rumo ao muro a cem por hora
Quando não se interfere
na tautológica
malsã trajetória
da paixão que se converte
em razão sempre alegada
o que então acontece?
(de tanto que se repete
cimenta-se ensimesmada?)
domingo, 5 de agosto de 2012
sábado, 4 de agosto de 2012
CLOSED
Fechar a porta
isola - o vento
a poeira, a aorta
do batimento
que se repete
no sentimento
de ser o mesmo
- o confeiteiro
dessa quermesse
(pois acontece).
Fechar a porta
trancar à chave
(jogá-la fora)
cultiva - a horta
verde-presente
do enfim é hora;
o pensamento
sonha ligeiro
até a aurora
do movimento
relojoeiro
marchando a horda...
Fechar a porta
- um capítulo
definitivo
do grande livro
aparta o lido
(o ido do vindo)
partido agora
entre o sabido
(porquanto outrora)
e este caminho
de vida nova...
isola - o vento
a poeira, a aorta
do batimento
que se repete
no sentimento
de ser o mesmo
- o confeiteiro
dessa quermesse
(pois acontece).
Fechar a porta
trancar à chave
(jogá-la fora)
cultiva - a horta
verde-presente
do enfim é hora;
o pensamento
sonha ligeiro
até a aurora
do movimento
relojoeiro
marchando a horda...
Fechar a porta
- um capítulo
definitivo
do grande livro
aparta o lido
(o ido do vindo)
partido agora
entre o sabido
(porquanto outrora)
e este caminho
de vida nova...
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
ÀS TRÊS
Será cada consciência
a prisão de si mesma?
Saturada da essência
solitária do uno?...
***
Rasgou a noite passada
um inventário - o gelo da madrugada
acordou-me que estou frio
a esta altura da jornada;
interrompendo-a, quedou-me
à consciência danificada, havendo
a desmemória do erro:
- a leitosa amnésia em que me esqueço
de então enganos compreendidos
como suaves mal-entendidos
de restos de dívidas
(débitos afetivos)
líquidas, sucessivas
remotamente imaginadas
minuciosas se aproximadas...
(a boa distância, voa a lembrança
- nomes, pronomes, pessoas
situações constrangedoras
em geral particulares)
[diletas dietas de peso
batem cruéis a esta altura;
suspende-se o sono
evita-se o tombo
Pantagruel malabares]
a prisão de si mesma?
Saturada da essência
solitária do uno?...
***
Rasgou a noite passada
um inventário - o gelo da madrugada
acordou-me que estou frio
a esta altura da jornada;
interrompendo-a, quedou-me
à consciência danificada, havendo
a desmemória do erro:
- a leitosa amnésia em que me esqueço
de então enganos compreendidos
como suaves mal-entendidos
de restos de dívidas
(débitos afetivos)
líquidas, sucessivas
remotamente imaginadas
minuciosas se aproximadas...
(a boa distância, voa a lembrança
- nomes, pronomes, pessoas
situações constrangedoras
em geral particulares)
[diletas dietas de peso
batem cruéis a esta altura;
suspende-se o sono
evita-se o tombo
Pantagruel malabares]
terça-feira, 31 de julho de 2012
SEM TEMPO COM SENÕES
uma banana pras convenções
Questões agora, só as pessoais:
- se a pessoalidade vive de intimidades
a impessoalidade mata curiosidades.
(é bom ser íntimo
até da intriga que entrega;
e feio o curioso
mortificado que nega)
Assédios
saltando de prédios
é impessoal - sujeitos ao plural
dissolvem sua espessura subjetiva;
expedita
(a desconsolada suicida)
ao contrário, é tida
objetivamente desesperada...
Tópicos hoje, só os tropicais
(acerca de clientes especiais)
- e pacientes, os peridurais...
[se então alcanço
âmagos particulares
passos descalço
naquelas proximidades]
Questões agora, só as pessoais:
- se a pessoalidade vive de intimidades
a impessoalidade mata curiosidades.
(é bom ser íntimo
até da intriga que entrega;
e feio o curioso
mortificado que nega)
Assédios
saltando de prédios
é impessoal - sujeitos ao plural
dissolvem sua espessura subjetiva;
expedita
(a desconsolada suicida)
ao contrário, é tida
objetivamente desesperada...
Tópicos hoje, só os tropicais
(acerca de clientes especiais)
- e pacientes, os peridurais...
[se então alcanço
âmagos particulares
passos descalço
naquelas proximidades]
sábado, 28 de julho de 2012
AGAIN IN THE RAIN
Cá estou de novo à mesa
do carteado cósmico
já paleontológico
em eterna primavera;
retorno à bruta pedra
remido no consolo
de um sol que aperfeiçoa
sua próxima coroa;
assento-me primevo
(atrás um balaústre)
ensimesmado pleno:
- nas primeiras rodadas
escuso-me amiúde
de tépidas jogadas...
do carteado cósmico
já paleontológico
em eterna primavera;
retorno à bruta pedra
remido no consolo
de um sol que aperfeiçoa
sua próxima coroa;
assento-me primevo
(atrás um balaústre)
ensimesmado pleno:
- nas primeiras rodadas
escuso-me amiúde
de tépidas jogadas...
sexta-feira, 27 de julho de 2012
UMA QUALIDADE LITERÁRIA
sua dialética negativa
Um fôlego
preso ao instante
(a despeito
perseverante).
O fôlego
teso do infante
(a respeito
edificante).
Meu fôlego
presa do instante
resfolega
(principalmente)...
Um fôlego
preso ao instante
(a despeito
perseverante).
O fôlego
teso do infante
(a respeito
edificante).
Meu fôlego
presa do instante
resfolega
(principalmente)...
quinta-feira, 26 de julho de 2012
ESCONDERIJO
Um lugar, quanto mais comum
e ordinário, tal ancoradouro perdido
por um momento, este urdido
num ponto do fio cotidiano infinito
ao longo do qual ser mais um
eu poderia, inalcançável na multidão
tem maior seu atrativo:
- quando a solidão da razão
(ao respirar, comer, dormir)
infunde a de querer partir...
e ordinário, tal ancoradouro perdido
por um momento, este urdido
num ponto do fio cotidiano infinito
ao longo do qual ser mais um
eu poderia, inalcançável na multidão
tem maior seu atrativo:
- quando a solidão da razão
(ao respirar, comer, dormir)
infunde a de querer partir...
quarta-feira, 25 de julho de 2012
POÉTICA PARA O FUTURO
já que o presente é obscuro
Ininteligíveis
não quero as palavras
incompreensíveis
desservindo o nada
(ao nada-mistério
elusão opaca).
[mas/porém/contudo/todavia]
Se estéreis a nos servir
esteroides no porvir (para ainda piorar):
- veja a acadêmica poesia...
(ou seja, versos pra academia
da ginástica verborragia
- mônada fragmentária
objeto da intelligentsia
desavergonhadamente alheia
aos que passam à deriva)
Esqueça! Pois dela nada
(ao largo do nada)
toca o fundo de cada
um.
[que líricas extraordinárias
desinvernadas
de lidas desentranhadas diárias
prometam comuns]
Ininteligíveis
não quero as palavras
incompreensíveis
desservindo o nada
(ao nada-mistério
elusão opaca).
[mas/porém/contudo/todavia]
Se estéreis a nos servir
esteroides no porvir (para ainda piorar):
- veja a acadêmica poesia...
(ou seja, versos pra academia
da ginástica verborragia
- mônada fragmentária
objeto da intelligentsia
desavergonhadamente alheia
aos que passam à deriva)
Esqueça! Pois dela nada
(ao largo do nada)
toca o fundo de cada
um.
[que líricas extraordinárias
desinvernadas
de lidas desentranhadas diárias
prometam comuns]
terça-feira, 24 de julho de 2012
À SOMBRA
de uma cerveja à tarde
O formato da mesa
predispõe, num quadrado
franco, brancas cadeiras
- eu brando numa delas;
e nela bem-disposto
penso, subterrâneo
o rio que pressinto
- dela contemporâneo;
seus barcos, atracados
às margens do refeito
curso de cada evento;
seus cascos, rarefeitos
abajures que acendo
- lanternas amarelas...
O formato da mesa
predispõe, num quadrado
franco, brancas cadeiras
- eu brando numa delas;
e nela bem-disposto
penso, subterrâneo
o rio que pressinto
- dela contemporâneo;
seus barcos, atracados
às margens do refeito
curso de cada evento;
seus cascos, rarefeitos
abajures que acendo
- lanternas amarelas...
segunda-feira, 23 de julho de 2012
ECONOMICS FOR LIFE
"és possuído por aquilo que possuis"
(sabedoria antiga)
Equivalências
correspondências
dadas de circunstâncias extremas:
- cálculo preciso do caráter
conjuntural da adversidade
(estrutural da necessidade).
(ação-reação
thereisnofreelunch
bumerangues
etc. etc.)
Outro modo de dizer seria
- a abundância nos é lucrativa?
(amores, amizades, confiança
água salgada, lixo, prolixos
shopping centers e desesperança)
[aquisição sem subtração
subtração com aquisição
aquisição com aquisição
subtração sem subtração]
Interessa o abundante
porque nada gratuito:
- como todo fortuito
o escasso no infinito...
(sabedoria antiga)
Equivalências
correspondências
dadas de circunstâncias extremas:
- cálculo preciso do caráter
conjuntural da adversidade
(estrutural da necessidade).
(ação-reação
thereisnofreelunch
bumerangues
etc. etc.)
Outro modo de dizer seria
- a abundância nos é lucrativa?
(amores, amizades, confiança
água salgada, lixo, prolixos
shopping centers e desesperança)
[aquisição sem subtração
subtração com aquisição
aquisição com aquisição
subtração sem subtração]
Interessa o abundante
porque nada gratuito:
- como todo fortuito
o escasso no infinito...
domingo, 22 de julho de 2012
DO SOBRINHO
ao redor (aos dois anos)
Heitor:
- o amor
da mãe
da avó
das tias
e primas
de sangue
ou tidas;
distantes
vizinhas
falantes
curtidas
noviças, vividas
são todas queridas...
(mulheres meninas
que mal se percebem sozinhas)
Heitor:
- o amor
da mãe
da avó
das tias
e primas
de sangue
ou tidas;
distantes
vizinhas
falantes
curtidas
noviças, vividas
são todas queridas...
(mulheres meninas
que mal se percebem sozinhas)
sábado, 21 de julho de 2012
DESDOBRAMENTOS DO TÉDIO
mau impacto poético
Que te aborrece, amigo
que estás tão impulsivo?...
Irritado
arredio
combalido?
Pela conjuntura combatido?...
