Crescente
giboso
minguante
garboso
em cheio
hesito
o instante
que orbito
de novo.
domingo, 22 de maio de 2016
DOMINGO LINDO
Num dia liso
sem compromissos
brando e macio
(sem teus buchichos)
a hora escorre
escusatória
por onde corra
(contraditória)
entre cochilos
das sete às nove
entre os amigos
das onze às cinco
e à meia-noite
entre cochichos
(sem teus amigos)
sábado, 21 de maio de 2016
sexta-feira, 20 de maio de 2016
VESPERTINA II
Depois da sesta
franca da sexta
o que desperta
(por uma fresta
sob essa testa)
é esta pedra
branca que negra
sobe uma hedra
sobre a floresta
que se atravessa.
quinta-feira, 19 de maio de 2016
DANÇA DAS CABEÇAS
(de Egberto e Naná)
... lança a minha terça
quarta, quinta ou sexta
aonde o tempo vá
sem que em vão pretexte
por certa descrença
que não celebrará:
- aonde o sábado
domingo ou feriado
contempla a segunda
como se solteira:
-- como Dandalunda
opulenta a feira!
[a vida, primeiro
sua lida, fecunda...]
quarta-feira, 18 de maio de 2016
REVISITA 136: NOIVA
Que teu vestido, branco
dispa tua pele, clara
pronta a queimar-se, cinza:
- na cabeleira, prata
sonhos de cabeceira.
08/06/2000
terça-feira, 17 de maio de 2016
JULIETAS
No abraço de Morfeu
certo cansaço meu
sonha com Cecília
(sua juvenília)
parte da família
do seu vovô Romeu...
segunda-feira, 16 de maio de 2016
REFLEXOS
A tarde amarela
o que verão dela:
- a tarde à janela
à tarde a donzela
(o que botão nela).
A tarde amarela
o que senão ela?
...
A tarde amarela
a que visão dela
enquanto à janela?
E quando avermelha
a que verão lembra?
(se tarde avermelha
o que então espelha)
domingo, 15 de maio de 2016
REVISITA 135: ALENTO
inspirado em Cruz e Sousa
A magia hoje turvou meus olhos
A magia hoje turvou meus olhos
como um róseo vagar preso às nuvens...
No crepúsculo, às tapeçarias de um verso antigo
teu suave humor contrapôs a cor do amor que a ti dedico.
Hoje, o fremir do abismo acariciou caridoso minha face
como se avisado a ser precisasse, sem acordar-me
para os desacertos de fundo... Ora, o mundo
ao lembrar estreito o que embargo!
Mas teu lume de hoje, ah, este valeu a ousadia
de pensar o dia além do acaso, do compasso amargo
da regra tristemente observada; como se a vida
lépida nos arrumasse, intrépida na vergonha
de saber-se inútil ante tua armadilha
involuntária - a vagar, acima
numa cor mágica.
30/05/2000
sábado, 14 de maio de 2016
MADRUGADA ALTA
da minha janela
Uma gata faz a ronda
do silêncio em movimento
sobrevoando o pavimento
da motocicleta Honda;
e repousa de sua sonda
o que houver sobre o cimento
sob a sombra que arrendonda
a rotina do momento.
[eu repouso na sua onda
a retina em pensamento]
sexta-feira, 13 de maio de 2016
NEOKANTIANA
Desta vez, este tempo infernal
antecederá o mal do bem.
Desta vez, seu ritmo normal
precipitará o mal no bem:
- esse mal que mobiliza o bem
o impulsiona e movimenta além.
...
O que houver do humano universal
(racional, fraternal, magistral)
virtualizará o que contém.
O contexto é outro. Seu texto também.
quinta-feira, 12 de maio de 2016
REATIVA
A raiva
duelista
de artistas
saraiva
esgaivas
nas draivas
da laiva
farsista.
...
[conquista
que eu saiba
benquista:
- tal raiva
malquista
golpistas]
quarta-feira, 11 de maio de 2016
A QUEM ADOECE NA LUTA
porque adolesce na rua
Adiantam os baços
de humores cabaços
um futuro opaco
adiante o buraco...
Por que o pessimismo
na idade risonha?
Medo do fascismo?
Daquela vergonha?
Cunhar que peçonhas?
Temer que pamonhas?
Meninas, meditem:
Meninos, reflitam:
- as ondas vão e vêm
sua história é de ninguém...
...
Estômagos novos
(e fígados idem)
estranham os ovos
que as cobras progridem;
entranhas sensíveis
sofrem que regridem
de um jogo velhaco
velho de jogado...
Mas jovens de fato
são virgens de crises
de suas reprises
sem que sejam fracos:
- no jogo jogado
de encurtados prazos
o que lhe é invisível
são os tempos vários
e os vários espaços
dos seus resultados.
...
[para que lutemos
(uns mais, outros menos)
todos alargamos
tudo que vivemos]
Adiantam os baços
de humores cabaços
um futuro opaco
adiante o buraco...
Por que o pessimismo
na idade risonha?
Medo do fascismo?
Daquela vergonha?
Cunhar que peçonhas?
Temer que pamonhas?
Meninas, meditem:
Meninos, reflitam:
- as ondas vão e vêm
sua história é de ninguém...
...
