usufrutuário
Estou recluso
e ensolarado
algo profuso
e continuado
nada confuso
desencontrado
do que desuso
abandonado
no que mais uso
desafinado...
Estou excluso
idealizado:
- um inconcluso
recuperado.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
DRONE
While rolling the Stones
watching the Flintstones
the milestones
the tombstones
all the capones
(and their clones)
I must turn this cornerstone
alone
[with Nina Simone]
watching the Flintstones
the milestones
the tombstones
all the capones
(and their clones)
I must turn this cornerstone
alone
[with Nina Simone]
SEM SABÃO
a Pedro Sérgio, no seu aniversário
De manhã, São Pedro
bateu o cinzeiro
(todos os cinzeiros
do mundo carvoeiro)
sujando feio o ar:
- no alto o firmamento
e aqui o calçamento.
E o enxágue, Pedro?
Quem irá fazê-lo?
[ô santo fumante
pouco edificante!...]
...
{a natura veio
- e num só vareio
me lavou o Pedro
com tudo no meio}
De manhã, São Pedro
bateu o cinzeiro
(todos os cinzeiros
do mundo carvoeiro)
sujando feio o ar:
- no alto o firmamento
e aqui o calçamento.
E o enxágue, Pedro?
Quem irá fazê-lo?
[ô santo fumante
pouco edificante!...]
...
{a natura veio
- e num só vareio
me lavou o Pedro
com tudo no meio}
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
TEMPORADA
Capa d'água
na sacada.
Empoçada.
Espelhada
- a moçada
nem molhada.
Festa n'água
que desagua
numa frágua...
na sacada.
Empoçada.
Espelhada
- a moçada
nem molhada.
Festa n'água
que desagua
numa frágua...
PECILOTÉRMICA
A via do lagarto
se percorre sob o sol:
- à noite, congelada
pernoita reparada.
Se vida de lagarto
(lida e sorte alternadas)
corre igual ao caracol
mas também ao rouxinol;
há cobras e lagartos
há sobras e catartos
e soçobras e infartos
- mas também um girassol
sombreando dez espartos
no vaivém de lua e sol.
...
[diga amém aos girassóis]
se percorre sob o sol:
- à noite, congelada
pernoita reparada.
Se vida de lagarto
(lida e sorte alternadas)
corre igual ao caracol
mas também ao rouxinol;
há cobras e lagartos
há sobras e catartos
e soçobras e infartos
- mas também um girassol
sombreando dez espartos
no vaivém de lua e sol.
...
[diga amém aos girassóis]
segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
EU PROMETO
Amanhã voltarei a correr
porque cochilo após o almoço
cochilo tal que é chumbo grosso:
- entre os vivos, ressaltam-se outros.
Porque afundo depois do almoço
na treva de um sono absurdo
- do qual voltar eu quase anulo -
amanhã tratarei de correr.
Logo após o almoço de sonho
- sonho culinário que almoço -
sobrevém sono um poço surdo
num bloco de granito escuro
trafegando o rio mais bruto
- um que dá vontade de morrer...
Por isso, volverei a correr
entre os vivos - os outros - todos -
a fim deste estar fortalecer
no que os dias hão de suceder.
porque cochilo após o almoço
cochilo tal que é chumbo grosso:
- entre os vivos, ressaltam-se outros.
Porque afundo depois do almoço
na treva de um sono absurdo
- do qual voltar eu quase anulo -
amanhã tratarei de correr.
Logo após o almoço de sonho
- sonho culinário que almoço -
sobrevém sono um poço surdo
num bloco de granito escuro
trafegando o rio mais bruto
- um que dá vontade de morrer...
Por isso, volverei a correr
entre os vivos - os outros - todos -
a fim deste estar fortalecer
no que os dias hão de suceder.
ANÉIS
o negócio da nossa ciência política
Te dou alguns anéis
alguns contos de réis
pelos meus dedos fiéis.
Promessas em papéis
sentenças, aranzéis
em línguas de babéis
- ou fugas em batéis
(apesar dos parcéis) -
pelos meus dedos fiéis.
Te cedo alguns tonéis
desvios de farnéis
e sobras de cartéis
caça-níqueis, troféus
- festejos em hotéis
puteiros em apês
entregas de pastéis
em colchões de frouxéis -
pelos meus dedos fiéis.
Repassando chapéus
te cultivo plantéis
de chefes, barnabés
parlamentares rés
de juízes, coronéis
soldados em corcéis
convocando tropéis
(talvez até os quartéis)
pelos meus dedos fiéis.
Se necessário um viés
te envio alguns novéis
justiceiros cruéis
(rebeldes ou bedéis)
ou penas de aluguéis
(arautos de escarcéus)
pra afundar em marnéis
os que forem infiéis
a estes dedos - os dez!
E quando enfim os céus
pedirem mausoléus
escribas de cordéis
em torno dos incréus
operando cinzéis
brilhando fogaréus
encobrirão com véus
o quanto fomos réus
por nossos bons anéis...
Te dou alguns anéis
alguns contos de réis
pelos meus dedos fiéis.
Promessas em papéis
sentenças, aranzéis
em línguas de babéis
- ou fugas em batéis
(apesar dos parcéis) -
pelos meus dedos fiéis.
Te cedo alguns tonéis
desvios de farnéis
e sobras de cartéis
caça-níqueis, troféus
- festejos em hotéis
puteiros em apês
entregas de pastéis
em colchões de frouxéis -
pelos meus dedos fiéis.
Repassando chapéus
te cultivo plantéis
de chefes, barnabés
parlamentares rés
de juízes, coronéis
soldados em corcéis
convocando tropéis
(talvez até os quartéis)
pelos meus dedos fiéis.
Se necessário um viés
te envio alguns novéis
justiceiros cruéis
(rebeldes ou bedéis)
ou penas de aluguéis
(arautos de escarcéus)
pra afundar em marnéis
os que forem infiéis
a estes dedos - os dez!
E quando enfim os céus
pedirem mausoléus
escribas de cordéis
em torno dos incréus
operando cinzéis
brilhando fogaréus
encobrirão com véus
o quanto fomos réus
por nossos bons anéis...
domingo, 6 de dezembro de 2015
CULTIVO
Entre o fim do domingo
e a manhã da segunda
anoiteço um sentido
que depois me madruga
para as coisas bem-vindo
a partir da segunda
repartir no domingo.
DAS PRECIPITAÇÕES
de auroras
O domingo encoberto
pelas águas voadoras
descobre as maritacas
junto das mariposas!
Do silêncio soberbo
das últimas pessoas
elas vêm, às carradas
(falo das maritacas)
perturbando, espaçosas
o tempo de um acerto:
- entre esta madrugada
(fado das mariposas)
e agora a chuvarada
há pouco sossegada...
O domingo encoberto
pelas águas voadoras
descobre as maritacas
junto das mariposas!
Do silêncio soberbo
das últimas pessoas
elas vêm, às carradas
(falo das maritacas)
perturbando, espaçosas
o tempo de um acerto:
- entre esta madrugada
(fado das mariposas)
e agora a chuvarada
há pouco sossegada...
sábado, 5 de dezembro de 2015
REVISITA 109: AOS TRINTA E UM
38º poema de À procura de Nefertari
Arisca, a leve brisa deste lindo dia
sopra-me fresca ainda; e à folha vira
a tua data na superfície lisa, rutilante
da geladeira que habito, desde antes
do estio; e chama à retina a lembrança
de outros dias, brancos, nesta branca
cozinha - dos ritos de queijos e vinhos
à larga servidos, entre beijos e risos...