Pelas circunstâncias circunscrito
fragilizado
desprotegido
embora ainda não derrotado
(como os 'ados' nesta composição ridícula...).
[nada que na tarde amornada
desfaça uma Smirnoff Ice
redundantemente gelada]
Que te aborrece, amigo
que estás tão impulsivo?...
Irritado
arredio
combalido?
Pela conjuntura combatido?...
Pelas circunstâncias circunscrito
fragilizado
desprotegido
embora ainda não derrotado
(como os 'ados' nesta composição ridícula...).
[nada que na tarde amornada
desfaça uma Smirnoff Ice
redundantemente gelada]
JEKYLL AND HYDE
... sim, já estive aqui antes
(já os ouvi uivantes);
a despreocupação do espaço
a má disposição das coisas
quase igual de fato...
***
Nunca a vi pessoalmente
(desconheço-a realmente);
mas a disposição dos quadros
a doce ocupação das unhas
apetece ao tato...
***
[o chão rápido levanta o sol
na pontualidade da manhã;
e tão lépida quanto, a lua
a noite despencará terçã...]
(já os ouvi uivantes);
a despreocupação do espaço
a má disposição das coisas
quase igual de fato...
***
Nunca a vi pessoalmente
(desconheço-a realmente);
mas a disposição dos quadros
a doce ocupação das unhas
apetece ao tato...
***
[o chão rápido levanta o sol
na pontualidade da manhã;
e tão lépida quanto, a lua
a noite despencará terçã...]
DO BEIRUTE
outra perspectiva
As coisas da minha cidade
- prédios, avenidas, passagens
parques de craques, malandragens
(relíquias da modernidade)
vendo-as se mudam paulatinas
na medida da minha idade
tenho-as porém inconclusivas
- as graças da nossa cidade...
Pois hoje o desenho no asfalto
(das sombras de acontecimentos)
parece o de ontem - traço de algo
da curva dos seus monumentos;
mas se há muito não os contemplo
dá vazão meu rés chão ao tempo...
As coisas da minha cidade
- prédios, avenidas, passagens
parques de craques, malandragens
(relíquias da modernidade)
vendo-as se mudam paulatinas
na medida da minha idade
tenho-as porém inconclusivas
- as graças da nossa cidade...
Pois hoje o desenho no asfalto
(das sombras de acontecimentos)
parece o de ontem - traço de algo
da curva dos seus monumentos;
mas se há muito não os contemplo
dá vazão meu rés chão ao tempo...
sexta-feira, 20 de julho de 2012
NA SOPA PRIMITIVA
Ensanduichado
entre a amplidão da imensidão da vastidão por cima
e a ação da transpiração da competição por baixo
simpatizo, até solidarizo-me com o clima
refogado entre as criaturas, acho...
entre a amplidão da imensidão da vastidão por cima
e a ação da transpiração da competição por baixo
simpatizo, até solidarizo-me com o clima
refogado entre as criaturas, acho...
quinta-feira, 19 de julho de 2012
COLORES DOLORES
Nas buganvílias, o vermelho
brota em meio ao verde espinhento.
Mas pela mão branca do vento
apercebe-se do azul seco
que a noite reveste de preto.
(de sorte que perspectiva
a ferida que mais combina)
brota em meio ao verde espinhento.
Mas pela mão branca do vento
apercebe-se do azul seco
que a noite reveste de preto.
(de sorte que perspectiva
a ferida que mais combina)
quarta-feira, 18 de julho de 2012
INTACTO
o consolo de um aflito
Pelo risco
(de estar vivo)
vou-me, e arisco
arrisco
um dedo
(mindinho).
Concedo
a espinhos
furarem-me
o juízo
prometerem
prejuízos
ferirem-me
só um pouquinho:
- nada que comprometa
o sal que à incerteza
tempera de beleza...
Pelo risco
(de estar vivo)
vou-me, e arisco
arrisco
um dedo
(mindinho).
Concedo
a espinhos
furarem-me
o juízo
prometerem
prejuízos
ferirem-me
só um pouquinho:
- nada que comprometa
o sal que à incerteza
tempera de beleza...
VIDA PRECÁRIA
Quando menos se espera
a palavra, por uma fresta
(por um fio que preste)
telefona e acontece
puxar a gaveta das facas
benzer as mais afiadas
(re)partir peitos e asas
entre soluços e soluções
(concluídas as dissecações)
dos entes que tornamos abertos ouvindo-nos...
[pós-modernos, vivos (espertos?), vindos e idos]
a palavra, por uma fresta
(por um fio que preste)
telefona e acontece
puxar a gaveta das facas
benzer as mais afiadas
(re)partir peitos e asas
entre soluços e soluções
(concluídas as dissecações)
dos entes que tornamos abertos ouvindo-nos...
[pós-modernos, vivos (espertos?), vindos e idos]
segunda-feira, 16 de julho de 2012
OUTRORA NA AURORA
Outro sonho em pedaço que a memória descola
acordou-me alquebrado na antessala da aurora...
(fel me trouxe à boca
bem cedo cediça - comigo e com outra)
Magro nele sorrias
uns lábios distendidos;
triste neles caía
teu cabelo tão liso
que pouco do rosto expunha
de mais miúdo e sombrio:
- parecias recurva
mas o oposto dizias...
De lado estendida
reversa ao que eu via
(o corpo ao contrário)
tua fala insistia
qual conto do vigário
corresponder-te-ia...
[na antessala da aurora
se me passando outrora
esquecida de ida
(nesta vida esquecida)]
acordou-me alquebrado na antessala da aurora...
(fel me trouxe à boca
bem cedo cediça - comigo e com outra)
Magro nele sorrias
uns lábios distendidos;
triste neles caía
teu cabelo tão liso
que pouco do rosto expunha
de mais miúdo e sombrio:
- parecias recurva
mas o oposto dizias...
De lado estendida
reversa ao que eu via
(o corpo ao contrário)
tua fala insistia
qual conto do vigário
corresponder-te-ia...
[na antessala da aurora
se me passando outrora
esquecida de ida
(nesta vida esquecida)]
domingo, 15 de julho de 2012
ON THE MOVE
... e rápido andando
corrido, levado
(no entanto)
paulatinamente
por vento de antanho
(a ver simultâneo
de vir diferente)
carregado
transportando
o tal fardo
(o seu osso)
novamente
(a contragosto mormente)
o encaixotado cigano...
corrido, levado
(no entanto)
paulatinamente
por vento de antanho
(a ver simultâneo
de vir diferente)
carregado
transportando
o tal fardo
(o seu osso)
novamente
(a contragosto mormente)
o encaixotado cigano...
quarta-feira, 11 de julho de 2012
AOS QUE GOSTAM DE VEGETAR
desculpa pra não animar
Tenho tanta vontade de andar por aí
quanto de ficar assentado por aqui...
Partido, então fico
pensando, perdido
pelas viagens que outros lugares fariam
(pois endereços deslocam-se entre trechos).
Tenho vontade de errar por aí
tanto quanto de acertar por aqui...
Mas sendo apenas
(e longe Atenas)
indivisível criatura do aquém
escuso permanecendo ninguém
além de mim - assentamento assim...
Tenho tanta vontade de andar por aí
quanto de ficar assentado por aqui...
Partido, então fico
pensando, perdido
pelas viagens que outros lugares fariam
(pois endereços deslocam-se entre trechos).
Tenho vontade de errar por aí
tanto quanto de acertar por aqui...
Mas sendo apenas
(e longe Atenas)
indivisível criatura do aquém
escuso permanecendo ninguém
além de mim - assentamento assim...
POST-SCRIPTUM
O contraste
súbito
entre a brancura da tua superfície
e a negrura dos teus pelos em planície
cega-me
bruto
(como um flash inconveniente)
para a realidade.
P.S.: deixarei a questão acerca
do real - sua natureza de cerca
(assim como a das conveniências)
em aberto - tanta a certeza!...
súbito
entre a brancura da tua superfície
e a negrura dos teus pelos em planície
cega-me
bruto
(como um flash inconveniente)
para a realidade.
P.S.: deixarei a questão acerca
do real - sua natureza de cerca
(assim como a das conveniências)
em aberto - tanta a certeza!...
terça-feira, 10 de julho de 2012
PANTANOSA
Entre várias coisas por fazer
nada faço - tal como o paliteiro
cheio, de onde um único, primeiro
mísero palito recusa-se a descer...
As muitas ideias, com prazer
todas postergo - refeito o cinzeiro
disfuncionalmente prisioneiro
dessa condição antisséptica de ser...
Num ventre mental (este perverso)
toco o mau momento em que demoro
congestionado, e verso expectoro
desempoçado ato, embora havendo
nenhum querendo prestar-se
ao papel de bem livrar-me...
nada faço - tal como o paliteiro
cheio, de onde um único, primeiro
mísero palito recusa-se a descer...
As muitas ideias, com prazer
todas postergo - refeito o cinzeiro
disfuncionalmente prisioneiro
dessa condição antisséptica de ser...
Num ventre mental (este perverso)
toco o mau momento em que demoro
congestionado, e verso expectoro
desempoçado ato, embora havendo
nenhum querendo prestar-se
ao papel de bem livrar-me...
GEORGE JÁ DESCREVEU POR NÓS
a Leoa,
uma tradução/adaptação livre de "Something"
ALGUMA COISA
Algo no seu movimento
atrai como nenhum amor.
Algo do seu jeito, como é feito.
Por isso, não quero sair
(não creio que tenha de ir).
Algo no seu riso sabe
que pouco preciso de mais.
Algo do seu jeito de ser que ri.
Por isso, não quero sair
(não creio que tenha de ir).
Se este amor irá florescer
mesmo não há como saber;
fique perto, poderia
mas não sei se deveria...
Algo do conhecimento
se revela, nisso penso.
Algo seu nas coisas que desvela.
Por isso, não quero sair
(não creio que tenha de ir).
***
SOMETHING
music and lyrics by George Harrison
Something in the way she moves
Attracts me like no other lover,
Something in the way she woos me.
I don't want to leave her now,
You know I believe and how.
Somewhere in her smile she knows
That I don't need no other lover,
Something in her style that shows me.
I don't want to leave her now,
You know I believe and how.
You're asking me will my love grow,
I don't know, I don't know.
You stick around now it may show,
I don't know, I don't know.
Something in the way she knows
And all I have to do is think of her,
Something in the things she shows me.
I don't want to leave her now,
You know I believe and how.
uma tradução/adaptação livre de "Something"
ALGUMA COISA
Algo no seu movimento
atrai como nenhum amor.
Algo do seu jeito, como é feito.
Por isso, não quero sair
(não creio que tenha de ir).