Estômagos novos
(e fígados idem)
estranham os ovos
que as cobras progridem;
entranhas sensíveis
sofrem que regridem
de um jogo velhaco
velho de jogado...
Mas jovens de fato
são virgens de crises
de suas reprises
sem que sejam fracos:
- no jogo jogado
de encurtados prazos
o que lhe é invisível
são os tempos vários
e os vários espaços
dos seus resultados.
...
[para que lutemos
(uns mais, outros menos)
todos alargamos
tudo que vivemos]
segunda-feira, 9 de maio de 2016
WALDIR MARANHÃO
(Eduardo Cunha)
O golpe
da popa
no golpe
'da estopa'
trigolpe
galopa
a escopa:
- a tropa
que topa
as gropas
de europas
diz opa!...
(diz oba!
tem sopa...)
domingo, 8 de maio de 2016
REVISITA 134: DESCONHECIMENTO
Da noite, somente a parte em que me perco
mais escura volta, e elusiva; e pára sua brisa
sobre a fina dor que esfarrapa a má desculpa
de dormir no cerco a mim, de minha feitura.
Sopro, ao sufocar, a vela negra sob o manto
e durmo, por faltar vento que varra a bruma
do assaltante medo; na morfina então confiante
do sonho, a malha rompo - o que me empulha.
Estofado, o tempo comprometo, amortecido
esvaindo em perpétua revisita do reconforto
ao familiar círculo de expectativas vazio;
se perdido, é da chance definitiva de queda
que rompa a fundo o medo, aquela parte da noite
onde durmo enfermo, enfim - por minha culpa.
28/05/2000
QUADRA DO DIREITO
à direita
Justiça seletiva
e justiça nenhuma:
- tão univitelinas
quão bandas numa bunda!...
Justiça seletiva
e justiça nenhuma:
- tão univitelinas
quão bandas numa bunda!...
sexta-feira, 6 de maio de 2016
POR ABOMINAR O VÁCUO
a política é natural
O que se põe
(ou se antepõe)
alguém dispõe
e predispõe.
...
Quem interpõe
- o que repõe?
Quem contrapõe
- a que se opõe?
...
- por que indispõe
quando propõe?
...
[alguém pospõe
e predispõe]
quinta-feira, 5 de maio de 2016
VONTADE CREPUSCULAR
Este horizonte
deita vermelho
para que preto
siga defronte.
[assim eu vejo
que faz por onde
nesse horizonte
o meu desejo]
COMPROMISSO
Entre o olho
entra um outro.
Entre o olho
entra um outro.
Entre o olho
e o sobrolho
um endosso.
Entre o olho
e um abrolho
o seu osso.
Entre o olho
um colosso
eu recolho.
Entre o olho
e o tal fosso
(um que é grosso)
o que posso
são teus olhos
(de molosso)
no que é nosso.
quarta-feira, 4 de maio de 2016
WHO ARE THE SITTING DEAD?
das horas mortas
Em frente à tevê
enfrento você
maldigo você
mastigo você
chiclete clichê
à vossa mercê
nesta matinê:
- uni, duni, tê
salamê, minguê
privé de purê
nada colorê...
[imbecil o quê?!...]
terça-feira, 3 de maio de 2016
ORÇAMENTÁRIA
figurativa
O buraco
no sovaco
do casaco
do velhaco
deixa opaco
mais embaixo
(pelo saco)
outro caco
menos fraco
do seu taco
por um naco
do pataco...
segunda-feira, 2 de maio de 2016
REVISITA 133: MAIO
A secura do ar intensifica
finíssima a seca interior
por tudo ter sob a areia.
O sol em branco cáustico
passa a rodo a alma presa
vaso encalhada, folha morta.
Todavia, vida alternativa
havia. Nota híbrida de expectativas
cortava o tempo lasso do estio
antes de estatelar, descompassadas
gotas em telhados imaginados
abrigos abraçados sob a chuva.
Entretanto, sobreveio a secura
à noite entre sonhos, loucura
assassina antes da luz bater-se.
Rasgado o oásis, de um veio escuro
sangrei cristais sobre a terra úmida
até rachá-la amarelada e dura.
...
Dura a estação enrijecida. Branco
cobre-se o dia, e vive-se maio ainda.
Ante a folha comida, pago, formiga
com grãos de areia a dívida descabida:
- querer muito o peito em descompasso
sua pena intensifica, encalhada a alma
cáustica por desejos dela acima.
15/05/2000
sábado, 30 de abril de 2016
sexta-feira, 29 de abril de 2016
TEMER
O vácuo do café
a vácuo sem café:
- como assim, no sopé
recua um rodapé?
O vácuo da maré
de quem bota o boné
e surfa marcha a ré
(surfista jacaré).
Vácuo em puro estado
vácuo conspirado;
um golpe selado
polichinelado:
- dão pajés recados
(do mercado a vácuo)
pra ralé ir a pé
e evacuar o que der.
...
[se há café, boto fé
que resisto ao mané]
quinta-feira, 28 de abril de 2016
NAUFRÁGIO OUTONAL
O tempo voa.
O pensamento
escoa lento.
Meu corpo aproa
seu movimento
canoa adentro
e o vento o coa.
Sob a garoa
sobre o momento
a coisa toda
que estou fazendo
termina à toa
meio ao relento
e se alagoa.
...