Bem assim, hoje, eu gostaria que fosse
a minha celebração de ti - uma cotidiana
reencenação dos teus olhos reafirmando
brilhantes, a minha opaca ciência de ti:
- do misterioso fundo negro da tua retina
onde bela se perde a razão desta vida...
27/08/2005
sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
MÉTODO
escorço
Objetivo
subjetivo
qualitativo
quantitativo
contemplativo
é o meu motivo.
Daí assisto
a isso e aquilo
a esta e aquele
com alma leve
e atentamente
sem que um estorço
torça o esforço
pelos sentidos
comprometidos:
- tais fenômenos
como são mesmos
nem mais nem menos.
Objetivo
subjetivo
qualitativo
quantitativo
contemplativo
é o meu motivo.
Daí assisto
a isso e aquilo
a esta e aquele
com alma leve
e atentamente
sem que um estorço
torça o esforço
pelos sentidos
comprometidos:
- tais fenômenos
como são mesmos
nem mais nem menos.
AFEITO
Um beijo
(teu queixo)
um queijo
(queijeiro)
trejeitos
respeitos
proveitos
- mas feitos
com jeito
suspeito -
aceito
(o efeito)
[defeitos
perfeitos]
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
SOBRE IR
possibilidades perfeitas
Ontem, vou hoje.
Hoje, irei amanhã.
Amanhã, fui ontem.
Ontem, fui hoje.
Hoje, vou amanhã.
Amanhã, irei ontem.
Ontem, irei amanhã.
Amanhã, vou hoje.
Hoje, fui ontem.
Ontem, fui amanhã.
Amanhã, irei hoje.
Hoje, vou ontem.
Ontem, vou amanhã.
Amanhã, fui hoje.
Hoje, irei ontem.
Ontem, irei hoje.
Hoje, fui amanhã.
Amanhã, vou ontem...
Ontem, fui ontem.
Hoje, vou hoje.
Amanhã, irei amanhã.
Ontem, vou hoje.
Hoje, irei amanhã.
Amanhã, fui ontem.
Ontem, fui hoje.
Hoje, vou amanhã.
Amanhã, irei ontem.
Ontem, irei amanhã.
Amanhã, vou hoje.
Hoje, fui ontem.
Ontem, fui amanhã.
Amanhã, irei hoje.
Hoje, vou ontem.
Ontem, vou amanhã.
Amanhã, fui hoje.
Hoje, irei ontem.
Ontem, irei hoje.
Hoje, fui amanhã.
Amanhã, vou ontem...
Ontem, fui ontem.
Hoje, vou hoje.
Amanhã, irei amanhã.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
DE UM BEI PERTO DO REI
Chegaram as férias
para as quais estarei
- de férias, não serei.
[férias de sequelas
folgo nas falésias]
Um dia, outras férias
serão amnésias
deste tempo destas;
chegarão aquelas
paramnésicas
nas quais florescerei.
[um frei longe da grei]
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
POETA
Enquanto sorvo
meu café lento
enfrento o estorvo
da fé que tenho:
- por qual talento
(ou desalento)
paro rebentos
torvos de feios
e os absorvo
filhos de corvos?
Vêm de terceiros
(dos controversos?)
primeiro os termos
segundo os versos
conspirem presos
formar quadrilhas?
Juntar tercetos
quadras, quintilhas
sextilhas mesmo
alexandrinas?
Quadro dantesco
quintos do inferno
se uma vez eco
de outra vasilha...
[se má poesia
a filha é minha!]
...
{enquanto sorvo
a fé que tenho
meu café bento
frente ao estorvo
esfria lento}
meu café lento
enfrento o estorvo
da fé que tenho:
- por qual talento
(ou desalento)
paro rebentos
torvos de feios
e os absorvo
filhos de corvos?
Vêm de terceiros
(dos controversos?)
primeiro os termos
segundo os versos
conspirem presos
formar quadrilhas?
Juntar tercetos
quadras, quintilhas
sextilhas mesmo
alexandrinas?
Quadro dantesco
quintos do inferno
se uma vez eco
de outra vasilha...
[se má poesia
a filha é minha!]
...
{enquanto sorvo
a fé que tenho
meu café bento
frente ao estorvo
esfria lento}
segunda-feira, 30 de novembro de 2015
PESCOÇO
torcicolo eu forço
torcicolo eu torço
torcicolo eu drogo
Neste dia morno
um feriado morto
jaz em frente ao sono.
Exponho o seu corpo
(em recomposição)
a um romance insosso
a um jazz inodoro
a um filme de ocasião.
...
[o que lazer então?...]
domingo, 29 de novembro de 2015
QUINTILHA (ANTECIPÁVEL) DE FÉRIAS
Quando dezembro
chega em novembro
(lá por setembro)
eu me desmembro
de estados-membros...
chega em novembro
(lá por setembro)
eu me desmembro
de estados-membros...
sábado, 28 de novembro de 2015
sexta-feira, 27 de novembro de 2015
INCRÉU
Quando soberbo o véu
que azul dá cor ao céu
(e ilhéu o contemplo)
me vejo um tabaréu
ao léu matutando...
[por que este belo véu
cobrindo o vasto céu
(me ocorre incréu pensar)
meu mausoléu será?...]
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
REVISITA 108: A RAINHA E O ANDARILHO NUM BARCO ARAGUAÍNO
37º poema de À procura de Nefertari
Por que tão forte esta impressão
(ao imaginar-se a invenção)
das minúcias, concebermos pedrarias
entre as múltiplas, pequeninas
miríades que pescaríamos
ativos de ideias, redes vivas?
- faíscas cognitivas
desencadeando, de antigas línguas
viagens paradisíacas!
E quão crível (me espanto e admiro)
que eu queira tanto, e comprido
encher o vasto espaço das nossas vidas
(todo o tempo da história do mundo)
giramundando contigo e tuas carroças:
- teus badulaques, meias-verdades
versos esquivos e frases alquebrando
criaturas de carinhos e espinhos
amores em dúvida e estórias!...
[tudo correndo em papel fino
e tela plana, descendo ao infinito
teu rio largo de talento e brilho]
21/08/2005
Por que tão forte esta impressão
(ao imaginar-se a invenção)
das minúcias, concebermos pedrarias
entre as múltiplas, pequeninas
miríades que pescaríamos
ativos de ideias, redes vivas?
- faíscas cognitivas
desencadeando, de antigas línguas
viagens paradisíacas!
E quão crível (me espanto e admiro)
que eu queira tanto, e comprido
encher o vasto espaço das nossas vidas
(todo o tempo da história do mundo)
giramundando contigo e tuas carroças:
- teus badulaques, meias-verdades
versos esquivos e frases alquebrando
criaturas de carinhos e espinhos
amores em dúvida e estórias!...
[tudo correndo em papel fino
e tela plana, descendo ao infinito
teu rio largo de talento e brilho]
21/08/2005
terça-feira, 24 de novembro de 2015
À MAIS DESEJADA DE TODAS
por bem e por mal, afinal
Férias batendo à porta...
Férias regando a horta...
Férias curando a aorta...
Férias pulsando em forma...
Férias cruzando a borda...
Férias comendo à porca...
