da aventura
Que queremos os dois
que sonhamos a sós?
Aonde iremos depois
de acordados após
aceitarmo-nos pois
despeitados avós
conformados do aboiz
(matadouro de bois)
que olvidamos algoz?...
segunda-feira, 4 de julho de 2016
URUGUAYA
Quero uma lida
- una muy linda
pero tranquila
qual um Mujica
sem biografia
por outra vida
tal como a via
fotografia
que eu poderia:
- uma guerrilha
contemplativa
por la poesía.
domingo, 3 de julho de 2016
AUTOMAT
Domingo
comungo
promessas
comigo
travessas
contigo
compressas
conosco
remessas
convosco
homessas
consigo...
homessas
consigo...
[depressa
conjugo (o)
conjunto
domingo]
sábado, 2 de julho de 2016
BREXIT III
razão e projeção
1. um futuro que se adia
democrático;
2. um presente que judia
plutocrático;
3. um passado que fendia
aristocrático.
A ilusão de (2) foi (1).
A elusão de (3) é (2).
A elisão de (1) será (3).
1. um futuro que se adia
democrático;
2. um presente que judia
plutocrático;
3. um passado que fendia
aristocrático.
A ilusão de (2) foi (1).
A elusão de (3) é (2).
A elisão de (1) será (3).
sexta-feira, 1 de julho de 2016
quinta-feira, 30 de junho de 2016
SOBRE O PROJETO II
filosofia
Literatura
sem estatura
eu faço
na caradura.
Se encontro espaço
entre cabaços
perduro
qual joão-com-braço.
Como seria
talento houvesse?
Lerias
mas Hermann Hesse...
Literatura
sem estatura
eu faço
na caradura.
Se encontro espaço
entre cabaços
perduro
qual joão-com-braço.
Como seria
talento houvesse?
Lerias
mas Hermann Hesse...
SOBRE O PROJETO
neste recesso
O isolamento
no acostamento
do tempo
experimento.
O sol de fora
eu dentro afora
relembro
outros momentos.
Que faço agora
correndo a hora?
Descrevo
quais movimento.
ENLUARADOS
Sob a noite
no telhado
vi dois gatos
entreolhados
num silêncio
calculado
entre miados
isolados...
Sob a lua
vi dois gajos
(um malhado
outro branco)
quais pessoas
sossegando
vidas boas
entretanto...
quarta-feira, 29 de junho de 2016
PONDO-SE
A claridade
do sol à tarde
é toda e parte
suas contrapartes:
- jaz sobre as vias
certa aspereza
de luz que cria
à sombra friezas;
- traz das sofias
melancolia
e de estranhezas
mais profundeza;
- faz da beleza
desarmonias
de naturezas
em sintonia...
[mas tais verdades
da realidade
sem agudezas
aceitarias?...]
do sol à tarde
é toda e parte
suas contrapartes:
- jaz sobre as vias
certa aspereza
de luz que cria
à sombra friezas;
- traz das sofias
melancolia
e de estranhezas
mais profundeza;
- faz da beleza
desarmonias
de naturezas
em sintonia...
[mas tais verdades
da realidade
sem agudezas
aceitarias?...]
QUADRA GOLPISTA X
dilemática
A república apodrece.
A sua política puba
o seu sujeito apodrenta
o seu futuro se estraga.
A situação deteriora
a conversa se corrompe
a convivência putrefaz.
A insatisfação fermenta.
...
Há propostas sobre a mesa
que endireitem pela esquerda?
(sob a mesa, há privadas
negociatas de acrobatas
pra repleções instantâneas)
[sob a mesa, há migalhas
que empilhadas viram palha
pra combustões espontâneas]
A república apodrece.
A sua política puba
o seu sujeito apodrenta
o seu futuro se estraga.
A situação deteriora
a conversa se corrompe
a convivência putrefaz.
A insatisfação fermenta.
...
Há propostas sobre a mesa
que endireitem pela esquerda?
(sob a mesa, há privadas
negociatas de acrobatas
pra repleções instantâneas)
[sob a mesa, há migalhas
que empilhadas viram palha
pra combustões espontâneas]
VISITA RÁPIDA
O bem-te-vi
que esteve aqui
veio de lá
(feito sabiá)
pelo açaí?
Pelo cajá
taperebá?
Um tamanduá
pelos cupins?
(que bicho há
pra outros fins?)
...
Foi por ali
sumido já?
(molhando o ar
me distraí
olhando o mar)
terça-feira, 28 de junho de 2016
TRILHA PRUM PAÍS NOVO
a Egberto Gismonti
Da alma dos escravos
segundo um Orfeu novo
é dança das cabeças
a dança dos escravos
ao sol do meio dia
numa janela de ouro:
- circense fantasia
sonho de academias;
mágico feixe de luz
na bandeira do Brasil...
Das águas luminosas
(casa das andorinhas)
vêm saudações do Carmo (aos)
corações futuristas:
- porém num trem caipira
com sanfona caipira;
nó de sobrevivência
de Amazônias na infância
de Amazônias na infância
de água e vinho em família...
segunda-feira, 27 de junho de 2016
REVISITA 143: DUO
a um par de amigas
Juntas aquelas duas, as duas
são as tagarelas do macio;
quando extáticas, palavreiam
gorjeiam os sons do infinito!...
