosto sorrindo desde sempre;
se me desentendo com gente
teu rosto então condescendente
ri novamente - mas somente
se eu não desentender da mente...
teu rosto está em minha mente;
desde que me entendo com gente
teu rosto aqui está suavemente
rosto sorrindo desde sempre;
se me desentendo com gente
teu rosto então condescendente
ri novamente - mas somente
se eu não desentender da mente...
terça-feira, 11 de novembro de 2014
ANTES DE AS ESQUECER
É sempre assim antes de escrever:
- acho que as palavras vão morrer
antes de se permitirem ver
antes de me deixarem rever
o que poderiam vir a ser
se de fato as soubesse escrever.
SINONÍMIA ALAGADIÇA
Aquela flor no pântano
será uma flor de pântano
do charco o delgado encanto?
Aquela flor no lodaçal
será uma cor do tremedal
do aguaçal banhado de sol?
Em atascal que atola o sal
aquela flor tão brejeira
contrária a tal natureza
(de odor cediço à lameira)
seria a dor da beleza?...
será uma flor de pântano
do charco o delgado encanto?
Aquela flor no lodaçal
será uma cor do tremedal
do aguaçal banhado de sol?
Em atascal que atola o sal
aquela flor tão brejeira
contrária a tal natureza
(de odor cediço à lameira)
seria a dor da beleza?...
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
SEM BOLA DE CRISTAL
Quando o tempo incita
que o momento excite
quando a hora avisa
que o agora vive
quanta água parada
deságua em deslize
poça apodrecida
de repente livre?
Quanta água pesada
desgasta a calçada?
Poça rediviva
movimenta a vida?
E quanto a espaçá-la
- calçando a calçada
enquanto espaçá-lo
- o momento dado
é de quem a alçada?
...
[sem bola de cristal
de gude, sem canal
(à frente o matagal)
me escuso after all]
que o momento excite
quando a hora avisa
que o agora vive
quanta água parada
deságua em deslize
poça apodrecida
de repente livre?
Quanta água pesada
desgasta a calçada?
Poça rediviva
movimenta a vida?
E quanto a espaçá-la
- calçando a calçada
enquanto espaçá-lo
- o momento dado
é de quem a alçada?
...
[sem bola de cristal
de gude, sem canal
(à frente o matagal)
me escuso after all]
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
QUADRA PÓS-ELEITORAL
heterodoxa
A rachadura
é na fervura
(é da fervura)
[dá em fervura]
{só é fervura}:
- tão mais sólida
quão insólita!...
A rachadura
é na fervura
(é da fervura)
[dá em fervura]
{só é fervura}:
- tão mais sólida
quão insólita!...
terça-feira, 4 de novembro de 2014
DO LÉXICO GOLPISTA
de sua assustadora imprecisão assustadiça
Se aqui e agora
Brasil for Brazil
(Brazil for Brasil)
será que importa?
Será que exporta
se dois ou dez mil
se mais de cem mil
fizerem hora?
Se estão por fora
sem tais vezes mil
será que aporta?
Será que emborca?...
(se então aborta
calma ou Mallorca?)
[se aqui ou embora
por que varonil?]
...
Se houver pólvora
sob um véu anil
em qualquer Brasil
a flor no fuzil
será que aurora?...
Se aqui e agora
Brasil for Brazil
(Brazil for Brasil)
será que importa?
Será que exporta
se dois ou dez mil
se mais de cem mil
fizerem hora?
Se estão por fora
sem tais vezes mil
será que aporta?
Será que emborca?...
(se então aborta
calma ou Mallorca?)
[se aqui ou embora
por que varonil?]
...
Se houver pólvora
sob um véu anil
em qualquer Brasil
a flor no fuzil
será que aurora?...
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
CUSTOMIZADO
Amo o que escuto
escuto o que amo.
Amo o que leio
se leio o que amo.
Vejo que escuto
vejo que leio
vejo que os amo.
Mas sei o quanto
se além há muito
e aquém de tudo
o sinto mudo?
...
(vejo mais quando?...)
escuto o que amo.
Amo o que leio
se leio o que amo.
Vejo que escuto
vejo que leio
vejo que os amo.
Mas sei o quanto
se além há muito
e aquém de tudo
o sinto mudo?
...
(vejo mais quando?...)
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
REVISITA 23: CONTAS DE BRILHO
Mostra-me como o silêncio
Com que envolves o melhor momento
Alimenta teu sonho
E de mim terás a promessa
De não violar tua cidadela
Castelo dos teus segredos
Peço-te ainda, e não mais que uma vez
Para ensinar-me o mergulho
Tenso, agudo, profundo
No negro lúcido dos teus olhos
Par de contas translúcidas
E de mim terás quase tudo
Quase a metade do mundo
A metade que te falta
Para saíres das sombras...