Algo no seu riso sabe
que pouco preciso de mais.
Algo do seu jeito de ser que ri.
Por isso, não quero sair
(não creio que tenha de ir).
Se este amor irá florescer
mesmo não há como saber;
fique perto, poderia
mas não sei se deveria...
Algo do conhecimento
se revela, nisso penso.
Algo seu nas coisas que desvela.
Por isso, não quero sair
(não creio que tenha de ir).
***
SOMETHING
music and lyrics by George Harrison
Something in the way she moves
Attracts me like no other lover,
Something in the way she woos me.
I don't want to leave her now,
You know I believe and how.
Somewhere in her smile she knows
That I don't need no other lover,
Something in her style that shows me.
I don't want to leave her now,
You know I believe and how.
You're asking me will my love grow,
I don't know, I don't know.
You stick around now it may show,
I don't know, I don't know.
Something in the way she knows
And all I have to do is think of her,
Something in the things she shows me.
I don't want to leave her now,
You know I believe and how.
domingo, 8 de julho de 2012
MEUS BOTÕES, ONDE ESTAMOS?
a propósito de ouvir os Beatles a esta altura da vida
A curva vira
quando o que houve (parece)
determina o seguinte.
Determina. Condiciona. Dirige
o que quer que adiante não se evite.
Se a manhã de ontem
não amanhece
e tarde somente
tardia anoitece
sabe-se que vira (parece)
a curva esquina da velhice...
***
[Dear Prudence
won't you come out to play?]
A curva vira
quando o que houve (parece)
determina o seguinte.
Determina. Condiciona. Dirige
o que quer que adiante não se evite.
Se a manhã de ontem
não amanhece
e tarde somente
tardia anoitece
sabe-se que vira (parece)
a curva esquina da velhice...
***
[Dear Prudence
won't you come out to play?]
sábado, 7 de julho de 2012
MANHÃ DE LAGARTO
Silêncio musical no pedaço
sem vento das sacadas da aurora.
(do festival mundano de outrora
por que pano de fundo só agora?)
Nem tanto - cães, o sol, dois pássaros
encarregam-me de três cuidados:
1. de calado, um bom entendimento
2. no que faço, algum desprendimento
3. e mais diálogo entre sinto e penso...
Por isso, calango, silencio
mas nem tanto - já luz há nos bichos...
sem vento das sacadas da aurora.
(do festival mundano de outrora
por que pano de fundo só agora?)
Nem tanto - cães, o sol, dois pássaros
encarregam-me de três cuidados:
1. de calado, um bom entendimento
2. no que faço, algum desprendimento
3. e mais diálogo entre sinto e penso...
Por isso, calango, silencio
mas nem tanto - já luz há nos bichos...
quarta-feira, 4 de julho de 2012
DE FÉRIAS
Refestela-te nesse torpor
entre a próxima e o anterior!...
Descansas? Providencia-se?
Fazes necessário no espaço
o hiato?
Questões, deixemo-las
como ao vento brando:
- para quando forte
soprá-las a sorte...
entre a próxima e o anterior!...
Descansas? Providencia-se?
Fazes necessário no espaço
o hiato?
Questões, deixemo-las
como ao vento brando:
- para quando forte
soprá-las a sorte...
terça-feira, 3 de julho de 2012
NOITE ESTRELADA
São velhas as palavras
tão novas as estórias!...
(os mesmíssimos vocábulos
gastos, ressignificados)
Da noite que estrelamos
imprimo sua memória
no barro fresco dos efeitos:
- nos sentidos mundanos
do tempo desdobrando;
- nos sentimentos contínuos
dos nervos em desalinho
do músculo cardíaco...
Dos teus suspiros
a doce arritmia;
dos teus gemidos
aquela melodia...
(entre carícias
sob o carinho
do som dos Beatles)
***
[do som dos Beatles no fresco barro
reouço como o compasso
de tuas pernas com as minhas
separa tuas coxas macias
do meu peito quando aspira
a curva cheia dos teus ombros
- os sonhos da fantasia]
tão novas as estórias!...
(os mesmíssimos vocábulos
gastos, ressignificados)
Da noite que estrelamos
imprimo sua memória
no barro fresco dos efeitos:
- nos sentidos mundanos
do tempo desdobrando;
- nos sentimentos contínuos
dos nervos em desalinho
do músculo cardíaco...
Dos teus suspiros
a doce arritmia;
dos teus gemidos
aquela melodia...
(entre carícias
sob o carinho
do som dos Beatles)
***
[do som dos Beatles no fresco barro
reouço como o compasso
de tuas pernas com as minhas
separa tuas coxas macias
do meu peito quando aspira
a curva cheia dos teus ombros
- os sonhos da fantasia]
domingo, 1 de julho de 2012
CARVOARIA
Lava aflitiva!...
Então deslizas
por entre as tripas
assim cozidas
nas investidas
controvertidas
mais intestinas...
Anestesias
idas e vindas
que descaminhas
se tanto animas
de pantomimas
mal digeridas...
(entre vísceras
somos vítimas
desassistidas)
Mas não cansarás
(ou descascarás)
[como os carcarás]
até fruíres
me consumires
e concluíres
tua perfídia.
Em se tratando do estreito percurso interno do amor
uma delícia!...
Então deslizas
por entre as tripas
assim cozidas
nas investidas
controvertidas
mais intestinas...
Anestesias
idas e vindas
que descaminhas
se tanto animas
de pantomimas
mal digeridas...
(entre vísceras
somos vítimas
desassistidas)
Mas não cansarás
(ou descascarás)
[como os carcarás]
até fruíres
me consumires
e concluíres
tua perfídia.
Em se tratando do estreito percurso interno do amor
uma delícia!...
sábado, 30 de junho de 2012
PASMO
Hoje quis o mundo inexprimir-se.
Quer-se incognoscível
mesmo na superfície
da mais lisa possível
articulada fatalidade
(quão pode a lógica realidade).
Módico, revolveu em distrato.
Seu mau significado, claro
encachoeirou-se, tão encantador
(ao ponto de não mui lamentá-lo)
que fui inundado de amor
por contemplar navegá-lo:
- e tal profundo horror
(em meio à luz da cor)
por me dispensá-lo explicar-se.
[contudo, este minuto
ao fundo irá defunto...]
Quer-se incognoscível
mesmo na superfície
da mais lisa possível
articulada fatalidade
(quão pode a lógica realidade).
Módico, revolveu em distrato.
Seu mau significado, claro
encachoeirou-se, tão encantador
(ao ponto de não mui lamentá-lo)
que fui inundado de amor
por contemplar navegá-lo:
- e tal profundo horror
(em meio à luz da cor)
por me dispensá-lo explicar-se.
[contudo, este minuto
ao fundo irá defunto...]
sexta-feira, 29 de junho de 2012
ESTAÇÃO DAS FLORES
Com o cenho todo brincando
(a querença de outros trincando)
que Vulcano girando o braseiro
do planalto central brasileiro
mais divide conosco
seu azul sem limite...
Quando o verde chuvoso, a visão de Dom Bosco
(do leite e do mel escorrendo
deleites de um céu lazarento)
se vão, aos pagãos dão, então
a festa dos deuses de beiços
rachados da seca lambendo
as dores dos espinheiros:
- para que de tarde da noite em vigília
possa o dia buganvílias coloridas...
(a querença de outros trincando)
que Vulcano girando o braseiro
do planalto central brasileiro
mais divide conosco
seu azul sem limite...
Quando o verde chuvoso, a visão de Dom Bosco
(do leite e do mel escorrendo
deleites de um céu lazarento)
se vão, aos pagãos dão, então
a festa dos deuses de beiços
rachados da seca lambendo
as dores dos espinheiros:
- para que de tarde da noite em vigília
possa o dia buganvílias coloridas...
domingo, 24 de junho de 2012
BROCA II
Perfuro meus olhos secos
(nesse relento de olhar-se)
do teu mirar escorreito
em queimação devida
à centração da vida
entre os pares.
Que qualidade o ar teria
- sua tessitura entre as partes?
Seus átomos, moléculas
libélulas a faiscarem?...
[perfura o olhar
também o meu par]
{e por que, Afrodite
de Hefaísto, enfiaste
(como Vênus em Marte)
[entre Vênus e Marte]
um sol em mim?...}
(nesse relento de olhar-se)
do teu mirar escorreito
em queimação devida
à centração da vida
entre os pares.
Que qualidade o ar teria
- sua tessitura entre as partes?
Seus átomos, moléculas
libélulas a faiscarem?...
[perfura o olhar
também o meu par]
{e por que, Afrodite
de Hefaísto, enfiaste
(como Vênus em Marte)
[entre Vênus e Marte]
um sol em mim?...}
sábado, 23 de junho de 2012
BROCA
Perfura-me este dia
com a ponta do compasso
do ritmo que determina
qual arrisco quantificá-lo:
- tanto naquele, por dele o espaço
quanto da minha monta estipulável.
Há pedras no curso da estiva
e atrasos no que se encaminha
da (má) companhia de atalhos:
- muito agregável esparso
que o acaso objetiva
em algarismos
que me angustiam
quando anotados...
com a ponta do compasso
do ritmo que determina
qual arrisco quantificá-lo:
- tanto naquele, por dele o espaço
quanto da minha monta estipulável.
Há pedras no curso da estiva
e atrasos no que se encaminha
da (má) companhia de atalhos:
- muito agregável esparso
que o acaso objetiva
em algarismos
que me angustiam
quando anotados...
quarta-feira, 20 de junho de 2012
EM RUÍNAS
... enfim, é tranquilo
viver num período
em que o antigo modo de ser
(de longo e prático declínio)
escancara-se decrépito
e fétido
seu método.
Quando é hora do velho
deixar mestre o recinto?
(antes de alguém mandá-lo)
Pedir prévio o aviso?...
(ao fim, tão egrégio
pacato o processo...)
(o fim é tranquilo)
***
[e quanto aos bárbaros, não
exatamente invadirão
pois sempre aqui entre nós
perfumaram-nos os lençóis]
viver num período
em que o antigo modo de ser
(de longo e prático declínio)
escancara-se decrépito
e fétido
seu método.
Quando é hora do velho
deixar mestre o recinto?
(antes de alguém mandá-lo)
Pedir prévio o aviso?...
(ao fim, tão egrégio
pacato o processo...)
(o fim é tranquilo)
***
[e quanto aos bárbaros, não
exatamente invadirão
pois sempre aqui entre nós
perfumaram-nos os lençóis]
quarta-feira, 13 de junho de 2012
O TEMPO II
Posso de fato
- como a pedra, a árvore, o abajur
viver parado
(mesmo estirado).
