domingo, 22 de maio de 2016

LUNAR

Crescente

giboso

minguante

garboso

em cheio

hesito

o instante

que orbito

de novo.

DOMINGO LINDO

Num dia liso
sem compromissos

brando e macio
(sem teus buchichos)

a hora escorre
escusatória

por onde corra
(contraditória)

entre cochilos
das sete às nove

entre os amigos
das onze às cinco

e à meia-noite

entre cochichos

(sem teus amigos)

sábado, 21 de maio de 2016

sexta-feira, 20 de maio de 2016

VESPERTINA II

Depois da sesta
franca da sexta

o que desperta

(por uma fresta
sob essa testa)

é esta pedra

branca que negra
sobe uma hedra

sobre a floresta
que se atravessa.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

DANÇA DAS CABEÇAS

(de Egberto e Naná)

... lança a minha terça
quarta, quinta ou sexta

aonde o tempo vá

sem que em vão pretexte
por certa descrença

que não celebrará:

- aonde o sábado
domingo ou feriado

contempla a segunda
como se solteira:

-- como Dandalunda
opulenta a feira!

[a vida, primeiro
sua lida, fecunda...]

quarta-feira, 18 de maio de 2016

REVISITA 136: NOIVA

Que teu vestido, branco

dispa tua pele, clara

pronta a queimar-se, cinza:

- na cabeleira, prata

sonhos de cabeceira.

08/06/2000

terça-feira, 17 de maio de 2016

JULIETAS

No abraço de Morfeu
certo cansaço meu

sonha com Cecília
(sua juvenília)

parte da família

do seu vovô Romeu...

segunda-feira, 16 de maio de 2016

REFLEXOS

A tarde amarela
o que verão dela:

- a tarde à janela
à tarde a donzela

(o que botão nela).

A tarde amarela
o que senão ela?

...

A tarde amarela
a que visão dela

enquanto à janela?

E quando avermelha
a que verão lembra?

(se tarde avermelha
o que então espelha)

domingo, 15 de maio de 2016

REVISITA 135: ALENTO

inspirado em Cruz e Sousa

A magia hoje turvou meus olhos
como um róseo vagar preso às nuvens...
No crepúsculo, às tapeçarias de um verso antigo
teu suave humor contrapôs a cor do amor que a ti dedico.

Hoje, o fremir do abismo acariciou caridoso minha face
como se avisado a ser precisasse, sem acordar-me
para os desacertos de fundo... Ora, o mundo
ao lembrar estreito o que embargo!

Mas teu lume de hoje, ah, este valeu a ousadia
de pensar o dia além do acaso, do compasso amargo
da regra tristemente observada; como se a vida

lépida nos arrumasse, intrépida na vergonha
de saber-se inútil ante tua armadilha
involuntária - a vagar, acima

numa cor mágica.

30/05/2000

sábado, 14 de maio de 2016

MADRUGADA ALTA

da minha janela

Uma gata faz a ronda
do silêncio em movimento

sobrevoando o pavimento
da motocicleta Honda;

e repousa de sua sonda
o que houver sobre o cimento

sob a sombra que arrendonda
a rotina do momento.

[eu repouso na sua onda
a retina em pensamento]

sexta-feira, 13 de maio de 2016

NEOKANTIANA

Desta vez, este tempo infernal
antecederá o mal do bem.

Desta vez, seu ritmo normal
precipitará o mal no bem:

- esse mal que mobiliza o bem
o impulsiona e movimenta além.

...

O que houver do humano universal
(racional, fraternal, magistral)

virtualizará o que contém.

O contexto é outro. Seu texto também.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

REATIVA

A raiva

duelista

de artistas

saraiva

esgaivas

nas draivas

da laiva

farsista.

...

[conquista

que eu saiba

benquista:

- tal raiva

malquista

golpistas]

quarta-feira, 11 de maio de 2016

A QUEM ADOECE NA LUTA

porque adolesce na rua

Adiantam os baços
de humores cabaços

um futuro opaco
adiante o buraco...

Por que o pessimismo
na idade risonha?

Medo do fascismo?
Daquela vergonha?

Cunhar que peçonhas?
Temer que pamonhas?

Meninas, meditem:
Meninos, reflitam:

- as ondas vão e vêm
sua história é de ninguém...

...

Estômagos novos
(e fígados idem)

estranham os ovos
que as cobras progridem;

entranhas sensíveis
sofrem que regridem

de um jogo velhaco
velho de jogado...

Mas jovens de fato
são virgens de crises

de suas reprises
sem que sejam fracos:

- no jogo jogado
de encurtados prazos

o que lhe é invisível
são os tempos vários

e os vários espaços
dos seus resultados.

...