15/09/1982
CULTURAL
Agora a gravidade jaz seu serviço com incompetência...
Horizontalizou-me a paixão - mas sem crise de abstinência...
Agora a gravidade da condição me estrala sem demência...
(verticalizou-se em sazonalidade com demais consciência)
...
[o gravitacional
naturaliza mal]
Horizontalizou-me a paixão - mas sem crise de abstinência...
Agora a gravidade da condição me estrala sem demência...
(verticalizou-se em sazonalidade com demais consciência)
...
[o gravitacional
naturaliza mal]
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
REVISITA 22: A PENUMBRA
Viste dois flocos de neve, pequeninos
tirados da escuridão
- teus olhos, brancos de susto
arregalados diante de mim!
Faz-se de espelho, o meu ser
dos teus medos o reflexo de anseios
- do silêncio, onde não caminhas
por ser negro invisível
Vivos na penumbra, fogem as mãos
os pés, o corpo, vestidos
de tecido mais fino, sem estrelas
sem mais máculas...
De forma que, minha querida
foram só dois pontos claros, pequeninos
fazendo par, como nós
diante do desconhecido.
25/08/1982
25/08/1982
REVISITA 21: FANTASIA MATUTINA
No limiar das trevas para a claridade
pululam dedos do incriado.
Vão luzes cortando o ar já refeito
das mazelas dos respirandos do dia anterior.
Da densa noite ficou um rastro
iluminado por desejos de um sonho.
Verde floresta de criaturas e cogumelos
perdeu-se incompletamente.
Sobe o sol por cima do real
movimentando o calor da angústia rotineira.
Rostos de reconhecida ambiguidade
são pedras jogadas no caminho.
Anda a roda gigante - logo densa outra noite
recobrirá o que descansa a vida.
Livre no sono a procura
sonhará perdida a floresta encantada.
27/07/1982
AO SENHOR DA CHUVA
O clima lava o mundo.
O tempo lava a fundo.
O clima muda a fundo
O tempo muda o mundo.
(é cíclico e profundo
de fato o raso mundo
encíclico e jucundo)
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
ON THE EDGE II
... vida se apresenta
morte nos aguarda:
- entre tais certezas
por que a caminhada
pelas incertezas
mal nos representa?
(nossas inteirezas)
[vossa via larga]
{toda a repetência}
morte nos aguarda:
- entre tais certezas
por que a caminhada
pelas incertezas
mal nos representa?
(nossas inteirezas)
[vossa via larga]
{toda a repetência}
ON THE EDGE
... pois aqui já estamos
sem que percebamos:
- desde sempre andando
(desde que lutando)
ainda respirando;
pobre ou prosperando
rico ou conservando
nos precarizando
vivos entretanto...
sem que percebamos:
- desde sempre andando
(desde que lutando)
ainda respirando;
pobre ou prosperando
rico ou conservando
nos precarizando
vivos entretanto...
domingo, 26 de outubro de 2014
QUADRA ELEITORAL
conjugações
Se candidato convincente
ou cotado com demérito
será futuro do presente
ou futuro do pretérito.
Se candidato convincente
ou cotado com demérito
será futuro do presente
ou futuro do pretérito.
sábado, 25 de outubro de 2014
QUADRA QUÁDRUPLA DECADENTE
síntese & explicação
Trabalho
baralho
trabalho
baralho
baralho
baralho
paspalho
(caralho!...)
[eu trabalho
e embaralho
eu trabalho
e embaralho
se embaralho
mais baralho
(e o trabalho)
eu paspalho
pra caralho!...]
Trabalho
baralho
trabalho
baralho
baralho
baralho
paspalho
(caralho!...)
[eu trabalho
e embaralho
eu trabalho
e embaralho
se embaralho
mais baralho
(e o trabalho)
eu paspalho
pra caralho!...]
terça-feira, 21 de outubro de 2014
REGISTRO MECÂNICO
grilos?
Meu carro engoliu uns passarinhos
que agora comigo seguem rindo...
Meu carro engoliu dois passarinhos
quatro, seis, dez - ao invés de cinco
sete, treze, dezessete primos:
- pois pares formando casaizinhos
mostram porque estão reproduzindo...
Meu carro engoliu uns passarinhos
que agora comigo seguem rindo...
Meu carro engoliu dois passarinhos
quatro, seis, dez - ao invés de cinco
sete, treze, dezessete primos:
- pois pares formando casaizinhos
mostram porque estão reproduzindo...
domingo, 19 de outubro de 2014
QUADRA SOBRE DUAS PERNAS
homo ludens
Enquanto eu for isto
- o bípede arisco
meu prazer arrisco
sob o sol a pino!...
Enquanto eu for isto
- o bípede arisco
meu prazer arrisco
sob o sol a pino!...
sexta-feira, 17 de outubro de 2014
GÊNESE
a Sebastião Salgado
Curvo-me à majestade do bardo!...