O mesmo acima - e embaixo. Nos quatro ventos
(a despeito de estações e empreendimentos)
estático. Poleiro
do sonho vário alheio
(às vezes tenho feito).
Estático. Extático também
(em respeito ao significado)
porém de movimento:
do tectônico ao sereno
o único que me interessa
amar de ter, sentir à beça
- o da obra aberta do tempo
(o que desdobra o tempo
do momento primeiro).
- como a pedra, a árvore, o abajur
viver parado
(mesmo estirado).
O mesmo acima - e embaixo. Nos quatro ventos
(a despeito de estações e empreendimentos)
estático. Poleiro
do sonho vário alheio
(às vezes tenho feito).
Estático. Extático também
(em respeito ao significado)
porém de movimento:
do tectônico ao sereno
o único que me interessa
amar de ter, sentir à beça
- o da obra aberta do tempo
(o que desdobra o tempo
do momento primeiro).
domingo, 10 de junho de 2012
RATIO ESSENDI
deste blog
Tanto o firmamento
quanto o pavimento
têm aqui seu centro.
Antropocêntrico
Belmirocêntrico
do buraco negro
do ego ergo, ergo
um contentamento
feito de si mesmo
perto de perfeito...
(embora cético
cênico, decerto)
Tanto o firmamento
quanto o pavimento
têm aqui seu centro.
Antropocêntrico
Belmirocêntrico
do buraco negro
do ego ergo, ergo
um contentamento
feito de si mesmo
perto de perfeito...
(embora cético
cênico, decerto)
sexta-feira, 8 de junho de 2012
VESPERTINA
Oblíqua tarde
incendiada;
melíflua arte
luzidia
da gratuidade
fugidia
da gravidade:
- de raios que caem
mortos à vontade...
(a solar voragem
fuzilando a vista
paralela à pista)
incendiada;
melíflua arte
luzidia
da gratuidade
fugidia
da gravidade:
- de raios que caem
mortos à vontade...
(a solar voragem
fuzilando a vista
paralela à pista)
quinta-feira, 7 de junho de 2012
PRECE MUNDANA
fragmento
... e que a claridade
da tarde
despida
de parte
do dia
permita à cidade
povoar-se
de amores
pra tarde
da noite...
... e que a claridade
da tarde
despida
de parte
do dia
permita à cidade
povoar-se
de amores
pra tarde
da noite...
NOTA INTERNA
porque não rio do que sofro
Escrevo do que penso
que sinto que padeço.
Se fosse derradeiro
podia compreendê-lo
(sem a volvê-lo o tempo).
Mas não o é - e o sei.
(e que nunca saberei
a tempo de entretê-lo)
Escrevo do que penso
que sinto que padeço.
Se fosse derradeiro
podia compreendê-lo
(sem a volvê-lo o tempo).
Mas não o é - e o sei.
(e que nunca saberei
a tempo de entretê-lo)
CONSTATAÇÃO II
A divina majestade
da paisagem que contemplo
do topo deste templo
(o mundo em que vivemos)
nesta hora descabida
que me estreita em verdades
é a absoluta medida
da maldita realidade:
- do absurdo que é a vida
em si quando desprovida...
da paisagem que contemplo
do topo deste templo
(o mundo em que vivemos)
nesta hora descabida
que me estreita em verdades
é a absoluta medida
da maldita realidade:
- do absurdo que é a vida
em si quando desprovida...
quarta-feira, 6 de junho de 2012
SEMPRE NUNCA
... se esqueceria o longo brilho
daquele olhar esmaecido?...
[talvez nunca exagero:
- paixões tão assertivas
de modo a colidi-las
com a provecta eternidade do mistério]
Mas retornaria
(sempre que esquecida)
àquela luz profunda toda vez
que estivesse escuro
repensando o mundo...
daquele olhar esmaecido?...
[talvez nunca exagero:
- paixões tão assertivas
de modo a colidi-las
com a provecta eternidade do mistério]
Mas retornaria
(sempre que esquecida)
àquela luz profunda toda vez
que estivesse escuro
repensando o mundo...
terça-feira, 5 de junho de 2012
ESTUPIDAMENTE
lúcido rima com estúpido
O que de mim vence
quando beijo o frio
maciço, o altíssimo
muro da realidade
dos fatos empíricos?
A sensatez, o equilíbrio
do que viria com a idade
- o que chamamos juízo?
A mesquinhez da covardia
retravestida de bom senso
(mais uma vez)
a confiar na ação do tempo?
(a sorte - por que a temo?)
[desculpo a tudo
porque pequeno]
O que de mim vence
quando beijo o frio
maciço, o altíssimo
muro da realidade
dos fatos empíricos?
A sensatez, o equilíbrio
do que viria com a idade
- o que chamamos juízo?
A mesquinhez da covardia
retravestida de bom senso
(mais uma vez)
a confiar na ação do tempo?
(a sorte - por que a temo?)
[desculpo a tudo
porque pequeno]
OURO E PRATA
Hoje cedo ergueu-se o sol
delicado e sonolento
de um lençol do firmamento
cismado parecendo de servir
o desjejum - um café celestial
como o divino néctar por vir
(um dia especial)
à sua dama alteada
do outro lado do horizonte
que pálida o entreolhava...
Testemunhou o casal toda a criação.
delicado e sonolento
de um lençol do firmamento
cismado parecendo de servir
o desjejum - um café celestial
como o divino néctar por vir
(um dia especial)
à sua dama alteada
do outro lado do horizonte
que pálida o entreolhava...
Testemunhou o casal toda a criação.
domingo, 3 de junho de 2012
AUTOPIRATARIA
Meus nervos de corsário
(tão frios, modificados
por ânsias e circunstâncias
num então justificado)
são do aço necessário
ao saque - ao assassínio
de todo bom juízo
que me acometa, contrito
no baque deste navio
com a realidade do aviso...
(tão frios, modificados
por ânsias e circunstâncias
num então justificado)
são do aço necessário
ao saque - ao assassínio
de todo bom juízo
que me acometa, contrito
no baque deste navio
com a realidade do aviso...
sábado, 2 de junho de 2012
CAMPO DE BATALHA
O chão da mais árdua disputa
se terrão que divide - e racha
razão tanta de estar cabeçuda
quanto ser de paixão desregrada
na luta que acaba nunca
do sacrifício por nada
é o que é difícil de encaminhá-la
- pelo que representa a campanha
por dentro da própria casa:
- o peito da pessoa acertada.
se terrão que divide - e racha
razão tanta de estar cabeçuda
quanto ser de paixão desregrada
na luta que acaba nunca
do sacrifício por nada
é o que é difícil de encaminhá-la
- pelo que representa a campanha
por dentro da própria casa:
- o peito da pessoa acertada.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
TRUÍSMOS
A vida é curta.
O tempo, escuro
à distância, apuro.
Mal posso evitar
que se curvem, e me curvem
encurtados - e mais turvem
até que o fim suturem.
***
A vida é bela.
O espaço, claro.
Os segundos, escuto
que bem posso contá-los
minutos - e que minutos
não corram, até que morram
abraçados.
O tempo, escuro
à distância, apuro.
Mal posso evitar
que se curvem, e me curvem
encurtados - e mais turvem
até que o fim suturem.
***
A vida é bela.
O espaço, claro.
Os segundos, escuto
que bem posso contá-los
minutos - e que minutos
não corram, até que morram
abraçados.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
INSTANTÂNEO
A moldura que teus lábios
coadunam de perfeitos
à tua língua desferida
em palavreados termos
caramela pouco acima
da tua linha fugidia
as lanternas amarelas
que adiante me confias
(as tranquilas assassinas
que sequelas cicatrizam)
sorrindo (de si por dentro)
a inapelável rendição
de antemão que te concedo...
coadunam de perfeitos
à tua língua desferida
em palavreados termos
caramela pouco acima
da tua linha fugidia
as lanternas amarelas
que adiante me confias
(as tranquilas assassinas
que sequelas cicatrizam)
sorrindo (de si por dentro)
a inapelável rendição
de antemão que te concedo...
SISTÊMICA, ORGÂNICA, NERVOSA, CRÍTICA (E CÍCLICA...)
sistema nervoso vegetativo (fisl) parte do sistema nervoso, constituído de neurônios sensitivos e motores, que regula funções como a respiração, a digestão, a excreção e a circulação, dividindo-se em sistema nervoso simpático e parassimpático, cujas funções se complementam de modo a coordenar o funcionamento de todos os órgãos... (Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa)
O parassimpático que há em mim
está nada, nada simpático
às minhas considerações, enfim...
De todos, o mais temido
reinstala-se - o conflito
que veste, confortavelmente
contradições do tronco à mente
entre o que repenso
e o que ressinto
o que me lembro
e o que pressinto
para ao novo dar um novo lugar:
- abrir a tapa a nova supervia
explodir na cara a supernova
(do vasto porão que rebrilha)
enfim...
O parassimpático que há em mim
está nada, nada simpático
às minhas considerações, enfim...
De todos, o mais temido
reinstala-se - o conflito
que veste, confortavelmente
contradições do tronco à mente
entre o que repenso
e o que ressinto
o que me lembro
e o que pressinto
para ao novo dar um novo lugar:
- abrir a tapa a nova supervia
explodir na cara a supernova
(do vasto porão que rebrilha)
enfim...
quarta-feira, 30 de maio de 2012
PREMISSAS FRESCAS E FATAIS
O que sinto
(de destino)
só o sinto
como se nunca tivesse sentido.
O sentido
(do que sinto)
desconheço
como se nunca o quisesse sabido.
Seu mistério
(infinito?)
reconheço
como se sempre o vertesse destino...
(de destino)
só o sinto
como se nunca tivesse sentido.
O sentido
(do que sinto)
desconheço
como se nunca o quisesse sabido.
Seu mistério
(infinito?)
reconheço
como se sempre o vertesse destino...
terça-feira, 29 de maio de 2012
TRÊS FATORES CRUCIAIS
O primeiro, esqueço
resolvê-lo
(faço revolvê-lo).
O segundo (o primeiro
de fato), não lembro
direito.
O terceiro - no momento
complicado engenho -
passo...
resolvê-lo
(faço revolvê-lo).
O segundo (o primeiro
de fato), não lembro
direito.
O terceiro - no momento
complicado engenho -
passo...
domingo, 27 de maio de 2012
DUAS ARTES ENFIM IGUAIS
a todo sacrifício odioso
A arte da espera (que renuncia):
- decerto, a habilidade
de convencer o tempo
a tempo de exilar-me
de certo movimento.
A arte da renúncia (que desespera):
- aquela que me intima
(à via agonística)
a postergar a vida
pra certamente um dia...