Por entre objetos, acerca das formas
rolam incontidas em prosa; diversas
vão coloridas as ideias; talvez conversa
de sereias, a mim nocauteia - líquida e certa!
(por que elas fazem comigo
isto? - o encanto, à face
à queima-roupa feminino?)
Sério, delas logo atrás passo
zonzo, relembrando o caminho
do percurso silábico acidentado
a prestar atento o ouvido
resoluto ao gozo no riso...
08/12/2001
domingo, 26 de junho de 2016
BREXIT II
Quem quer a Europa
tanto de auroras
quanto demoras
velha senhora
(aquela Europa
fora de moda)?
A sectária
mais reacionária?
A belicista
balcanizada?
A missionária
colonialista?
Civilizada?
Imperialista?
Amedrontada?
Passa da hora:
- quem quer a Europa
velha de volta?...
sábado, 25 de junho de 2016
DO BAILE
No descompasso
inevitável
de onde repasso (o)
tempo no espaço
todo que sonho
inabitável
[seja medonho (ou)
admirável]
me desenfronho
de uma balada (a)
outra levada
daquela dança
por onde avanço
na corda cambo
de pedra bamba
que me emancipe (e)
por outro esquife
recorde um samba.
sexta-feira, 24 de junho de 2016
quarta-feira, 22 de junho de 2016
SEXTILHA RECIDIVA
do lide da série
'meu passado vos pertence'
Quem eu fui, não fui mais.
O que fiz, fiz jamais.
Quando à beira do cais
onde foi, adernais.
...
Como então ademais?
(porque falo demais?...)
terça-feira, 21 de junho de 2016
REVISITA 142: JÂNGAL
O búfalo do interior escuro, impaciente adolescente,
assedia-me; as cordas que o retém, no seu esgarço,
testemunham - tão pessoalmente - uma indisciplina
minha, familiarmente velhaca - e farta de cansaços.
Vem o monstro rápido à lisa superfície, cão negro
sem peso; da minha alma agastada, traz nenhum remorso;
resoluto, pisa os meus pruridos; se fraco lhe abro porteiras,
abala agradecido a carreira, como se me considerasse...
Esse búfalo do interior escuro, em largo movimento
amassa delicadezas de relva virgem; despedaça cores
de mimosas flores; mas, na minha dor aguda
que aos sentimentos anula, à passagem da fera,
pontua estreito o desejo - nela impulso, em mim desespero
- de abrir por dentro um caminho...
07/11/2001
segunda-feira, 20 de junho de 2016
CONJUGAL
O vácuo
incluo
no duo.
O vácuo
possuo
do duo.
Do duo
no vácuo
recuo
e amuo:
- se cruo
me excluo.
domingo, 19 de junho de 2016
REVISITA 141: RECONHECIMENTO
Vezes te pressenti, dos escombros
de meus vários sonhos; aos pedaços
vinhas intuída; proibida ao ouvido
sopravas um canto desconhecido.
Teus olhos, tão com outros confundidos
já os vira; como lanternas, padeciam
atirados à escuridão mais espessa
(mas acima
de onde afinal sempre intuíra).
Agora te materializas, encarnada
em mulher de fases várias! Dona de luas
das largas faces que ocultas...
Estremeço! Medo eu teria até quando
sobre a caverna, e por dentro dela
façamos - dos escombros - teu castelo.
24/03/2001
sábado, 18 de junho de 2016
DA ESTAÇÃO
O sol do inverno
exterioriza
um grilho interno
que dói à vista
(pelo que perto
significa)
sexta-feira, 17 de junho de 2016
quinta-feira, 16 de junho de 2016
PASSAGEIRO
A sensação que tenho
do tempo acelerando
avessa ao andamento
do tempo ponderando
a cada momentâneo
tropeço extemporâneo
(comigo recorrendo
inútil contra os danos)
não causa desespero
nem tira o sono quando
os dias sucedendo
estreitam cotidianos
há muito, muito tempo
desde os primeiros anos...
[tal sensação contenho
novel recomeçando
a lembrar de recreios
sonhando veraneios
sujeito a veteranos
do mal-estar humano
que avento passageiros]
quarta-feira, 15 de junho de 2016
REVISITA 140: VINDO
... às vezes numa via do futuro imaginado
o carinho breve de um par de mãos amigo
pressinto sempre vindo comigo encaminhado
entranhando estrangeiro um círculo de erros
preso ao carro passado girando infindável
o aparato dos ventos à margem de destinos
onde paro e desatino ao penar pela estrada
a pensar do que morreria se de mãos
estranho fosse se sentisse engordurado
a nuca enrijecida num intento que abrisse
outra via entorpecida de conforto encorajando
essa ida antecipada enfim ao dia curvo
do qual derraparia para além do curto
circuito onde erro a ermo aquém dos sonhos
cárceres onde morto vivo quando então
liberto de carícias privaria...
05/06/2001
terça-feira, 14 de junho de 2016
TEMPORAL
Se tudo precipita
o que desacelera
eu mesmo de visita
nativo desta terra
se mesmo de visita
o que desacelera
eu tudo precipita
nativo desta terra!...