[para que lutemos
(uns mais, outros menos)

todos alargamos
tudo que vivemos]

segunda-feira, 9 de maio de 2016

WALDIR MARANHÃO

(Eduardo Cunha)

O golpe
da popa

no golpe
'da estopa'

trigolpe

galopa

a escopa:

- a tropa
que topa

as gropas
de europas

diz opa!...

(diz oba!
tem sopa...)

domingo, 8 de maio de 2016

REVISITA 134: DESCONHECIMENTO

Da noite, somente a parte em que me perco
mais escura volta, e elusiva; e pára sua brisa
sobre a fina dor que esfarrapa a má desculpa
de dormir no cerco a mim, de minha feitura.

Sopro, ao sufocar, a vela negra sob o manto
e durmo, por faltar vento que varra a bruma
do assaltante medo; na morfina então confiante
do sonho, a malha rompo - o que me empulha.

Estofado, o tempo comprometo, amortecido
esvaindo em perpétua revisita do reconforto
ao familiar círculo de expectativas vazio;

se perdido, é da chance definitiva de queda
que rompa a fundo o medo, aquela parte da noite
onde durmo enfermo, enfim - por minha culpa.

28/05/2000

QUADRA DO DIREITO

à direita

Justiça seletiva
e justiça nenhuma:

- tão univitelinas
quão bandas numa bunda!...

sexta-feira, 6 de maio de 2016

POR ABOMINAR O VÁCUO

a política é natural

O que se põe
(ou se antepõe)

alguém dispõe
e predispõe.

...

Quem interpõe
- o que repõe?

Quem contrapõe
- a que se opõe?

...

- por que indispõe
quando propõe?

...

[alguém pospõe
e predispõe]

quinta-feira, 5 de maio de 2016

VONTADE CREPUSCULAR

Este horizonte

deita vermelho

para que preto

siga defronte.

[assim eu vejo
que faz por onde

nesse horizonte
o meu desejo]

COMPROMISSO

Entre o olho
entra um outro.

Entre o olho
entra um outro.

Entre o olho
e o sobrolho

um endosso.

Entre o olho
e um abrolho

o seu osso.

Entre o olho
um colosso

eu recolho.

Entre o olho
e o tal fosso

(um que é grosso)

o que posso

são teus olhos
(de molosso)

no que é nosso.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

WHO ARE THE SITTING DEAD?

das horas mortas

Em frente à tevê

enfrento você
maldigo você

mastigo você
chiclete clichê

à vossa mercê
nesta matinê:

- uni, duni, tê
salamê, minguê

privé de purê
nada colorê...

[imbecil o quê?!...]

terça-feira, 3 de maio de 2016

ORÇAMENTÁRIA

figurativa

O buraco

no sovaco

do casaco

do velhaco

deixa opaco

mais embaixo

(pelo saco)

outro caco

menos fraco

do seu taco

por um naco

do pataco...

segunda-feira, 2 de maio de 2016

QUADRA LEMBRETE

aos gabinetes

São vossos pais
vosso país

senão os tais
que não traís.

REVISITA 133: MAIO

A secura do ar intensifica
finíssima a seca interior
por tudo ter sob a areia.
O sol em branco cáustico
passa a rodo a alma presa
vaso encalhada, folha morta.

Todavia, vida alternativa
havia. Nota híbrida de expectativas
cortava o tempo lasso do estio
antes de estatelar, descompassadas
gotas em telhados imaginados
abrigos abraçados sob a chuva.

Entretanto, sobreveio a secura
à noite entre sonhos, loucura
assassina antes da luz bater-se.
Rasgado o oásis, de um veio escuro
sangrei cristais sobre a terra úmida
até rachá-la amarelada e dura.

...

Dura a estação enrijecida. Branco
cobre-se o dia, e vive-se maio ainda.
Ante a folha comida, pago, formiga
com grãos de areia a dívida descabida:

- querer muito o peito em descompasso
sua pena intensifica, encalhada a alma
cáustica por desejos dela acima.

15/05/2000

JAMAICANA

Em noite
que pegue

(senoite
que regue)

o reggae
me segue.

Questão poético-existencial

na passarela subterrânea 115/215 Norte

"O padrão
é seu patrão?"

sábado, 30 de abril de 2016

sexta-feira, 29 de abril de 2016

TEMER

O vácuo do café
a vácuo sem café:

- como assim, no sopé
recua um rodapé?

O vácuo da maré
de quem bota o boné

e surfa marcha a ré
(surfista jacaré).

Vácuo em puro estado
vácuo conspirado;

um golpe selado
polichinelado:

- dão pajés recados
(do mercado a vácuo)

pra ralé ir a pé
e evacuar o que der.

...

[se há café, boto fé
que resisto ao mané]

quinta-feira, 28 de abril de 2016

NAUFRÁGIO OUTONAL

O tempo voa.

O pensamento
escoa lento.

Meu corpo aproa
seu movimento

canoa adentro
e o vento o coa.