A arte da espera (que renuncia):
- decerto, a habilidade
de convencer o tempo
a tempo de exilar-me
de certo movimento.
A arte da renúncia (que desespera):
- aquela que me intima
(à via agonística)
a postergar a vida
pra certamente um dia...
DE ONDE O IMPULSO
O que arranha nervoso
o trajeto trevoso
oco do pensamento
antes de preenchê-lo:
- um arroubo do vácuo
do inconformado vazio - de plenitudes
de um destituído destino - de tais virtudes...
O hiato - o hiato intolera
(vacatio não se assume);
se o vazio deserta
o vácuo aderna...
(queixumes)
o trajeto trevoso
oco do pensamento
antes de preenchê-lo:
- um arroubo do vácuo
do inconformado vazio - de plenitudes
de um destituído destino - de tais virtudes...
O hiato - o hiato intolera
(vacatio não se assume);
se o vazio deserta
o vácuo aderna...
(queixumes)
TUDO NUM SEGUNDO
Num canto do jardim interno
ao fim do meu verão eterno
há uma mesa de pedra antiga
contemporânea de sóis primevos
extemporânea do tempo mesmo.
Quedei-me junto dela - não lembro
contemplei-a ainda primavera;
e desde então, ressentindo invernos
nela as mãos alongando os músculos
à sombra do outonal crepúsculo
que se desdobra infinitesimal
te espero, contudo.
ao fim do meu verão eterno
há uma mesa de pedra antiga
contemporânea de sóis primevos
extemporânea do tempo mesmo.
Quedei-me junto dela - não lembro
contemplei-a ainda primavera;
e desde então, ressentindo invernos
nela as mãos alongando os músculos
à sombra do outonal crepúsculo
que se desdobra infinitesimal
te espero, contudo.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
O TEMPO
a Cruz e Sousa
... à frente, e também (o passado)
além, desdobrá-lo - e estendido
cumpre examiná-lo:
- das virtudes do tecido
aos buracos do acaso
de recosturas sem pano
a robustos desenganos
do seu plano americano
até pormenorizado
o fio, ao fim e ao cabo;
se igualmente, com o modesto fito
de não completamente ignorá-lo
- repetidas lições (quais sejam)
menos os senões (obstáculos)
no presente, ao poente
(do sol, o tapete)
recordá-lo...
... à frente, e também (o passado)
além, desdobrá-lo - e estendido
cumpre examiná-lo:
- das virtudes do tecido
aos buracos do acaso
de recosturas sem pano
a robustos desenganos
do seu plano americano
até pormenorizado
o fio, ao fim e ao cabo;
se igualmente, com o modesto fito
de não completamente ignorá-lo
- repetidas lições (quais sejam)
menos os senões (obstáculos)
no presente, ao poente
(do sol, o tapete)
recordá-lo...
segunda-feira, 21 de maio de 2012
O RISCO
Tuas lanternas, mel vítreo
balouçando entre destinos
escurecem, cristalinas
dos teus sábios desatinos;
dois escafandros dourados
dois caramelos marinhos
(amarelo-encouraçado
esmaecendo profundo
opaco o brilho
cortando a fundo...).
Se toda vez que me pego
fitando-as, embevecido
(e acompanhando as retinas
se tanto, um meio-sorriso)
escurecer-me é possível:
- se pretérito, que negue
o olhar que por ti arrisco
a perder-se quando abismo...
balouçando entre destinos
escurecem, cristalinas
dos teus sábios desatinos;
dois escafandros dourados
dois caramelos marinhos
(amarelo-encouraçado
esmaecendo profundo
opaco o brilho
cortando a fundo...).
Se toda vez que me pego
fitando-as, embevecido
(e acompanhando as retinas
se tanto, um meio-sorriso)
escurecer-me é possível:
- se pretérito, que negue
o olhar que por ti arrisco
a perder-se quando abismo...
domingo, 13 de maio de 2012
NOTA CONTEMPORÂNEA
fragmento de significado
De fato alguém lá fora
meu coração aflora:
- a personagem-nome
de uma fatalidade
(sua virtualidade).
Embora além do espaço
(tempo que espaça largo
ao largo dos pronomes)
a de mais realidade.
{enquanto isso, me desespero
em pulsões de nervos concretos
invólucro refém dos mitos
dos sentidos empobrecidos...
[nada marca mais esta ausência
presente que vaga espectral
na nova necrópole virtual]}
De fato alguém lá fora
meu coração aflora:
- a personagem-nome
de uma fatalidade
(sua virtualidade).
Embora além do espaço
(tempo que espaça largo
ao largo dos pronomes)
a de mais realidade.
{enquanto isso, me desespero
em pulsões de nervos concretos
invólucro refém dos mitos
dos sentidos empobrecidos...
[nada marca mais esta ausência
presente que vaga espectral
na nova necrópole virtual]}
sábado, 12 de maio de 2012
JOÃO VITOR
nascido a 7 de maio
Um neto
(meu neto
primeiro)
rosado
ereto
inteiro
e neto
direto
certeiro:
- contudo
que a vida
(e tudo)
lhe diga
querido
lhe trate
(destarte)
o amado
seu filho...
[do mundo
da vida
vivida
a fundo]
Um neto
(meu neto
primeiro)
rosado
ereto
inteiro
e neto
direto
certeiro:
- contudo
que a vida
(e tudo)
lhe diga
querido
lhe trate
(destarte)
o amado
seu filho...
[do mundo
da vida
vivida
a fundo]
quarta-feira, 9 de maio de 2012
DOMINGO 16H
quando preconceito é paixão
Rola a bola
rente à grama
silenciosas
muambas, ambas
maltratadas
maratonas:
- a redonda
(com certeza)
faz de conta
(portuguesa)
que o relvado
não é mato;
a rés plana
(de pisada)
finge planos
(esburaca)
de justiça
nas conquistas...
[fora as pernas
(brasileiras)
as canelas
(brasileiras)
joelhos, braços
(coelhos, galos)
tornozelos
(entortados)
cotovelos
(os violentos)
dos perebas
(estrangeiros!)
que as destratam]
Rola a bola
rente à grama
silenciosas
muambas, ambas
maltratadas
maratonas:
- a redonda
(com certeza)
faz de conta
(portuguesa)
que o relvado
não é mato;
a rés plana
(de pisada)
finge planos
(esburaca)
de justiça
nas conquistas...
[fora as pernas
(brasileiras)
as canelas
(brasileiras)
joelhos, braços
(coelhos, galos)
tornozelos
(entortados)
cotovelos
(os violentos)
dos perebas
(estrangeiros!)
que as destratam]
domingo, 6 de maio de 2012
A HARMONIA DA ILUSÃO
àquela anônima sensibilidade
Com vistas ao bem de nossas vidas
proponho a composição que vejo
às esferas/metades/polos que sejam
realidades, suas partes, um ensejo:
as paixões que desarrumam
- que à gravidade anulam (nos dois sentidos)
e as razões que as justificam
- que à gravidade explicam (sem corretivos)
dão-se duas mãos (as outras, repartidas)
em dupla imaginação restituída
originária, que perambularia...
Com vistas ao bem de nossas vidas
proponho a composição que vejo
às esferas/metades/polos que sejam
realidades, suas partes, um ensejo:
as paixões que desarrumam
- que à gravidade anulam (nos dois sentidos)
e as razões que as justificam
- que à gravidade explicam (sem corretivos)
dão-se duas mãos (as outras, repartidas)
em dupla imaginação restituída
originária, que perambularia...
sábado, 5 de maio de 2012
QUESTÃO INOPORTUNA
As datas - estacas várias
fincadas no calendário.
As efemérides, tidas
como comemorativas:
- por que tenho de lembrá-las
se dias de dromedário?
{se improdutiva a rotina
domesticado o trabalho
(apequenado o que faço)
[assim como]
determinados atalhos
(das incertezas de cima)
às inclemências do clima?...}
fincadas no calendário.
As efemérides, tidas
como comemorativas:
- por que tenho de lembrá-las
se dias de dromedário?
{se improdutiva a rotina
domesticado o trabalho
(apequenado o que faço)
[assim como]
determinados atalhos
(das incertezas de cima)
às inclemências do clima?...}
quinta-feira, 3 de maio de 2012
QUESTÃO MINHA
À tarde, venho cochilando
(surpreso, recapitulando)
sonhos desdobrados para trás
até verdes anos - quando anis
os planos, roxos os encontros
eram negros os pelos todos
rosadas as experiências
repintadas as indecências
na calada das madrugadas;
e compaixões, amareladas
por vermelhas verificações
repaginavam-se, centelhas
de cada novata esperança...
Por que tarde agora, cochilos
coloridos tão desbotados
sobre antigos fados - cochichos
por trás do tempo cortinado
ganham a hora, ecos do giz
da desmemória mais remota?...
(por que nesta hora de agora
quando aqui finco mastro e raiz?)
(surpreso, recapitulando)
sonhos desdobrados para trás
até verdes anos - quando anis
os planos, roxos os encontros
eram negros os pelos todos
rosadas as experiências
repintadas as indecências
na calada das madrugadas;
e compaixões, amareladas
por vermelhas verificações
repaginavam-se, centelhas
de cada novata esperança...
Por que tarde agora, cochilos
coloridos tão desbotados
sobre antigos fados - cochichos
por trás do tempo cortinado
ganham a hora, ecos do giz
da desmemória mais remota?...
(por que nesta hora de agora
quando aqui finco mastro e raiz?)
segunda-feira, 30 de abril de 2012
QUESTÃO MENOR
Que fizemos
que o mundo que temos
nos olha de menos?
[feroz
no indiferente atroz;
algoz
dos sonhos pequenos
(tenros)]
que o mundo que temos
nos olha de menos?
[feroz
no indiferente atroz;
algoz
dos sonhos pequenos
(tenros)]
domingo, 29 de abril de 2012
PROCESSO CRIATIVO
a um suporte em extinção
O papel intermedia
o percurso da fagulha
da vista à tela
(e vice-versa).
Não, o papel só rabisca
sua acidentada trilha
da ideia à pedra
reconquistada.
Limpo, o papel redestaca
a brancura da pureza
(antes de ida
escura ainda).
Não, o papel nem obriga
o desenho da figura
da escrita, em suma
qualquer clareza.
O papel sujo argamassa
a feiura da beleza
até que de uma
a outra se esqueça.
Não, o papel mal registra
tal incerteza da agulha
quanto à costura
(quanto ao que fura).
O papel intermedia
o percurso da fagulha
da vista à tela
(e vice-versa).
Não, o papel só rabisca
sua acidentada trilha
da ideia à pedra
reconquistada.
Limpo, o papel redestaca
a brancura da pureza
(antes de ida
escura ainda).