Férias bebendo as boas
- loas somente às boas!
Férias curtindo a engorda...
Férias de peles negras
azuis, roxas, vermelhas...
Férias de aranhas vivas
férias de moscas mortas
enredando armadilhas:
- quando a estação entorta
o que afinal importa?
(o ponto da translação
em que nos encontramos?)
[o planeta em rotação
do qual desencontramos?]
...
{férias nos dando corda
de férias roendo a corda}
Férias batendo à porta...
Férias regando a horta...
Férias curando a aorta...
Férias pulsando em forma...
Férias cruzando a borda...
Férias comendo à porca...
Férias bebendo as boas
- loas somente às boas!
Férias curtindo a engorda...
Férias de peles negras
azuis, roxas, vermelhas...
Férias de aranhas vivas
férias de moscas mortas
enredando armadilhas:
- quando a estação entorta
o que afinal importa?
(o ponto da translação
em que nos encontramos?)
[o planeta em rotação
do qual desencontramos?]
...
{férias nos dando corda
de férias roendo a corda}
segunda-feira, 23 de novembro de 2015
domingo, 22 de novembro de 2015
sábado, 21 de novembro de 2015
PRESENTE ABSOLUTO
ironias à parte
Hoje tem Barça e Real
hoje o melhor futebol.
Hoje é bem vário o canal
que hoje centraliza o escol
hoje cobrando global
(hoje um por todo arrebol)
concentrado hoje em prol
de estar bem estando atual:
- hoje com Barça e Real.
Hoje tem Barça e Real
hoje o melhor futebol.
Hoje é bem vário o canal
que hoje centraliza o escol
hoje cobrando global
(hoje um por todo arrebol)
concentrado hoje em prol
de estar bem estando atual:
- hoje com Barça e Real.
sexta-feira, 20 de novembro de 2015
DO ARCO DE UM VELHO
Do ponto de chegada
(nos braços de uma toalha)
ao ponto de partida
(no abraço da mortalha)
meus dias indo e vindo
(seu brilho vindo e indo)
embora renovados
embora repetidos
urdidos e perdidos
parecem despedidas:
- são dias esvaindo
(porfias sem sentido)
no vão da noite infinda...
(nos braços de uma toalha)
ao ponto de partida
(no abraço da mortalha)
meus dias indo e vindo
(seu brilho vindo e indo)
embora renovados
embora repetidos
urdidos e perdidos
parecem despedidas:
- são dias esvaindo
(porfias sem sentido)
no vão da noite infinda...
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
REVISITA 107: AGORA
36º poema de À procura de Nefertari
Se estreito o momento
contrafeito existo
pio em pensamento.
Mitos frios pisos
consolam, mordendo
sentimentos lisos
(escorregadios)
tudo compreendendo
(nada prometendo)
- além de um desfecho -
se for imprevisto.
03/08/2005
Se estreito o momento
contrafeito existo
pio em pensamento.
Mitos frios pisos
consolam, mordendo
sentimentos lisos
(escorregadios)
tudo compreendendo
(nada prometendo)
- além de um desfecho -
se for imprevisto.
03/08/2005
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
DO CAMINHAR
Teu convite
nos permite
que eu insista
(e desista
em seguida
caso mingue)
no seguinte:
- leite, café
chá, samovar
chá, samovar
e boa-fé.
[são quatro pés
a encaminhar
num canapé
à beira-mar]
terça-feira, 17 de novembro de 2015
GLIMPSE III
... a incidência
(reincidente)
de tua ciência
coincidente
traz ao olhar
ver e enxergar
...
[fez (de te olhar)
imaginar]
(reincidente)
de tua ciência
coincidente
traz ao olhar
ver e enxergar
...
[fez (de te olhar)
imaginar]
GLIMPSE II
... borboleta
(cançoneta)
flor violeta
recoleta?
- que olhadela
(ao revê-la)
ia austera
percebê-la?...
(cançoneta)
flor violeta
recoleta?
- que olhadela
(ao revê-la)
ia austera
percebê-la?...
GLIMPSE
... a silhueta
de ampulheta
que sua areia
aligeira
na verdade
reverdeja
a vontade
de revê-la ...
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
domingo, 15 de novembro de 2015
SIGNUM VIRTUALIS II
Enquanto eu lia
(lia Cecília)
tocou um sino
(talvez um sino).
Porquanto ouvia
(que parecia)
também o via
(um tanto antigo)
que padecia
que era poesia:
- coisa longínqua
da mesma língua.
sábado, 14 de novembro de 2015
GUARDA BAIXA
A tristeza que me abate
do tipo que vem à tarde
[um tipo senão mais tarde
triste nem foi de verdade]
é uma que vem sem alarde:
- uma que não tenho alarme
como se um cão que em vão late.
do tipo que vem à tarde
[um tipo senão mais tarde
triste nem foi de verdade]
é uma que vem sem alarde:
- uma que não tenho alarme
como se um cão que em vão late.
POR QUE ESTA LUZ NA VIDRAÇA?
por que estás ensolarada?...
Dispersou a tempestade
que inundaria a cidade.
Teria sido espontâneo
(dado que foi subitâneo)
ou imprevisão do clima
(dado o que superestima)
ou talvez coisa de Pedro
(pro católico santeiro):
- fato é que a tempestade
(seu arsenal, na verdade)
debandou sobre a cidade.
...
Dada a mudança contrária
- sua refratária bonança
coube a uma criança explicá-la:
- o que move a natureza
é a vontade de cereja!...
...
...
[o que deseja a vontade
à vontade no que seja?...]
quinta-feira, 12 de novembro de 2015
SIGNUM VIRTUALIS
Alguém tocou um sino
há pouco algo longínquo
ao parecer ouvido.
Há poucos sinos aqui
- nenhum que nos lembre ali
de lá, do além, de acolá
de acordar noutro lugar.
Neste mundo secular
se há tecnologia
não há coisa longínqua:
- alguém tangeu um sino
tão pouco ouvido daqui
mas ubiquamente acá
hic, here, zhèli, cá...
REVISITA 106: AO DEUS DO AMOR
35º poema de À procura de Nefertari
Ah, indivisível parceiro, eu aceito.
Demorei-nos em delongas más
mas enfim te aceito.
Aceito a tua natureza
o teu ritmo
a tua lógica
as tuas condições
eivadas de contradições:
- ainda que tudo me arrebente
e por dentro me incendeie
num consumo que não compreendo.
Ah, meu amigo, por que além disso
tem isto assim de ser?
Por que faz a luz no fim sentido
violando reta a mais curva treva?
Tronco partido, sou forças dividindo
rumos por campos apartando-me Dela:
- Daquela Morada Oculta, que Ferida
descompassa, Retraída
piorando a minha procura...
Alienado, ainda semeio a tua busca
enfraquecido - as trilhas, quando floridas
transtornam-se oásis de espinhos;
folhas e plumas, ao prosperarem
formigam seu chão de operárias;
intransitáveis violetas coagulam
róseas veias entalhadas a faca!...
Com penhor elusivo, ambíguo te estimo
senhor redivivo Daquela Minha Alma:
- perdoai o amor e o ódio
o sentimental caleidoscópio
que visceralmente lhe devoto!
24/07/2005
Ah, indivisível parceiro, eu aceito.
Demorei-nos em delongas más
mas enfim te aceito.