Sob a garoa
sobre o momento

a coisa toda
que estou fazendo

termina à toa
meio ao relento

e se alagoa.

...

(não foi o tempo
nem foi à toa)

quarta-feira, 27 de abril de 2016

DO IMPOSTO

retido na tela

Eu não vejo porque não
ver as coisas como são:

- assisto televisão.

(vejo o que é sim e o que é não
- a verdade da visão;

ouço que é assim - que as versões
são senões nas transmissões)

...

[e a corrupção
da sonegação?]

[na sonegação
da corrupção
da sonegação

eu vejo que tevê
há - e não há de quê!...

(desde que à mercê
fique do clichê)]

terça-feira, 26 de abril de 2016

SÍNTESE POÉTICA

licença enganosa

Um poema curto
condensa hirto

todo um segundo
do mundo indo

engodo vindo:

- porque o seu tempo
de ser escrito

sequer destempo
terá podido

(já que escorrido)

segunda-feira, 25 de abril de 2016

domingo, 24 de abril de 2016

PRETO BÁSICO

Ali no quintal

a noite ancestral

caiu do varal

retinta e banal.

Tão repetida

a coisa afinal;

repetitiva

de roupa ideal

saída linda

caída normal.

sábado, 23 de abril de 2016

OS SENTIDOS NA MOLÉSTIA

Seja vírus
bactéria

seu arco-íris
sua matéria

eu os vejo
percevejos

dos desejos
que balouço;

eu os ouço
(meus arquejos)

arcabouços
deste cheiro

neste corpo
calabouço

que tateio

e então provo.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

RELATO DA DENGUE

zika ou chicungunha
(todas por alguma)

Foram quatro dias
à sombra dos dias.

Dolorosos dias.
Pavorosos guias.

Foram cinco dias
de casa invadida:

- sete longos dias
de excessiva vida

alheia e indevida
que eu desconhecia.

Foram oito as vias
na pele invadida

- todas avenidas
por qualquer medida.

Nove largos dias
de casa interdita.

Onze mudos dias
do que silencia

em vida excessiva

o que explicaria
sem microscopia

a pele esquisita.

Doze duros dias
e a alma esvazia;

treze tristes dias
que o corpo medita

doente de outras vidas
por sua vez sadias:

- foram quinze dias
doente noutra vida.

***

Foram vinte dias
de pele invadida

por microscopias.

E mais trinta dias
à sombra devida

talvez pela minha.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

REVISITA 132: SONHO DE PAPEL

Aquela fantasia fixada fotografia solicita colorida minha íris cristalina até que então puída peça outra à retina e renove estimada minha draga afasia...

Corro de galeria em galeria atrás da galega em flor luzia castanha trigueira da cor diria que qualquer boa vida dá mechas de menina...

Solto o peso do papel arrivista solto dedos de imaginação ressequida suplicada à princesa a visita da conquista da sereia da ilusão rediviva...

Vou girando arquivista a dupla água marinha azul verde cinza o polegar de par em par de cor defenderia que olhar aos olhos brilha...

Aquela fantasia que meu tempo adiaria solicita colorida minha velha alegria até que então querida traga outra à revelia que insuspeita ao delicada se refaça mais amada...

14/05/2000

terça-feira, 19 de abril de 2016

(QUADRA) [QUADRÚPEDE] {VIRA-LATA}

o golpe nos bolsos

(as falas bem gerais

das capas dos jornais

estão mal para as tais

talas emergenciais)

...

[tomar reais como réis

(de novo os coronéis
em velhos carrosséis);

dolarizar papéis

(a exemplo de alguns réus
há tempos reis ilhéus);

amodernar cartéis

(estatizados quais
privatizá-los mais);

e repassar chapéus

(mas entre o povaréu
sempre que sob o céu)]

...

{e o que virá depois

dos vossos entredois

nos arrocharem - vós

vira-latas que sois?...}

segunda-feira, 18 de abril de 2016

REVISITA 131: AZUIS

O par de entradas à frente
de frente não posso enfrentar;
ferem um brilho antigo, conhecido
de outras estradas intransitáveis.

Como evitá-lo, entretanto, desconheço
se mal adiante enfeita o caminho;
se, num encantamento rijo, o passo adianto
assoalhado em flores que ocultam tais espinhos.

O par anil de onde me fitas, entranhada
ora melancólica, vezes alegremente
algo colérica, ao termo resignada

também em dois me parte; e se tais azuis
tingem de rubra vergonha o meu hesitar
a razão, também não, mal posso evitar.

01/05/2000

domingo, 17 de abril de 2016

AMOR DEMAIS

dos animais

Dengue, zika
chicungunha

dengo, zica
caramunha

- a mosquita
que perfura

mamacita
me perdura!...

quinta-feira, 14 de abril de 2016

QUADRA (AINDA) DOENTE

Ainda não desta feita
a extinção das maleitas

ainda não nesta feira

(de oração pelas beiras)

segunda-feira, 11 de abril de 2016

REVISITA 130: ETÍLICA V

A tarde cai
pesada opala agastada
à minha frente.