REFLEXÕES
Os textos externos
ao mundo moderno
(pesados cadernos
do céu e do inferno)
releio-os eternos
arcaicos, hodiernos.
Os textos internos
(de fundo materno)
que escrevo fraterno
num caderno aberto
doem-me o esterno
de comoções ternas:
- talvez por reflexos
côncavos, convexos
de textos externos
[recôncavo o nexo
de fundo complexo
no mundo moderno]
domingo, 12 de junho de 2016
sábado, 11 de junho de 2016
GÊMEO
Da luz
no ruz
Ormuz
aduz
que Arimã
de manhã
(louçã)
seduz.
...
[o abenuz
que reluz
marfuz
só amanhã]
sexta-feira, 10 de junho de 2016
REVISITA 139: UMA VOZ DE MULHER
Mulher, a tua voz, tão doce,
é tão adulta! Terna e crescida,
sempre premia, séria a carícia,
meu premido ouvido ao telefone...
Voz madura! Mas de onde
imagino senhas a um amor insone
consumindo-se, já em vigília eterna,
vela mais amarela no escuro de mim...
Materna, sim, a tua voz não destrata
a minha palavra! E às vezes consolos
ela sussurra, algo desconsolada
quando assustada; e quase reclama,
rouca a garganta, em divina afonia
- "que loucura tua!" -, a minha!...
06/05/2001
quinta-feira, 9 de junho de 2016
PLURIDIMENSIONAL
portanto, paciência!
O tempo da existência.
A existência do tempo.
O tempo da experiência.
A experiência do tempo.
O tempo da exigência
- já exigência do tempo.
O tempo da expediência:
- a expediência dá tempo
(há tempo experimenta)
quarta-feira, 8 de junho de 2016
QUINTA COLUNA
a quem, da cúpula
do governo Dilma
vestir a carapuça
Na cobrança do escanteio
do governo Dilma
vestir a carapuça
Na cobrança do escanteio
no fim do segundo tempo
- quando o efeito faz seu arco
e o arco traz seu defeito -
surge um cara ali no meio
da zaga - como um zagueiro
alto, largo, sem embargo
contra qualquer contratempo
que abandona seu goleiro...
No gol-contra da derrota
da vontade impenitente
(daquela que logo arrota
seu fracasso indiferente)
o motivo da chacota
(da vitória na maciota)
foi achar que quem defende
só defende (você entende?...)
Quem defende, quem ataca
quem se esconde, quem destaca
entre todas, sua jogada
- ao realizá-la contrária -
considerando a pelada
sobretudo pela pátria?...
Se a disputa andar sem rédea
a despeito de laborar
haverá um filho-da-luta
sempre silvério, um calabar
sem respeito pela várzea
- mas que o bom senso reputa -
pra jogar ali no meio
(brasileiro ou estrangeiro)
e entregar o time inteiro...
terça-feira, 7 de junho de 2016
segunda-feira, 6 de junho de 2016
AGONÍSTICA
A princípio
aos domingos
(passadiços
precipícios)
pouco, nada
de palavras:
- o que abraça
particípios
em deslavras
sucessivos
(cruzilhadas
opressivas)
tempo espaça
excessivo.
...
[presumido
descrevendo
nada novas
algazarras
num crescido
quase horrendo
quanto velho
seu contexto:
quanto velho
seu contexto:
- o que espalhas
a contento
entre as almas
e o momento
junto à calma
e ao tormento?]
junto à calma
e ao tormento?]
...
{brota disso
dobradiço
depois telas
destravando
brancas, pretas
cantilenas
mariposas
enganando
enganando
do que esposa
borboletas:
- papeletas
de que ainda
vale a pena
dar notícia}
domingo, 5 de junho de 2016
REVISITA 138: O ABISMO
Do abismo, só um sopro
percebo ascender sob o rosto;
careço a coragem tal, fugidia
de medir-lhe a profundeza:
- no poço coração, infinita.
Do penhasco, evito a beira
a acrofóbica ventania;
a imensa atmosfera, rasteira
insidiando-se cobra espiral
enroscando o meu passo.
Da luz, esvaindo-se horizontal
lamento os dias, muito úteis
divagados perdidamente:
- lembrança do quanto o amor
me amou a si somente.
[na escarpa, é o nada
todo o medo da morte
descoberta de frio;
do fim, só temo, hirto
a sua demora gelada]
04/08/2000
sábado, 4 de junho de 2016
PASSADO
Sábado (o) sono
tátaro fono
láparo tono
cágado zono
sáfaro cono
(sábado mono)
[domingo (o) sono]
sexta-feira, 3 de junho de 2016
DA MESMA MOEDA
Sexta-feira.
A semana
que se inteira
prazenteira
de sacana
doidivana
se apresenta:
- caravana
trabalheira!...
quinta-feira, 2 de junho de 2016
PARADOXO AMAZÔNICO
da conservação da extinção
(de sua exploração)
Pirarucus
tucunarés
curimatãs
ou tambaquis:
- sedes de cá
cozem ali
fomes de lá.
Mais outra vez
tão-só manás
- o que os mantêm?