Aceito a tua natureza
o teu ritmo
a tua lógica
as tuas condições
eivadas de contradições:
- ainda que tudo me arrebente
e por dentro me incendeie
num consumo que não compreendo.
Ah, meu amigo, por que além disso
tem isto assim de ser?
Por que faz a luz no fim sentido
violando reta a mais curva treva?
Tronco partido, sou forças dividindo
rumos por campos apartando-me Dela:
- Daquela Morada Oculta, que Ferida
descompassa, Retraída
piorando a minha procura...
Alienado, ainda semeio a tua busca
enfraquecido - as trilhas, quando floridas
transtornam-se oásis de espinhos;
folhas e plumas, ao prosperarem
formigam seu chão de operárias;
intransitáveis violetas coagulam
róseas veias entalhadas a faca!...
Com penhor elusivo, ambíguo te estimo
senhor redivivo Daquela Minha Alma:
- perdoai o amor e o ódio
o sentimental caleidoscópio
que visceralmente lhe devoto!
24/07/2005
terça-feira, 10 de novembro de 2015
QUANDO ENFIM BATER NA BUNDA
a água do efeito estufa
A temperatura sobe
dentro, fora, sob, sobre
acima, abaixo, por entre
detrás, ao lado - na frente
dos que pelas costas mentem
(entre aqueles que o desmentem).
...
A temperatura sobe
sobe, coze, sobe, fode:
- quando derreterá uns cofres
após derreter seus cobres?...
A temperatura sobe
dentro, fora, sob, sobre
acima, abaixo, por entre
detrás, ao lado - na frente
dos que pelas costas mentem
(entre aqueles que o desmentem).
...
A temperatura sobe
sobe, coze, sobe, fode:
- quando derreterá uns cofres
após derreter seus cobres?...
segunda-feira, 9 de novembro de 2015
UM DOM QUE (MAL) CULTIVO
meu soneto vesperal
O tempo convertido
no espaço do seu ruído
(e assim reconstituído
pelo som que imagino)
avisa os meus ouvidos
(que vezes têm olvido)
que passa o seu trenzinho
na instância que imagino:
- o trem do tempo vindo
(a outrem, tempo bem-vindo)
sozinho desde a infância
até aonde adivinho
[pelo eco que imagino
ser tom do seu destino]
domingo, 8 de novembro de 2015
AO INVÉS DE TRÊS CHINGOS
que venha mil domingos!...
...
(no domingo, a preguiça
da liça que respingo
eu xingo sem derriça
ou justiça de gringo)
...
[no domingo, eu enguiço
carniça na caatinga
catinga que enfeitiço
cediça, não distingo]
...
{cobiça, no domingo
dominga, de postiço
noviça, da qual gingo
zuninga de serviço}
...
[ao invés de hortaliças
que venha só linguiças!...]
sábado, 7 de novembro de 2015
QUADRA DA REVOLUÇÃO
Num sete de novembro
sonhamos que seremos
um dia, noite adentro
melhores que podemos.
LABORAL
atemporal
O meu dia é picado
em tarefas inúteis
(trabalho que retalho
retalho a rebotalho
até o fim da picada!)
ou é dia ocupado
por repetições febris
de atuações nada sutis
dada a rotina estéril.
Porque lida escamada
(porque viva e estancada!)
um tanto exacerbada
por elementos fúteis
por interesses hostis
(e desinteresses vis)
- de que dias passados
(quando enfim repassá-los)
eu me lembro inconsútil?...
sexta-feira, 6 de novembro de 2015
REVISITA 105: COMPASSO
34º poema de À procura de Nefertari
Não há tempo, nem espaço
no presente ou no passado
que palpite a arritmia
de um coração limitado:
- seu pulsar fraco, mortiço
é alegoria invertida
do que às vezes prometia
(à parte os males) sua vida!...
Haverá enredo fílmico
além disso, ex nihilo
ex machina, abrupto
deus condoído no futuro
que salve de precipícios?...
(do medo escuro que sinto?)
07/07/2005
Não há tempo, nem espaço
no presente ou no passado
que palpite a arritmia
de um coração limitado:
- seu pulsar fraco, mortiço
é alegoria invertida
do que às vezes prometia
(à parte os males) sua vida!...
Haverá enredo fílmico
além disso, ex nihilo
ex machina, abrupto
deus condoído no futuro
que salve de precipícios?...
(do medo escuro que sinto?)
07/07/2005
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
XEQUE-MATE
Um silêncio afora
embarulha adentro
(certo movimento)
ao multiplicar-se
encoberto agora
antes de vencer-me
descoberto sempre.
terça-feira, 3 de novembro de 2015
BUROCRATA
Suspenso entre tarefas
urgidas entre esferas
de aptidões diversas
(e vocações quem sabe?)
aguardo o telefone
(aquém do que me cabe)
autorizar em nome
(que me não menoscabe!)
do quê negligenciarei
quem jamais conhecerei...
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
REVISITA 104: SONETO DO AMOR AO FUNDO
33º poema de À procura de Nefertari
Cá estou novamente - a reluzente armadura
nunca forte o suficiente; um quixote doente
de um amor gêmeo da dor rude abrir caminho
por teus céus invertidos - teus rubros abismos
de paixões caras, incendiados precipícios
por múltiplas batalhas, guerras mal vencidas
tratados descumpridos... Ferro ao fim fundido
nos grilhões de pulsações perdidas, retidas
vezes interrompidas - nunca abandonadas
porque gêmeas de um amor saber-se arruinado
sem sua elusiva metade definitiva...
Cá estou novamente - condizente a armadura
talvez forte o suficiente; se a febre é ardente
é da expectativa aí quieta - na escuta...
03/07/2005
Cá estou novamente - a reluzente armadura
nunca forte o suficiente; um quixote doente
de um amor gêmeo da dor rude abrir caminho
por teus céus invertidos - teus rubros abismos
de paixões caras, incendiados precipícios
por múltiplas batalhas, guerras mal vencidas
tratados descumpridos... Ferro ao fim fundido
nos grilhões de pulsações perdidas, retidas
vezes interrompidas - nunca abandonadas
porque gêmeas de um amor saber-se arruinado
sem sua elusiva metade definitiva...
Cá estou novamente - condizente a armadura
talvez forte o suficiente; se a febre é ardente
é da expectativa aí quieta - na escuta...
03/07/2005
domingo, 1 de novembro de 2015
NÓS E O PÓ(S)
situação
A idade da poeira
(que a gente ressente
soprando o presente)
é a idade inteira
da vida ligeira
sem convalescença
teologicamente:
- mas vento premente
enquanto licença
das gentes que existem
segundo suas crenças
[desde a cabeceira
nos mitos de origem]
{até que a vertigem
daquilo que abeiram
converta a fuligem
naquilo que queiram}
A idade da poeira
(que a gente ressente
soprando o presente)
é a idade inteira
da vida ligeira
sem convalescença
teologicamente:
- mas vento premente
enquanto licença
das gentes que existem
segundo suas crenças
[desde a cabeceira
nos mitos de origem]
{até que a vertigem
daquilo que abeiram
converta a fuligem
naquilo que queiram}
sábado, 31 de outubro de 2015
SÉTIMO
quadra quádrupla do descanso
Sábado
cágado
sábado
láparo;
sábado
cânhamo
sábado
pássaro!...