Será que é
hora de zarpar?

Não ainda, replica a loura gelada
sussurrando os meus lábios:

- há gente chegando
ilusões se renovando...

10/03/1999

domingo, 10 de abril de 2016

REVISITA 129: ETÍLICA IV

Estou tomado da impaciência
de um contrato que não assino;
de uma uretrite
que resolvi curar a cervejas...

Por que tanta irritação, meu deus
demônio a quem nenhum casaco serve?

Além de pressentir os botões arrebentando
projetando-me puto entre as mesas

o que sei?...

10/03/1999

sábado, 9 de abril de 2016

REVISITA 128: ETÍLICA III

Desta vez
não haverá outros colchões
de carne macia.

Cuidarei das asperezas da perda
como quem corre nu
por uma mata de espinhos.

Nada de anestésicos
entretimentos
consolos de qualquer tipo:

- tratarei da tua perda
como quem sai do velório
de um ente querido.

10/03/1999

sexta-feira, 8 de abril de 2016

REVISITA 127: ETÍLICA II

Bem que podíamos
ser o que quiséssemos;
tratar francamente
das coisas do nosso encanto;
seríamos felizes, estou certo
num castelo solidamente erigido
em meio ao caos.

Mas intercomunicantes
vasos indispomos
invólucros que somos.

Seguir assim, esqueçamos!
Se desconhecemos
que almas temos:

- se asas recolhemos
e patas escolhemos!...

10/03/1999, 27/12/2001

quinta-feira, 7 de abril de 2016

REVISITA 126: ETÍLICA


Num canto de agenda
recomeça o suplício
do ter o que dizer
e não saber como fazer.

Travada, a palavra pede
o óleo de uma cerveja de beirute;
solta e imatura, a dita cuja, enfim
agride a literatura.

Melhor calar, e contemplar
o silêncio das mesas vazias
do meu bar eventual;
de esperanças flertando frustrações
à espera de nada.

10/03/1999

QUADRA BACTERIANA

pós-virótica

O corpo tosse
(a alma sofre)

[como meu fosse
comeu enxofre]

segunda-feira, 4 de abril de 2016

INTERESTADUAL

Pau de arara

- a quebrada
(esta estrada)

quando acaba?

Bem rodada
nau que vaga
pela plaga

- quando para?

Mal que sara

vê-lo seco
(tal qual sê-lo)

- que repara
pela graça?

- quanto paga
de desgraça?

Pau de arara

- onde acabo

quanto acaba
da jornada?...

28/03/16

REVISITA 125: BUENA VISTA SOCIAL CLUB

É a música daquela ilha
tão além de qualquer tempo que espaçar aspiraria
quanto bela fantasia; nos meus termos, que desconheço
é a dona estranha amiga dos salões escuros que abrigo.
Vem de um lugar distante - se próximo, questão não faria
de evitar a morte rubra das tardes de vento fresco:

- porque as imagens da ilha dançam aquela música
em pistas inacessíveis da imaginação;
faces quase reconhecíveis, perfumes fundamente gravados
no que há de então remoto em mim.

(ali, a vontade de ir, colada num calor prenhe de desejos
quer ter nunca de voltar ao barro das certezas que não certificam)

Sonho com a ilha daquela música
febril e molemente; respirando gardênias
entre corpos que pressinto; sorvendo a água morna
das poças de uma chuva para além daqui.
Mas aqui, paralisado de ir ou menear, de virar
e dormir, estaco - entre paredes que impossibilitam.

A tortura de viver tão longe de Buena Vista
aquém dos sentidos de um destino cultivado
em sons e passos, não mata de todo.
Mesmo atado, quase assim morto
sei ainda do paraíso que ouço:

- a música do passado, que a mim tem protegido
do ferir impiedoso do mundo
pergunta-me afinal - onde haveria
de cair a tarde última, rubra, de vento fresco?...

06/03/1999

sexta-feira, 1 de abril de 2016

QUADRA ANTIGOLPISTA

Brasília, 31 de março de 2016

Quando a diversidade
da vida em sociedade

tem a oportunidade
senão de explicitá-la

- a coisa misturada
nas veias da cidade
então comunitária -

à tarde (talvez tarde)

a noite ensolarada
avance a madrugada!...

quinta-feira, 31 de março de 2016

REVISITA 124: GATO PRETO

a Paw

Espelho de mim, ensina-me a caminhar maneiro, perfeito
Pelos becos e ruelas do meu bairro turvo, leito de sombras
Por entre pedras redondas, onde sem quedas ou percalços
Desapercebido iria, o passo mudo entre vultos familiares...