Se àqueles reis
fores atrás
irão também
peixes demais.
quarta-feira, 1 de junho de 2016
O QUE VEM, BOM TAMBÉM
de um estoico epicurista
A quarta perdida
sozinha entre os dias
sozinho me deixa
com duas ameixas
com três novos versos
(nenhum submerso)
e algumas imagens
(por volta das quatro)
todas de passagem:
- mas nada de fato
retorna mais caro!
[de ameixas, desgosto
de poemas, a gosto
os quadros, suporto
- se dados, a rodo!...]
...
{há quarta pedida?...}
A quarta perdida
sozinha entre os dias
sozinho me deixa
com duas ameixas
com três novos versos
(nenhum submerso)
e algumas imagens
(por volta das quatro)
todas de passagem:
- mas nada de fato
retorna mais caro!
[de ameixas, desgosto
de poemas, a gosto
os quadros, suporto
- se dados, a rodo!...]
...
{há quarta pedida?...}
terça-feira, 31 de maio de 2016
QUADRA GOLPISTA IX
Os ovos impossíveis
de voos implausíveis
eclodem, indizíveis
e explodem, invencíveis
na cara indefinível
do cara irreprimível...
(safardana ou imbecil?)
[ratazana ou pai gentil?]
{porcelana do Brasil?...}
segunda-feira, 30 de maio de 2016
CONVERSADORES
A sala dos professores
mais fala dos estertores
conservadores.
(a fala dos professores
mais trata de perdedores)
...
[a fala nos estertores
não trata dos superiores
(anteriores, posteriores);
qual vala de bons odores
não trata dos maus vapores:
- dos detratores
(seus assessores);
- dos impostores;
- dos desertores]
...
{a sala dos professores
mal fala dos seus valores
(de suas cores em suas flores)
[dos seus amores
nos arredores
inspiradores
de menos dores]}
domingo, 29 de maio de 2016
DO PRAZER DE VOLTAR
a andar e correr
A caminhar
este aquecer
do dia neste corpo de ar
- e então trotar
(não mais correr
do dia nesse corpo ímpar)
sábado, 28 de maio de 2016
QUADRA GOLPISTA VIII
ao clássico idiota
(no grego sentido)
Vais boquiaberto
a descoberto
por desconsertos
do desconcerto
bandido, esperto
(mal menor, certo?)
do qual despertas
fingindo experta
tua escolha 'serta'...
sexta-feira, 27 de maio de 2016
AQUIESCÊNCIAS
Diferenças
de consciência
diferenças
entre ciências
diferenças
sobre crenças:
- preferências
de nascença
(parecenças
proveniências
convivências);
aparências
referências
conveniências;
impaciências
turbulências
(malquerenças
desavenças)
resistências;
...
[onisciências]
quinta-feira, 26 de maio de 2016
REVISITA 137: NO CHÃO TARDIO
A lua transcendente, já não mais
ilude o meu olhar, no solar da praça em frente;
gude lúdica suspensa, na sua graça hoje suspeita
jaça foi a riscar firme neste invólucro o tormento!...
Tal disco no firmamento, já não mais
desatina o meu sonhar, a rolar fora de órbita;
num flerte embasbacado, eu exorbitava surdo
de vãs virtudes órfãs, a negar de vez o mundo!...
Embaraçado dom casmurro, já não mais
parto-me indivíduos, dividindo o chão e o cimo;
e uno como um figo, e talvez convidativo
passo agora qualquer hora sobre a mesa colorida
sob a lâmpada da cozinha; com o luar de fora
embaçando a claraboia...
(a luz elétrica domestica)
31/07/2000
quarta-feira, 25 de maio de 2016
QUADRA GOLPISTA VII
Machado, Jucá, Renan, Sarneys
(mídia, supremo, nós e voceis)
Os golpes do golpe
no golpe dos golpes
(do golpe no golpe
dos golpes nos pobres)
engolfam-nos, torpes
até que outros, nobres
(golpes, contragolpes)
engolfem sua sorte
até nossa morte...
terça-feira, 24 de maio de 2016
ATRIBUTOS
um tributo
Do ser brasileiro
o estar em braseiros
assando o traseiro.
Ao ser brasileiro
viver sem dinheiro
de labor rasteiro
a convir terceiros
serenando obreiro.
Por ser brasileiro
seguir por carreiros
e chegar primeiro
sendo companheiro.
Sendo brasileiro
parir um herdeiro
de Deus o cordeiro
de outros escudeiro...
...
[algo brasileiro
ao mirar nevoeiros
- acertar ponteiros]
...
{será brasileiro
se sobrar inteiro
o ser marinheiro
e enfim timoneiro
lograr derradeiro}
segunda-feira, 23 de maio de 2016
domingo, 22 de maio de 2016
DOMINGO LINDO
Num dia liso
sem compromissos
brando e macio
(sem teus buchichos)
a hora escorre
escusatória
por onde corra
(contraditória)
entre cochilos
das sete às nove
entre os amigos
das onze às cinco
e à meia-noite
entre cochichos
(sem teus amigos)
sábado, 21 de maio de 2016
sexta-feira, 20 de maio de 2016
VESPERTINA II
Depois da sesta
franca da sexta
o que desperta
(por uma fresta
sob essa testa)
é esta pedra
branca que negra
sobe uma hedra
sobre a floresta
que se atravessa.
quinta-feira, 19 de maio de 2016
DANÇA DAS CABEÇAS
(de Egberto e Naná)
... lança a minha terça
quarta, quinta ou sexta
aonde o tempo vá
sem que em vão pretexte
por certa descrença
que não celebrará:
- aonde o sábado
domingo ou feriado
contempla a segunda
como se solteira:
-- como Dandalunda
opulenta a feira!