Sábado
tálamo
sábado
bálsamo;
sábado
cântaro
sábado
bárbaro!...
sexta-feira, 30 de outubro de 2015
A INVENÇÃO DA VIDA
A vida é uma invenção
(vez brotado o seu grão)
por ação e omissão.
O seria?
Poderia?
Deveria?
[a teria?]
- tais as questões da poesia
(aquela especulativa)
de sua filosofia.
A sua precariedade
(ontológica)
a sua impessoalidade
(estatística)
a sua amoralidade
(antisséptica)
não dizem que sim, nem que não
(não falam por si, nem que o são).
...
[vez brotada a invenção
da omissão como ação
toda vida é viva?]
...
{se eu inventei a minha
e por aí caminha
que distração a minha!...}
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
terça-feira, 27 de outubro de 2015
VOSSO CRIME (ENFIM) COMPENSA
apesar das aparências
Avança a bestialidade
por sobre a civilidade
- sobre as oportunidades
(reais) da virtualidade
por mais sociabilidade.
Inimputabilidade?
[responderão os herdeiros
de segundos, de terceiros
(e por último, os primeiros)]
VIDA COM SAÚDE
questão aos meus queridos alternativos
... o meu plexo solar
irá me ensolarar
caso eu 'manipurar'
quando vier operar
(de complexo a polar)
o convexo ventral
mais latitudinal
(porque crepuscular)
que herdarei afinal?...
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
SOBRE A EDUCAÇÃO
state of the art
Tudo derrete
(senão liquefaz)
ou aborrece
(senão contumaz).
Se se arremete
com paixão audaz
(ou razão assaz)
nada acontece.
[se com confete
então suspicaz]
domingo, 25 de outubro de 2015
REVISITA 103: DATA DOS NAMORADOS
32º poema de À procura de Nefertari
Começaste com Madre Tereza
e o melhor Francisco;
passaste por Nogueira e alguns urbanos
além de Marisa;
ao fim, Gardel e Piazzolla
covardia!...
- na minha alma, eles todos
(passos teleguiados
por teus dedos meticulosos)
entraram de sola!
Assim caída fruta a tarde saborosa
deste dia consagrado ao doce interstício
dos amores não testados, findei rendido
uva esmagada: teu presente enamorado
vinho e passa; tão perfeitamente colado
ao nervo exposto dos meus gostos
(a músculos estendidos e ossos quebrados)
qual vidros claros - limpos, cristalinos
das janelas abertas dos sentidos:
- de onde te assisto espetáculo
imprevisível...
12/06/2005
sábado, 24 de outubro de 2015
REVISITA 102: VÍCIO
30º poema de À procura de Nefertari
Já caminhei a eternidade. Sozinho
unindo as pedras e o infinito azul.
Da mente às idéias, delas aos passos
os sonhos gastos de sapatos. E andei
às vezes de soslaio, olhando para o lado
à tua procura: nas ásperas ruas, um desvio
contorno discreto; num fio de beco, o destino
de fazer juntos mil rumos ao paraíso.
A jornada fez-me em pedaços. Encontrei-te
enfim pedaço afiado, ferina defesa de nervos
pretensos de aço. Das fundas cicatrizes
que mal a tua alma oculta, retorna crua
a minha ferida nua - talhe ancestral
dor grossa em salmoura exposta.
19/05/2005
sexta-feira, 23 de outubro de 2015
AMNÉSICA
Onde foi que fui
ontem, onde fui
que pôs talheres
comes e bebes
(corpos, mulheres)
e foi dito algo
(ad hominem?)
não mui fidalgo
[pois acordaram
desacordarem]
que esqueci hoje
de lembrar onde
fui - e foi ontem...
{será anteontem?}
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
QUADRA DA SENSATA INSIGNIFICÂNCIA
Penso o tempo numa escala geológica.
Penso o espaço numa escala astronômica.
No entanto, nesta lida microscópica
são apensos de uma vida econômica.
quarta-feira, 21 de outubro de 2015
REVISITA 101 - POEMA BOBO DE AMOR
28º poema de À procura de Nefertari
Quando és doce
em tua voz aveludada
abre-se, no ouvido
o Paraíso
das Mil e Uma Possibilidades
de Felicidade.
Por tão pouco
- duas palavrinhas carameladas
ressuscita-se, no peito
os Tambores
das Mil e Uma Batalhas Travadas
no Passado.
Porque teu poder
de mulher sobretudo amada
semeia, invencível
o Destino
das Mil e Uma Venturas Sonhadas
por Nós Dois.
16/05/2005
Quando és doce
em tua voz aveludada
abre-se, no ouvido
o Paraíso
das Mil e Uma Possibilidades
de Felicidade.
Por tão pouco
- duas palavrinhas carameladas
ressuscita-se, no peito
os Tambores
das Mil e Uma Batalhas Travadas
no Passado.
Porque teu poder
de mulher sobretudo amada
semeia, invencível
o Destino
das Mil e Uma Venturas Sonhadas
por Nós Dois.
16/05/2005
terça-feira, 20 de outubro de 2015
O QUE FICA DE CECÍLIA
a Cecília Meireles
O que ficou de Cecília?...
Da pessoa lírica
a quem eu amaria
(a que eu procuraria
saber se existiria)
se nos emparelhasse
a época devida?
O que ficou de Cecília
que desemparedasse
a pessoa física
(a que eu procuraria
saber se me amaria)
que atravessou a vida
ao lado da poetisa?
...
O que fica de Cecília
cerzida na poesia
que sonho à revelia
de sonos e vigílias?...
domingo, 18 de outubro de 2015
DOMINGO OPOSTO
e justaposto
Ah, o meu domingo
Ah, o meu domingo
quando moroso
quando corrido
enquanto ocioso
enquanto ativo
(e remoroso
até que findo)
é delicioso
é deleitoso
apolínico
dionisíaco
cafeínico:
- como um amigo
que espirituoso
materializo!...
sábado, 17 de outubro de 2015
REVISITA 100: PELA GRAÇA DE SER INTEIRO
27º poema de À procura de Nefertari
Neste espaço em que o tempo não anda
árvore enraízo; e fixo, fico toda a vida
por teu pouso cansado de pássaro a ermo
esperando errar de galho, de outro caminho
errado, do rumo equivocado, tocar distraído
o plano físico; que, num planar alquebrado
de tantos infortúnios derivado, esse vôo ferido
enfim chegue, no exíguo segundo, ao meu ninho...
Por enquanto, tudo o que sou sob o céu limpo
é um meio copo vazio: a metade do teu amor
querido, mil vezes perdido entre mundos
esquecidos do seu contrário - deste, suspenso
no tempo que não anda, no mesmo espaço
em que eu - ninho e pássaro - seria ao teu lado.
15/05/2005
sexta-feira, 16 de outubro de 2015
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
QUANDO QUATRO SÃO CINCO
ritual significante
Para que algo faça sentido
além de pensá-lo preciso
contemplá-lo perspectivo
noutros quadros sem ressenti-lo:
1. o interior e constitutivo;
2. o anterior e substituível;
3. o posterior (re)constituído;
4. o exterior (in)cognoscível.
...
[mas se quatro são cinco, o digo?...]
Para que algo faça sentido
além de pensá-lo preciso
contemplá-lo perspectivo
noutros quadros sem ressenti-lo:
1. o interior e constitutivo;
2. o anterior e substituível;
3. o posterior (re)constituído;
4. o exterior (in)cognoscível.