Na vizinhança calma dos sentidos, felino, o olhar vítreo
Brincaria de ser meu teu par amarelo de contas de brilho
Rasgos luzidios no negro hiato dum silêncio emparedado
Coalhada a mente de andares virgens e lugares esboçados...

O que de ti percorrido sou, reflexo alquebrado de fundo falso
Lago fugidio de telhados escuros que ligeiros passeiam, altos
Solicita o arranjo noturno do que não vejo sob as horas claras;

Dos impulsos que retenho impassível face à madrugada opaca
No vento quieto, agasalho frio de esperanças a fio natimortas
Nutro o desejo morno do teu equilíbrio suspenso em estrelas...

17/04/1997

Nota sobre o Projeto Revisitas

Este Projeto chega finalmente à sua última fase - pouco mais de três dezenas de poemas, escritos entre 1997 e 2006, reunidos numa pasta intitulada "poemas soltos".

Os critérios para a sua seleção e postagem, já mencionados neste blog, continuam os mesmos.

M. B.

quarta-feira, 30 de março de 2016

NOTA PREGRESSA

desde Belmiro?

Não há poesia
que conseguisse

naquela vida
que lhes servisse

nem nesta. Vidas
que conduzissem

sem as vertigens
de algaravias

icterícias
de companhias

de portarias
capitanias

[de aleivosias
que nos maldigam

desde a província]

27/03/16

MANHÃ JUIZ-FORANA

O sol do Paraibuna

sai. Caem, uma a uma

as luas de suas ruas

despetalando nuas

(anzóis no Paraibuna)

27/03/16

terça-feira, 29 de março de 2016

ANIVERSÁRIO JUIZ-FORANO

singular e inesquecível

A festa das irmãs

(seresta da mamã)

gerou algum afã

de alguma lida grã

no círculo do clã;

a festa das irmãs

(à testa outras irmãs)

entre alegrias fãs

cevou condutas chãs

no círculo do clã;

a festa das irmãs

levou disputas vãs

(arestas pra amanhã)

pro colo dos divãs

no círculo do clã;

a festa das irmãs

intumesceu titãs

e envaideceu terçã

aquelas sabichãs

do círculo do clã...

...

[na festa das irmãs

a besta sem elã

que fui pela manhã

(os dentes nas maçãs)

trataram de tantã;

mas graças a Tupã

num desses amanhãs

recordarei louçã

(na boca uma hortelã)

da festa das irmãs]

quarta-feira, 23 de março de 2016

INFECCIOSA

à senhora da última semana

A dengue
consegue:

- canhengue
me segue

derrengue
que pegue

de um jegue
que rengue

xerengue
me entregue

perrengue
que chegue

e dengue
prossegue...

terça-feira, 15 de março de 2016

segunda-feira, 14 de março de 2016

QUADRA GOLPISTA VI

a propósito da recepção a Aécio Neves, Geraldo Alckmin
e Marta Suplicy na passeata de ontem em São Paulo

Vosso ovo da serpente

chocado diligente

irrompe (de repente!)

chocalhos insolentes...

domingo, 13 de março de 2016

QUADRA GOLPISTA V

embora soneteie a décima treva em marcha

Há o ar irrespirável

e a água corrompida;

o fogo incontrolável

e a terra consumida.

...

[desse quadro notável
um outro, adaptável

(cronicamente instável
perfeitamente em dia

com o antro inabitável
vipéreo das porfias)

emerge, abominável
auspício da neblina

(propício à surdina
cinérea das rapinas)]

quinta-feira, 10 de março de 2016

QUADRA GOLPISTA IV

embora relativa ao quarto dia deste março

Ao que ladra
pela vara

a sua tara
descarada

(e dispara
a culatra):

- por que ladras
entre ladrões?

- aceitação?
- bajulações?

(contracapas
de alguns patrões?)

- suposições?
- convicções?

- outras searas?...

- outros balões?...

...

[ao que ladra
por atenção:

- não se enquadra
percepções!...]

quarta-feira, 9 de março de 2016

PASTORIL

Não gosto dos sonhos que tenho
(aqueles que acordam no cenho).

Desgosto dos sonhos que tenho.

Noite à tarde, tarde cedo
cedo o dia ou dia ao meio

são melancólicos. Remotos.
Zigotos. Brotos. Ignotos.

São verdes e rotos. Neles nada empenho
porque nada desempenho.

Imoto piloto
da vida em que venho

pergunto que engenho
simbólico (católico, diabólico)

desenho ou desdenho

quando sonho e pesadelo
cada vez são mais o mesmo:

- em vez de sonhos bucólicos
por que não sonos bucólicos?...

(não gosto dos sonos que tenho)

segunda-feira, 7 de março de 2016

REVISITA 123: FLORIPA EM CHAMAS

53º (e último) poema de À procura de Nefertari

- qual chance de fato tive
se não lá o bastante estive
que presenteasse realmente?