Seu olho magnificado
por tudo fotografado
profunda o veio largo
extremo e próximo
(do meio tácito)
humanizado
agridoce
salgado.
Curvo-me à majestade do bardo!...
Seu olho magnificado
por tudo fotografado
profunda o veio largo
extremo e próximo
(do meio tácito)
humanizado
agridoce
salgado.
AO SENHOR DO TEMPO IV
perfurando outubro
Ao senhor do tempo
(que não me ouve mesmo)
pelo contratempo
(de não me ouvir mesmo):
- haverá pois tempo
de oxalá esquecê-lo!...
Ao senhor do tempo
(que não me ouve mesmo)
pelo contratempo
(de não me ouvir mesmo):
- haverá pois tempo
de oxalá esquecê-lo!...
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
DEMOCRÁTICA
uma diretriz
Da mídia a fera
a ser batida
é a atmosfera
da própria mídia
que vos sitia
em blogosfera.
O que se espera
que não se espera
(pois desespera)
- que poderia
- que deveria
pois mobiliza?
Da blogosfera
mais combativa
virá a esfera
que a publiciza:
a vida ativa
- mas coletiva.
domingo, 12 de outubro de 2014
REVISITA 20: O QUADRO
A parede do meu quarto pendurava uma curva
De uma estrada de pinheiros e árvores retorcidas
Encravando a sua forma em pedra fantasmagórica
Desde a tenra infância dos mistérios o fascinante
Quando eu nesse quadro mergulhava absorvido
Meus me tropeçavam os cascalhos do caminho
Eu jogava os olhos para trás do muro verde
Certo de encontrar muito melhor qualquer resposta
Ao chegar dobrando a vista da beleza de saber
Se a vida do outro lado da pedreira poderia
Restava acreditar já quando tudo escurecia
Dos receios desse tempo um então maior segredo
Agora há separados nós do quadro e do quarto
Longes do amado mundo e abandonando a alegria
Imaginando ainda que quanto mais escuro
Decerto encontrarão mais segredos qual respostas...
07/06/1982
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
DOM CASMURRO
udenista
No clima eleitoral
separo o bem do mal.
Se clima eleitoral
reparo o mal que tem:
- o aparo tal que o bem
(o bem daqueles sem)
ampara o zen no sal.
Desse modo o clima
prepara o tal que vem
da perspectiva
nada desmedida
de uma só medida:
- a minha!
- A minha!!
- A MINHA!!!...
No clima eleitoral
separo o bem do mal.
Se clima eleitoral
reparo o mal que tem:
- o aparo tal que o bem
(o bem daqueles sem)
ampara o zen no sal.
Desse modo o clima
prepara o tal que vem
da perspectiva
nada desmedida
de uma só medida:
- a minha!
- A minha!!
- A MINHA!!!...
terça-feira, 7 de outubro de 2014
À NOITE, TROVA
Dia de prova
vem e renova
que com a prova
que sem a prova
o que comprova
do que renova?
Que nem aprova?
Que nada prova?
Que desaprova
o que reprova?
Que basta a nota?
(que bosta a nota...)
[à noite, trova!...]
vem e renova
que com a prova
que sem a prova
o que comprova
do que renova?
Que nem aprova?
Que nada prova?
Que desaprova
o que reprova?
Que basta a nota?
(que bosta a nota...)
[à noite, trova!...]
RECADO ELEITORAL
aos meninos que não viram
Findou o primeiro turno
de volta para o futuro:
- por isso, porém, contudo
verifique, antes de tudo
(entre cético e incrédulo)
o vigésimo século
dos pretéritos aécios:
-- quando a tal desigualdade
era desigualdade tal
que qualquer barbaridade
mostrava uma qualidade
naturalmente natural.
[a normalidade do mal
(sua banalidade real)]
Findou o primeiro turno
de volta para o futuro:
- por isso, porém, contudo
verifique, antes de tudo
(entre cético e incrédulo)
o vigésimo século
dos pretéritos aécios:
-- quando a tal desigualdade
era desigualdade tal
que qualquer barbaridade
mostrava uma qualidade
naturalmente natural.
[a normalidade do mal
(sua banalidade real)]
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
SUPERQUADRA DA SAFADA FALTA DE LUZ
singela homenagem à CEB e carapuça àqueles que corrompem a política
À família
que famiglia
fez quadrilha
de Brasília.
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
AO SENHOR DO TEMPO III
short report
Ainda tímida
timidazinha
(anágua antiga
de mariazinhas)
uma água arisca
numa descida
arrefecida
protochovia
tarde e vazia.
[chuvisca ainda]
Ainda tímida
timidazinha
(anágua antiga
de mariazinhas)
uma água arisca
numa descida
arrefecida
protochovia
tarde e vazia.
[chuvisca ainda]
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