...
[mas se quatro são cinco, o digo?...]
TOMARA QUE GAIA
Um vento de praia
avoando jandaias
a tempo se espraia
maturando uvaias...
Como se cabaia
tomara-que-caia
desarma atalaias
perfumando as aias
rearmando tocaias
antes que o sol saia
se da mesma laia...
[por baixo de saias
sua viva azagaia
convida à gandaia]
avoando jandaias
a tempo se espraia
maturando uvaias...
Como se cabaia
tomara-que-caia
desarma atalaias
perfumando as aias
rearmando tocaias
antes que o sol saia
se da mesma laia...
[por baixo de saias
sua viva azagaia
convida à gandaia]
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
terça-feira, 13 de outubro de 2015
CONSTRUCIONISTA
As coisas não são o que acontece.
As coisas mais são o que parece
que em vão editamos mentalmente
- pois mal publicamos entre a gente.
[é coisa que objetivamente
subjetiva o que então percebe]
...
As coisas são mais o que aparece
pelas fendas (convenientemente)
dessa precariedade consciente
que fragmentariamente tece.
As coisas mais são o que parece
que em vão editamos mentalmente
- pois mal publicamos entre a gente.
[é coisa que objetivamente
subjetiva o que então percebe]
...
As coisas são mais o que aparece
pelas fendas (convenientemente)
dessa precariedade consciente
que fragmentariamente tece.
domingo, 11 de outubro de 2015
CIÇA
um mês
Mama, peida, caga
dorme, acorda, baba
- e o avô, a cada
coisa feita, nada
nada, nada, nada
muda sua fortuna
bem-aventurada
[rediviva a graça
pequenina o abraça]
Mama, peida, caga
dorme, acorda, baba
- e o avô, a cada
coisa feita, nada
nada, nada, nada
muda sua fortuna
bem-aventurada
[rediviva a graça
pequenina o abraça]
sábado, 10 de outubro de 2015
SOLIDARIEDADE
1. Faço minhas tuas palavras
teu esforço de enunciá-las:
- o verbo, desde o princípio
(se junto dele um princípio)
distingue, quando explícito
as valas dos precipícios...
2. Faço minhas tuas palavras
difíceis por necessárias:
- mesmo instrumentalizadas
contrastando as palatáveis
nos discursos aceitáveis
(sobretudo os detestáveis).
3. Faço minhas tuas palavras
mormente as encalacradas:
- aquelas assujeitadas
a nada significar
além do que é protocolar
segundo os mestres do lugar.
4. Faço minhas tuas palavras
se forem esculachadas:
- se quando o que se apalavra
de manhã, à tarde lavra
enfático o duplipensar
como prática regular.
5. Faço minhas tuas palavras
as poucas que te são caras:
- as boas articuladas
em favor de poder dispor
seu contrapoder ao favor
malevolente de um senhor...
6. Faço minhas tuas palavras
no esforço de não calá-las:
- o verbo, desde que o sinto
o penso, neste finito
invólucro em que existimos
com capricho, como bichos...
teu esforço de enunciá-las:
- o verbo, desde o princípio
(se junto dele um princípio)
distingue, quando explícito
as valas dos precipícios...
2. Faço minhas tuas palavras
difíceis por necessárias:
- mesmo instrumentalizadas
contrastando as palatáveis
nos discursos aceitáveis
(sobretudo os detestáveis).
3. Faço minhas tuas palavras
mormente as encalacradas:
- aquelas assujeitadas
a nada significar
além do que é protocolar
segundo os mestres do lugar.
4. Faço minhas tuas palavras
se forem esculachadas:
- se quando o que se apalavra
de manhã, à tarde lavra
enfático o duplipensar
como prática regular.
5. Faço minhas tuas palavras
as poucas que te são caras:
- as boas articuladas
em favor de poder dispor
seu contrapoder ao favor
malevolente de um senhor...
6. Faço minhas tuas palavras
no esforço de não calá-las:
- o verbo, desde que o sinto
o penso, neste finito
invólucro em que existimos
com capricho, como bichos...
sexta-feira, 9 de outubro de 2015
REVISITA 99: SONETO DA (E)TERNA LUTA
26º poema de À procura de Nefertari
Desta veia que arde e esvazia
parada, azul, inquieta, luzidia
e agora fria - cirúrgica e fina
lâmina, cruelmente fria
todo o percebido, infinito em parte
sinto mares, florestas, rios
e vales, montanhas, abismos;
amplas as gastas planícies desertas
de sentido do que verde aspiro
do árduo sol diário, e à noite
enluarada de sonhos constitutivos
do meu par contigo... E o percebo
maior ainda, na perspectiva
dessa veia nunca abandonada.
14/05/2005
Desta veia que arde e esvazia
parada, azul, inquieta, luzidia
e agora fria - cirúrgica e fina
lâmina, cruelmente fria
todo o percebido, infinito em parte
sinto mares, florestas, rios
e vales, montanhas, abismos;
amplas as gastas planícies desertas
de sentido do que verde aspiro
do árduo sol diário, e à noite
enluarada de sonhos constitutivos
do meu par contigo... E o percebo
maior ainda, na perspectiva
dessa veia nunca abandonada.
14/05/2005
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
SONÂMBULA
trágica a farsa
Aquela marcha
que muitos marcham
por ser marcada
(os passos acham)
poderá levar
tempo pra acabar
ao acordarmos
[se recordarmos
quando passará]
Aquela marcha
que muitos marcham
por ser marcada
(os passos acham)
poderá levar
tempo pra acabar
ao acordarmos
[se recordarmos
quando passará]
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA
quando Messi se machuca, não há chuva, nem Pachuca...
Espero que um dia Lionel
se torne o Senhor dos Anéis
da arte da bola nos pés:
- eterno na imaginação
(com a ajuda das invenções
tecnomágicas de então).
O espero porque o que Lionel
mais tem oferecido, e a nós
(amantes de um ludopédio
a anos-luz do que é médio)
um dia nos deixará sós:
- se hoje órfãos de uma contusão
amanhã permanecerão...
[tal como de Diego e Pelé
(nossos ancestrais lembrarão)
somos penitentes até]
Espero que um dia Lionel
se torne o Senhor dos Anéis
da arte da bola nos pés:
- eterno na imaginação
(com a ajuda das invenções
tecnomágicas de então).
O espero porque o que Lionel
mais tem oferecido, e a nós
(amantes de um ludopédio
a anos-luz do que é médio)
um dia nos deixará sós:
- se hoje órfãos de uma contusão
amanhã permanecerão...
[tal como de Diego e Pelé
(nossos ancestrais lembrarão)
somos penitentes até]
terça-feira, 6 de outubro de 2015
SEXTILHA DO FIM DA SECA
antropomórfica
O céu pesou
de não aguar
e começou
a desaguar
no que secou
do seu pesar.
NECRÓPOLE CANDANGA
O Campo da Esperança
na ponta da outra Asa
(ali, outra morada)
daqui, é o fim da dança.
...
O Campo da Esperança
vejo com desconfiança:
- desde que, na Esplanada
pouco havendo, aventava
se o que via era nada.
...
O Campo da Esperança
me espera desde criança
desistir da Asa Norte:
- abandoná-la à sorte
da vida precipitar
(num vacuum crepuscular)
pela hora da morte!...
...