[a vida, primeiro
sua lida, fecunda...]
quarta-feira, 18 de maio de 2016
REVISITA 136: NOIVA
Que teu vestido, branco
dispa tua pele, clara
pronta a queimar-se, cinza:
- na cabeleira, prata
sonhos de cabeceira.
08/06/2000
terça-feira, 17 de maio de 2016
JULIETAS
No abraço de Morfeu
certo cansaço meu
sonha com Cecília
(sua juvenília)
parte da família
do seu vovô Romeu...
segunda-feira, 16 de maio de 2016
REFLEXOS
A tarde amarela
o que verão dela:
- a tarde à janela
à tarde a donzela
(o que botão nela).
A tarde amarela
o que senão ela?
...
A tarde amarela
a que visão dela
enquanto à janela?
E quando avermelha
a que verão lembra?
(se tarde avermelha
o que então espelha)
domingo, 15 de maio de 2016
REVISITA 135: ALENTO
inspirado em Cruz e Sousa
A magia hoje turvou meus olhos
A magia hoje turvou meus olhos
como um róseo vagar preso às nuvens...
No crepúsculo, às tapeçarias de um verso antigo
teu suave humor contrapôs a cor do amor que a ti dedico.
Hoje, o fremir do abismo acariciou caridoso minha face
como se avisado a ser precisasse, sem acordar-me
para os desacertos de fundo... Ora, o mundo
ao lembrar estreito o que embargo!
Mas teu lume de hoje, ah, este valeu a ousadia
de pensar o dia além do acaso, do compasso amargo
da regra tristemente observada; como se a vida
lépida nos arrumasse, intrépida na vergonha
de saber-se inútil ante tua armadilha
involuntária - a vagar, acima
numa cor mágica.
30/05/2000
sábado, 14 de maio de 2016
MADRUGADA ALTA
da minha janela
Uma gata faz a ronda
do silêncio em movimento
sobrevoando o pavimento
da motocicleta Honda;
e repousa de sua sonda
o que houver sobre o cimento
sob a sombra que arrendonda
a rotina do momento.
[eu repouso na sua onda
a retina em pensamento]
sexta-feira, 13 de maio de 2016
NEOKANTIANA
Desta vez, este tempo infernal
antecederá o mal do bem.
Desta vez, seu ritmo normal
precipitará o mal no bem:
- esse mal que mobiliza o bem
o impulsiona e movimenta além.
...
O que houver do humano universal
(racional, fraternal, magistral)
virtualizará o que contém.
O contexto é outro. Seu texto também.
quinta-feira, 12 de maio de 2016
REATIVA
A raiva
duelista
de artistas
saraiva
esgaivas
nas draivas
da laiva
farsista.
...
[conquista
que eu saiba
benquista:
- tal raiva
malquista
golpistas]
quarta-feira, 11 de maio de 2016
A QUEM ADOECE NA LUTA
porque adolesce na rua
Adiantam os baços
de humores cabaços
um futuro opaco
adiante o buraco...
Por que o pessimismo
na idade risonha?
Medo do fascismo?
Daquela vergonha?
Cunhar que peçonhas?
Temer que pamonhas?
Meninas, meditem:
Meninos, reflitam:
- as ondas vão e vêm
sua história é de ninguém...
...
Estômagos novos
(e fígados idem)
estranham os ovos
que as cobras progridem;
entranhas sensíveis
sofrem que regridem
de um jogo velhaco
velho de jogado...
Mas jovens de fato
são virgens de crises
de suas reprises
sem que sejam fracos:
- no jogo jogado
de encurtados prazos
o que lhe é invisível
são os tempos vários
e os vários espaços
dos seus resultados.
...
[para que lutemos
(uns mais, outros menos)
todos alargamos
tudo que vivemos]
Adiantam os baços
de humores cabaços
um futuro opaco
adiante o buraco...
Por que o pessimismo
na idade risonha?
Medo do fascismo?
Daquela vergonha?
Cunhar que peçonhas?
Temer que pamonhas?
Meninas, meditem:
Meninos, reflitam:
- as ondas vão e vêm
sua história é de ninguém...
...
Estômagos novos
(e fígados idem)
estranham os ovos
que as cobras progridem;
entranhas sensíveis
sofrem que regridem
de um jogo velhaco
velho de jogado...
Mas jovens de fato
são virgens de crises
de suas reprises
sem que sejam fracos:
- no jogo jogado
de encurtados prazos
o que lhe é invisível
são os tempos vários
e os vários espaços
dos seus resultados.
...
[para que lutemos
(uns mais, outros menos)
todos alargamos
tudo que vivemos]
segunda-feira, 9 de maio de 2016
WALDIR MARANHÃO
(Eduardo Cunha)
O golpe
da popa
no golpe
'da estopa'
trigolpe
galopa
a escopa:
- a tropa
que topa
as gropas
de europas
diz opa!...