(não foi o tempo
nem foi à toa)
quarta-feira, 27 de abril de 2016
DO IMPOSTO
retido na tela
Eu não vejo porque não
ver as coisas como são:
- assisto televisão.
(vejo o que é sim e o que é não
- a verdade da visão;
ouço que é assim - que as versões
são senões nas transmissões)
(vejo o que é sim e o que é não
- a verdade da visão;
ouço que é assim - que as versões
são senões nas transmissões)
...
[e a corrupção
da sonegação?]
[na sonegação
da corrupção
da sonegação
da sonegação
eu vejo que tevê
há - e não há de quê!...
(desde que à mercê
fique do clichê)]
(desde que à mercê
fique do clichê)]
terça-feira, 26 de abril de 2016
SÍNTESE POÉTICA
licença enganosa
Um poema curto
condensa hirto
todo um segundo
do mundo indo
engodo vindo:
- porque o seu tempo
de ser escrito
sequer destempo
terá podido
(já que escorrido)
segunda-feira, 25 de abril de 2016
domingo, 24 de abril de 2016
PRETO BÁSICO
Ali no quintal
a noite ancestral
caiu do varal
retinta e banal.
Tão repetida
a coisa afinal;
repetitiva
de roupa ideal
saída linda
caída normal.
sábado, 23 de abril de 2016
OS SENTIDOS NA MOLÉSTIA
Seja vírus
bactéria
seu arco-íris
sua matéria
eu os vejo
percevejos
dos desejos
que balouço;
eu os ouço
(meus arquejos)
arcabouços
deste cheiro
neste corpo
calabouço
que tateio
e então provo.
sexta-feira, 22 de abril de 2016
RELATO DA DENGUE
zika ou chicungunha
(todas por alguma)
Foram quatro dias
à sombra dos dias.
Dolorosos dias.
Pavorosos guias.
Foram cinco dias
de casa invadida:
- sete longos dias
de excessiva vida
alheia e indevida
que eu desconhecia.
Foram oito as vias
na pele invadida
- todas avenidas
por qualquer medida.
Nove largos dias
de casa interdita.
Onze mudos dias
do que silencia
em vida excessiva
o que explicaria
sem microscopia
a pele esquisita.
Doze duros dias
e a alma esvazia;
treze tristes dias
que o corpo medita
doente de outras vidas
por sua vez sadias:
- foram quinze dias
doente noutra vida.
***
Foram vinte dias
de pele invadida
por microscopias.
E mais trinta dias
à sombra devida
talvez pela minha.
(todas por alguma)
Foram quatro dias
à sombra dos dias.
Dolorosos dias.
Pavorosos guias.
Foram cinco dias
de casa invadida:
- sete longos dias
de excessiva vida
alheia e indevida
que eu desconhecia.
Foram oito as vias
na pele invadida
- todas avenidas
por qualquer medida.
Nove largos dias
de casa interdita.
Onze mudos dias
do que silencia
em vida excessiva
o que explicaria
sem microscopia
a pele esquisita.
Doze duros dias
e a alma esvazia;
treze tristes dias
que o corpo medita
doente de outras vidas
por sua vez sadias:
- foram quinze dias
doente noutra vida.
***
Foram vinte dias
de pele invadida
por microscopias.
E mais trinta dias
à sombra devida
talvez pela minha.
quarta-feira, 20 de abril de 2016
REVISITA 132: SONHO DE PAPEL
Aquela fantasia fixada fotografia solicita colorida minha íris cristalina até que então puída peça outra à retina e renove estimada minha draga afasia...
Corro de galeria em galeria atrás da galega em flor luzia castanha trigueira da cor diria que qualquer boa vida dá mechas de menina...
Solto o peso do papel arrivista solto dedos de imaginação ressequida suplicada à princesa a visita da conquista da sereia da ilusão rediviva...
Vou girando arquivista a dupla água marinha azul verde cinza o polegar de par em par de cor defenderia que olhar aos olhos brilha...
Aquela fantasia que meu tempo adiaria solicita colorida minha velha alegria até que então querida traga outra à revelia que insuspeita ao delicada se refaça mais amada...
14/05/2000
Corro de galeria em galeria atrás da galega em flor luzia castanha trigueira da cor diria que qualquer boa vida dá mechas de menina...
Solto o peso do papel arrivista solto dedos de imaginação ressequida suplicada à princesa a visita da conquista da sereia da ilusão rediviva...
Vou girando arquivista a dupla água marinha azul verde cinza o polegar de par em par de cor defenderia que olhar aos olhos brilha...
Aquela fantasia que meu tempo adiaria solicita colorida minha velha alegria até que então querida traga outra à revelia que insuspeita ao delicada se refaça mais amada...
14/05/2000
terça-feira, 19 de abril de 2016
(QUADRA) [QUADRÚPEDE] {VIRA-LATA}
o golpe nos bolsos
(as falas bem gerais
das capas dos jornais
estão mal para as tais
talas emergenciais)
...
[tomar reais como réis
(de novo os coronéis
em velhos carrosséis);
dolarizar papéis
(a exemplo de alguns réus
há tempos reis ilhéus);
amodernar cartéis
(estatizados quais
privatizá-los mais);
e repassar chapéus
(mas entre o povaréu
sempre que sob o céu)]
...