Não, o papel nem obriga
o desenho da figura
da escrita, em suma
qualquer clareza.
O papel sujo argamassa
a feiura da beleza
até que de uma
a outra se esqueça.
Não, o papel mal registra
tal incerteza da agulha
quanto à costura
(quanto ao que fura).
sábado, 28 de abril de 2012
IRRELEVANTE
O silêncio azul-claro
(a cor deste sábado)
que reouço aziago
no caminho que arrisco
(da incerteza do traço)
e na mente refaço
(a tristeza do vácuo)
paradoxalmente
redescanso semente:
- pois qual a diferença
entre a somente ausência
e esta quieta presença
em que nada aconteço
nas quais nos aborreço?...
(a cor deste sábado)
que reouço aziago
no caminho que arrisco
(da incerteza do traço)
e na mente refaço
(a tristeza do vácuo)
paradoxalmente
redescanso semente:
- pois qual a diferença
entre a somente ausência
e esta quieta presença
em que nada aconteço
nas quais nos aborreço?...
CARA DE COROA
Pelos da face
como disfarce
para um passado
prenhe de quases.
Descuidados
desgrenhados
malfadados
gordurosos - pelo tato.
(como sentimentos quase
repensados)
O espelho cogita
a barba do dia:
- a frase pedida, a oportunidade
perdida em imagem...
(como aquela viagem
desfeita nos planos
refeita nos danos)
***
A mãe diria:
- mas que medonha
(qual mais me doa?)
justificativa
contra assepsias!
Em princípio, a dona
do meu farto início
sim, acertaria
- mas um pardo indício...
como disfarce
para um passado
prenhe de quases.
Descuidados
desgrenhados
malfadados
gordurosos - pelo tato.
(como sentimentos quase
repensados)
O espelho cogita
a barba do dia:
- a frase pedida, a oportunidade
perdida em imagem...
(como aquela viagem
desfeita nos planos
refeita nos danos)
***
A mãe diria:
- mas que medonha
(qual mais me doa?)
justificativa
contra assepsias!
Em princípio, a dona
do meu farto início
sim, acertaria
- mas um pardo indício...
sexta-feira, 27 de abril de 2012
CELESTINA
Afixado
à parede
o teu preço
numa rede
descalabro
e feneço:
se se paga
namorada.
[porque muito
que se sonhe
por descuido
se consome]
à parede
o teu preço
numa rede
descalabro
e feneço:
se se paga
namorada.
[porque muito
que se sonhe
por descuido
se consome]
CAMPESTRINA
Encostando
na parede
o desejo
de uma rede
respirando
remanesço:
permaneço
namorando.
[numa sede
que destarte
nem ensejo
de casar-se]
na parede
o desejo
de uma rede
respirando
remanesço:
permaneço
namorando.
[numa sede
que destarte
nem ensejo
de casar-se]
MARÍTIMA
Encostado
na parede
fotografo
uma rede
nela feixe
dela peixe:
costurado
namorado.
[um pescado
que aproveite
ao azeite
congelado]
na parede
fotografo
uma rede
nela feixe
dela peixe:
costurado
namorado.
[um pescado
que aproveite
ao azeite
congelado]
sexta-feira, 20 de abril de 2012
DO MAIS SECO AZUL
Um raio tácito
pouco esperado
por para-raios
(especulado
naqueles sábados
de apenas traço)
caiu, com certeza:
- tripartiu a cesta
azedando a sexta
tal a aspereza.
Que muito envelheça
(em razão dos desagravos)
a circunstância da esperteza
aceita-se como da natureza;
que caia defasado de mais tempo ido
(numa paródia nórdica de um deus falido)
finjo a surpresa!...
pouco esperado
por para-raios
(especulado
naqueles sábados
de apenas traço)
caiu, com certeza:
- tripartiu a cesta
azedando a sexta
tal a aspereza.
Que muito envelheça
(em razão dos desagravos)
a circunstância da esperteza
aceita-se como da natureza;
que caia defasado de mais tempo ido
(numa paródia nórdica de um deus falido)
finjo a surpresa!...
segunda-feira, 16 de abril de 2012
CONEXO COTIDIANO
O quadro da solidão absoluta
[é como]
o quadro de uma pintura sem moldura.
Uma clara atenção concentrada
sobre um tênue pedaço do nada
oculta a verdade da tela infinita:
[seja]
escura/cinza/colorida - contínua
sem nada que o substitua
[o quadro]
(porque continua);
nada que o separe da noturna
rua sob a prateada
face sem graça da lua.
Nem antes - ante o parapeito
de mais um precipício estreito
(ademais de um sonho desfeito)
o quadro da solidão absoluta
pinta a ruptura
da cósmica brutalidade
una - de qualquer realidade
última/primeira/terceira
- na segunda-feira.
[é como]
o quadro de uma pintura sem moldura.
Uma clara atenção concentrada
sobre um tênue pedaço do nada
oculta a verdade da tela infinita:
[seja]
escura/cinza/colorida - contínua
sem nada que o substitua
[o quadro]
(porque continua);
nada que o separe da noturna
rua sob a prateada
face sem graça da lua.
Nem antes - ante o parapeito
de mais um precipício estreito
(ademais de um sonho desfeito)
o quadro da solidão absoluta
pinta a ruptura
da cósmica brutalidade
una - de qualquer realidade
última/primeira/terceira
- na segunda-feira.
sábado, 14 de abril de 2012
UM MARANHÃO
Grãos de areia de Caburé
entram em minh'alma toda
vez que uma lembrança tola
requeima a língua no café.
Areia do paraíso
equatorial que esqueço
sazonal quase impossível:
- Caburé, só distraído
face à distância do abraço
entre a memória e o fato
de não mais querê-la viva
tão longe deste cerrado
mental percorrido à míngua
ensimesmado de estivas...
[areal de Caburé:
no chão real esquina
da especulativa via até
se avistar o mundo de cima]
entram em minh'alma toda
vez que uma lembrança tola
requeima a língua no café.
Areia do paraíso
equatorial que esqueço
sazonal quase impossível:
- Caburé, só distraído
face à distância do abraço
entre a memória e o fato
de não mais querê-la viva
tão longe deste cerrado
mental percorrido à míngua
ensimesmado de estivas...
[areal de Caburé:
no chão real esquina
da especulativa via até
se avistar o mundo de cima]
quarta-feira, 11 de abril de 2012
TAIS FILHAS
São três marias
(não, quatro lias)
letícias lindas
em vão meninas;
são quatro vidas
(não, trinta lidas)
contemplativas
enquanto vistas;
vê-las amigas
tão indivisas
(róseas espinhas)
lembra-me vias
quando floridas
sem herbicidas...
(não, quatro lias)
letícias lindas
em vão meninas;
são quatro vidas
(não, trinta lidas)
contemplativas
enquanto vistas;
vê-las amigas
tão indivisas
(róseas espinhas)
lembra-me vias
quando floridas
sem herbicidas...
sábado, 7 de abril de 2012
SELETIVA
Esqueço
que o peso
de todo desprezo
é lento.
E lembro
(num susto)
que gosto de tudo
sereno.
Tanto esqueço
quanto lembro
estórias
(infeliz)
de menos.
[por um triz que se me cuide
de memórias tal virtude]
que o peso
de todo desprezo
é lento.
E lembro
(num susto)
que gosto de tudo
sereno.
Tanto esqueço
quanto lembro
estórias
(infeliz)
de menos.
[por um triz que se me cuide
de memórias tal virtude]
sexta-feira, 6 de abril de 2012
FORMOL INFORMAL
política num bistrô em Brasília
Gosto de tradição.
(às vezes, não)
Neste caso
(sobre a mesa ao lado)
guardo (como visão)
o cuidado
do trato à disposição:
- a exemplo do tato
murmurando um rio
à vasta navegação
(num tal desequilíbrio
que emudece os tecidos
do vestuário envolvido).
Suaves entre talheres
(muares com as mulheres)
quando harmonizam passivos
de anuências ressentidas?
(pois há sempre quem dance
a certeza do lance
antes da sobremesa)
Gosto de tradição.
(às vezes, não)
Neste caso
(sobre a mesa ao lado)
guardo (como visão)
o cuidado
do trato à disposição:
- a exemplo do tato
murmurando um rio
à vasta navegação
(num tal desequilíbrio
que emudece os tecidos
do vestuário envolvido).
Suaves entre talheres
(muares com as mulheres)
quando harmonizam passivos
de anuências ressentidas?
(pois há sempre quem dance
a certeza do lance
antes da sobremesa)
quinta-feira, 5 de abril de 2012
À FRANCESA
a todos os carentes
atávicos, sem dentes
Depois da quinta
dose irrestrita
(periferia
do pensamento
de sentimentos
borracharia)
toca o celular:
- rima com tudo
que sufixa em ar
que amor prefixa
a condicionar
que promete vir
se o tempo ajudar...
Se der, contudo
(se meu juízo houver)
peço ao Alaor
(junto à de sair)
a conta da dor
o táxi de ir...
atávicos, sem dentes
Depois da quinta
dose irrestrita
(periferia
do pensamento
de sentimentos
borracharia)
toca o celular:
- rima com tudo
que sufixa em ar
que amor prefixa
a condicionar
que promete vir
se o tempo ajudar...
Se der, contudo
(se meu juízo houver)
peço ao Alaor
(junto à de sair)
a conta da dor
o táxi de ir...
quarta-feira, 4 de abril de 2012
segunda-feira, 2 de abril de 2012
ATEMPORAL
Será andante dama
adiante a que desperte
por este cavaleiro
seus anteriores passos?
(por este aposentado
seus interiores prados?)
Estertorantes pastos
ressecam meus cavalos
há tempos. Há veleiro
que partido navegue
este exato momento?
Vontades apascento
à vontade relendo
uns romances antigos:
- de mulheres sorrindo
à passagem (miragem)
deste eu aquiescido...
adiante a que desperte
por este cavaleiro
seus anteriores passos?
(por este aposentado
seus interiores prados?)
Estertorantes pastos
ressecam meus cavalos
há tempos. Há veleiro
que partido navegue
este exato momento?
Vontades apascento
à vontade relendo
uns romances antigos:
- de mulheres sorrindo
à passagem (miragem)
deste eu aquiescido...
domingo, 1 de abril de 2012
HOUVESSE O AMOR LEVE
Ali não se foi antes
pois se conteve diante
dançante da surpresa
castanha que o deteve.
(tamanha ela podia
se presa tão quisesse
com pressa de quermesse
nem que esquentasse o dia)
Mas depressa - já via
(decerto ali desvia)
pediu ao fogo amigo
do bom senso restrito
do momento ausentar-se:
- ficasse sem consenso
dos nervos, por certezas
constrangido de menos...