(diz oba!
tem sopa...)
domingo, 8 de maio de 2016
REVISITA 134: DESCONHECIMENTO
Da noite, somente a parte em que me perco
mais escura volta, e elusiva; e pára sua brisa
sobre a fina dor que esfarrapa a má desculpa
de dormir no cerco a mim, de minha feitura.
Sopro, ao sufocar, a vela negra sob o manto
e durmo, por faltar vento que varra a bruma
do assaltante medo; na morfina então confiante
do sonho, a malha rompo - o que me empulha.
Estofado, o tempo comprometo, amortecido
esvaindo em perpétua revisita do reconforto
ao familiar círculo de expectativas vazio;
se perdido, é da chance definitiva de queda
que rompa a fundo o medo, aquela parte da noite
onde durmo enfermo, enfim - por minha culpa.
28/05/2000
QUADRA DO DIREITO
à direita
Justiça seletiva
e justiça nenhuma:
- tão univitelinas
quão bandas numa bunda!...
Justiça seletiva
e justiça nenhuma:
- tão univitelinas
quão bandas numa bunda!...
sexta-feira, 6 de maio de 2016
POR ABOMINAR O VÁCUO
a política é natural
O que se põe
(ou se antepõe)
alguém dispõe
e predispõe.
...
Quem interpõe
- o que repõe?
Quem contrapõe
- a que se opõe?
...
- por que indispõe
quando propõe?
...
[alguém pospõe
e predispõe]
quinta-feira, 5 de maio de 2016
VONTADE CREPUSCULAR
Este horizonte
deita vermelho
para que preto
siga defronte.
[assim eu vejo
que faz por onde
nesse horizonte
o meu desejo]
COMPROMISSO
Entre o olho
entra um outro.
Entre o olho
entra um outro.
Entre o olho
e o sobrolho
um endosso.
Entre o olho
e um abrolho
o seu osso.
Entre o olho
um colosso
eu recolho.
Entre o olho
e o tal fosso
(um que é grosso)
o que posso
são teus olhos
(de molosso)
no que é nosso.
quarta-feira, 4 de maio de 2016
WHO ARE THE SITTING DEAD?
das horas mortas
Em frente à tevê
enfrento você
maldigo você
mastigo você
chiclete clichê
à vossa mercê
nesta matinê:
- uni, duni, tê
salamê, minguê
privé de purê
nada colorê...
[imbecil o quê?!...]
terça-feira, 3 de maio de 2016
ORÇAMENTÁRIA
figurativa
O buraco
no sovaco
do casaco
do velhaco
deixa opaco
mais embaixo
(pelo saco)
outro caco
menos fraco
do seu taco
por um naco
do pataco...
segunda-feira, 2 de maio de 2016
REVISITA 133: MAIO
A secura do ar intensifica
finíssima a seca interior
por tudo ter sob a areia.
O sol em branco cáustico
passa a rodo a alma presa
vaso encalhada, folha morta.
Todavia, vida alternativa
havia. Nota híbrida de expectativas
cortava o tempo lasso do estio
antes de estatelar, descompassadas
gotas em telhados imaginados
abrigos abraçados sob a chuva.
Entretanto, sobreveio a secura
à noite entre sonhos, loucura
assassina antes da luz bater-se.
Rasgado o oásis, de um veio escuro
sangrei cristais sobre a terra úmida
até rachá-la amarelada e dura.
...
Dura a estação enrijecida. Branco
cobre-se o dia, e vive-se maio ainda.
Ante a folha comida, pago, formiga
com grãos de areia a dívida descabida:
- querer muito o peito em descompasso
sua pena intensifica, encalhada a alma
cáustica por desejos dela acima.
15/05/2000
sábado, 30 de abril de 2016
sexta-feira, 29 de abril de 2016
TEMER
O vácuo do café
a vácuo sem café:
- como assim, no sopé
recua um rodapé?
O vácuo da maré
de quem bota o boné
e surfa marcha a ré
(surfista jacaré).
Vácuo em puro estado
vácuo conspirado;
um golpe selado
polichinelado:
- dão pajés recados
(do mercado a vácuo)
pra ralé ir a pé
e evacuar o que der.
...
[se há café, boto fé
que resisto ao mané]
quinta-feira, 28 de abril de 2016
NAUFRÁGIO OUTONAL
O tempo voa.
O pensamento
escoa lento.
Meu corpo aproa
seu movimento
canoa adentro
e o vento o coa.
Sob a garoa
sobre o momento
a coisa toda
que estou fazendo
termina à toa
meio ao relento
e se alagoa.
...
(não foi o tempo
nem foi à toa)
quarta-feira, 27 de abril de 2016
DO IMPOSTO
retido na tela
Eu não vejo porque não
ver as coisas como são:
- assisto televisão.
(vejo o que é sim e o que é não
- a verdade da visão;
ouço que é assim - que as versões
são senões nas transmissões)
(vejo o que é sim e o que é não
- a verdade da visão;
ouço que é assim - que as versões
são senões nas transmissões)
...