{e o que virá depois
dos vossos entredois
nos arrocharem - vós
vira-latas que sois?...}
segunda-feira, 18 de abril de 2016
REVISITA 131: AZUIS
O par de entradas à frente
de frente não posso enfrentar;
ferem um brilho antigo, conhecido
de outras estradas intransitáveis.
Como evitá-lo, entretanto, desconheço
se mal adiante enfeita o caminho;
se, num encantamento rijo, o passo adianto
assoalhado em flores que ocultam tais espinhos.
O par anil de onde me fitas, entranhada
ora melancólica, vezes alegremente
algo colérica, ao termo resignada
também em dois me parte; e se tais azuis
tingem de rubra vergonha o meu hesitar
a razão, também não, mal posso evitar.
01/05/2000
domingo, 17 de abril de 2016
AMOR DEMAIS
dos animais
Dengue, zika
chicungunha
dengo, zica
caramunha
- a mosquita
que perfura
mamacita
me perdura!...
Dengue, zika
chicungunha
dengo, zica
caramunha
- a mosquita
que perfura
mamacita
me perdura!...
sexta-feira, 15 de abril de 2016
quinta-feira, 14 de abril de 2016
QUADRA (AINDA) DOENTE
Ainda não desta feita
a extinção das maleitas
ainda não nesta feira
(de oração pelas beiras)
segunda-feira, 11 de abril de 2016
REVISITA 130: ETÍLICA V
A tarde cai
pesada opala agastada
à minha frente.
Será que é
hora de zarpar?
Não ainda, replica a loura gelada
sussurrando os meus lábios:
- há gente chegando
ilusões se renovando...
10/03/1999
domingo, 10 de abril de 2016
REVISITA 129: ETÍLICA IV
Estou tomado da impaciência
de um contrato que não assino;
de uma uretrite
que resolvi curar a cervejas...
Por que tanta irritação, meu deus
demônio a quem nenhum casaco serve?
Além de pressentir os botões arrebentando
projetando-me puto entre as mesas
o que sei?...
10/03/1999
sábado, 9 de abril de 2016
REVISITA 128: ETÍLICA III
Desta vez
não haverá outros colchões
de carne macia.
Cuidarei das asperezas da perda
como quem corre nu
por uma mata de espinhos.
Nada de anestésicos
entretimentos
consolos de qualquer tipo:
- tratarei da tua perda
como quem sai do velório
de um ente querido.
10/03/1999
sexta-feira, 8 de abril de 2016
REVISITA 127: ETÍLICA II
Bem que podíamos
ser o que quiséssemos;
tratar francamente
das coisas do nosso encanto;
seríamos felizes, estou certo
num castelo solidamente erigido
em meio ao caos.
Mas intercomunicantes
vasos indispomos
invólucros que somos.
Seguir assim, esqueçamos!
Se desconhecemos
que almas temos:
- se asas recolhemos
e patas escolhemos!...
10/03/1999, 27/12/2001
quinta-feira, 7 de abril de 2016
REVISITA 126: ETÍLICA
Num canto de agenda
recomeça o suplício
do ter o que dizer
e não saber como fazer.
Travada, a palavra pede
o óleo de uma cerveja de beirute;
solta e imatura, a dita cuja, enfim
agride a literatura.
Melhor calar, e contemplar
o silêncio das mesas vazias
do meu bar eventual;
de esperanças flertando frustrações
à espera de nada.
10/03/1999
segunda-feira, 4 de abril de 2016
INTERESTADUAL
Pau de arara
- a quebrada
(esta estrada)
quando acaba?
Bem rodada
nau que vaga
pela plaga
- quando para?
Mal que sara
vê-lo seco
(tal qual sê-lo)
- que repara
pela graça?
- quanto paga
de desgraça?
Pau de arara
- onde acabo
quanto acaba
da jornada?...
28/03/16
REVISITA 125: BUENA VISTA SOCIAL CLUB
É a música daquela ilha
tão além de qualquer tempo que espaçar aspiraria
quanto bela fantasia; nos meus termos, que desconheço
é a dona estranha amiga dos salões escuros que abrigo.
Vem de um lugar distante - se próximo, questão não faria
de evitar a morte rubra das tardes de vento fresco:
- porque as imagens da ilha dançam aquela música
em pistas inacessíveis da imaginação;
faces quase reconhecíveis, perfumes fundamente gravados
no que há de então remoto em mim.
(ali, a vontade de ir, colada num calor prenhe de desejos
quer ter nunca de voltar ao barro das certezas que não certificam)
Sonho com a ilha daquela música
febril e molemente; respirando gardênias
entre corpos que pressinto; sorvendo a água morna
das poças de uma chuva para além daqui.
Mas aqui, paralisado de ir ou menear, de virar
e dormir, estaco - entre paredes que impossibilitam.
A tortura de viver tão longe de Buena Vista
aquém dos sentidos de um destino cultivado
em sons e passos, não mata de todo.
Mesmo atado, quase assim morto
sei ainda do paraíso que ouço:
- a música do passado, que a mim tem protegido
do ferir impiedoso do mundo
pergunta-me afinal - onde haveria
de cair a tarde última, rubra, de vento fresco?...