[que tudo valeria
o nada que nadasse
- a fada que escapasse
que ludo esqueceria!...]
pois se conteve diante
dançante da surpresa
castanha que o deteve.
(tamanha ela podia
se presa tão quisesse
com pressa de quermesse
nem que esquentasse o dia)
Mas depressa - já via
(decerto ali desvia)
pediu ao fogo amigo
do bom senso restrito
do momento ausentar-se:
- ficasse sem consenso
dos nervos, por certezas
constrangido de menos...
[que tudo valeria
o nada que nadasse
- a fada que escapasse
que ludo esqueceria!...]
sábado, 24 de março de 2012
ROLLING
Enquanto espero
(fervendo interno)
na expectativa adocicada
por delícias bem-dispostas (posto
que as considero)
meus olhos erram
de mesa
(de presa)
da cesta
de moedas
etéreas que este cassino aéreo
me empresta...
(fervendo interno)
na expectativa adocicada
por delícias bem-dispostas (posto
que as considero)
meus olhos erram
de mesa
(de presa)
da cesta
de moedas
etéreas que este cassino aéreo
me empresta...
quarta-feira, 21 de março de 2012
PERSPECTIVA
O horizonte total
(da absoluta inexistência de degraus)
que areja
a linha aturdida à frente da cabeça
(em dia)
talvez escureça
- tão claro o boquiaberto espaço em revista
a dita
antes que anoiteça.
(da absoluta inexistência de degraus)
que areja
a linha aturdida à frente da cabeça
(em dia)
talvez escureça
- tão claro o boquiaberto espaço em revista
a dita
antes que anoiteça.
segunda-feira, 19 de março de 2012
LAMENTO MUITO
Há dias não escrevo.
(talvez fingisse
que devia)
Tampouco cansado
por outras lidas.
(só ocupado)
Mas emagrecido
de mais contatos
regressivos:
- rotina contábil
(a vida retrátil)
que aos meus tratados
precariza.
(talvez fingisse
que devia)
Tampouco cansado
por outras lidas.
(só ocupado)
Mas emagrecido
de mais contatos
regressivos:
- rotina contábil
(a vida retrátil)
que aos meus tratados
precariza.
domingo, 11 de março de 2012
O verso e a prosa, segundo o poeta
diferenças
"Se eu chegasse ao pé do leitor e lhe dissesse: 'Esse seu automóvel não é um veículo, porque não é puxado por cavalos', é provável que o leitor não aceitasse como bom, ou pelo menos como dito a sério, o meu argumento. Quando alguém chega ao pé de mim e me diz: 'Este poema não é poema porque está feito em linhas que não têm medida regular, que não têm rima, que se não podem medir nem ler como versos', essa pessoa [faz] uma afirmação em nada diferente daquela minha afirmação hipotética sobre o automóvel do leitor.
***
O verso difere da prosa não só materialmente, mas mentalmente. Se não diferisse, não haveria nem uma coisa nem outra, ou haveria só uma que fosse uma espécie de mistura de ambas. O estado mental que produz verso é diferente do estado mental que produz prosa. A diferença exterior entre a prosa e o verso é o ritmo; a diferença interior entre a prosa e o verso será a entre um estado mental que naturalmente se projecta em simples palavras, e um estado mental que naturalmente se projecta em ritmo feito com palavras.
***
Há ritmo na prosa, e há ritmo no verso. No verso, porém, o ritmo é essencial; na prosa não é, é acessório - uma vantagem, mas não uma necessidade. No fundo não há verso nem prosa..."
Fernando Pessoa, "Poesia e ritmo". In Obras de Fernando Pessoa, vol. III (poesia). Lisboa: Promoclube, pp. 105-106.
"Se eu chegasse ao pé do leitor e lhe dissesse: 'Esse seu automóvel não é um veículo, porque não é puxado por cavalos', é provável que o leitor não aceitasse como bom, ou pelo menos como dito a sério, o meu argumento. Quando alguém chega ao pé de mim e me diz: 'Este poema não é poema porque está feito em linhas que não têm medida regular, que não têm rima, que se não podem medir nem ler como versos', essa pessoa [faz] uma afirmação em nada diferente daquela minha afirmação hipotética sobre o automóvel do leitor.
***
O verso difere da prosa não só materialmente, mas mentalmente. Se não diferisse, não haveria nem uma coisa nem outra, ou haveria só uma que fosse uma espécie de mistura de ambas. O estado mental que produz verso é diferente do estado mental que produz prosa. A diferença exterior entre a prosa e o verso é o ritmo; a diferença interior entre a prosa e o verso será a entre um estado mental que naturalmente se projecta em simples palavras, e um estado mental que naturalmente se projecta em ritmo feito com palavras.
***
Há ritmo na prosa, e há ritmo no verso. No verso, porém, o ritmo é essencial; na prosa não é, é acessório - uma vantagem, mas não uma necessidade. No fundo não há verso nem prosa..."
Fernando Pessoa, "Poesia e ritmo". In Obras de Fernando Pessoa, vol. III (poesia). Lisboa: Promoclube, pp. 105-106.
Aristotélico Pessoa
um apontamento
"A literatura dramática é uma subespécie de literatura narrativa, e esta uma espécie do género literatura.
A literatura é a expressão verbal de um temperamento; a literatura narrativa a forma objectiva dessa expressão verbal; a literatura dramática a forma màximente objectiva - ou seja, a forma sintética - dessa expressão objectiva. Um drama não é mais que um romance na sua forma máxima de síntese possível. É por atingir esta objectividade máxima que ele pode receber a aparência de vida, isto é, que ele pode ser simulado num palco por pessoas a que se chama actores.
As qualidades possíveis do drama resultam, portanto, de três origens. Há as que ele tem em comum com todas as formas literárias, visto que ele é literatura; há as que ele tem, mais particularmente, em comum com todas as narrativas literárias; e há as que lhe são próprias como forma màximamente sintética da narrativa literária.
Há três espécies de drama: o tipo sintético, que busca incluir em si, equilibrando-as, as três ordens de qualidades que ao drama são possíveis; o tipo analítico, que busca apresentar só as qualidades particulares e distintivas do drama; e o tipo misto, que busca reunir, conforme possa ser, as qualidades desses dois tipos.
O tipo sintético do drama atinge a sua plenitude no drama em verso. Por ser em verso atinge o máximo da expressão verbal de um temperamento, que em verso se acentua muito mais que em prosa. Por ser drama reduz essa [expressão] verbal à objectividade."
Fernando Pessoa, "Apontamento". In Obras de Fernando Pessoa, vol. III (poesia). Lisboa: Promoclube, pp. 103-104.
"A literatura dramática é uma subespécie de literatura narrativa, e esta uma espécie do género literatura.
A literatura é a expressão verbal de um temperamento; a literatura narrativa a forma objectiva dessa expressão verbal; a literatura dramática a forma màximente objectiva - ou seja, a forma sintética - dessa expressão objectiva. Um drama não é mais que um romance na sua forma máxima de síntese possível. É por atingir esta objectividade máxima que ele pode receber a aparência de vida, isto é, que ele pode ser simulado num palco por pessoas a que se chama actores.
As qualidades possíveis do drama resultam, portanto, de três origens. Há as que ele tem em comum com todas as formas literárias, visto que ele é literatura; há as que ele tem, mais particularmente, em comum com todas as narrativas literárias; e há as que lhe são próprias como forma màximamente sintética da narrativa literária.
Há três espécies de drama: o tipo sintético, que busca incluir em si, equilibrando-as, as três ordens de qualidades que ao drama são possíveis; o tipo analítico, que busca apresentar só as qualidades particulares e distintivas do drama; e o tipo misto, que busca reunir, conforme possa ser, as qualidades desses dois tipos.
O tipo sintético do drama atinge a sua plenitude no drama em verso. Por ser em verso atinge o máximo da expressão verbal de um temperamento, que em verso se acentua muito mais que em prosa. Por ser drama reduz essa [expressão] verbal à objectividade."
Fernando Pessoa, "Apontamento". In Obras de Fernando Pessoa, vol. III (poesia). Lisboa: Promoclube, pp. 103-104.
quinta-feira, 8 de março de 2012
FINA
E de banda
veio mínima
a lâmina
que me fulmina.
Fez a curva
(meia-lua)
reta e limpa
(não havia).
Evitá-la
descabia
(agilíssima);
simular desvio
(do fio) devia:
- a disfarçar a ida
da jugular ferida.
Ainda que esvaia
manter a linha
(de passos de praia).
[como a vida
quando grita
agonística
retinta
rejuvenescida]
veio mínima
a lâmina
que me fulmina.
Fez a curva
(meia-lua)
reta e limpa
(não havia).
Evitá-la
descabia
(agilíssima);
simular desvio
(do fio) devia:
- a disfarçar a ida
da jugular ferida.
Ainda que esvaia
manter a linha
(de passos de praia).
[como a vida
quando grita
agonística
retinta
rejuvenescida]
segunda-feira, 5 de março de 2012
NO RITMO DA LESMA À FACA CONDENADA
a João Cabral de Melo Neto
Há um vibrato
sopesando
(mezzo atroz)
o agridoce
móvel cardo
me cortando
vagaroso
no que atento
legalmente
por tua voz.
[tratando-se
(ao telefone)
da presença
incorpórea
modulada
da memória]
Há um vibrato
sopesando
(mezzo atroz)
o agridoce
móvel cardo
me cortando
vagaroso
no que atento
legalmente
por tua voz.
[tratando-se
(ao telefone)
da presença
incorpórea
modulada
da memória]
domingo, 4 de março de 2012
LUZ
a Zaritè
Como não ser
previsível?
Imperturbar
tua beleza
- de estar nua
sem defesas
apressado?
Descaminhar
(rebobinar)
este filmar
precipícios?
Esquecê-los
num hospício?
As palavras
nos são caras
- certos atos
impagáveis
(e passados
e destinos);
desusá-los
impossível...
Como prever
(e te-bem-ver)
invisível?
Como não ser
previsível?
Imperturbar
tua beleza
- de estar nua
sem defesas
apressado?
Descaminhar
(rebobinar)
este filmar
precipícios?
Esquecê-los
num hospício?
As palavras
nos são caras
- certos atos
impagáveis
(e passados
e destinos);
desusá-los
impossível...
Como prever
(e te-bem-ver)
invisível?
quinta-feira, 1 de março de 2012
THE CAPTAIN CAUGHT HIS FIRST PREY
Deu pena.
Deixei apenas
gotas vermelhas
(umas dezenas)
pelo caminho.