[e a corrupção
da sonegação?]
[na sonegação
da corrupção
da sonegação
da sonegação
eu vejo que tevê
há - e não há de quê!...
(desde que à mercê
fique do clichê)]
(desde que à mercê
fique do clichê)]
terça-feira, 26 de abril de 2016
SÍNTESE POÉTICA
licença enganosa
Um poema curto
condensa hirto
todo um segundo
do mundo indo
engodo vindo:
- porque o seu tempo
de ser escrito
sequer destempo
terá podido
(já que escorrido)
segunda-feira, 25 de abril de 2016
domingo, 24 de abril de 2016
PRETO BÁSICO
Ali no quintal
a noite ancestral
caiu do varal
retinta e banal.
Tão repetida
a coisa afinal;
repetitiva
de roupa ideal
saída linda
caída normal.
sábado, 23 de abril de 2016
OS SENTIDOS NA MOLÉSTIA
Seja vírus
bactéria
seu arco-íris
sua matéria
eu os vejo
percevejos
dos desejos
que balouço;
eu os ouço
(meus arquejos)
arcabouços
deste cheiro
neste corpo
calabouço
que tateio
e então provo.
sexta-feira, 22 de abril de 2016
RELATO DA DENGUE
zika ou chicungunha
(todas por alguma)
Foram quatro dias
à sombra dos dias.
Dolorosos dias.
Pavorosos guias.
Foram cinco dias
de casa invadida:
- sete longos dias
de excessiva vida
alheia e indevida
que eu desconhecia.
Foram oito as vias
na pele invadida
- todas avenidas
por qualquer medida.
Nove largos dias
de casa interdita.
Onze mudos dias
do que silencia
em vida excessiva
o que explicaria
sem microscopia
a pele esquisita.
Doze duros dias
e a alma esvazia;
treze tristes dias
que o corpo medita
doente de outras vidas
por sua vez sadias:
- foram quinze dias
doente noutra vida.
***
Foram vinte dias
de pele invadida
por microscopias.
E mais trinta dias
à sombra devida
talvez pela minha.
(todas por alguma)
Foram quatro dias
à sombra dos dias.
Dolorosos dias.
Pavorosos guias.
Foram cinco dias
de casa invadida:
- sete longos dias
de excessiva vida
alheia e indevida
que eu desconhecia.
Foram oito as vias
na pele invadida
- todas avenidas
por qualquer medida.
Nove largos dias
de casa interdita.
Onze mudos dias
do que silencia
em vida excessiva
o que explicaria
sem microscopia
a pele esquisita.
Doze duros dias
e a alma esvazia;
treze tristes dias
que o corpo medita
doente de outras vidas
por sua vez sadias:
- foram quinze dias
doente noutra vida.
***
Foram vinte dias
de pele invadida
por microscopias.
E mais trinta dias
à sombra devida
talvez pela minha.
quarta-feira, 20 de abril de 2016
REVISITA 132: SONHO DE PAPEL
Aquela fantasia fixada fotografia solicita colorida minha íris cristalina até que então puída peça outra à retina e renove estimada minha draga afasia...
Corro de galeria em galeria atrás da galega em flor luzia castanha trigueira da cor diria que qualquer boa vida dá mechas de menina...
Solto o peso do papel arrivista solto dedos de imaginação ressequida suplicada à princesa a visita da conquista da sereia da ilusão rediviva...
Vou girando arquivista a dupla água marinha azul verde cinza o polegar de par em par de cor defenderia que olhar aos olhos brilha...
Aquela fantasia que meu tempo adiaria solicita colorida minha velha alegria até que então querida traga outra à revelia que insuspeita ao delicada se refaça mais amada...
14/05/2000
Corro de galeria em galeria atrás da galega em flor luzia castanha trigueira da cor diria que qualquer boa vida dá mechas de menina...
Solto o peso do papel arrivista solto dedos de imaginação ressequida suplicada à princesa a visita da conquista da sereia da ilusão rediviva...
Vou girando arquivista a dupla água marinha azul verde cinza o polegar de par em par de cor defenderia que olhar aos olhos brilha...
Aquela fantasia que meu tempo adiaria solicita colorida minha velha alegria até que então querida traga outra à revelia que insuspeita ao delicada se refaça mais amada...
14/05/2000
terça-feira, 19 de abril de 2016
(QUADRA) [QUADRÚPEDE] {VIRA-LATA}
o golpe nos bolsos
(as falas bem gerais
das capas dos jornais
estão mal para as tais
talas emergenciais)
...
[tomar reais como réis
(de novo os coronéis
em velhos carrosséis);
dolarizar papéis
(a exemplo de alguns réus
há tempos reis ilhéus);
amodernar cartéis
(estatizados quais
privatizá-los mais);
e repassar chapéus
(mas entre o povaréu
sempre que sob o céu)]
...
{e o que virá depois
dos vossos entredois
nos arrocharem - vós
vira-latas que sois?...}
segunda-feira, 18 de abril de 2016
REVISITA 131: AZUIS
O par de entradas à frente
de frente não posso enfrentar;
ferem um brilho antigo, conhecido
de outras estradas intransitáveis.