06/03/1999
sexta-feira, 1 de abril de 2016
QUADRA ANTIGOLPISTA
Brasília, 31 de março de 2016
Quando a diversidade
da vida em sociedade
tem a oportunidade
senão de explicitá-la
- a coisa misturada
nas veias da cidade
então comunitária -
à tarde (talvez tarde)
a noite ensolarada
avance a madrugada!...
quinta-feira, 31 de março de 2016
REVISITA 124: GATO PRETO
a Paw
Pelos becos e ruelas do meu bairro turvo, leito de sombras
Por entre pedras redondas, onde sem quedas ou percalços
Desapercebido iria, o passo mudo entre vultos familiares...
Na vizinhança calma dos sentidos, felino, o olhar vítreo
Brincaria de ser meu teu par amarelo de contas de brilho
Rasgos luzidios no negro hiato dum silêncio emparedado
Coalhada a mente de andares virgens e lugares esboçados...
O que de ti percorrido sou, reflexo alquebrado de fundo falso
Lago fugidio de telhados escuros que ligeiros passeiam, altos
Solicita o arranjo noturno do que não vejo sob as horas claras;
Dos impulsos que retenho impassível face à madrugada opaca
No vento quieto, agasalho frio de esperanças a fio natimortas
Nutro o desejo morno do teu equilíbrio suspenso em estrelas...
17/04/1997
Nota sobre o Projeto Revisitas
Este Projeto chega finalmente à sua última fase - pouco mais de três dezenas de poemas, escritos entre 1997 e 2006, reunidos numa pasta intitulada "poemas soltos".
Os critérios para a sua seleção e postagem, já mencionados neste blog, continuam os mesmos.
M. B.
Os critérios para a sua seleção e postagem, já mencionados neste blog, continuam os mesmos.
M. B.
quarta-feira, 30 de março de 2016
NOTA PREGRESSA
desde Belmiro?
Não há poesia
que conseguisse
naquela vida
que lhes servisse
nem nesta. Vidas
que conduzissem
sem as vertigens
de algaravias
icterícias
de companhias
de portarias
capitanias
[de aleivosias
que nos maldigam
desde a província]
27/03/16
Não há poesia
que conseguisse
naquela vida
que lhes servisse
nem nesta. Vidas
que conduzissem
sem as vertigens
de algaravias
icterícias
de companhias
de portarias
capitanias
[de aleivosias
que nos maldigam
desde a província]
27/03/16
MANHÃ JUIZ-FORANA
O sol do Paraibuna
sai. Caem, uma a uma
as luas de suas ruas
despetalando nuas
(anzóis no Paraibuna)
27/03/16
terça-feira, 29 de março de 2016
ANIVERSÁRIO JUIZ-FORANO
singular e inesquecível
A festa das irmãs
(seresta da mamã)
gerou algum afã
de alguma lida grã
no círculo do clã;
a festa das irmãs
(à testa outras irmãs)
entre alegrias fãs
cevou condutas chãs
no círculo do clã;
a festa das irmãs
levou disputas vãs
(arestas pra amanhã)
pro colo dos divãs
no círculo do clã;
a festa das irmãs
intumesceu titãs
e envaideceu terçã
aquelas sabichãs
do círculo do clã...
...
[na festa das irmãs
a besta sem elã
que fui pela manhã
(os dentes nas maçãs)
trataram de tantã;
mas graças a Tupã
num desses amanhãs
recordarei louçã
(na boca uma hortelã)
da festa das irmãs]
quarta-feira, 23 de março de 2016
INFECCIOSA
à senhora da última semana
A dengue
consegue:
- canhengue
me segue
derrengue
que pegue
de um jegue
que rengue
xerengue
me entregue
perrengue
que chegue
e dengue
prossegue...
terça-feira, 15 de março de 2016
segunda-feira, 14 de março de 2016
QUADRA GOLPISTA VI
a propósito da recepção a Aécio Neves, Geraldo Alckmin
e Marta Suplicy na passeata de ontem em São Paulo
Vosso ovo da serpente
chocado diligente
irrompe (de repente!)
chocalhos insolentes...
domingo, 13 de março de 2016
QUADRA GOLPISTA V
embora soneteie a décima treva em marcha
Há o ar irrespirável
e a água corrompida;
o fogo incontrolável
e a terra consumida.
...
[desse quadro notável
um outro, adaptável
(cronicamente instável
perfeitamente em dia
com o antro inabitável
vipéreo das porfias)
emerge, abominável
auspício da neblina
(propício à surdina
cinérea das rapinas)]
quinta-feira, 10 de março de 2016
QUADRA GOLPISTA IV
embora relativa ao quarto dia deste março
Ao que ladra
pela vara
a sua tara
descarada
(e dispara
a culatra):
- por que ladras
entre ladrões?
- aceitação?
- bajulações?
(contracapas
de alguns patrões?)
- suposições?
- convicções?
- outras searas?...
- outros balões?...
...
[ao que ladra
por atenção:
- não se enquadra
percepções!...]
quarta-feira, 9 de março de 2016
PASTORIL
Não gosto dos sonhos que tenho
(aqueles que acordam no cenho).
Desgosto dos sonhos que tenho.
Noite à tarde, tarde cedo
cedo o dia ou dia ao meio
são melancólicos. Remotos.
Zigotos. Brotos. Ignotos.
São verdes e rotos. Neles nada empenho
porque nada desempenho.
Imoto piloto
da vida em que venho
pergunto que engenho
simbólico (católico, diabólico)
desenho ou desdenho
quando sonho e pesadelo
cada vez são mais o mesmo:
- em vez de sonhos bucólicos
por que não sonos bucólicos?...