Do Campo da Esperança
no Setor Hospitalar
guardo alguma lembrança
de fundo domiciliar:
- antes, coube esperança
(sobretudo especular)
por nascer planejada
esta velha jornada...
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
domingo, 4 de outubro de 2015
REVISITA 98: HIATOS
24º poema de À procura de Nefertari
Entre ontem, hoje, há pouco e agora
minha memória de ti próxima
(cheiro, textura, a luta morosa)
[da recorrente noite interrompida
sonhando feliz pela manhã fria]
irrompe a tarde monótona, e desloca
tácita a palavra; afortunada, a roda
gira pensamentos, revira sentimentos
incertos do conforto em torno do teu corpo
pleno de um sentido indo e vindo:
- por aqui, ali, adentro e afora
lembrados alongados pelas horas
teus olhos negros - negros sóis tornados
faróis - guiam-me calados de amor...
07/05/2005
Entre ontem, hoje, há pouco e agora
minha memória de ti próxima
(cheiro, textura, a luta morosa)
[da recorrente noite interrompida
sonhando feliz pela manhã fria]
irrompe a tarde monótona, e desloca
tácita a palavra; afortunada, a roda
gira pensamentos, revira sentimentos
incertos do conforto em torno do teu corpo
pleno de um sentido indo e vindo:
- por aqui, ali, adentro e afora
lembrados alongados pelas horas
teus olhos negros - negros sóis tornados
faróis - guiam-me calados de amor...
07/05/2005
sábado, 3 de outubro de 2015
AGORA CORRENTE
e rapidamente
A chegada de outros
- dos outros nosotros
ao finalmente só
originário pó
tão próxima de nós
vem desatar os nós
- agora, correntes
do tempo-semente:
- aquele amarrado
quando adolescente
que uma vez atado
(e reatado, mente)
não passa, na mente...
[de ilusão somente]
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
REVISITA 97: O LADO ESCURO DA LUA CURVA
23º poema de À procura de Nefertari
Filha das noites brancas, a minha amiga
bruma esquina vira no meu encalço;
velha reconhecida, essa criatura
nem sei se é amiga; mas companheira
de eras priscas, é com certeza
filha das noites, dos dias, da próxima
ira; a companheira do meu tempo
neste planeta, deste lado preto
da láctea vida; a visita, quando
lembrando esqueço, da via precária
percorrida - na forma do sono
no meio do dia no corpo de chumbo;
na estreita busca do relógio
nunca à vista; na tarde-marquise
que desaba sem energia
no meu chão firme ainda...
Qual linda Cinderela, paradoxal
pedaço vestido, algemas à vista
ela dança, afinal, a perspectiva
de libertação (afinal)
da Pandora minha dos presídios
neste beco-espaço sideral...
30/04/2005
Filha das noites brancas, a minha amiga
bruma esquina vira no meu encalço;
velha reconhecida, essa criatura
nem sei se é amiga; mas companheira
de eras priscas, é com certeza
filha das noites, dos dias, da próxima
ira; a companheira do meu tempo
neste planeta, deste lado preto
da láctea vida; a visita, quando
lembrando esqueço, da via precária
percorrida - na forma do sono
no meio do dia no corpo de chumbo;
na estreita busca do relógio
nunca à vista; na tarde-marquise
que desaba sem energia
no meu chão firme ainda...
Qual linda Cinderela, paradoxal
pedaço vestido, algemas à vista
ela dança, afinal, a perspectiva
de libertação (afinal)
da Pandora minha dos presídios
neste beco-espaço sideral...
30/04/2005
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
DA (IN)DETERMINÂNCIA
diante do paredão climático
As ondulações da brisa artificial do ventilador
nas persianas vitais desta sala enfadada de calor
concentram decerto atenção
ou bem a dispersam também
(espécies de meditação).
Oscilações de cortinas ao vento parecem supor
que a acidentalidade da imagem acima possa impor
(em decorrência suficiente do consequente torpor)
o tipo certo de atenção
da série de mais opções
que aquela miragem sustém
[solitárias na multidão
solidárias com a questão].
...
{cabe-me então recuperar
um corpo são do aquecedor - a ventilar outro lugar}
As ondulações da brisa artificial do ventilador
nas persianas vitais desta sala enfadada de calor
concentram decerto atenção
ou bem a dispersam também
(espécies de meditação).
Oscilações de cortinas ao vento parecem supor
que a acidentalidade da imagem acima possa impor
(em decorrência suficiente do consequente torpor)
o tipo certo de atenção
da série de mais opções
que aquela miragem sustém
[solitárias na multidão
solidárias com a questão].
...
{cabe-me então recuperar
um corpo são do aquecedor - a ventilar outro lugar}
terça-feira, 29 de setembro de 2015
REVISITA 96: A CHAVE
22º poema de À procura de Nefertari
Nunca eu soube de que lado era
a secreta entrada das câmaras
de mim, íntimas desconhecidas:
- por onde vieste, qual brisa agreste
assombrar de cima abaixo, frescor
verde-róseo varrendo sepulturas...
Dos corredores nunca percorridos
defuntos interiores nos abismos
embora pressentisse, eu não soube:
- até que dispondo o teu corpo
de tua alma depois em escritura
peregrino, me alçasse todo
num matutino longo vôo...
O que cofre involuntário frio
tinha aquele sólido sido
à superfície, vívido vidro
pulsante rachou vertical do exterior:
- no espiral vento, a utópica face
em rubor encantador, íngreme
do amor, fez-se ápice - a chave
inadvertida da felicidade...
30/04/2005
Nunca eu soube de que lado era
a secreta entrada das câmaras
de mim, íntimas desconhecidas:
- por onde vieste, qual brisa agreste
assombrar de cima abaixo, frescor
verde-róseo varrendo sepulturas...
Dos corredores nunca percorridos
defuntos interiores nos abismos
embora pressentisse, eu não soube:
- até que dispondo o teu corpo
de tua alma depois em escritura
peregrino, me alçasse todo
num matutino longo vôo...
O que cofre involuntário frio
tinha aquele sólido sido
à superfície, vívido vidro
pulsante rachou vertical do exterior:
- no espiral vento, a utópica face
em rubor encantador, íngreme
do amor, fez-se ápice - a chave
inadvertida da felicidade...
30/04/2005
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
SOLICITAÇÃO
por monções até o fim (das estações)
Até que venha
o que me aquiete
cortando a veia
que não se aquiete
a natureza
do que acontece
na terça-feira
na quarta-feira
no quinto teste
da sexta prece
(ver se acontece)
enquanto esteja
na correnteza
um eu que preste...
VESPERTINAS
quatro quadras
1.
A tarde, branca e singela
(à tarde, quando amarela)
é pálida, das janelas
e cálida, nas donzelas...
2.
A tarde, quando encapela
por dentro de uma olhadela
se tarde, faz com que velas
ao centro enfunem estrelas...
3.
A tarde, quando dá trela
destarte, a tempo acautela:
- caso amiúde procelas
de alaúde, ela as parcela...
4.
A tarde, quando encastela
à parte, enquanto flagela
(se sólida a cidadela)
é mórbida, desta cela...
domingo, 27 de setembro de 2015
(SE NÃO JÁ MORTO, QUASE)
Um domingo enfunado
pelo verbo estancado
[por um tempo cansado
de ventos enfurnados]
é o que avento no espaço
deste texto que ameaço
e não desembaraço
{desde cedo esse teor
independente do autor}
sábado, 26 de setembro de 2015
sexta-feira, 25 de setembro de 2015
REVISITA 95: ENTREDIZERES
20º poema de À procura de Nefertari
A tua voz, já um pouco triste
de sua atroz melancolia
repisa áspera dez gastas
pedras lisas. Púrpura, a via
locomovendo linhas várias
ancestrais vinhas de palavras.