Lesada a alma, o corpo, esta
boca-de-fogo entrópica
fênix derreteu-se ciclópica
à mente sem meia-volta:

- em segundos derramou discursos
átimos escuros, fundos meteoros
furos, buracos lá e cá...

- chance tivemos de fato
alguma vez lado a lado
aqui, ali - passado algum

tempo no ciberespaço?...

22/04/2006

domingo, 6 de março de 2016

QUADRA GOLPISTA III

embora desde 1500

Seja eu cretino

um imbecil

flébil mental

débil moral

ou apenas um idiota
sem consciência civil

à mercê dos espertalhões
que esbulham o Brasil

- sinto o Brasil

fértil, hostil, servil, febril
(e a depender de nós) gentil

desde aquele longínquo abril.

sábado, 5 de março de 2016

QUADRA GOLPISTA II

embora décima

A baioneta
foi dispensada

pela gazeta
toga-e-escopeta

recombinadas
como espingardas:

- como trombetas
pela sarjeta

reencenada
na madrugada.

sexta-feira, 4 de março de 2016

REVISITA 122: DECLIVE

52º poema de À procura de Nefertari

... num fio quase secreto, remanescente,
mal encoberto por toda a recente razão
que aparta a paixão doente... Ali
preso redescubro, inda em brasa febril,
a incandescente projeção de mim
que és ausente... Em mim, o presente
vivo-morto de promessas, tempo
do aborto daninho das ervas - o fim
da Eva querida que sadia serias
se vadia, a verde-escura vida
nos abrisse uma trilha
fresca, sem facões ou senões,
recrudescida... E se camaleão,
um parvo Adão pudesse ao fundo
eu ser, incondicionalmente,
por tua certeza de eternamente...

19/02/2006

quinta-feira, 3 de março de 2016

AMOR À TARDE

A tarde

rodeio
de enleios:

- meneios
floreio

e os cheios
torneio.

À tarde

asseio
passeios

gorjeio
correios

e esteio
teus seios.

É tarde!

- sorteio
custeios

arreios
(seus freios)

e enfeio
uns meios.

E tarde

(alheio)

receios
folheio:

- a tarde

de anseios
não veio.

quarta-feira, 2 de março de 2016

QUADRA ATÔMICA

de venda e compra

Fácil, difícil

grácil (o míssil)

ágil - é císsil

[frágil de físsil]

terça-feira, 1 de março de 2016

REVISITA 121: DA FIDELIDADE

51º poema de À procura de Nefertari

Nem quando sincera, pediste
Ou mesmo terna, ignoraste;
Quando desventurada, achaste
Que desarmada, a cumplicidade

Do dragão teria;

Nem quando pensaste, desiludida
E pronta descartaste, como fortuita;
Quando desesperada, ordenaste
Que pelos ares, toda voasse

Foste atendida;

E menos ainda, quando sozinha
Te imaginaste, na mais escura
E erma passagem; num grotão
Avesso qualquer, da realidade

- eu soltei a tua mão.

26/11/2005

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

MINGUANTE II

Meu corpo irá durar
enquanto eu precisar.

Ele perdurará
enquanto seu xará

apesar do pesar
de pesar e pesar.

Embora um dia vá
embora do sofá

- da besteira de andar
à cadeira de andar

(e desta a um feio algar) -

meio corpo haverá
aqui antes de acolá:

- porque corpo solar
numa fase lunar.

DO VENTILADOR

curto o circuito

O noticiário

- seu comentário
vocabulário
itinerário;

- seus proprietários
e secretários
e adversários;

- seus corolários
porque breviários
porque arbitrários
(porque contrários) -

será ao contrário

seu temerário

destinatário.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

PREGUIÇOSOS

Um dia de sol

e eu com terçol

na alma.

...

Um dia de sol

e ele com tersol

nas mãos

(contra a escuridão)

...

[um dia de sol

(de guarda-sóis)

e ela nos lençóis

ainda]

sábado, 27 de fevereiro de 2016

QUADRA SUBJACENTE

[este langor ao escrever
(nesse torpor fingir sofrer)

vem de um amor a prescrever
(seu dissabor reconhecer)]

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

QUADRA A VACUUM

No século vinte e um

um régulo, de algum

há muito é de nenhum

(há muitos, e nenhum)

DECOREBA

paturebas

Nas fileiras
de cadeiras

encadeiam
tal conversa

por escadas
obversas

(de sacadas
submersas)

numa escala
adversa

[porque odeiam
bibliotecas]:

- esvaziam
as palavras

que extraviam
de outras lavras...

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

QUADRA GOLPISTA

embora setilha

A fala licenciosa

da mente facciosa
de gente fastidiosa

conjura, prodigiosa
conspira, pretensiosa

(prepara, silenciosa)

ciosa de si, ansiosa...