(não gosto dos sonos que tenho)
segunda-feira, 7 de março de 2016
REVISITA 123: FLORIPA EM CHAMAS
53º (e último) poema de À procura de Nefertari
- qual chance de fato tive
se não lá o bastante estive
que presenteasse realmente?
Lesada a alma, o corpo, esta
boca-de-fogo entrópica
fênix derreteu-se ciclópica
à mente sem meia-volta:
- em segundos derramou discursos
átimos escuros, fundos meteoros
furos, buracos lá e cá...
- chance tivemos de fato
alguma vez lado a lado
aqui, ali - passado algum
tempo no ciberespaço?...
22/04/2006
domingo, 6 de março de 2016
QUADRA GOLPISTA III
embora desde 1500
Seja eu cretino
um imbecil
flébil mental
débil moral
ou apenas um idiota
sem consciência civil
à mercê dos espertalhões
que esbulham o Brasil
- sinto o Brasil
fértil, hostil, servil, febril
(e a depender de nós) gentil
desde aquele longínquo abril.
Seja eu cretino
um imbecil
flébil mental
débil moral
ou apenas um idiota
sem consciência civil
à mercê dos espertalhões
que esbulham o Brasil
- sinto o Brasil
fértil, hostil, servil, febril
(e a depender de nós) gentil
desde aquele longínquo abril.
sábado, 5 de março de 2016
QUADRA GOLPISTA II
embora décima
A baioneta
foi dispensada
pela gazeta
toga-e-escopeta
recombinadas
como espingardas:
- como trombetas
pela sarjeta
reencenada
na madrugada.
sexta-feira, 4 de março de 2016
REVISITA 122: DECLIVE
52º poema de À procura de Nefertari
... num fio quase secreto, remanescente,
mal encoberto por toda a recente razão
que aparta a paixão doente... Ali
preso redescubro, inda em brasa febril,
a incandescente projeção de mim
que és ausente... Em mim, o presente
vivo-morto de promessas, tempo
do aborto daninho das ervas - o fim
da Eva querida que sadia serias
se vadia, a verde-escura vida
nos abrisse uma trilha
fresca, sem facões ou senões,
recrudescida... E se camaleão,
um parvo Adão pudesse ao fundo
eu ser, incondicionalmente,
por tua certeza de eternamente...
19/02/2006
quinta-feira, 3 de março de 2016
AMOR À TARDE
A tarde
rodeio
de enleios:
- meneios
floreio
e os cheios
torneio.
- meneios
floreio
e os cheios
torneio.
À tarde
asseio
passeios
gorjeio
correios
e esteio
teus seios.
É tarde!
- sorteio
custeios
arreios
(seus freios)
e enfeio
uns meios.
E tarde
(alheio)
receios
folheio:
- a tarde
de anseios
não veio.
não veio.
quarta-feira, 2 de março de 2016
QUADRA ATÔMICA
de venda e compra
Fácil, difícil
grácil (o míssil)
ágil - é císsil
[frágil de físsil]
terça-feira, 1 de março de 2016
REVISITA 121: DA FIDELIDADE
51º poema de À procura de Nefertari
Nem quando sincera, pediste
Ou mesmo terna, ignoraste;
Quando desventurada, achaste
Que desarmada, a cumplicidade
Do dragão teria;
Nem quando pensaste, desiludida
E pronta descartaste, como fortuita;
Quando desesperada, ordenaste
Que pelos ares, toda voasse
Foste atendida;
E menos ainda, quando sozinha
Te imaginaste, na mais escura
E erma passagem; num grotão
Avesso qualquer, da realidade
- eu soltei a tua mão.
26/11/2005
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
MINGUANTE II
Meu corpo irá durar
enquanto eu precisar.
Ele perdurará
enquanto seu xará
apesar do pesar
de pesar e pesar.
Embora um dia vá
embora do sofá
- da besteira de andar
à cadeira de andar
(e desta a um feio algar) -
meio corpo haverá
aqui antes de acolá:
- porque corpo solar
numa fase lunar.
DO VENTILADOR
curto o circuito
O noticiário
- seu comentário
vocabulário
itinerário;
- seus proprietários
e secretários
e adversários;
- seus corolários
porque breviários
porque arbitrários
(porque contrários) -
será ao contrário
seu temerário
destinatário.
domingo, 28 de fevereiro de 2016
PREGUIÇOSOS
Um dia de sol
e eu com terçol
na alma.
...
Um dia de sol
e ele com tersol
nas mãos
(contra a escuridão)
...
[um dia de sol
(de guarda-sóis)
e ela nos lençóis
ainda]
sábado, 27 de fevereiro de 2016
QUADRA SUBJACENTE
[este langor ao escrever
(nesse torpor fingir sofrer)
vem de um amor a prescrever
(seu dissabor reconhecer)]
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
DECOREBA
paturebas
Nas fileiras
de cadeiras
encadeiam
tal conversa
por escadas
obversas
(de sacadas
submersas)
numa escala
adversa
[porque odeiam
bibliotecas]:
- esvaziam
as palavras
que extraviam
de outras lavras...