As penas, aspirei
compungido:
- um passarinho
um filhotinho
(um desperdício).
***
Sei da natureza dele
de Cisco sobre um cístico
DNA explodindo:
- de instinto tingido à pele
do inocente que assassino
a contrapelo parece
Freddy Krueger
Jason Voorhees
simply Jack
numa segunda, 27.
Deixei apenas
gotas vermelhas
(umas dezenas)
pelo caminho.
As penas, aspirei
compungido:
- um passarinho
um filhotinho
(um desperdício).
***
Sei da natureza dele
de Cisco sobre um cístico
DNA explodindo:
- de instinto tingido à pele
do inocente que assassino
a contrapelo parece
Freddy Krueger
Jason Voorhees
simply Jack
numa segunda, 27.
domingo, 26 de fevereiro de 2012
THE CAPTAIN IS CROSSING THE BORDER
Sob a lua crescente
um inteiro adolescente
pretende.
(a rua dentro dele)
E o coração aflige
quando em seu lento aclive
(de batimento triste)
resiste.
[lembro-lhe:
Cisco não nos pertence]
um inteiro adolescente
pretende.
(a rua dentro dele)
E o coração aflige
quando em seu lento aclive
(de batimento triste)
resiste.
[lembro-lhe:
Cisco não nos pertence]
domingo, 19 de fevereiro de 2012
ARGUMENTO
Viver em atos
sim, é muito mais
importante que
de textos viver.
Dar de comer
aos sentidos
é muito mais
(nunca ademais)
relevante
que, elefante
estetizar
(tergiversar)
seu mal-estar.
Aos sentidos
dar de comer;
à arte só
só dar de ombros:
- porque, à hora agá
[da vitória resoluta deste acaso
que é o absoluto cansaço de ordenar]
tecer escombros
ninguém quererá.
sim, é muito mais
importante que
de textos viver.
Dar de comer
aos sentidos
é muito mais
(nunca ademais)
relevante
que, elefante
estetizar
(tergiversar)
seu mal-estar.
Aos sentidos
dar de comer;
à arte só
só dar de ombros:
- porque, à hora agá
[da vitória resoluta deste acaso
que é o absoluto cansaço de ordenar]
tecer escombros
ninguém quererá.
sábado, 18 de fevereiro de 2012
SONETO SONOLENTO
de um sonho carnavalesco
Há um sábado, domingo
a semana invadindo
que me estira o vadio
lagarto do espírito;
pela terça, a segunda
estica parecença;
de nada é moribunda
na feira em que aconteça:
- esta festa fluoresce
por dentro cem por cento
(destoa o pensamento)
[ao relento, coalesce
no máximo um mormaço
à toa, pardavasco]...
***
[na presença da cerveja
caroço da geladeira
o esboço da pasmaceira]
Há um sábado, domingo
a semana invadindo
que me estira o vadio
lagarto do espírito;
pela terça, a segunda
estica parecença;
de nada é moribunda
na feira em que aconteça:
- esta festa fluoresce
por dentro cem por cento
(destoa o pensamento)
[ao relento, coalesce
no máximo um mormaço
à toa, pardavasco]...
***
[na presença da cerveja
caroço da geladeira
o esboço da pasmaceira]
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
ININTERRUPTA
Brilham intensos
por trás das palavras
teus olhos morenos
(assim como o nada
que a tudo desarma);
rasgados, eu lembro
(também tuas palavras)
de há pouco tempo
aquém das fachadas
cortinas, fumaças
que o vento não sopra
num verso que sobra
imenso agora; enfim
há tua fala, que ri
(para além da hora)
teu largo marfim...
por trás das palavras
teus olhos morenos
(assim como o nada
que a tudo desarma);
rasgados, eu lembro
(também tuas palavras)
de há pouco tempo
aquém das fachadas
cortinas, fumaças
que o vento não sopra
num verso que sobra
imenso agora; enfim
há tua fala, que ri
(para além da hora)
teu largo marfim...
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
EM SUMA
Ressuscitada
desimpedida
repovoada
emagrecida
ensolarou-se;
decantada
rarefeita
expandida
prometeu-se;
da crise
refeita
em riste
esta alma (ouviste?)
bem que podia...
(ao em seguida)
desimpedida
repovoada
emagrecida
ensolarou-se;
decantada
rarefeita
expandida
prometeu-se;
da crise
refeita
em riste
esta alma (ouviste?)
bem que podia...
(ao em seguida)
domingo, 12 de fevereiro de 2012
MIX
Mormaço
mortiço
castiço e
mestiço
(típico
do início
em berço
de peso
granítico
derretendo):
- bruma de Burma
frio do estio...
[parda heterogeneidade
(opaco resultado da
climática mixagem)
que paira entre eu e a cidade]
mortiço
castiço e
mestiço
(típico
do início
em berço
de peso
granítico
derretendo):
- bruma de Burma
frio do estio...
[parda heterogeneidade
(opaco resultado da
climática mixagem)
que paira entre eu e a cidade]
sábado, 11 de fevereiro de 2012
PRECEITO LÓGICO DO NÃO
Nas horas em que
o vácuo se impõe
como faxina
interiorana
das intestinas
(da que revira
em casa ainda)
se ora desanda
perspectivas
[a redundância
preconcebida!]
não dá pra escrever
se despretende
o que avizinha;
então pressupõe
não há prescrever:
- resistiria...
o vácuo se impõe
como faxina
interiorana
das intestinas
(da que revira
em casa ainda)
se ora desanda
perspectivas
[a redundância
preconcebida!]
não dá pra escrever
se despretende
o que avizinha;
então pressupõe
não há prescrever:
- resistiria...
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
ANTEONTEM
Fui à noite da ostra prateada
sob o seio da enchumaçada
concha compreensiva.
Marmórea. Invertida.
Desestabilizada
(se etérea todavia
de impossível ruína).
A noite tectônica da abóbada
nada geológica. Aceleradas
suas placas sujas perfuradas
rodaram embaçadas
saias e anáguas
(a encardida algodoaria
dos bons-tons múltiplos do cinza)
congestionando vias do céu.
Faroletes havia
cabeças de alfinetes
- as digitais dos deuses
pespegando paredes
de absolutamente.
E meus olhos caixilhos
(na ótica dos trilhos)
molduraram os cantos
dos encantos da cena:
- no túnel redondo
louco espiralando
preso ao centro branco
um Pollock titânico
borrando a demão cistina
de um falso Michelangelo
abriu-fechando pernas
à madrugada mista
que há tintas não se via...
(dialética delenda
de eclética ferida)
[de prata a prataria
tão suspenso argento
por sobre a pradaria
(suspeito)
dinheiro algum briga]
sob o seio da enchumaçada
concha compreensiva.
Marmórea. Invertida.
Desestabilizada
(se etérea todavia
de impossível ruína).
A noite tectônica da abóbada
nada geológica. Aceleradas
suas placas sujas perfuradas
rodaram embaçadas
saias e anáguas
(a encardida algodoaria
dos bons-tons múltiplos do cinza)
congestionando vias do céu.
Faroletes havia
cabeças de alfinetes
- as digitais dos deuses
pespegando paredes
de absolutamente.
E meus olhos caixilhos
(na ótica dos trilhos)
molduraram os cantos
dos encantos da cena:
- no túnel redondo
louco espiralando
preso ao centro branco
um Pollock titânico
borrando a demão cistina
de um falso Michelangelo
abriu-fechando pernas
à madrugada mista
que há tintas não se via...
(dialética delenda
de eclética ferida)
[de prata a prataria
tão suspenso argento
por sobre a pradaria
(suspeito)
dinheiro algum briga]
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
SOB O SOL
De dia
o clima
com arte
desliza
desmaia
destarte
a tarde
em cinza;
e a lua
deitada
coberta
de tudo
aguarda
sua branca
mortalha
do mundo;
a noite
madruga
seu turno
da guarda
de ácaros
pássaros
passados
empalha;
e à parte
(tomara)
não tarda
um vento:
- alerta
mudança
na beira
do tempo
(inteira
contudo
a tempo
sua dança).
[das naves
em grupo
tais ares
presumo]
o clima
com arte
desliza
desmaia
destarte
a tarde
em cinza;
e a lua
deitada
coberta
de tudo
aguarda
sua branca
mortalha
do mundo;
a noite
madruga
seu turno
da guarda
de ácaros
pássaros
passados
empalha;
e à parte
(tomara)
não tarda
um vento:
- alerta
mudança
na beira
do tempo
(inteira
contudo
a tempo
sua dança).
[das naves
em grupo
tais ares
presumo]
domingo, 5 de fevereiro de 2012
THE CAPTAIN HAD AN UNPLEASANT ENCOUNTER
Avisei ao Cisco:
- na república
socialista
do Belmiro
todos têm direito à moradia.
(do primata supostamente superior
aos supostamente retardatários
protozoários na evolução das espécies)
[inclusive as pequeninas
delicadas - e assertivas
vespas assassinas
que o telhado abriga]
- na república
socialista
do Belmiro
todos têm direito à moradia.
(do primata supostamente superior
aos supostamente retardatários
protozoários na evolução das espécies)
[inclusive as pequeninas
delicadas - e assertivas
vespas assassinas
que o telhado abriga]
CLARA E FLORIDA (E OBJETIVA)
A luz oblíqua
(que o café em seguida turbina)
logo inicia
a matutina aventura da rotina;
e combina com a brisa
(antes fresca que fria)
os bichos e a poesia
limpar a mesa, a vista
de poeiras, preconceitos
(dos ossos predispostos
farelos paralelos)
desvios de todo tipo
cegueiras e cia.
- com vistas ao didático
(escolástico a respeito)
espetáculo instrutivo
da vida-nicho ao domingo...
(que o café em seguida turbina)
logo inicia
a matutina aventura da rotina;
e combina com a brisa
(antes fresca que fria)
os bichos e a poesia
limpar a mesa, a vista
de poeiras, preconceitos
(dos ossos predispostos
farelos paralelos)
desvios de todo tipo
cegueiras e cia.
- com vistas ao didático
(escolástico a respeito)
espetáculo instrutivo
da vida-nicho ao domingo...
sábado, 4 de fevereiro de 2012
DIREITO
a Carolina
A busca do sentido
- do seu significado
duplamente qualificado
de sentimento consentido
ofusca
(anula?)
[obnubila]
primeiro
(segundo o terceiro
veredito)
seu último vestígio.
(o vespeiro indício)
A busca do sentido
- do seu significado
duplamente qualificado
de sentimento consentido
ofusca
(anula?)
[obnubila]
primeiro
(segundo o terceiro
veredito)
seu último vestígio.
(o vespeiro indício)
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