DO PROFESSOR GASTO

A sala vazia

das aulas cerzidas
modernas cantigas
(entre outras fadigas)

ecoa, vívida

coisa mais antiga
que pedagogias.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

REVISITA 120: HIATOS PREENCHIDOS

50º poema de À procura de Nefertari

Sopra suave aquela brisa
de algum lugar além daqui:

- pressentir a sua doçura
machuca, como se flores
de todas as cores esmaecidas
despetalassem inadvertidas
do que vive em mim de ti.

Toca uma canção inesquecível
num canto qualquer, inacessível:

- sabê-la festiva, no íntimo
fere de silêncios o ouvido;
e não me consola a ciência
de senti-la melodia de uma hora
menos serena que a nossa.

Paira entre versos, inimiga
a sombra de outra vida mais querida:

- pois aqui hesita nos vestígios
claros dos teus olhos límpidos
tão adorados - e fugidia
que às vezes parece teus lábios
furtiva num meio-sorriso.

15/11/2005

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

DO VALOR DA VISÃO

O preço de enxergar à frente

(e o custo de se fazer frente)

é o mediano medo da gente
(a mediocridade vigente)

face à aurora próxima ao poente

(anterior ao próximo expoente)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

GISMONTI: ÁGUA E VINHO

álbum, canção

Adivinho

meu coração

num coração rapazinho;

num coração com espinhos
de sentimentos vizinhos

meu coração ribeirinho:

- embarcação sem alinho
(verde o timão na contramão)

enamorado e sozinho;

destemperado mocinho
inclinado a desatenções

burburinhos

trepidações

torvelinhos;

a inspirações

descaminhos

e abreviações

(de destinos...)

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Na Comercial da 413 Norte

o melhor poema de rua dos últimos tempos

"Fazer cocô

é obrigatório.

Fazer merda

é opcional."

REVISITA 119: DO PONTO ONDE NOS ENCONTRAMOS

49º poema de À procura de Nefertari

- o que há de tão errado
na fast curve do tempo
(à luz daquele cruzamento)
que circunscreva o espaço

de manobra necessário
ao suave pisar do freio
impeditivo (tormento!)
de espatifar-se o sentimento?

- o que há de tão difícil
(à luz daquele cruzamento)
em tratar-se, de início

do mergulho-equipamento
que a tua dor (de amor ileso)
resgataria do abismo?...

30/10/2005

sábado, 20 de fevereiro de 2016

DEPOIS DA MEIA-NOITE

Bela noite.

Boa a noite

entrenoite.

Noite repleta

enquanto passa;

quando completa

noite fechada.

...

(à noite, outra noite

cruza a madrugada)

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

FANTASIA DA ALMA

ao gênio de Egberto Gismonti

Os dez dedos do Egberto
tocam o Brasil profundo

um Brasil redescoberto:

- da romaria ao entrudo
os meus ouvidos vão junto...

Os dez dedos do Egberto
trazem o Brasil mais perto

do que Villa fez facundo:

- proto-Brasil rico e rudo
o paraíso - contudo

um Brasil sonhado há muito
um Brasil possível junto:

-- meus ouvidos vão com tudo...

Os dez dedos do Egberto
na música do Egberto

(instrumentos em aberto)

tornam o Brasil transunto
do que há de melhor no mundo:

- do que pode, sobretudo
ser de belo, bom e justo.

[nos ouvidos, testemunho...]

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

SEXTILHA DO PONTO

na manufatura

Os olhos no horário
espelhado do átrio

(olhos descansados
de noites em claro)

o são no trabalho
que não enxovalham.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

REVISITA 118: A DESORDEM DOS FATORES

48º poema de À procura de Nefertari

Eu sigo precário
qual um condenado
ao desequilíbrio
do malabarismo:

- aspectos dissonantes
de térreos sonhos possíveis
desprendem-se fragmentos
de segmentos visíveis

e levam-me de mim mesmo
(o tal meu destino em riste)

ao vácuo absoluto
daquela queda livre:

-- o que findará primeiro?
   (meu segundo ou um terceiro?...)

30/10/2005

domingo, 14 de fevereiro de 2016

QUADRA SOLIDÁRIA

Neste domingo de calor

haverá solidão maior

que a daquele ventilador

na velocidade menor?...

sábado, 13 de fevereiro de 2016

ANÓDINO

a propósito da leitura de certos jornais

O discurso liberal
não faz bem - mas nem faz mal

como léxico trivial

de êxito entre comensais
(à parte seus serviçais)

de velhos salões ovais

[sejam burgueses ou reais
rivais ou patrimoniais]

...

O discurso liberal
- no que tem de literal

cabe mais aos carnavais
(sua ótica festival):

- flor exótica, estival
da estufa do capital...