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
QUADRA GOLPISTA
embora setilha
A fala licenciosa
da mente facciosa
de gente fastidiosa
conjura, prodigiosa
conspira, pretensiosa
(prepara, silenciosa)
ciosa de si, ansiosa...
DO PROFESSOR GASTO
A sala vazia
das aulas cerzidas
modernas cantigas
(entre outras fadigas)
ecoa, vívida
coisa mais antiga
que pedagogias.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
REVISITA 120: HIATOS PREENCHIDOS
50º poema de À procura de Nefertari
Sopra suave aquela brisa
de algum lugar além daqui:
- pressentir a sua doçura
machuca, como se flores
de todas as cores esmaecidas
despetalassem inadvertidas
do que vive em mim de ti.
Toca uma canção inesquecível
num canto qualquer, inacessível:
- sabê-la festiva, no íntimo
fere de silêncios o ouvido;
e não me consola a ciência
de senti-la melodia de uma hora
menos serena que a nossa.
Paira entre versos, inimiga
a sombra de outra vida mais querida:
- pois aqui hesita nos vestígios
claros dos teus olhos límpidos
tão adorados - e fugidia
que às vezes parece teus lábios
furtiva num meio-sorriso.
15/11/2005
terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
DO VALOR DA VISÃO
O preço de enxergar à frente
(e o custo de se fazer frente)
é o mediano medo da gente
(a mediocridade vigente)
face à aurora próxima ao poente
(anterior ao próximo expoente)
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
GISMONTI: ÁGUA E VINHO
álbum, canção
Adivinho
meu coração
num coração rapazinho;
num coração com espinhos
de sentimentos vizinhos
meu coração ribeirinho:
- embarcação sem alinho
(verde o timão na contramão)
enamorado e sozinho;
destemperado mocinho
inclinado a desatenções
burburinhos
trepidações
torvelinhos;
a inspirações
descaminhos
e abreviações
(de destinos...)
domingo, 21 de fevereiro de 2016
Na Comercial da 413 Norte
o melhor poema de rua dos últimos tempos
"Fazer cocô
é obrigatório.
Fazer merda
é opcional."
REVISITA 119: DO PONTO ONDE NOS ENCONTRAMOS
49º poema de À procura de Nefertari
- o que há de tão errado
na fast curve do tempo
(à luz daquele cruzamento)
que circunscreva o espaço
de manobra necessário
ao suave pisar do freio
impeditivo (tormento!)
de espatifar-se o sentimento?
- o que há de tão difícil
(à luz daquele cruzamento)
em tratar-se, de início
do mergulho-equipamento
que a tua dor (de amor ileso)
resgataria do abismo?...
30/10/2005
sábado, 20 de fevereiro de 2016
DEPOIS DA MEIA-NOITE
Bela noite.
Boa a noite
entrenoite.
Noite repleta
enquanto passa;
quando completa
noite fechada.
...
(à noite, outra noite
cruza a madrugada)
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
FANTASIA DA ALMA
ao gênio de Egberto Gismonti
Os dez dedos do Egberto
tocam o Brasil profundo
um Brasil redescoberto:
- da romaria ao entrudo
os meus ouvidos vão junto...
Os dez dedos do Egberto
trazem o Brasil mais perto
do que Villa fez facundo:
- proto-Brasil rico e rudo
o paraíso - contudo
um Brasil sonhado há muito
um Brasil possível junto:
-- meus ouvidos vão com tudo...
Os dez dedos do Egberto
na música do Egberto
(instrumentos em aberto)
tornam o Brasil transunto
do que há de melhor no mundo:
- do que pode, sobretudo
ser de belo, bom e justo.
[nos ouvidos, testemunho...]
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
SEXTILHA DO PONTO
na manufatura
Os olhos no horário
espelhado do átrio
(olhos descansados
de noites em claro)
(olhos descansados
de noites em claro)
o são no trabalho
que não enxovalham.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
REVISITA 118: A DESORDEM DOS FATORES
48º poema de À procura de Nefertari
Eu sigo precário
qual um condenado
ao desequilíbrio
do malabarismo:
- aspectos dissonantes
de térreos sonhos possíveis
desprendem-se fragmentos
de segmentos visíveis
e levam-me de mim mesmo
(o tal meu destino em riste)
ao vácuo absoluto
daquela queda livre:
-- o que findará primeiro?
(meu segundo ou um terceiro?...)
30/10/2005
domingo, 14 de fevereiro de 2016
QUADRA SOLIDÁRIA
Neste domingo de calor
haverá solidão maior
que a daquele ventilador
na velocidade menor?...
sábado, 13 de fevereiro de 2016
ANÓDINO
a propósito da leitura de certos jornais
O discurso liberal
não faz bem - mas nem faz mal
como léxico trivial
de êxito entre comensais
(à parte seus serviçais)
de velhos salões ovais
[sejam burgueses ou reais
rivais ou patrimoniais]
...
O discurso liberal
- no que tem de literal
cabe mais aos carnavais
(sua ótica festival):
- flor exótica, estival
da estufa do capital...
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
ESPESSURA
do cerrado
Ar espesso
ar nublado
- qual seu peso
quase opaco?...
Ar espesso
adensado
- por que tempo
perdurado?...
Arremesso
malparado
indefesso
pendurado!...
Ar espesso
ar cansado
- que lhe peço
já regado?...
Ar opresso
muro d'água
- quando preso?