Como evitá-lo, entretanto, desconheço
se mal adiante enfeita o caminho;
se, num encantamento rijo, o passo adianto
assoalhado em flores que ocultam tais espinhos.
O par anil de onde me fitas, entranhada
ora melancólica, vezes alegremente
algo colérica, ao termo resignada
também em dois me parte; e se tais azuis
tingem de rubra vergonha o meu hesitar
a razão, também não, mal posso evitar.
01/05/2000
domingo, 17 de abril de 2016
AMOR DEMAIS
dos animais
Dengue, zika
chicungunha
dengo, zica
caramunha
- a mosquita
que perfura
mamacita
me perdura!...
Dengue, zika
chicungunha
dengo, zica
caramunha
- a mosquita
que perfura
mamacita
me perdura!...
sexta-feira, 15 de abril de 2016
quinta-feira, 14 de abril de 2016
QUADRA (AINDA) DOENTE
Ainda não desta feita
a extinção das maleitas
ainda não nesta feira
(de oração pelas beiras)
segunda-feira, 11 de abril de 2016
REVISITA 130: ETÍLICA V
A tarde cai
pesada opala agastada
à minha frente.
Será que é
hora de zarpar?
Não ainda, replica a loura gelada
sussurrando os meus lábios:
- há gente chegando
ilusões se renovando...
10/03/1999
domingo, 10 de abril de 2016
REVISITA 129: ETÍLICA IV
Estou tomado da impaciência
de um contrato que não assino;
de uma uretrite
que resolvi curar a cervejas...
Por que tanta irritação, meu deus
demônio a quem nenhum casaco serve?
Além de pressentir os botões arrebentando
projetando-me puto entre as mesas
o que sei?...
10/03/1999
sábado, 9 de abril de 2016
REVISITA 128: ETÍLICA III
Desta vez
não haverá outros colchões
de carne macia.
Cuidarei das asperezas da perda
como quem corre nu
por uma mata de espinhos.
Nada de anestésicos
entretimentos
consolos de qualquer tipo:
- tratarei da tua perda
como quem sai do velório
de um ente querido.
10/03/1999
sexta-feira, 8 de abril de 2016
REVISITA 127: ETÍLICA II
Bem que podíamos
ser o que quiséssemos;
tratar francamente
das coisas do nosso encanto;
seríamos felizes, estou certo
num castelo solidamente erigido
em meio ao caos.
Mas intercomunicantes
vasos indispomos
invólucros que somos.
Seguir assim, esqueçamos!
Se desconhecemos
que almas temos:
- se asas recolhemos
e patas escolhemos!...
10/03/1999, 27/12/2001
quinta-feira, 7 de abril de 2016
REVISITA 126: ETÍLICA
Num canto de agenda
recomeça o suplício
do ter o que dizer
e não saber como fazer.
Travada, a palavra pede
o óleo de uma cerveja de beirute;
solta e imatura, a dita cuja, enfim
agride a literatura.
Melhor calar, e contemplar
o silêncio das mesas vazias
do meu bar eventual;
de esperanças flertando frustrações
à espera de nada.
10/03/1999
segunda-feira, 4 de abril de 2016
INTERESTADUAL
Pau de arara
- a quebrada
(esta estrada)
quando acaba?
Bem rodada
nau que vaga
pela plaga
- quando para?
Mal que sara
vê-lo seco
(tal qual sê-lo)
- que repara
pela graça?
- quanto paga
de desgraça?
Pau de arara
- onde acabo
quanto acaba
da jornada?...
28/03/16
REVISITA 125: BUENA VISTA SOCIAL CLUB
É a música daquela ilha
tão além de qualquer tempo que espaçar aspiraria
quanto bela fantasia; nos meus termos, que desconheço
é a dona estranha amiga dos salões escuros que abrigo.
Vem de um lugar distante - se próximo, questão não faria
de evitar a morte rubra das tardes de vento fresco:
- porque as imagens da ilha dançam aquela música
em pistas inacessíveis da imaginação;
faces quase reconhecíveis, perfumes fundamente gravados
no que há de então remoto em mim.
(ali, a vontade de ir, colada num calor prenhe de desejos
quer ter nunca de voltar ao barro das certezas que não certificam)
Sonho com a ilha daquela música
febril e molemente; respirando gardênias
entre corpos que pressinto; sorvendo a água morna
das poças de uma chuva para além daqui.
Mas aqui, paralisado de ir ou menear, de virar
e dormir, estaco - entre paredes que impossibilitam.
A tortura de viver tão longe de Buena Vista
aquém dos sentidos de um destino cultivado
em sons e passos, não mata de todo.
Mesmo atado, quase assim morto
sei ainda do paraíso que ouço:
- a música do passado, que a mim tem protegido
do ferir impiedoso do mundo
pergunta-me afinal - onde haveria
de cair a tarde última, rubra, de vento fresco?...
06/03/1999
sexta-feira, 1 de abril de 2016
QUADRA ANTIGOLPISTA
Brasília, 31 de março de 2016
Quando a diversidade
da vida em sociedade
tem a oportunidade
senão de explicitá-la
- a coisa misturada
nas veias da cidade
então comunitária -
à tarde (talvez tarde)
a noite ensolarada
avance a madrugada!...
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