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

ESPESSURA

do cerrado

Ar espesso
ar nublado

- qual seu peso
quase opaco?...

Ar espesso
adensado

- por que tempo
perdurado?...

Arremesso
malparado

indefesso
pendurado!...

Ar espesso
ar cansado

- que lhe peço
já regado?...

Ar opresso
muro d'água

- quando preso?
- quanto vaza?...

...

Ar espesso
no feriado

- se me custa
o que é dado

queira o vento
queira a chuva

remontá-lo
na segunda!...

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

CINZAS II

A quarta anuncia
a quinta em seguida

e depois a sexta
a segunda e a terça

talvez entrementes
(por indiferentes)

na vida das gentes
pregadas nas teias;

talvez o seguinte
o que as fortaleça

no sábado cresça

desopile as veias
explore outras vias

domingue e pereça...

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

TERÇA GORDA

Mas estou magro

de tanto agrado

fino, delgado

e delicado.

...

(troquei de horário

de itinerário

algo arbitrário

todo ao contrário)

...

(mudei a dieta

a lida, a meta

por uma siesta

pouco indigesta)

...

(já ao quadrado

caí de quatro

lasso e devasso

no sofá grasso)

...

[mas estou magro

(gordo ao contrário)

de tanto agrado

(seu corolário)]

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

REVISITA 117: ERRATA

47º poema de À procura de Nefertari

Redesenhar um poema
não é pouco, pequena:

- retorce o já tortuoso
recorte, já a gosto...

Retocar-lhe a palavra
o violenta, e o agrava

no que a escrita teria
desencontrado, lida...

Se queres chorar por ti
sente e verte, por ali

qual fadada a tua vida;

- mas não queira azulada
asa tal, fraturada

arremedo de tinta...

24/02/2005

domingo, 7 de fevereiro de 2016

DOMINGO GORDO

quadra carnavalesca

Estou presente

(digo 'fulgente')

malemolente

[tevê à frente]

sábado, 6 de fevereiro de 2016

DO SÁBADO DE CARNAVAL

pluvioso, pluviátil, pluvial

em Brasília
(Asa Norte).

Numa ilha
deste porte

desse clima
passaporte

(não que importe!)

pantomima
me transporte

me deporte
me suporte

noutra sorte:

- nesta ilha
ser de morte

sem quadrilhas
seguidilhas

sem virilhas
de novilhas

só mar forte

céu acima!...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

ACERCA DO MOMENTO

político existencial

Quando me pergunto

- parando um minuto
- sobrando em segundo

sobre este quadro diminuto
aumentando ininterrupto

- do que me aborreço?
- e qual encabeço?

A bem do que apreço
respondo sem condescendê-lo

(onde punham preços
serão olhares nada vesgos):

- a hipocrisia de uns
- o fascismo de alguns

e o que têm em comum.

SURDO APITO

Zumbindo

ao fundo

de tudo

uma síntese do barulho
do mundo todavia escuto

no que silencio
enquanto enfastio

(toda a vida ruída em conjunto)

...

[uma síntese do que escuto

sumindo no ouvido

e dele revinda

aguda]

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

MANHÃ PINDÁRICA

bem-vinda à sombra!...

Ela espremeu-se
ensolarada

entre dois desses
períodos d'água

a fim de ver-me
a caminhá-la

ensolarados

(afora suado):

- mas este poema
por celebrá-la

(sem defendê-la
desobrigada)

tem precedência
por ora em casa...

...

[talvez mais tarde

(se aquela que arde
cruzar a tarde)

irei beijá-la
apaixonado

embora tarde

agora baça...]

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

SEXTILHA DA AÇÃO SELETIVA

uma questão para a justiça


... sobre o princípio da presunção

da inocência de um dado varão

é justa a falta, em sua aplicação

face ao que sobra, em comparação

com tal princípio na afirmação

da inocência de um dado barão?...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

NO TOPO DA CADEIA

falimentar?

Homo sapiens:

- que de sapiens
de fato tens?

As origens?
(suas imagens?)

As linguagens?
(tuas mensagens?)

Personagens?
(homenagens?)

Abordagens?

Engrenagens?

(parolagens?)

Quais vantagens?
(vassalagens?)

As coragens?
(das roupagens?)

As vertigens?
(são selvagens?)

As bagagens?
(de tais viagens?)

As passagens?
(das paragens?)

As paisagens?
(das miragens?)

Homo sapiens!

- que de sapiens
mesmo tu tens?...

[tais bens - quais trens...]

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

CHANGESONEBOWIE

Ground control to major Tom...

A vida que aventura
além das imposturas

solicita a postura

de David para Stardust

(one with no time to adjust
to wherever he was thrust)

de Ziggy para Bowie

(more than the average woe
not to be Marilyn Monroe)

da fama para a vida

(sem que ela sobreviva
além do que musica)

Can you hear me major Tom?...