- quanto vaza?...
...
Ar espesso
no feriado
- se me custa
o que é dado
queira o vento
queira a chuva
remontá-lo
na segunda!...
Ar espesso
ar nublado
- qual seu peso
quase opaco?...
Ar espesso
adensado
- por que tempo
perdurado?...
Arremesso
malparado
indefesso
pendurado!...
Ar espesso
ar cansado
- que lhe peço
já regado?...
Ar opresso
muro d'água
- quando preso?
- quanto vaza?...
...
Ar espesso
no feriado
- se me custa
o que é dado
queira o vento
queira a chuva
remontá-lo
na segunda!...
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
CINZAS II
A quarta anuncia
a quinta em seguida
e depois a sexta
a segunda e a terça
talvez entrementes
(por indiferentes)
na vida das gentes
pregadas nas teias;
talvez o seguinte
o que as fortaleça
no sábado cresça
desopile as veias
explore outras vias
domingue e pereça...
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
TERÇA GORDA
Mas estou magro
de tanto agrado
fino, delgado
e delicado.
...
(troquei de horário
de itinerário
algo arbitrário
todo ao contrário)
...
(mudei a dieta
a lida, a meta
por uma siesta
pouco indigesta)
...
(já ao quadrado
caí de quatro
lasso e devasso
no sofá grasso)
...
[mas estou magro
(gordo ao contrário)
de tanto agrado
(seu corolário)]
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
REVISITA 117: ERRATA
47º poema de À procura de Nefertari
Redesenhar um poema
não é pouco, pequena:
- retorce o já tortuoso
recorte, já a gosto...
Retocar-lhe a palavra
o violenta, e o agrava
no que a escrita teria
desencontrado, lida...
Se queres chorar por ti
sente e verte, por ali
qual fadada a tua vida;
- mas não queira azulada
asa tal, fraturada
arremedo de tinta...
24/02/2005
Redesenhar um poema
não é pouco, pequena:
- retorce o já tortuoso
recorte, já a gosto...
Retocar-lhe a palavra
o violenta, e o agrava
no que a escrita teria
desencontrado, lida...
Se queres chorar por ti
sente e verte, por ali
qual fadada a tua vida;
- mas não queira azulada
asa tal, fraturada
arremedo de tinta...
24/02/2005
domingo, 7 de fevereiro de 2016
sábado, 6 de fevereiro de 2016
DO SÁBADO DE CARNAVAL
pluvioso, pluviátil, pluvial
em Brasília
(Asa Norte).
Numa ilha
deste porte
desse clima
passaporte
(não que importe!)
pantomima
me transporte
me deporte
me suporte
noutra sorte:
- nesta ilha
ser de morte
ser de morte
sem quadrilhas
seguidilhas
sem virilhas
de novilhas
de novilhas
só mar forte
céu acima!...
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
ACERCA DO MOMENTO
político existencial
Quando me pergunto
- parando um minuto
- sobrando em segundo
sobre este quadro diminuto
aumentando ininterrupto
- do que me aborreço?
- e qual encabeço?
A bem do que apreço
respondo sem condescendê-lo
(onde punham preços
serão olhares nada vesgos):
- a hipocrisia de uns
- o fascismo de alguns
e o que têm em comum.
SURDO APITO
Zumbindo
ao fundo
de tudo
uma síntese do barulho
do mundo todavia escuto
no que silencio
enquanto enfastio
(toda a vida ruída em conjunto)
...
[uma síntese do que escuto
sumindo no ouvido
e dele revinda
aguda]
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
MANHÃ PINDÁRICA
bem-vinda à sombra!...
Ela espremeu-se
ensolarada
entre dois desses
períodos d'água
a fim de ver-me
a caminhá-la
ensolarados
(afora suado):
- mas este poema
por celebrá-la
(sem defendê-la
desobrigada)
tem precedência
por ora em casa...
...
[talvez mais tarde
(se aquela que arde
cruzar a tarde)
irei beijá-la
apaixonado
embora tarde
agora baça...]
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016
SEXTILHA DA AÇÃO SELETIVA
uma questão para a justiça
... sobre o princípio da presunção
da inocência de um dado varão
é justa a falta, em sua aplicação
face ao que sobra, em comparação
com tal princípio na afirmação
da inocência de um dado barão?...
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
NO TOPO DA CADEIA
falimentar?
Homo sapiens:
- que de sapiens
de fato tens?
As origens?
(suas imagens?)
As linguagens?
(tuas mensagens?)
Personagens?
(homenagens?)
Abordagens?
Engrenagens?
(parolagens?)
Quais vantagens?
(vassalagens?)
As coragens?
(das roupagens?)
As vertigens?
(são selvagens?)
As bagagens?
(de tais viagens?)
(de tais viagens?)
As passagens?
(das paragens?)
(das paragens?)
As paisagens?
(das miragens?)
Homo sapiens!
- que de sapiens
mesmo tu tens?...
[tais bens - quais trens...]
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
CHANGESONEBOWIE
Ground control to major Tom...
A vida que aventura
além das imposturas
solicita a postura
de David para Stardust
(one with no time to adjust
to wherever he was thrust)
de Ziggy para Bowie
(more than the average woe
not to be Marilyn Monroe)
da fama para a vida
(sem que ela sobreviva
além do que musica)
Can you hear me major Tom?...
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