Fiel depositário, um ouvido
se lançou rede em captura
das secas frutas que derrubas
junto a outras, belas de menos
mas nelas todas solitário.
(delas todas solidário
prometerei, sintáticos
mil favores semânticos
por ora pragmático)
[esclareço que replicarei, sem demérito
(seja a verdade, quimeras, ou mero confeito)
negócios de objetos com futuros perfeitos
num júbilo antecipado de amor a crédito]
26/04/2005
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
POR PARTES
é da idade
Esta tarde
a cidade
caminhei pela metade.
A metade
desta tarde
caminhei pela cidade.
A cidade
na metade
caminhei por estar tarde.
...
[nesta tarde
na cidade
caminhei pela metade]
Esta tarde
a cidade
caminhei pela metade.
A metade
desta tarde
caminhei pela cidade.
A cidade
na metade
caminhei por estar tarde.
...
[nesta tarde
na cidade
caminhei pela metade]
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
DO FIM DA COMPOSTURA
na cena jurídica (duas observações)
1. Ao menos à distância
(à margem, na verdade)
percebo a exuberância
(exótica, destarte)
daquela ignorância
togada da vaidade
cevada na constância
de sua impunidade:
- viceja na abundância
da vitaliciedade;
- atua em consonância
qual a moralidade;
- placebo em substância
tal a necessidade...
2. Par à repugnância
que mais exorbitâncias
ensejem à vontade
(entre um e outro mascate)
percebo uma alternância
(senão uma novidade)
naquela ignorância
tão dada a disparates
cuja deselegância
olente de fragrâncias
paleovernaculares
chegou aos populares:
- na ausência das flagrâncias
urgência de avatares!...
terça-feira, 22 de setembro de 2015
REVISITA 94: O CENTRO
19º poema de À procura de Nefertari
Do centro
egocêntrico
nada percebo
(só branco
o claro pião
girando imóvel).
O ar, a fala
tangíveis
entalam. Asfixiam.
O pensamento
paralítico
arrasta o silêncio.
O olho
vidra estático
como se não fosse
a tua foto
virtual
retrato perfeito
(do momento
crucial
sem movimento).
24/04/2005
segunda-feira, 21 de setembro de 2015
EPICURISTA VI
não há realidade a temer
... se me quedo sem escrever
por outra razão que prever
a inutilidade de haver
[esta, aliás - que paixão por trás!]
a mediocridade do ser
que sou impõe-se depender
da disposição do poder
que posso de contradizer
tal imprevisão - e escrever!...
domingo, 20 de setembro de 2015
ZORRO, SOCORRO!... II
hoje cedo
Vou caminhar
daqui a pouco
pra não pensar
(pra compensar)
que não corro
não percorro
nem recorro:
- ao divagar
só decorro
[ao me entregar
tão devagar]
sexta-feira, 18 de setembro de 2015
REVISITA 93: NO CAMINHO DE NEFERTARI
18º poema de À procura de Nefertari
Sempre a um passo, rastro, toque de algo
vivo extático o sonho, a rósea iminência
do desabrochar perfeito; do instante dourado
das portas abertas do palácio; do cristalino
estado das coisas plenamente reconhecidas:
- triunfo iluminista nas profundezas do abismo.
Sempre estou metro atrás de medir o calado
a devida compreensão da quilha embaixo;
dos grilhões no fundo, guardo a vaga impressão
de hóspede eludindo a mente, uma rasa noção
do que vaza por dentro:
- talvez torturado da verticalidade
dos impulsos vulcânicos de felicidade.
No momento contínuo das sedas em movimento
desdobradas indefinidamente desde sempre
percorro cuidadoso o teu sacro espaço:
- mas não macular processo, tempo, colheita
(a comunhão na bacia imperfeita das almas deste mundo)
desaponta possível o nosso único futuro...
[pulsa contrito o cardíaco sentimento
de amor zeloso aos corvos afastando]
23/04/2005
quinta-feira, 17 de setembro de 2015
DA SUBVERSÃO DA SONECA
por que abismo nela?
No meio do dia brilhante
tal escuridão ofuscante
rebrilha no dia potente
opaca escureza presente
em sonhos - certeza o bastante
enquanto sesteio inocente
do quanto o meu sono apreenda
do tanto que não compreendo
- cada qual pesadelo adiante...
No meio do dia brilhante
tal escuridão ofuscante
rebrilha no dia potente
opaca escureza presente
em sonhos - certeza o bastante
enquanto sesteio inocente
do quanto o meu sono apreenda
do tanto que não compreendo
- cada qual pesadelo adiante...
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
PEREBA
recorte
O passe
que passe
dá sorte
(má sorte).
O drible
que tente
(nos livre
que finte!)
- é a morte.
Já o chute
(consorte
do corte)
pro norte:
- seu forte
no esporte!...
O passe
que passe
dá sorte
(má sorte).
O drible
que tente
(nos livre
que finte!)
- é a morte.
Já o chute
(consorte
do corte)
pro norte:
- seu forte
no esporte!...
terça-feira, 15 de setembro de 2015
PERSPECTIVA DE CLASSE
do golpe abaixo da cinta
A eloquência dos de cima
- qual verdade cristalina
de uma ciência repentina
que repetem paulatina
cai violenta nos de baixo
como facada ou balaço
(preocupada todavia
face a tal desembaraço)
[educada no regaço
de que não há mais saída]
{ocupada morro acima
com o que esconde debaixo}
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
EPICURISTA V
Se disponho de café
como dispõe um mané
passo bem sob o boné
como bem fosse um josé...
Se disponho de puré
ou do que come a ralé
(acompanhando o café)
já evito a ação das polés
ou o vaivém das marés
habilitando sopés
sem depressão ou revés
numa montanha ao invés
- porém flanando através
desta galé sem convés...
EPICURISTA IV
Ampara a vida calma
(pretérita a medida)
um sono vindo d'alma
embora ao meio-dia:
- num sonho que enuncia
que no futuro havia
o que o presente empalma...
domingo, 13 de setembro de 2015
REVISITA 92: ANTES DE CAIR
17º poema de À procura de Nefertari
Sobressaltos não combinam com saltos altos
com coqueiros, eucaliptos, postes, edifícios
torres e montanhas; pontes e precipícios
inferiores abismos interiores:
- com alturas não medidas por desejos desmedidos.
Mesmo assim poço arrogante, invólucro de carne e osso
microscópico desafiante, sou da arte-imensidão do todo;
crente do amor, passo atrás do finalmente encontro
adiante crônico de felicidade infinita:
- corda e caçamba, parede, tombo e água fria.
Sobressaltos descarrilam trens de expectativas
implodem fantasias, denunciam guerrilhas
em luta nos campos minados das almas feridas...
A desamar a contradição que te habita
expansiva, cósmica valquíria
supernova explosiva
prefiro eterno desarmar o espírito
a desatar nós; fugir do teu fogo amigo
num amor de amigo convertido:
[por isso]
- antes de cair, devo ir.
22/04/2005
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